Brasil

STF leva um ano para receber denúncias da Lava Jato

Levantamento mostra que, em média, a Corte demorou um ano para receber as denúncias da PGR e dar início às dez ações penais contra parlamentares

Denúncias de corrupção de políticos envolvidos na Lava Jato podem ficar cerca de dois anos no Supremo Tribunal Federal (STF) sem ao menos serem recebidas pelos ministros. Levantamento da Pública revela que denúncias oferecidas contra o senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL) e os deputados Luiz Fernando Faria (PP-MG) e José Otávio Germano (PP-RS) tramitaram por mais de 700 dias.

O processo mais lento é o de Collor, cuja denúncia circulou no Supremo por 735 dias — mais de dois anos — até ser aceita pela Primeira Turma. De acordo com o levantamento da Pública, o STF levou em média um ano para receber as denúncias oferecidas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O trâmite mais rápido durou três meses e o mais demorado, 24,5 meses.

Atualmente, há dez políticos réus da Lava Jato no Supremo. Esse grupo responde por denúncias oferecidas em 2015, como as dos deputados Nelson Meurer (PP-SC) e Vander Loubet (PT-MS), que foram aceitas em 2016 e 2017, respectivamente; mas também por denúncias oferecidas no ano passado, como a do senador Romero Jucá (MDB-RR), apresentada em agosto de 2017 e recebida em março deste ano.

O ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ) seria o 11º nome na lista, mas seu processo saiu do STF após ter perdido o mandato e, com ele, o foro privilegiado. A vaga do ex-presidente da Câmara poderá ser preenchida pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), alvo de uma denúncia da PGR que pode ser aceita pelo Supremo em julgamento marcado para amanhã. Aécio é investigado em outros oito inquéritos no STF, abertos entre 2016 e 2017 nos quais a PGR ainda não ofereceu denúncia.

Mesmo se a denúncia for aceita, há grandes chances de o senador não ser julgado antes das eleições. De acordo com o levantamento da Pública, mesmo políticos que se tornaram réus em 2016 não foram julgados até hoje.

O processo contra parlamentares suspeitos de infrações penais percorre um caminho mais longo – e sujeito a acidentes de percurso – desde o ponto de partida. Assim como outras autoridades, eles têm direito ao foro privilegiado e só podem ser investigados pela PGR depois de o STF autorizar a abertura do inquérito. Se a PGR concluir que há elementos suficientes para apresentar a denúncia, a responsabilidade novamente recai sobre o Supremo, que vota se a denúncia é apta e se deve ser recebida. É a partir da aceitação da denúncia que o inquérito se torna uma ação penal e pode, enfim, ter o mérito apreciado pelos ministros do STF (quando se decide pela culpabilidade ou não do réu).

Até o momento, nenhuma das ações penais recebidas pelo STF teve o mérito julgado. Se não forem julgadas até as eleições, algumas delas não terão jamais seu mérito apreciado pela corte, passando a tramitar em outras instâncias. O que, ao contrário do que se imagina, “favorece o atraso” do julgamento dos acusados, de acordo com o professor Ivar Hartmann, coordenador do projeto Supremo em Números, da Fundação Getulio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro. “O que a atual regra do foro privilegiado favorece é a ineficiência do sistema”, diz o professor, acrescentando que os atrasos prejudicam aqueles que não são culpados e permitem manobras dos que querem escapar do veredito.

Embora ainda sem julgamento marcado, os dois processos mais avançados no âmbito da Lava Jato são os da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e do deputado Nelson Meurer (PP-SC).

De foro em foro, tempo para julgar processos aumenta

A falta de resolução nos processos contra os políticos segue uma tendência apontada pelo estudo do grupo Supremo em Números: duas a cada três ações penais que tramitam no Supremo não chegam a ter o mérito avaliado. Por isso, a comparação frequentemente feita com a velocidade com que são concluídos os processos da Lava Jato em primeira instância — nove meses e dez dias desde a aceitação da denúncia até a sentença, segundo levantamento feito pelo G1 na Justiça Federal do Paraná — é considerada inadequada pelo professor Ivar Hartmann. “Ou a gente tem a primeira instância para quem não tem foro, ou a outra alternativa, que a gente está vendo aí, é que o processo fica pulando de instância para instância. Ou seja, não tem um conjunto de processos que começou e terminou no Supremo para a gente ter isso como uma via possível, inclusive tentar fazer a comparação. Se a gente for considerar do início do inquérito até o julgamento de mérito da ação penal, isso só acontece, nos últimos dez anos, em uma em cada vinte das ações penais.”

