Em Linhas Gerais

A população de Porto Velho cobra maior independência dos vereadores em relação ao Executivo -por Gessi Taborda

MAIS ZELO DA CÂMARA

A população de Porto Velho cobra há muito tempo uma postura de maior independência dos vereadores em relação ao Executivo. A falta de zelo na sua obrigação de fiscalizar o prefeito tornou-se mais exposta pelo posicionamento de boa parte dos vereadores em relação às artimanhas da prefeitura, decidida a substituir quem explora o transporte coletivo.

Nesse caso, alguns vereadores decidiram defender o consórcio das duas empresas que, numa espécie de monopólio, operam por décadas, sem a menor preocupação em prestar um serviço de qualidade aos usuários, com declarações em favor da permanência do que ai está e, também, advogando o reajuste da tarifa dos ônibus.

 UM ACINTE

Como o serviço de transporte urbano existente na capital rondoniense está abaixo da crítica, defender interesses desse consórcio – como fez o próprio presidente da Casa, petista Jurandir Bengala – é visto como um acinte ao cidadão que é quem paga todas as contas geradas pelas desastradas gestões da cidade nos últimos de 11 anos.

 ANGU DE CAROÇO

Apenas o vereador Everaldo Fogaça deu uma demonstração de sintonia com os interesses da população nesse episódio ao denunciar aquilo que todo mundo já desconfiava: “tem caroço nesse angu”.

Ora, depois de 3 anos no comando da prefeitura vem agora o prefeito com essa conversa de “solução emergencial” para uma questão de profundo enraizamento técnico e de planejamento, coisa que parece não existir nessa gestão (??) do médico Mauro Nazif.

Fogaça não só dignificou seu papel de fiscal do povo, como deixou claro que o prefeito não pode seguir essa rota de tomar decisões em que se camufla interesses e joga no ralo a obrigação de ser transparente no trato das coisas públicas.

 TRUQUE DE MADAME

Nazif ainda se vangloria de ter conseguido na esfera do Judiciário uma espécie de salvo conduto para realizar a meia-sola no processo de substituição das péssimas empresas do segmento do transporte urbano. Mas, em sã consciência ninguém bota fé nesse verdadeiro truque de madame da entrega para a exploração emergencial a uma nova empresa.

Afinal, pergunta-se, qual seria a empresa com expertise nesse assunto que aceitaria investir dezenas de milhões numa permissão para exploração do transporte coletivo por curtíssimo prazo, sabendo que um ano depois poderia ser substituída por outra permissionária, escolhida numa licitação pública de concorrência nacional, para um longo período de exploração do serviço?

 O RISCO PERMANECE

O prefeito chegou a anunciar que uma empresa de São Paulo já tinha se qualificado para assinar o tal “contrato emergencial”. Ainda bem que negócio bichou. E assim os usuários ficaram livres de cair nas mãos de uma empresa reconhecida como de fretamento. Se isso tivesse acontecido, a situação do transporte urbana que é ruim ficaria muito pior. Mas o risco do prefeito entregar o transporte de passageiros a alguma empresa mequetrefe ainda existe. Afinal, ele não demonstra vontade de formatar uma decisão definitiva para esse drama da cidade.

 VEREADORES ATENTOS

Em qualquer contrato de vulto feito pela prefeitura, com risco de prejuízos aos cofres públicos, os vereadores deveriam ficar atentos e não abrir mão de sua responsabilidade de fiscalizar. Só desempenhando essa função os vereadores não estariam traindo os interesses dos cidadãos-contribuintes-eleitores e, ao mesmo tempo, demonstrando que a Câmara municipal tem personalidade, independência, não sendo um mero puxadinho da prefeitura.

 CPI DA FESTANÇA

E neste contexto que se enquadra a proposta de CPI do vereador Alan Queiroz, para investigar as suspeitas que pairam sobre o gasto de mais de meio milhão de reais na festança que marcou a abertura do “Circuito Junino”, coisa que ninguém sabe e ninguém viu.

Ainda é cedo para afirmar que a partir de agora a Câmara Municipal vai mesmo fiscalizar o governo Nazif. Mas é um alento: o legislativo parece disposto a assumir o papel de zelar pelo dinheiro do contribuinte portovelhense.

 CÂNCER

Não está havendo uma reforma política como a que o Brasil precisa. Mas algumas das decisões da Câmara dos deputados devem contribuir para melhorar um pouco o cenário político em que nós, cidadãos, acabamos quase sempre vitimados.

