Justiça

Ministra Damares quer acabar com visitas íntimas em presídios

Meta dos próximos anos, segundo Damares Alves, é ressocializar jovens infratores brasileiros e acabar com a possibilidade de visita íntima; durante entrevista exclusiva, ministra disse ainda que vai estimular denúncias de desigualdade salarial

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, afirma que a meta dos próximos três anos é reformular o processo de ressocialização dos jovens infratores no País e avisa que vai acabar com a possibilidade de visita íntima. “Mamãe Damares vai mandar bola, livro, arroz e feijão. Camisinha e lubrificante, não”, diz ao Estado.

Em 2012, uma lei sancionada pela ex-presidente Dilma Rousseff garantiu o direito à visita íntima para jovens infratores casados ou que vivam, comprovadamente, em união estável.

Apesar de toda a popularidade, Damares, que também é pastora, pedagoga e advogada, descarta, hoje, ser candidata: “Sou candidata a uma rede numa casinha em Aracaju (SE)”. Durante a conversa, a ministra chorou mais de uma vez ao falar de momentos polêmicos de sua gestão e diz como transformou o episódio do “Jesus na goiabeira“, narrado por ela no início do governo, para explicar a série de estupros que sofreu entre os 6 e 8 anos de idade A seguir, os principais trechos da entrevista:

O Orçamento da sua pasta teve um corte de 20% para o próximo ano. Como trabalhar com isso?

Duplicamos o número de emendas (recursos que deputados e senadores escolhem as áreas onde aplicar). Teve secretaria que saiu de R$ 1 milhão para R$ 15 milhões em emendas, como a do Idoso. Estamos também trabalhando com parcerias. Fechamos agora com a Avon para divulgação do Disque 180 (canal de denúncia para a violência contra a mulher). O anúncio vai estar nas revistas e nos produtos da marca. Em uma segunda fase, vamos treinar todas as vendedoras para serem agentes de proteção da mulher.

Sem contrapartida?

É sem contrapartida. O poder público não vai fazer sozinho. Precisamos descentralizar as ações. Quando o Bolsonaro fala em mais Brasil e menos Brasília, é isso que ele quer. Chega de técnicos de “ólogos e ólogos” ficarem atrás de uma mesa decidindo o que tem de acontecer lá na ponta.

Qual é a agenda do ano que vem?

Estamos construindo o maior pacto de proteção à criança no Brasil. Temos R$ 100 milhões da Petrobrás para ampliar e construir unidades socioeducativas. Preciso entregar 62 unidades no Brasil. Estamos com cinco mil meninos nas ruas. Nos próximos três anos, vamos priorizar as entregas das unidades. Mas não quero só construir. Queremos mudar a forma de atendimento. Eles têm ido às unidades e saído piores. Nós precisamos recuperar. Por exemplo, vou fazer algumas unidades em fazenda. Vamos ter unidades voltadas ao esporte de alto rendimento e trabalhar muito uma educação de qualidade.

Mas não dá para fazer tudo isso só com os R$ 100 milhões da Petrobrás….

O dinheiro dos leilões, das estatais, das vendas, parte irá para as nossas unidades. Acho que consigo construir todas em três anos e também fazer uma parceria público-privada para ajudar em programas nas unidades. Por exemplo, uma coisa que vou rever: não aceito visita íntima para meninos. Qual a idade da namorada que vai lá transar com ele? Vou enfrentar isso. Mamãe Damares vai mandar bola, livro, arroz e feijão. Camisinha e lubrificante, não.

No lançamento do disque 180 a senhora ficou calada. O que achou da repercussão sobre sua atuação?

A ideia foi minha. Achei que devia ter tido um pouco mais de compreensão da imprensa. A ideia da campanha era “não tire a voz de uma mulher”, estava muito bem construída e eu que queria participar. Não causei nenhum prejuízo para imprensa, ninguém se deslocou para ir até lá, gastou gasolina ou deixou de fazer o que estava fazendo para ir. Queria que eles vissem uma mulher que fala demais ficar no silêncio. Não me arrependo.

