Em Linhas Gerais

Não tem justificação usar fundo partidário na farra eleitoral em plena pandemia – Por Gessi Taborda

FILOSOFANDO

“Um líder é um vendedor de esperança”. NAPOLEÃO BONAPARTE, líder político e militar nascido em 15 de agosto de 1769. Foi imperador dos franceses de 18 de maio de 1804 a 6 de abril de 1814, posição que voltou a ocupar por poucos meses em 1815.

EDITORIALZIM

Nasci em agosto, no ano de 1951. Quando rapazola ficava bravo com quem dizia que agosto era um mês fatídico, o mês do cachorro louco. E aí aqueles que queriam me atazanar vinham com argumentos irrespondíveis, como esse: foi no mês de agosto que o Getúlio suicidou-se. Então eu rebatia com outro argumento: é, más foi no mês de agosto que nasceu Napoleão Bonaparte…

Agora, digo sem medo de errar: o mês mais fatídico é março. Quem andou lendo obras de Shakespeare certamente vai se lembrar que na peça “Júlio Cesar” o bardo britânico faz uma advertência ao ditador Júlio Cesar pouco antes dele ser assassinado: “Cuidado com os idos de março”, o mês do imponderável, das bruxas, das fatalidades. Júlio Cesar deixou de lado a advertência e foi apunhalado 23 vezes, vítima dos senadores romanos.

Nessa questão vivo citando o provérbio espanhol: “Non creo en brujas, mas ellas existen”. Mas… No Brasil, o mês de março trouxe mais estragos do que agosto. Se, para os romanos, sempre foi o mês de acontecimentos trágicos, há marços brasileiros que nos trazem amargas lembranças. Foi, num 13 de março, em 1964, que o então presidente João Goulart (Jango) fez o desastrado discurso que atemorizou grupos poderosos. Jango provocou a reação inicialmente dos paulistas, liderados por religiosos, movimentos femininos e o impagável Adhemar de Barros. E, assim, no dia 19 – daquele março de 1964 – aconteceu a piedosíssima “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”. Para se ver, que Deus não é novidade em manifestações políticas. Pelo menos, nestas terras brasileiras…

A pandemia está aí, fazendo-nos vítimas mesmo sem ainda nos contaminar. E ela nos coloca diante de uma admirável possibilidade de poder olhar para trás. E mantermo-nos, então, atentos e despertos às lições aprendidas. Na realidade, um aprendizado mais com erros e equívocos do que com acertos. A alegria vivifica; a dor ensina. Tragédias acontecidas podem não prevenir as próximas, mas deixam lições. A pandemia atual é um sinal dos tempos. E, portanto, uma especial oportunidade para pensar, refletir. Agora uma reflexão universal: o que fizemos? Desconsidere o ruim. Dê igual trato ao insignificante e procure entender, de uma vez por todas, que, nesta jornada, do nascimento à morte, tudo vale a pena. Até o sofrimento. Não desconsidere nenhum detalhe de alegria e prazer ou de dor. Embebede-se das memórias da infância.

Pensadores da Antiguidade entendiam que, quando cai a folha de uma árvore, as estrelas reagem. É a admirável percepção de que tudo o que está em cima está, também, embaixo. Se raios de Sol e de Lua incidem sobre a Terra, influenciando-a, criando estações, mudando climas, alterando marés, determinando épocas de flores, de frutos, de descanso – como imaginar o ser humano escapando a tudo isso? Apesar das dores, medos, sustos estamos diante de uma oportunidade raríssima de buscarmos outros caminhos. Mais humildes, mais solidários, mais verdadeiramente humanos. Afinal, não temos nada de super-homens. Um vírus desmancha planos econômicos, mostra a ficção das bolsas de valores, causa pânico. E convida o super-homem a redescobrir: “Tu és pó.” Poeira de estrelas.