Uma das boas decisões foi o veto à possibilidade de reeleição para cargos no Executivo – prefeitos, governadores e presidente. Pena que a medida não foi estendida ao Legislativo.

A reeleição é um dos cânceres da política institucional. Criou a política dentro da política. Ajuda a afastar de mandatos eletivos quem tem boas intenções e perpetua neles quem trata a política como profissão e como um fim em si mesma.

 JURÁSSICOS

Não é difícil encontrar, em âmbito regional, estadual e nacional, dinossauros que exercem mandatos no Legislativo há 20 e poucos, até 30 e tantos anos. Em alguns casos, não foram mais nada na vida a não ser vereadores ou deputados.

A principal preocupação dessas figuras, não raro, passa a ser se reeleger para manter a estrutura que os sustenta, o que inclui uma penca de gente empregada em seus gabinetes e nos Executivos dos quais são parceiros.

Por isso é que a possibilidade de reeleição acentua o clientelismo, a prática da troca de favores, da simpatia forçada cujo principal objetivo é manter as coisas como estão, jamais mudá-las. Todos esses ingredientes apequenam a política.

 SEM QUALIFICAÇÃO

Este jornalista deixou de frequentar a Câmara Municipal desde quando o legislativo de Porto Velho deixou de ser uma caixa de ressonância das aspirações populares para se converter num mero apêndice do prefeito, permitindo que o antecessor de Mauro Nazif deixasse nossa capital em pandarecos, numa espécie de terra arrasada.

O Legislativo, que deveria ser o espaço das grandes discussões sobre a sociedade que temos e a que queremos, se transformou num balcão de resolução de pequenos problemas. A principal função que muitos vereadores se atribuem é a de facilitador de lombadas, recape em ruas, limpeza de terrenos – isso só para ficar nas intervenções legítimas. E ai do vereador que não correr atrás dessas coisas. Está frito – em outras palavras, não reeleito.

 FALCATRUAS

Foi graças a esse receituário que medraram figuras medíocres e que hoje servem de escárnio para quem aspira uma política capaz de ser referencial de seriedade. Exemplos não faltam. Basta relembrar o nome do ex-vereador Zequinha Araújo, hoje às voltas com atos da Justiça que buscam puni-lo por utilizar de forma descarada para benefício próprio recursos públicos. Afinal, o maior desafio do parlamentar que mira a reeleição é manter seu eleitorado cativo. Zequinha se reelegeu tantas vezes como vereador que chegou a Assembleia Legislativa como um dos deputados mais votados e só caiu em desgraça quando pego mais uma vez numa dessas operações policiais de combate à corrupção.

 SIFU

Deu no factóide da Comdecom do paço: “Prefeitura elabora projetos para fomentar desenvolvimento sustentável de Porto Velho”. Se for com a mesma qualidade do projeto de trocar os permissionários do transporte coletivo, a cidade toda vai “sifu” de novo.

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

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COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • TEIA DIGITAL: Em Setembro, Balança Comercial em Rondônia apresenta resultado negativo – Por Silvio Persivo