De acordo com Hartmann, um dos fatores que levam a esse cenário é justamente o declínio de competência, que ocorre quando o acusado perde o cargo que conferia o foro privilegiado. “Na prática, o Supremo é uma casa de passagem. Os processos vêm e vão, raramente começam e terminam no STF. Por mais que os ministros fossem sobre-humanamente eficientes, o sistema não funciona, a regra não permite que o Tribunal consiga julgar isso. Porque, se o parlamentar não é reeleito, o que o ministro vai fazer?”, avalia.

O mesmo ocorre em outras instâncias que julgam o foro privilegiado, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ), que recentemente perdeu a competência sobre as investigações contra cinco governadores que deixaram suas funções para concorrer a outros cargos. No caso do paulista Geraldo Alckmin (PSDB), por exemplo, o inquérito sob sigilo foi remetido à Justiça Eleitoral; já a ação penal contra Beto Richa (PSDB) foi para a Justiça Federal do Paraná.

Com isso, o futuro dos processos movidos na Justiça contra os que têm foro privilegiado acaba dependendo de outros fatores, incluindo a reeleição, como observou Hartmann. “Esse atraso pode ser útil para o réu. Isso certamente acontece em muitos casos, quando o réu renuncia ao mandato propositalmente para que o processo desça e isso gere mais atrasos, mas, por outro lado, ter um processo criminal que nunca acaba também não é vantajoso para muita gente – tem algumas ali [com processos no Supremo] que não são [culpadas]. E para essas pessoas o processo demorar mais não é vantajoso. Então, isso afeta negativamente tanto os réus quanto a sociedade, que precisa e espera que as pessoas sejam julgadas.”

Atualmente tramita no STF uma ação penal (AP 937) que pode alterar o foro por prerrogativa de função, que é aquele a que têm direito parlamentares e outras autoridades de acordo com a Constituição. Há ministros que defendem que o foro se restrinja a infrações cometidas durante o mandato e relacionadas às funções que exercem, mas o julgamento foi suspenso mais uma vez em novembro passado. Hartmann, porém, tem uma visão mais radical: “O certo seria o julgamento ocorrer na primeira instância, sempre, independentemente de quem é a pessoa. Eu acho que pode, talvez, fazer sentido o foro privilegiado para o presidente da República, para o presidente do Supremo Tribunal Federal, mas a regra hoje não é essa. Hoje, o foro privilegiado parece ser a regra, e não a exceção. Na minha opinião, deveria ser alterada a Constituição para que o foro fosse limitado a um número de pessoas, no Brasil inteiro, que possa ser contado nos dedos de uma mão.”

Fachin é relator da maior parte dos processos da Lava Jato

Fachin é relator da maior parte dos processos da Lava Jato

Nelson Jr/SCO/STF

Maioria dos réus

Dos dez políticos que são réus da Lava Jato no Supremo, oito são acusados de se beneficiar da corrupção na Petrobras.

É esse o caso do deputado federal Nelson Meurer, que se tornou réu com os filhos Nelson Meurer Júnior e Cristiano Augusto Meurer (AP 996). Desde 2016, os três respondem pelos crimes de lavagem de dinheiro, ocultação de bens e corrupção passiva. De acordo com a investigação, Meurer foi responsável pela indicação e manutenção do engenheiro Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da Petrobras. De 2006 a 2014, o deputado do PP teria recebido mais de R$ 357 milhões em propina repassados pelo doleiro Alberto Youssef. Na última terça-feira (10), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, emitiu parecer ao STF pedindo prioridade no julgamento da ação penal (AP) de Meurer, alegando risco de prescrição.