HÁBITOS ANTIGOS

Quem imaginava que a nova legislação eleitoral dando fim às coligações nas eleições proporcionais daria início, de verdade, a uma “nova política” já está constatando a enorme distância entre o objetivo anunciado e a prática dos políticos idosos ou novos formados nos antigos hábitos. As alianças espúrias continuarão existindo na política local. Os políticos, como sempre, acabam descobrindo um meio adaptar o antigo jeito de se fazer política às novas regras vigentes. As alianças espúrias já estão sendo costuradas para a disputa programada (ainda) para outubro. Ninguém está nem aí para o fortalecimento dos partidos e muito menos para os chamados programáticos ou ideológicos. Na maioria dos casos em que se formam essas alianças espúrias só uma coisa importa: o salvem-se quem puder!

Se a coligação nas eleições proporcionais é tida como uma deturpação do sistema eleitoral brasileiro, não bastou o seu fim para contribuir para o fortalecimento dos partidos.  Sem coligação, quase metade dos vereadores da Câmara Municipal de Porto Velho criou uma forma de desvio que incorpora o pior que caracterizava as coligações , que juntava políticos sem nenhuma identidade. Essa tática dos “chapões” deve se repetir em várias cidades rondonienses. Ficará claro novamente que os partidos continuam servindo, apenas, para dar legalidade a candidatos onde as candidaturas avulsas não são permitidas; privatizando os partidos. Nesse cenário a grande pergunta ainda sem resposta é a seguinte: como justificar o fundo partidário para custear essa farra com o dinheiro público que está faltando no custeio do estado?

MAL COMEÇO

Aparecendo cada vez mais como um provável candidato à prefeitura de Porto Velho, o desembargador aposentado Walter Waltenberg numa de suas primeiras exposições públicas sobre assuntos sensíveis à opinião pública começa mal, demonstrando não ter o necessário DNA político para enfrentar uma disputa dessas. Ele simplesmente defende o uso do Fundo Eleitoral para o custeio das campanhas dos próximos candidatos.

O desembargador aposentado parece desconhecer a situação crítica do país no momento, e a fatura com os efeitos da pandemia do Covid19. Vai ser difícil conseguir apoio popular para sua provável candidatura defendendo posições rejeitadas pela imensa maioria do eleitorado. O desembargador que pretende entrar na passarela eleitoral afirma em declaração à mídia que “o fundo eleitoral é uma conquista” importante “para a democracia”. Conquista de quem, cara pálida?

ENRIQUECIMENTO

Pelo histórico da política nacional seria ingenuidade imaginar que os bilhões reservados para a eleições vá chegar aos candidatos mais pobres. Quem segue as informações da política está careca de saber que dinheiro destinados aos partidos acaba, via de regra, na mão dos caciques da legenda, dos “donos” dos partidos. Tem servido para o enriquecimento destas castas e para o aumento da corrupção eleitoral.

Diante da situação de caos econômico a ser enfrentado pelo Brasil, o dinheiro desse Fundo (e também do Fundo Partidário) deveria ser transferido para a Saúde, no combate da pandemia. Essa é a cobrança da maioria do eleitorado brasileiro e até de políticos mais comprometidos com o fortalecimento da economia do país. Num país de tantas carências, de desemprego massivo, de inexistência de programas de saneamento, chega a ser difícil que alguém possa defender esses canais usados para o enriquecimento rápido de grupos políticos seja apenas ingenuidade. Afinal nesse cenário de empresas destroçadas (especialmente as pequenas), use-se dinheiro público para alimentar candidaturas nascidas do nada, deixando-se de apoiar empresas que geram empregos e arrecadação para o funcionamento da máquina pública.

ADIAMENTO

Em virtude da pandemia do Covid19 é cada vez maior a possibilidade de adiamento das eleições programas para o próximo mês de outubro. Isso foi o que comentou para a coluna uma fonte brasiliense consultada. A fonte considerou que a ideia inicial de prorrogação do mandato dos atuais vereadores e prefeitos não deve prosperar pois a coincidência de eleições “é quase indefensável” já que as pautas das eleições municipais são completamente diferentes e, por isso, “devem ser realizadas em períodos distintos”.

