Justiça

STF lacra celulares e proíbe gravações em sessão para julgar acusados do 8 de Janeiro

Objetivo é evitar gravações não autorizadas dentro da sala de sessões, o que já ocorreu anteriormente

Durante o julgamento dos seis acusados de integrar o chamado “núcleo 2” da tentativa de golpe, nesta terça-feira (22), a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) adotou um procedimento incomum: os celulares de todos os presentes na sala — inclusive jornalistas — foram lacrados em envelopes.

O objetivo é evitar gravações não autorizadas dentro da sala de sessões, o que já ocorreu anteriormente. Apesar da limitação no uso de celulares, o julgamento é transmitido pela TV Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube.

A restrição foi motivada por três razões:

  1. É proibido filmar dentro da sala da Turma, conforme regra já estabelecida;
  2. Durante o julgamento do núcleo 1, pessoas desrespeitaram essa norma e registraram imagens de forma indevida;
  3. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, determinou que o réu Filipe Martins não pode ser filmado.

Setoristas e profissionais de imprensa que acompanham o julgamento de dentro da sala foram orientados a usar o WhatsApp Web no notebook para manter a comunicação com suas redações. Para falar ao telefone, é necessário se retirar do ambiente, e, ao retornar, o aparelho precisa ser novamente lacrado.

Julgamento do ‘núcleo 2′

A Primeira Turma do STF analisa se aceita ou não a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra seis pessoas ligadas ao entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusadas de tentar impedir a posse de Lula e sustentar Bolsonaro no poder após a derrota dele nas eleições de 2022.

Entre os acusados que compõem o chamado “núcleo 2” estão:

  • Fernando de Sousa Oliveira, delegado da Polícia Federal e ex-secretário-adjunto de Segurança Pública do DF;
  • Filipe Martins, ex-assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República;
  • Marcelo Câmara, coronel da reserva do Exército e ex-assessor direto de Bolsonaro;
  • Marília Ferreira de Alencar, delegada da Polícia Federal e ex-diretora de planejamento da Secretaria de Segurança Pública do DF;
  • Mário Fernandes, general da reserva do Exército e ex-secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência;
  • Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal).

Se a denúncia for aceita, eles se juntarão aos sete integrantes do “núcleo 1”, que já se tornaram réus por crimes como golpe de Estado, organização criminosa armada e dano ao patrimônio público.

FONTE: R7.COM

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