Também implicado nos desvios na Petrobras, o deputado Aníbal Gomes (MDB-CE) é acusado de receber propina para facilitar um acordo da estatal com empresas da Zona Portuária 16, no Rio de Janeiro. Ele é réu na AP 1.002 junto com o empresário Luís Carlos Batista Sá, que seria encarregado de receber a propina em nome de Gomes. De acordo com o Ministério Público, Gomes prometeu R$ 800 mil ao então diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, para facilitar as negociações da Petrobras com as empresas do porto.

A diretoria de abastecimento da estatal também consta na ação penal contra a senadora Gleisi Hoffmann. A atual presidente do PT, seu marido, Paulo Bernardo, ex-ministro dos governos Lula e Dilma, e o empresário Ernesto Kugler Rodrigues se tornaram réus em 2016 na AP 1.003. Eles são acusados de receber pelo menos R$ 1 milhão em propina de contratos da Petrobras. Segundo a acusação, baseada nas delações do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, o dinheiro foi operado por Alberto Youssef.
Já o senador Valdir Raupp e seus assessores Maria Cléia Santos de Oliveira e Pedro Roberto Rocha foram acusados pela PGR em 2017 e, no mesmo ano, viraram réus na AP 1.015 pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Raupp teria recebido R$ 500 mil pagos pela Queiroz Galvão para manter Paulo Roberto Costa como diretor de abastecimento.

Os deputados do PP Luiz Fernando Faria e José Otávio Germano foram denunciados por receber propina sobre os contratos firmados pela mesma Diretoria de Abastecimento, entre 2006 e 2014. Também se tornaram réus no inquérito 3.980, aceito em março deste ano, o ex-deputado João Pizzolatti e Mário Negromonte, ex-ministro das Cidades no governo Dilma. A PGR ainda havia denunciado os deputados Mário Negromonte Júnior (PP-BA), filho de Mário Negromonte, Roberto Pereira de Britto (PP-BA) e Arthur Lira (PP-AL), mas a denúncia foi recusada pelo STF.

Fernando Collor é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa na AP 1.025. Segundo a denúncia, Collor indicou nomes para a diretoria da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, recebendo mais de R$ 29 milhões em propina através de um contrato de troca de bandeira de postos de combustível com a Derivados do Brasil (DVBR). Havia ainda as acusações de peculato e obstrução de justiça, que foram rejeitadas pelos ministros do Supremo. Com Collor, foram acusados Luís Pereira Duarte de Amorim, administrador de empresas do senador, e Pedro Paulo Bergamaschi, seu ex-secretário de Assuntos Estratégicos (1990-1992).

Denúncia de Collor tramitou por 735 dias até ser aceita

Denúncia de Collor tramitou por 735 dias até ser aceita

Antônio Cruz/EBC

Bergamaschi aparece também na acusação do deputado Vander Loubet e de Ademar Chagas da Cruz, cunhado de Loubet. De acordo com a denúncia apresentada pela PGR, posteriormente convertida na AP 1.019, Loubet recebeu mais de R$ 1 milhão de operações da BR Distribuidora entre 2012 e 2014.
Fora do âmbito da Petrobras, o senador Romero Jucá foi denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A acusação é que ele teria recebido R$ 150 mil para favorecer a Odebrecht na tramitação de medidas provisórias, com o auxílio do ex-diretor de relações institucionais da construtora Cláudio Melo Filho. No inquérito 4.413, recebido em março deste ano, há ainda a acusação de recebimento de propina para a campanha do seu filho, Rodrigo Jucá, ao cargo de vice-governador de Roraima em 2014.

Por fim, a denúncia mais rapidamente aceita pelo STF, a contra o senador Agripino Maia, foi feita enquanto o inquérito 4.141 ainda corria em sigilo. Na acusação, agora tornada pública, a PGR afirma que o senador teria recebido propina para atuar em benefício da Construtora OAS na liberação de parcelas do financiamento da Arena das Dunas, estádio de futebol construído em Natal (RN) para a Copa do Mundo de 2014.