A mudança nas regras da realização do pleito programado para outubro tem de ser decidida pelo Congresso, com a aprovação de uma emenda constitucional. O assunto no Congresso ainda não saiu da fase das especulações. Nessa lenga-lenga toda há quem acredite que, dependendo da evolução da pandemia, o pleito possa ser realizado em dezembro. Até agora a tendência existente entre os políticos de Brasília é a manutenção das regras atuais.

MINISTRO

Até o Ministro Luís Roberto Barroso admite o adiamento das eleições. “Se chegarmos em junho sem um decréscimo substancial da pandemia, é possível ter que fazer esse adiamento, que não deve ser por um período mais prolongado do que o absolutamente necessário para fazerem eleições com segurança”. E continuou: “Há questões políticas e operacionais. As políticas são as datas das convenções partidárias, que têm limite até 5 de agosto e envolvem aglomeração. Além do próprio início da campanha, em 15 de agosto. Portanto, se houver risco de aglomerações em agosto, temos um problema”.

JANELA FECHADA

Quem  mudou, mudou. Quem não mudou, não muda mais. Isso porque foi encerrado no último dia 3 de abril o período em que os agentes públicos eleitos para cumprir mandato podiam trocar de legenda sem nenhum ônus. O lapso eleitoral, chamado de janela partidária, possibilitou a diversos vereadores migrarem para outras siglas que julgaram adequadas, estrategicamente falando, de olho na renovação de seus mandatos nas eleições que devem acontecer este ano. A troca de partido foi registrada em todos os grandes municípios. Um dos fatores de maior preponderância para a migração de uma legenda para outra foi, sem dúvida alguma, o fim das coligações.

MAIS CANDIDATOS

Nas próximas eleições, o partido deverá atingir o quociente eleitoral sem contar com o apoio de outros partidos, o que era comum nos pleitos passados. Na prática, a mudança é uma alteração radical no jeito de fazer política, uma vez que os partidos, sobretudo os menores, precisarão, agora, lançar o máximo de candidatos admitidos para aumentar as chances de atingir o quociente. Os vereadores que tentarão uma reeleição, cientes da dificuldade que os partidos nanicos terão para colocar seus nomes na praça, se movimentaram para tentar garantir a renovação de seus mandatos. Mesmo aqueles que estavam em partidos considerados médios decidiram “mudar de ares” em busca de chapas mais sólidas. Até o momento não tivemos acesso à relação oficial consolidada dos políticos que se aproveitaram da janela eleitoral.

AUSTERIDADE

O deputado presidente da Assembleia Legislativa, Laerte Gomes, tentando responder críticas à sua gestão como chefe do parlamento rondoniense, afirma sem o menor pudor que sua marca é a (ah!ah!ah!) austeridade. E para dar contornos de realidade a esse mantra garante a devolução de 50 milhões de reais do orçamento da Casa para o Executivo. Na austeridade de Laerte o número exagerado de comissionadas existentes na folha do legislativo (nos cargos mais regiamente pagos) é absolutamente normal, como se no último concurso público realizado pelo poder não houvessem milhares de aprovados até hoje não chamados para ocupar suas funções.

Esse é o político que imagina ter à sua frente uma longa caminhada para chegar (se der) ao poder máximo do estado. Ora, não é mantendo na Casa um média em torno de 70 servidores por deputado que ele vai conseguir apoio do povo esclarecido.

Aliás, este é um momento para Laerte demonstrar de forma cristalina seu lado austero. Que ele aceite o desafio de reduzir já, enquanto durar os efeitos da pandemia do Covid-19, em 30% o valor do que cada deputado recebe todo mês. E que esse mesmo índice se aplique os servidores lotados no alto escalão da casa. Será que ele vai aceitar o desafio?

