Interessante

Quatro ministros do STF defendem uso da lei de racismo para punir homofobia

Quatro dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votaram pela equiparação das práticas de homofobia e transfobia ao crime de racismo. O primeiro a se manifestar nesse sentido foi Celso de Mello, que concluiu o voto na quarta-feira. Nesta quinta-feira, concordaram com ele Edson Fachin, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. O julgamento deve ser interrompido em breve, para ser retomado na próxima quarta-feira.

Se a posição foi mantida pela maioria, quem ofender ou discriminar gays ou transgêneros estará sujeito a punição de um a três anos de prisão. Assim como no caso de racismo, o crime seria inafiançável e imprescritível.

Os quatro ministros concordaram que o Congresso Nacional foi omisso ao não legislar sobre o assunto. A equiparação ao crime de racismo teria validade até os parlamentares aprovarem norma específica sobre homofobia e transfobia. Não há prazo específico para o Congresso tomar essa providência.

— Entendo ser atentatório ao Estado Democrático de Direito qualquer tipo de discriminação, inclusive a que se fundamenta na orientação sexual das pessoas e na identidade de gênero — disse Fachin, que concluiu: — Nada na Constituição autoriza tolerar o sofrimento que a discriminação impõe. Toda pessoa tem o direito de viver em uma sociedade sem preconceitos. O Estado deve assegurar que os indivíduos de todas as identidades e orientações sexuais possam viver com a mesma dignidade e fruir do mesmo respeito das outras pessoas.

Fachin declarou que, se sua posição prevalecer, o STF não estará legislando sobre o assunto. Ele ressaltou que a norma está no artigo 5º da Constituição Federal, segundo o qual “a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais”.

Moraes lembrou os crimes cometidos contra homossexuais e transexuais no Brasil e atribuiu o aumento desse tipo de prática à falta de legislação específica.

— Há incidência do direito penal somente para os casos limites. Só que os casos vêm chegando a esses limites porque não há legislação para ser aplicada, para evitar que a pessoa transfóbica e homofóbica tenha um limite penal para não chegar ao teto, que é praticar homicídio. Nada insufla mais o criminoso do que a impunidade. Ele se sente tão à vontade, que pode chegar ao limite — declarou Moraes.

Barroso voltou a dizer que o STF deve ter um “papel iluminista de empurrar a história, mesmo contra a vontade majoritária, mesmo contra o Congresso, mesmo contra a sociedade”.

— A orientação sexual de uma pessoa é um fato da vida, e não uma escolha. A orientação sexual de uma pessoa é um fato da vida, e não uma escolha — ponderou Barroso.

As ações em julgamento, que são de autoria do PPS e da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT), pedem que a homofobia e a transfobia sejam equiparados ao crime de racismo, por se enquadrar no conceito de discriminações atentatórias a direitos e liberdades fundamentais, protegidos pela Constituição Federal. As entidades alegam que, como o Congresso Nacional não legislou sobre o assunto, caberia ao STF disciplinar sobre o tema.

Essa é a quarta sessão para discutir o tema. Antes de começar a votação, se manifestaram o advogado-geral da União, André Mendonça, e o vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia. Os dois estavam em campos opostos. Mendonça argumentou que, embora a discriminação seja condenável, a atribuição de legislar sobre o assunto é do Congresso Nacional.

Maia, por sua vez, fez um duro discurso pela punição da homofobia e da transfobia. Entre os advogados da causa que fizeram sustentação oral no plenário, estavam presentes representantes de religiosos e de grupos de defesa de gays e transgêneros.

Homofobia é um tema polêmico na relação entre os Poderes. O Congresso resiste a legislar sobre o tema há anos. A nova legislatura, inaugurada no dia 1º, ainda não teve oportunidade de tratar do assunto. É também um assunto delicado na relação com o presidente Jair Bolsonaro. Em discurso, ele já disse que preferiria ver um filho morto do que assumindo eventual homossexualidade.

FONTE: EXTRA

FRNEWS TV: Intercâmbio técnico fortalece parceria entre SENAR Rondônia e SENAR Mato Grosso

CLIQUE NA IMAGEM ABAIXO E ACESSE NOSSO APLICATIVO NA NUVEM

COLUNISTAS

PUBLICIDADE

Acesse nossa Página do Facebook

RESENHA POLITICA

TEIA DIGITAL

  • Coluna Teia Digita: Micro e Pequenas empresas exige mudanças para enfrentar 2027 – Por Silvio Persivo

    Que nem promessa de político depois das eleições. “Estou tentando escrever uma autobiografia. Mas, não me lembro nem de ontem” (Keith Richard). BANCOS DE RONDÔNIA SUSPENDERAM ATENDIMENTO PRESENCIAL NA QUINTA-FEIRA Os bancários de Rondônia, que reivindicam reajuste salarial, mudanças nos benefícios, entre eles o vale-alimentação, e manutenção dos postos de trabalho, deixaram as agências bancárias […]