Novas denúncias podem aumentar número de ações para os dez réus

Além das ações penais que os tornaram réus, sete dos dez acusados são alvo também de denúncias da PGR que ainda não foram sequer recebidas pelo STF – e não há previsão de quando isso deve ocorrer. Nesse grupo, dois são citados em mais de uma denúncia: os senadores Romero Jucá e Valdir Raupp. A mais recente foi oferecida em setembro de 2017 e, além de Raupp e Jucá, envolve os senadores Edison Lobão (MA), Renan Calheiros (AL) e Jader Barbalho (PA), todos do MDB. Além deles, são investigados ainda os ex-senadores José Sarney (MDB) e Sérgio Machado (PSDB), que, embora não detenham mais foro especial no STF por prerrogativa de função, continuarão a responder ao processo no Supremo no inquérito 4.326, que apura a ocorrência dos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Edson Fachin, entretanto, desmembrou as investigações de outros três envolvidos que não têm foro no Supremo, os empresários Silas Rondeau, Milton Lyra e Jorge Luz. Os três foram remetidos à 13ª Vara Federal de Curitiba, onde atua o juiz Sérgio Moro. De acordo com a denúncia, o esquema comandado pelos emedebistas teria gerado prejuízo de R$ 5,5 bilhões à Petrobras.

Um mês antes disso, Jucá e Raupp já haviam sido denunciados pela PGR por um esquema de corrupção na Transpetro. De acordo com a investigação, em troca de doações aos diretórios estaduais ou municipais do PMDB e do PSDB, os políticos envolvidos garantiriam contratos da Transpetro em favor da empresa NM Engenharia. Apresentada em agosto, a denúncia do inquérito 4.215 tem alvos muito similares aos da denúncia mais recente. Também são investigados no mesmo processo os senadores do MDB Renan Calheiros e Garibaldi Alves, o ex-senador José Sarney, e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, além dos executivos Luiz Maramaldo, Nelson Cortonesi Maramaldo, da NM Engenharia, e Fernando Reis, da Odebrecht Ambiental.

Os três deputados do PP que são réus da Lava Jato no STF respondem também juntos a outra denúncia da PGR que aguarda votação para ser recebida no Supremo. Os deputados Nelson Meurer, José Otávio Germano e Luiz Fernando Faria são alvos de acusação da PGR no inquérito 3.989, que investiga o crime de associação criminosa. A denúncia alega que os políticos participavam de um esquema em conjunto com a Diretoria de Abastecimento da Petrobras. Junto com eles foram denunciados, também por associação criminosa, outros nove políticos do PP.

Gleisi Hoffmann é alvo de mais uma denúncia, além da ação penal a que responde, também relacionada à Petrobras. No inquérito 4.325, a petista foi acusada de ter participado de uma organização criminosa para desviar verbas da estatal. Na época, a denúncia oferecida incluía também os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, além de Antonio Palocci, Guido Mantega, Paulo Bernardo, João Vaccari Neto e Edinho Silva. No entanto, o relator do caso, ministro Edson Fachin, decidiu posteriormente que apenas Gleisi Hoffmann e seu marido, Paulo Bernardo, deveriam ser julgados no STF. Os outros investigados foram remetidos a um tribunal de primeira instância da Seção Judiciária do Distrito Federal, à exceção de Edinho Silva, atual prefeito de Araraquara, cujo caso foi enviado ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) por prerrogativa de função.

Já o caso do petista Vander Loubet está relacionado ao inquérito 4.417. Na denúncia apresentada pela PGR nesse processo, o deputado é acusado de ter operado caixa 2 com doações feitas pela Odebrecht na prestação de contas da campanha de 2010. Além de Loubet, foram denunciados os empresários Roberto Luiz Ramos Fontes Lopes, Walter Faria, Alexandrino de Salles Ramos de Alencar e Benedicto Barbosa da Silva Júnior.