RATIFICADA

A Lava Jato ratificou a denúncia feita em 2017 contra o ex-senador Valdir Raupp sobre recebimento de propinas no esquema de corrupção da Transpetro. O ex-senador encabeçou por um bom tempo a lista dos mais importantes políticos de Rondônia, estado que chegou a governar. Seu envolvimento com a corrupção encerrou sua carreira política, como senador, e a de sua mulher, Marinha Raupp. Na última disputa de que participou com o sonho de renovação do mandato, Valdir Raupp ficou na quinta posição na contagem de votos. Sua mulher também foi derrotada após vários mandatos de deputada federal mas, mesmo assim, terminou como primeira suplente. Ela sonha ainda em retornar à Câmara, mas para isso vai depender do deputado Leo Moraes aceitar e ganhar a disputa como prefeito.

ASSASSINADO

Alberto de Carvalho Andreoli, de 31 anos, foi assassinado com cerca de 10 facadas na Rua Venezuela com Abunã, em Porto Velho. O crime aconteceu na madrugada do domingo (12). Alberto é filho do jornalista Paulo Andreoli, dono do site de notícias Rondoniaovivo. O suspeito de praticar o homicídio foi preso pela polícia mas até o momento não se revelou o motivo do ataque. A vítima foi servidor comissionado da Assembleia.

APOSENTADOS

Continua valendo a suspensão do recadastramento de aposentados do Iperon, Esse recadastramento costuma a ser realizado no mês de aniversário do aposentado. Agora essa norma está suspensa até 23 de junho. Os segurados do Iperon não sofrerão bloqueio nos pagamentos.

ADIADOS E SUSPENSOS

Com milhões de pessoas perdendo fontes de renda ou ganhando menos por causa da pandemia de Covid-19, está cada vez mais difícil pagar os boletos em dia. Para reduzir o prejuízo, o governo adiou e até suspendeu diversos pagamentos nesse período. Tributos e obrigações, como o recolhimento das contribuições para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), ficarão para depois. Em alguns casos, também é possível renegociar. Graças a resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN), os principais bancos estão negociando a prorrogação de dívidas. Os agricultores e pecuaristas também poderão pedir o adiamento de parcelas do crédito rural. A Agência Nacional de Saúde (ANS) fechou um acordo para que os planos não interrompam o atendimento a pacientes inadimplentes até o fim de junho, enquanto consumidores de baixa renda ficarão isentos de contas de luz por 90 dias em todo o país.

SERIEDADE

O Brasil não vai deixar de ser o país das esperanças para a maior parte de seu povo. Apesar de ser um país que passa por problemas de toda ordem e que não param de incomodar e decepcionar os brasileiros, como o desemprego, a violência, a concentração de renda, as injustiças sociais, o transporte público deficiente e a corrupção desenfreada, entre outros, o potencial econômico do Brasil ainda permite que ele tenha condições de figurar entre as dez maiores forças econômicas do mundo.

No caso de Rondônia, se os seus últimos governadores fossem mais responsáveis e conscientes para não abusar continuamente da paciência do povo, certamente o estado estaria num patamar mais alto e sendo muito melhor para todos. O problema é que nossos governantes nem sempre tiveram seriedade no desempenho de seus cargos. Isso não é retórica. Foram os governantes desse estado que nunca fizeram nada para, por exemplo, dotá-lo de um  verdadeiro sistema de saneamento em todas as suas cidades.

COMEÇOU MAL

O primeiro governador eleito de Rondônia (hoje ninguém lembra disso) foi o sujeito que comprou o João Paulo II num negócio nebuloso e nunca esclarecido. E não se pode esquecer que também foi um governador (do MDB) que permitiu o colapso do Beron, gerando essa dívida impagável. E aí está, agora, esse novo governador que mantém ao seu lado gente sem nenhum lastro para fazer a economia fluir. Um, seu chefe da casa civil, é um simples ex-dono de supermercado que faliu exatamente por má gestão. Na saúde um outro despreparado para o cargo. O que falta é mais seriedade e deixar o jogo do faz de conta de lado. Nesse momento de alta gravidade, o governo fica preso em seu castelo e não diz nada sobre como frear o desemprego, sempre será difícil demais para ser contornado.