A senhora acha que fala demais?

Eu falo muito, mas não mais do que o necessário. Se me deres o microfone, eu uso. Se não me deres, uso também. Não estou no Parlamento, mas meu papel é falar e falar.

A senhora está entre as ministras mais bem avaliadas no governo. A que atribui essa popularidade?

Que fique bem claro que a popularidade não é minha, é o ministério, é a pauta. Se trouxermos isso para mim, vou ficar muito triste. Falamos o que o Brasil queria ouvir, como proteção da infância, com paixão e entrega. Essa minha pasta é especial, é extraordinária em valores. Bolsonaro foi eleito por maioria de votos e quem votou nele sabia quais são as propostas dele. Ele tem um tripé: economia, segurança pública e valores. Então, você observa que são esses três ministérios que estão no coração do povo.

A senhora defende também a licença-maternidade de até um ano? A senhora vai conseguir apoio na política liberal do ministro da Economia Paulo Guedes?

Vamos, sim. O Guedes é um liberal, mas com um coração no social. Talvez vocês não estejam sentindo isso.

Guedes abre espaço para uma agenda social?

Podemos avançar muito. Por exemplo, quando lançamos o selo empresa amiga da família, ele ficou extremamente feliz. No próximo ano vamos reforçar muito a questão do trabalho e família. O Guedes é um entusiasta sobre isso. Agora, estamos trabalhando empresa e direitos humanos, ele também é um entusiasta sobre isso.

A senhora já disse que se considera uma mulher empoderada. O filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), este ano usou as redes sociais para pedir que os professores não ensinem feminismo nas escolas. A senhora concorda com essa posição?

Quando eu falo que sou empoderada, estou usando exatamente o sonho das feministas que é empoderar uma mulher. Eu tive oportunidades, estudei, entendo que a educação é a redenção, lutei muito. Queria dizer para essas feministas que me criticam tanto que acho que poderíamos ter esse diálogo. Elas poderiam usar o meu exemplo na luta delas. Venham conversar comigo. Sou uma mulher que veio lá de baixo, não tinha nem sapato para ir à escola e hoje é uma ministra.

Desse ponto de vista a senhora acha que pode ser considerada uma feminista?

Mas eu sou uma feminista. O problema é o que é o feminismo? Essas mulheres loucas na rua gritando, com bandeiras, peladas e quebrando tudo? O que eu questiono é a forma que elas lutam por igualdade. Eu desafio vocês a pedir a uma feminista mostrar quantas mulheres ela levou para casa e protegeu da violência, quantas de fato ajudou? Só gritar hoje será o suficiente? Depende do que você entende por feminismo. Se lutar pelo direito das mulheres é ser feminista, eu sou. Se lutar para que todas tenham oportunidade e dignidade, eu sou.

Mas esse pode ser ensinado na escola?

Igualdade e oportunidade, claro! Isso tem de ser falado na escola. Respeito à mulher tem de ser falado na escola.

Como a senhora vê a questão da diferença salarial entre mulher e homem?

Temos que acabar com essa palhaçada. Vamos ter que denunciar e aplicar multas. Isso é lei. O nosso 180 agora vai ter um canal direto para denunciar isso sem precisar se identificar. Se no seu trabalho estiver acontecendo, pode denunciar que nós vamos para cima. Isso não vai ficar barato.

No dia 20, o presidente falou a um repórter “Você tem uma cara de homossexual terrível, nem por isso eu te acuso de ser homossexual. Se bem que não é crime ser homossexual”. A senhora está a frente das políticas de combate ao preconceito com a comunidade LGBT+. Essas falas ajudam nesse processo de conscientização?

Me parece que o presidente tentou consertar isso depois. O que acontece com meu presidente, ele fala muito. Ele não quis dizer “eu estou te julgando pela sua aparência”, o que ele quis dizer foi o seguinte “eu não julgo ninguém pela aparência”, “eu não critico ninguém”.

A senhora disse que os Direitos Humanos fizeram pouco para a situação dos indígenas, mas também fizeram pouco para as periferias, pela morte de jovens negros. O que a senhora vai fazer por isso?