Contra Loubet havia outras múltiplas acusações no STF, mas os crimes prescreveram antes de o tribunal decidir se a denúncia deveria ser recebida, encerrando os inquéritos. Agora, além da ação penal, permanece apenas a denúncia mencionada acima. O deputado Aníbal Gomes, também réu no STF, chegou a ser denunciado em outro inquérito relacionado à Lava Jato em setembro de 2015, mas a denúncia foi rejeitada pela Segunda Turma do Supremo em dezembro do mesmo ano por ausência de provas. Com isso, Gomes, Collor e Agripino Maia (DEM-RN) são os únicos parlamentares réus pela Lava Jato contra os quais não outras denúncias oferecidas pela PGR em andamento.

Cunha, o réu que caiu do Supremo

Se não tivesse sido cassado pelos colegas em 2016, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (MDB-RJ) estaria na lista de réus do STF. Ao perder o mandato em setembro de 2016, toda a tramitação no Supremo foi encerrada e o seu processo foi remetido às instâncias inferiores.

O processo mais adiantado, a AP 982, está desde setembro de 2016 no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), pois também envolve a ex-deputada Solange Pereira de Almeida (MDB), que era prefeita de Rio Bonito (RJ) à época da denúncia. Na peça, Solange e Cunha são acusados de corrupção passiva e “lavagem” ou ocultação de bens no esquema de compra de navios-sonda pela Petrobras. Em um ano e meio de tramitação, o tribunal não tomou nenhuma decisão de mérito sobre o caso.

A AP 982 não é o único processo contra Cunha. O ex-parlamentar foi denunciado no inquérito 4.146, que, desde outubro de 2016, tramita em segredo de justiça na 13ª Vara Federal de Curitiba, do juiz Sérgio Moro. A investigação envolve a compra de um campo petrolífero em Benin, na África, pela Petrobras, pela qual Cunha teria recebido propina.

Na mesma vara, corre o inquérito 4.637, em que Cunha é investigado com outros 17 nomes, como o ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves; o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira; o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures; o ex-presidente da JBS Joesley Batista e o doleiro Lúcio Funaro. A investigação foi protocolada na vara em novembro do ano passado.
Segundo a assessoria do TRF-4, ambos os inquéritos foram solicitados pela PGR.

FONTE: AGÊNCIA PÚBLICA

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

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COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • TEIA DIGITAL: Em Setembro, Balança Comercial em Rondônia apresenta resultado negativo – Por Silvio Persivo