O QUE FALTA

O que falta é criar mais oportunidades e perspectivas de desenvolvimento para a camada mais jovem da população. Não há como negar que a juventude hoje vê a escola pública como algo desinteressante nas mãos de políticos descompromissados e despreparados. O ensino público está cada vez mais defasado e a maioria da mocidade, infelizmente, não tem a educação que deveria ter. Por isso mesmo, não são poucos aqueles que são obrigados a pagar uma escola particular para obter um conhecimento melhor. O fato é que deveria existir uma educação de qualidade que pudesse gerar esperanças e oportunidades para todos. A escola deveria ser um lugar especial, sem a violência dos alunos, um lugar transformador e formador de opiniões. Infelizmente, porém, o Brasil sempre acaba acolhendo tudo aquilo que não funciona, daí estar ocupando a rabeira todas as atividades profissionais.

AUTOR: GESSI TABORDA –  JORNALISTA  –  COLUNA EM LINHAS GERAIS

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

CHARGE – CARTUNISTA

COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: As perspectiva de inflação pioram segundo Boletim Focus – Por Silvio Persivo

    Sobre os fatos hediondos e lamentáveis. “Aconteceu e, portanto, pode voltar a acontecer: está a essência do que temos para dizer” (Primo Levi). BLACK FRIDAY IMPULSIONA COMÉRCIO DE RONDÔNIA Segundo a  Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio/RO). a Black Friday de 2026 deve movimentar cerca de R$ 736 milhões em Rondônia. Para Porto Velho, a estimativa é de R$ 147 milhões em vendas, com um crescimento previsto de 3,2%.  No cenário nacional, um estudo da Stefanini Marketing estimou que a data poderá gerar R$ 14,47 bilhões em vendas e 18,3 milhões de pedidos. Uma sondagem da Fecomércio/RO aponta que 68,4% dos consumidores pretendem fazer compras. Entre os produtos mais procurados estão roupas (51,8%), eletrodomésticos (31,9%) e eletrônicos (23%). A pesquisa também aponta que 48,1% planejam pagar à vista, enquanto 50,9% pretendem antecipar as compras para a semana anterior à Black Friday. Para a Fecomércio/RO, a movimentação antecipada pode estender o período de promoções e contribuir para as vendas de fim de ano. “A antecipação das compras deve ampliar o período de promoções e, este ano, inclusive com o apoio direto do Sebrae de Rondônia, os empresários se prepararam mais. Daí a suposição de que a Black Friday deve impulsionar as vendas de fim de ano”, disse o presidente da entidade, Raniery Araújo Coêlho. PREÇO DO DIESEL AUMENTA QUASE 2% EM RONDÔNIA O Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que acompanha o comportamento de preços nos postos de combustível, aponta que Rondônia registrou um cenário de alta nos preços dos combustíveis em outubro, na comparação com setembro, com exceção do etanol.  O diesel comum subiu 1,93%, custando em média R$ 7,39 já o S-10 ficou 1,87% mais caro, com preço médio de R$ 7,61, enquanto a gasolina subiu 0,13%, alcançando R$ 7,45. No sentido oposto, o etanol recuou 0,58%, cotado a R$ 5,14. Segundo Vinicios Fernandes, Diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade, “Em outubro, Rondônia apresentou uma tendência de alta nos preços da maior parte dos combustíveis, com destaque para o diesel, que registrou os avanços mais expressivos no período. Com a queda registrada no período, o etanol se consolida como a opção mais econômica e sustentável para os motoristas rondonienses”. ENCONTRO DE CATADORES DE MATERIAIS RECICLÁVEIS DE RONDÔNIA O governo do estado realizou na segunda-feira (2) o 4º Encontro Estadual de Catadores de Materiais Recicláveis, entre os municípios de Presidente Médici e Ji-Paraná. Durante o evento, encerrado na terça-feira (3), cerca de 100 profissionais organizados em cooperativas, associações ou de forma individual participaram da programação, coordenada pela Secretaria de Estado da Mulher, da Família, da Assistência e do Desenvolvimento Social (Seas), com palestras, visita técnica, atividades práticas e levantamento de demandas que ampliem a geração de renda, qualifiquem a atuação das cooperativas e associações, difundam práticas seguras de trabalho e consolidem propostas para o desenvolvimento da política pública de reciclagem inclusiva no estado.  