Nós estamos combatendo a violência.

Mas o que a sua pasta pretende fazer? Como deve atuar em relação a isso?

Nós queremos fortalecer os comitês e os mecanismos de torturas nos Estados e municípios. ‘Ah, ministra, vocês acabaram com os mecanismos de tortura?’ Não. Nós acabamos com os cargos que estavam aqui e eram indevidos. O que está acontecendo no Brasil hoje não é uma matança de negros por eles serem negros. Essa é imagem que se passa de que eles estão sendo assassinados porque são negros e tão somente porque é negro. Nós temos que entender que a violência está aqui embaixo com o povo. Os negros são maiorias no Brasil. É óbvio. Agora, que os meninos negros estão em uma condição social inferior a gente sabe. Então, o que nós temos que trabalhar é a educação aqui, nós temos que trabalhar desenvolvimento. Eu estou muito preocupada com essa geração nem-nem.

A senhora defende o excludente de ilicitude (situações em que militares e agentes de segurança podem ser isentados de punição ao cometer algo considerado proibido por lei, como matar)?

Eu concordo com o ministro (Sérgio) Moro (Sérgio, Justiça e Segurança Pública) na forma como ele apresentou a proposta (pacote anticrime). Eu não posso dizer que todos os policiais que estão nas ruas vão pegar arma e sair matando tão somente por matar. Eu trabalho com a Polícia Militar. Dizer que todos que estão lá são bandidos e que foram treinados para matar e somente para matar é a gente colocar em risco a sociedade.

Há o caso da menina Águatha, o caso de Paraisópolis, a senhora não acha que ampliar o excludente pode aumentar a violência?

Não acho. Ela vai dar mais segurança jurídica a quem está combatendo a violência. Trabalho em comunidades a minha vida inteira e sei o que acontece lá.

A polícia é preparada?

O maior salário do Brasil deveria ser para professor e policial. Não é de ministro, não.

A senhora é a ministra mais próxima da primeira-dama. Como é esse relação?

A pauta dela é também a minha pauta. A Michelle tem muita vontade de fazer. E a ela agora foi dado o Conselho do Voluntariado e vejo neste conselho uma perna desse ministério. Nós vamos ao Marajó agora fazer um grande trabalho com médicos na Ilha. A Pátria Voluntária pode gerir esse trabalho de voluntariado lá para mim. Ela tem sido essa parceira. Também porque somos evangélicas e temos muitos amigos em comum. Eu a vejo como uma líder. É extremamente inteligente. Não é só um rosto bonito, não.

A senhora esteve recentemente com o Papa Francisco. Há pessoas no governo que o classificam como “globalista”. O chanceler Ernesto Araújo chegou a escrever que a eleição de Francisco seria a chegada da “ideologia marxista” na Igreja. A senhora concorda com isso?

Postei minhas fotos com o papa e vi manifestações contra ele. Fiquei assustada com os comentários. Não vou me envolver em questões políticas internas, mas reconheço ele como a autoridade maior da Igreja e um chefe de Estado. É uma pessoa que me mostrou muita sensatez, muito sábio, uma visão global de tudo. Me surpreendi com o nível intelectual do papa, discernimento e a energia que esse homem tem.

A senhora teve um ano bastante agitado…

De sequestradora a ministra pop. Os ataques não foram a Damares, foram à pauta. Os opositores sabiam que esse ministério era um dos pilares de tudo o que Bolsonaro prometeu: economia, segurança e valores. Então, destruir a ministra seria uma vitória da oposição. Mas eles foram cruéis. Ao invés de ir para ideologia, partiram para baixaria que é pegar a mulher. Só que se surpreenderam que a mulher estava pronta. Não foi fácil, doeu, mas eu suportei. Eu sabia que a guerra não era contra mim.

E o que doeu mais?