    E querem nos dizer o que devemos fazer sem considerar nossos interesses. “Eles não aprenderam nada e não esqueceram nada” (Charles Maurice de Talleyrand-Périgord). 3ª EXPOTURISMO ENCERRA COM IMENSO SUCESSO Realizada com muito sucesso, de público e de movimentação financeira, a 3ª Expo Turismo Rondônia 2026, que, este ano, foi no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, brilhou pela diversidade dos estandes. A feira reuniu empreendedores, especialistas, representantes de municípios e profissionais do setor. Estiveram presentes mais de 10 mil visitantes ao longo dos três dias para visitar 85 estandes, especialistas e empreendedores do setor. O evento ampliou a visibilidade dos negócios, estimulou parcerias e incluiu palestras, workshops, aulas-show, debates, oficinas, talk shows e capacitações, além da exposição de produtos, serviços e experiências turísticas. Também a pesca esportiva foi o grande destaque com a presença de Nelson Nakamura e os filhos Renan e Vitor Nakamura, referências na pesca esportiva. Nelson Nakamura e os filhos participam da Expo pela terceira vez, com presença em workshops e atividades voltadas ao segmento, ao lado de outros especialistas do setor. O evento foi realizado pel0 governo de Rondônia por meio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio-RO) e o apoio da Prefeitura Municipal de Porto Velho.  O governador Marcos Rocha destacou sobre o evento a importância de valorizar os atrativos regionais e criar oportunidades para empreendedores e municípios por meio do turismo. AS CRIANÇAS AINDA SÃO MAIORIA EM RONDÔNIA O Dia das Crianças foi muito comemorado em Rondônia, mas, é preciso frisar que, no Brasil, hoje, existem 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais contra apenas 26,4 milhões de crianças de até 9 anos. É uma diferença de 10 milhões a favor dos idosos, o que reflete a virada demográfica que começou em 2020 e deve se aprofundar em 2040, quando serão 2,5 idosos para cada criança. Em 2000, as crianças eram 19,8% da população. Hoje são somente 12,3%, ou 1 em cada 8 brasileiros. Já em 18 das 27 unidades da federação há mais idosos do que crianças. O Rio Grande do Sul lidera com a maior proporção de idosos: possui 1,96 idoso por criança. Já Rondônia, a proporção é de 1,18 criança de até 9 anos para cada idoso com 60 anos ou mais (ou cerca de 85 idosos para cada 100 crianças nessa faixa etária). EM SETEMBRO BALANÇA COMERCIAL DE RONDÔNIA APRESENTA RESULTADO NEGATIVO O comércio exterior de Rondônia, em setembro, segundo o Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), fechou o mês com déficit de US$ 59,5 milhões, valor proveniente de US$ 195,7 milhões em vendas e US$ 255,2 milhões, mas, no acumulado de janeiro a setembro deste ano, o resultado permanece favorável ao Estado, com saldo positivo de US$ 560,2 milhões. O resultado de setembro decorre do aumento das importações que chegou perto de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O que também contribuiu, porém em menor proporção, foram as limitações tarifárias sobre a carne bovina na China, que atingiu o teto da cota anual, e passou a receber uma sobretaxa de 55% em cima da taxa base de 12%, totalizando a alíquota de 67%. Para contornar as restrições no país asiático, frigoríficos e produtores locais redirecionaram seus carregamentos para destinos como Chile, Estados Unidos e Canadá. A pauta de embarques permaneceu concentrada na carne bovina, responsável por 58,1% das vendas, e o milho, com 23,3%. O mercado de café também apresentou teve expansão contínua, com 7,3% da pauta mensal. O café ganhou protagonismo na balança comercial pelo forte crescimento em 2026. O volume total do grão embarcado até o momento perfaz quase o dobro de tudo o que foi exportado ao longo do ano de 2025. Nas importações, a China respondeu por 41,2% do total acumulado no ano, somando US$ 953,6 milhões, acompanhada por parceiros como Argentina e Estados Unidos. Os valores elevados de compras externas decorrem do modelo tributário de importação escritural garantido pela legislação estadual. Neste sistema, as empresas registradas em Rondônia efetuam o recolhimento de tributos no Estado, enquanto os produtos entram no país por portos de outras regiões e seguem para o destino final, sem significar consumo direto pela população local. UNIVERSIDADES EM XEQUE A atual disputa eleitoral está desnudando, de uma forma até burlesca, o que acontece nas universidades brasileiras e como essas se encontram distantes dos problemas reais do país. É fato que a tecnologia e o progresso estão obrigando a academia a mudar o que fazem. Porém, com as manifestações estudantis e os problemas que surgem internamente de incêndios e uso das instalações para politicagem, a questão que aflora se tornou mais grave. Começa-se a questionar não somente “apenas o que fazem” e sim também “os que fazem”. Há professores passando vergonha tanto pelos discursos ultrapassados como pela demonstração de falta de conhecimento demonstrando que o saber está realmente escasso nas universidades. E isto se demonstra tanto pela queda das instituições nos rankings de classificação, em relação as de outros países, como pela deterioração visível dos campus e instalações onde as pichações, a falta de manutenção e a sujeira dão uma triste demonstração de como se encontram locais que deveriam ser espelhos para a sociedade. E o mais preocupante é que esta desvalorização das universidades se visualiza quando há um declínio de uma das suas principais razões de existência, que é a realização de pesquisas. Antes o setor produtivo precisava dos recursos que as universidades possuíam, da aliança entre ensino e pesquisa, inclusive para sustentar os salários das pessoas capazes de realizar este tipo de pesquisa. Agora, tudo indica que, com a crescente perda de importância das pesquisas universitárias, as empresas apostam mais nos seus próprios recursos e de que a inteligência artificial será cada vez mais capaz de realizar grande parte das pesquisas necessárias. Por isto diminuem a procura por vagas, […]

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