    E querem nos dizer o que devemos fazer sem considerar nossos interesses. “Eles não aprenderam nada e não esqueceram nada” (Charles Maurice de Talleyrand-Périgord). 3ª EXPOTURISMO ENCERRA COM IMENSO SUCESSO Realizada com muito sucesso, de público e de movimentação financeira, a 3ª Expo Turismo Rondônia 2026, que, este ano, foi no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, brilhou pela diversidade dos estandes. A feira reuniu empreendedores, especialistas, representantes de municípios e profissionais do setor. Estiveram presentes mais de 10 mil visitantes ao longo dos três dias para visitar 85 estandes, especialistas e empreendedores do setor. O evento ampliou a visibilidade dos negócios, estimulou parcerias e incluiu palestras, workshops, aulas-show, debates, oficinas, talk shows e capacitações, além da exposição de produtos, serviços e experiências turísticas. Também a pesca esportiva foi o grande destaque com a presença de Nelson Nakamura e os filhos Renan e Vitor Nakamura, referências na pesca esportiva. Nelson Nakamura e os filhos participam da Expo pela terceira vez, com presença em workshops e atividades voltadas ao segmento, ao lado de outros especialistas do setor. O evento foi realizado pel0 governo de Rondônia por meio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio-RO) e o apoio da Prefeitura Municipal de Porto Velho.  O governador Marcos Rocha destacou sobre o evento a importância de valorizar os atrativos regionais e criar oportunidades para empreendedores e municípios por meio do turismo. AS CRIANÇAS AINDA SÃO MAIORIA EM RONDÔNIA O Dia das Crianças foi muito comemorado em Rondônia, mas, é preciso frisar que, no Brasil, hoje, existem 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais contra apenas 26,4 milhões de crianças de até 9 anos. É uma diferença de 10 milhões a favor dos idosos, o que reflete a virada demográfica que começou em 2020 e deve se aprofundar em 2040, quando serão 2,5 idosos para cada criança. Em 2000, as crianças eram 19,8% da população. Hoje são somente 12,3%, ou 1 em cada 8 brasileiros. Já em 18 das 27 unidades da federação há mais idosos do que crianças. O Rio Grande do Sul lidera com a maior proporção de idosos: possui 1,96 idoso por criança. Já Rondônia, a proporção é de 1,18 criança de até 9 anos para cada idoso com 60 anos ou mais (ou cerca de 85 idosos para cada 100 crianças nessa faixa etária). EM SETEMBRO BALANÇA COMERCIAL DE RONDÔNIA APRESENTA RESULTADO NEGATIVO O comércio exterior de Rondônia, em setembro, segundo o Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), fechou o mês com déficit de US$ 59,5 milhões, valor proveniente de US$ 195,7 milhões em vendas e US$ 255,2 milhões, mas, no acumulado de janeiro a setembro deste ano, o resultado permanece favorável ao Estado, com saldo positivo de US$ 560,2 milhões. O resultado de setembro decorre do aumento das importações que chegou perto de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O que também contribuiu, porém em menor proporção, foram as limitações tarifárias sobre a carne bovina na China, que atingiu o teto da cota anual, e passou a receber uma sobretaxa de 55% em cima da taxa base de 12%, totalizando a alíquota de 67%. Para contornar as restrições no país asiático, frigoríficos e produtores locais redirecionaram seus carregamentos para destinos como Chile, Estados Unidos e Canadá. A pauta de embarques permaneceu concentrada na carne bovina, responsável por 58,1% das vendas, e o milho, com 23,3%. O mercado de café também apresentou teve expansão contínua, com 7,3% da pauta mensal. O café ganhou protagonismo na balança comercial pelo forte crescimento em 2026. O volume total do grão embarcado até o momento perfaz quase o dobro de tudo o que foi exportado ao longo do ano de 2025. Nas importações, a China respondeu por 41,2% do total acumulado no ano, somando US$ 953,6 milhões, acompanhada por parceiros como Argentina e Estados Unidos. Os valores elevados de compras externas decorrem do modelo tributário de importação escritural garantido pela legislação estadual. Neste sistema, as empresas registradas em Rondônia efetuam o recolhimento de tributos no Estado, enquanto os produtos entram no país por portos de outras regiões e seguem para o destino final, sem significar consumo direto pela população local. UNIVERSIDADES EM XEQUE A atual disputa eleitoral está desnudando, de uma forma até burlesca, o que acontece nas universidades brasileiras e como essas se encontram distantes dos problemas reais do país. É fato que a tecnologia e o progresso estão obrigando a academia a mudar o que fazem. Porém, com as manifestações estudantis e os problemas que surgem internamente de incêndios e uso das instalações para politicagem, a questão que aflora se tornou mais grave. Começa-se a questionar não somente “apenas o que fazem” e sim também “os que fazem”. Há professores passando vergonha tanto pelos discursos ultrapassados como pela demonstração de falta de conhecimento demonstrando que o saber está realmente escasso nas universidades. E isto se demonstra tanto pela queda das instituições nos rankings de classificação, em relação as de outros países, como pela deterioração visível dos campus e instalações onde as pichações, a falta de manutenção e a sujeira dão uma triste demonstração de como se encontram locais que deveriam ser espelhos para a sociedade. E o mais preocupante é que esta desvalorização das universidades se visualiza quando há um declínio de uma das suas principais razões de existência, que é a realização de pesquisas. Antes o setor produtivo precisava dos recursos que as universidades possuíam, da aliança entre ensino e pesquisa, inclusive para sustentar os salários das pessoas capazes de realizar este tipo de pesquisa. Agora, tudo indica que, com a crescente perda de importância das pesquisas universitárias, as empresas apostam mais nos seus próprios recursos e de que a inteligência artificial será cada vez mais capaz de realizar grande parte das pesquisas necessárias. Por isto diminuem a procura por vagas, […]

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