A titular da Seas, Luana Rocha reforçou, que com estes encontros o governo, por meio da Seas, contribui com a organização dos catadores no estado para o fortalecimento das cooperativas e a construção de uma pauta unificada em defesa da reciclagem inclusiva em Rondônia. ““A escolha de Presidente Médici atendeu ao pedido dos próprios catadores, apresentado no Fórum Estadual de Lixo e Cidadania, pelo fato de o município estar mais centralizado, favorecendo a participação de um número maior de catadores. Nesta edição foi inserida pela primeira vez a oficina do projeto “Recicla ON”, do Instituto Gea, do estado de São Paulo, focada na capacitação e estruturação de cooperativas de catadores para a destinação correta de resíduos eletroeletrônicos (lixo eletrônico). AS PERSPECTIVAS DE INFLAÇÃO PIORAM SEGUNDO O BOLETIM FOCUS A mais recente edição do Boletim Focus mostra uma piora drástica das expectativas dos investidores com relação à inflação, aos juros e à taxa de câmbio. A piora se inicia pela inflação. Há quatro semanas, a estimativa este ano foi de 5,01%. Na semana passada, subiu para 5,19% e, nesta edição, avançou para 5,22%, bastante acima do teto da meta.  A projeção para 2027 também piorou. Nas últimas semanas, a expectativa estave ao redor de 4,3%. Acima da meta de 3%, mas dentro do limite aceitável. Agora, a projeção avançou para 4,76%, acima do teto de 1,5% da meta. A alta prevista é menos intensa nos anos de 2028 e de 2029. Porém, as estimativas para esses dois anos se situavam ao redor de 3,5% e agora estão ao redor de 4%, também  acima da meta. RESILIÊNCIA DA ECONOMIA GLOBAL DIMINUI AFIRMA FMI O documento final da 54ª reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC), nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, alerta que a economia global resiste a choques, mas sua capacidade de absorver novas turbulências diminui, após o desmantelamento da ordem geopolítica, conflitos e danos às cadeias de suprimentos, pela pandemia e por guerras. Assim o FMI pede políticas mais consistentes, reconstrução das reservas fiscais, estabilidade de preços e cooperação entre nações. O World Economic Outlook projeta um crescimento mundial de 3,1% em 2026 e 3,4% em 2027, e inflação global de 4,7% neste ano, recuando para 4,1% no próximo. Há diferenças: países beneficiados por investimentos em IA e condições comerciais favoráveis têm perspectivas melhores do que importadores de energia e economias de baixa renda. Interessante é que o documento destaca os riscos do endividamento público: a alta dos rendimentos dos títulos soberanos, somada à dívida elevada, pode encarecer o crédito. Recomenda consolidação fiscal e marcos fiscais, preservando investimentos prioritários e a proteção social; transferências temporárias e direcionadas seriam mais eficientes do que controles generalizados de preços. Na política monetária, pede estabilidade de preços, decisões baseadas em dados, comunicação clara e independência dos bancos centrais. A inteligência artificial impulsiona investimentos, comércio e produtividade, mas seus benefícios tendem a ser desiguais; revisões nas expectativas de rentabilidade podem provocar correções nos mercados e ampliar disparidades. AUTOR: SILVIO PERSIVO –  TEIA DIGITAL

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