Foram dois momentos. Lá atrás quando expuseram minha filha (Kajutiti Lulu Kamayurá) e a vozinha (Tanumakaru, vó paterna de Lulu). Estive com ela esse fim de semana, fui abraçar a vozinha. Ela é muito amada. Quem salvou a vida de Lulu foi a vozinha (choro). Contaram a história da Lulu errada. Não perguntaram nada? A Lulu tem 22 anos, gente. Entrevistem a Lulu. Eles foram lá e a vozinha dizia: ‘quero Lulu’. Ela estava dizendo ‘saudades de Lulu’. E aí eles colocam que eu sequestrei a menina. Eu nunca tinha estado na aldeia da minha filha.

E o outro momento?

O segundo momento que doeu agora foi o da matéria da Carta Capital. Quando fala da história do pé de goiaba e que eu perdi a chance de aos dez anos transar com Jesus. Aquilo foi muito ruim. Para me atacar, atacaram Jesus. Quando li, eu despenco. Chorei muito. Perguntei a mim: vale a pena? Estou sendo instrumento para desonrar o meu Senhor? Ali, foi uma crise muito ruim. Ali, pensei em recolher, me afastar.

Como a sra. vê as investigações contra o filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro?

O senador Flávio é muito claro em suas declarações, ele quer transparência nas investigações e que seja afastada toda e qualquer ideologia política do processo investigatório. O Senador se coloca o tempo inteiro à disposição da Justiça, o que acho muito positivo. Eu concordo com ele, espero que tudo seja feito de forma muito transparente e com isenção de ânimos.

A senhora já pensou em 2022? É candidata?

Sim, sou candidata a uma rede numa casinha em uma praia em Aracaju. Sou forte candidata à aposentadoria e já vou começar a fazer campanha agora.

A senhora chegou a cogitar parar ao longo deste ano…

Quando o presidente me chamou foi para construir um ministério. Achei que quando edificasse, poderia sair. Mas aí percebi que ainda não é hora. Tem muito que caminhar. Eu tinha a ideia que seria ministra por seis meses. Estou cansada, queria parar, eu estava me aposentando já. Eu quero namorar.

Tem pretendente?

Não. Se tiver, manda o currículo.

 

FONTE: ESTADÃO CONTEÚDO

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

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COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

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  • TEIA DIGITAL: Em Setembro, Balança Comercial em Rondônia apresenta resultado negativo – Por Silvio Persivo

    E querem nos dizer o que devemos fazer sem considerar nossos interesses. “Eles não aprenderam nada e não esqueceram nada” (Charles Maurice de Talleyrand-Périgord). 3ª EXPOTURISMO ENCERRA COM IMENSO SUCESSO Realizada com muito sucesso, de público e de movimentação financeira, a 3ª Expo Turismo Rondônia 2026, que, este ano, foi no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, brilhou pela diversidade dos estandes. A feira reuniu empreendedores, especialistas, representantes de municípios e profissionais do setor. Estiveram presentes mais de 10 mil visitantes ao longo dos três dias para visitar 85 estandes, especialistas e empreendedores do setor. O evento ampliou a visibilidade dos negócios, estimulou parcerias e incluiu palestras, workshops, aulas-show, debates, oficinas, talk shows e capacitações, além da exposição de produtos, serviços e experiências turísticas. Também a pesca esportiva foi o grande destaque com a presença de Nelson Nakamura e os filhos Renan e Vitor Nakamura, referências na pesca esportiva. Nelson Nakamura e os filhos participam da Expo pela terceira vez, com presença em workshops e atividades voltadas ao segmento, ao lado de outros especialistas do setor. O evento foi realizado pel0 governo de Rondônia por meio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio-RO) e o apoio da Prefeitura Municipal de Porto Velho.  O governador Marcos Rocha destacou sobre o evento a importância de valorizar os atrativos regionais e criar oportunidades para empreendedores e municípios por meio do turismo. AS CRIANÇAS AINDA SÃO MAIORIA EM RONDÔNIA O Dia das Crianças foi muito comemorado em Rondônia, mas, é preciso frisar que, no Brasil, hoje, existem 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais contra apenas 26,4 milhões de crianças de até 9 anos. É uma diferença de 10 milhões a favor dos idosos, o que reflete a virada demográfica que começou em 2020 e deve se aprofundar em 2040, quando serão 2,5 idosos para cada criança. Em 2000, as crianças eram 19,8% da população. Hoje são somente 12,3%, ou 1 em cada 8 brasileiros. Já em 18 das 27 unidades da federação há mais idosos do que crianças. O Rio Grande do Sul lidera com a maior proporção de idosos: possui 1,96 idoso por criança. Já Rondônia, a proporção é de 1,18 criança de até 9 anos para cada idoso com 60 anos ou mais (ou cerca de 85 idosos para cada 100 crianças nessa faixa etária). EM SETEMBRO BALANÇA COMERCIAL DE RONDÔNIA APRESENTA RESULTADO NEGATIVO O comércio exterior de Rondônia, em setembro, segundo o Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), fechou o mês com déficit de US$ 59,5 milhões, valor proveniente de US$ 195,7 milhões em vendas e US$ 255,2 milhões, mas, no acumulado de janeiro a setembro deste ano, o resultado permanece favorável ao Estado, com saldo positivo de US$ 560,2 milhões. O resultado de setembro decorre do aumento das importações que chegou perto de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O que também contribuiu, porém em menor proporção, foram as limitações tarifárias sobre a carne bovina na China, que atingiu o teto da cota anual, e passou a receber uma sobretaxa de 55% em cima da taxa base de 12%, totalizando a alíquota de 67%. Para contornar as restrições no país asiático, frigoríficos e produtores locais redirecionaram seus carregamentos para destinos como Chile, Estados Unidos e Canadá. A pauta de embarques permaneceu concentrada na carne bovina, responsável por 58,1% das vendas, e o milho, com 23,3%. O mercado de café também apresentou teve expansão contínua, com 7,3% da pauta mensal. O café ganhou protagonismo na balança comercial pelo forte crescimento em 2026. O volume total do grão embarcado até o momento perfaz quase o dobro de tudo o que foi exportado ao longo do ano de 2025. Nas importações, a China respondeu por 41,2% do total acumulado no ano, somando US$ 953,6 milhões, acompanhada por parceiros como Argentina e Estados Unidos. Os valores elevados de compras externas decorrem do modelo tributário de importação escritural garantido pela legislação estadual. Neste sistema, as empresas registradas em Rondônia efetuam o recolhimento de tributos no Estado, enquanto os produtos entram no país por portos de outras regiões e seguem para o destino final, sem significar consumo direto pela população local. UNIVERSIDADES EM XEQUE A atual disputa eleitoral está desnudando, de uma forma até burlesca, o que acontece nas universidades brasileiras e como essas se encontram distantes dos problemas reais do país. É fato que a tecnologia e o progresso estão obrigando a academia a mudar o que fazem. Porém, com as manifestações estudantis e os problemas que surgem internamente de incêndios e uso das instalações para politicagem, a questão que aflora se tornou mais grave. Começa-se a questionar não somente “apenas o que fazem” e sim também “os que fazem”. Há professores passando vergonha tanto pelos discursos ultrapassados como pela demonstração de falta de conhecimento demonstrando que o saber está realmente escasso nas universidades. E isto se demonstra tanto pela queda das instituições nos rankings de classificação, em relação as de outros países, como pela deterioração visível dos campus e instalações onde as pichações, a falta de manutenção e a sujeira dão uma triste demonstração de como se encontram locais que deveriam ser espelhos para a sociedade. E o mais preocupante é que esta desvalorização das universidades se visualiza quando há um declínio de uma das suas principais razões de existência, que é a realização de pesquisas. Antes o setor produtivo precisava dos recursos que as universidades possuíam, da aliança entre ensino e pesquisa, inclusive para sustentar os salários das pessoas capazes de realizar este tipo de pesquisa. Agora, tudo indica que, com a crescente perda de importância das pesquisas universitárias, as empresas apostam mais nos seus próprios recursos e de que a inteligência artificial será cada vez mais capaz de realizar grande parte das pesquisas necessárias. Por isto diminuem a procura por vagas, […]

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