Mundo

“Sequestros cibernéticos” ameaçam países do Sul Global

Hackers visam com ransomware governos e instituições públicas de nações em desenvolvimento da América Latina, Ásia e África. Para liberar dados e sistemas, eles exigem milhões – e têm encontrado vítimas fáceis.

Num prazo de poucas semanas, cibercriminosos conseguiram colocar Costa Rica em polvorosa. Em abril, eles tomaram conta do sistema informático do Ministério das Finanças, exigindo milhões de resgate para devolver o acesso. Como as autoridades se recusaram a pagar, nas semanas seguintes os hackers retaliaram, desabilitando os computadores de quase 30 outras repartições governamentais.

As consequências se fizeram sentir por todo o país centro-americano: os sistemas fiscais paralisaram-se, salários ficaram atrasados, artigos de exportação, inclusive perecíveis, como frutas, ficaram presos na alfândega.

No início de maio, a situação era tão drástica, que o recém-eleito presidente Rodrigo Chaves declarou emergência nacional, pela primeira vez em resposta a um incidente cibernético, na história do país. Quatro meses mais tarde, as autoridades conseguiram restaurar grande parte dos serviços, porém o atentado ainda deixa sequelas.

“Esse é um momento que abre os olhos para quão vulnerável somos a ciberataques, não só nosso governo ou nossas companhias, mas toda a nossa sociedade”, comenta Diego González, diretor do departamento de cibersegurança da Câmara de Tecnologias de Informação e Comunicação costa-riquenha.

Da América Latina para a África e o Sul da Ásia

O caso ilustra vividamente o que pesquisadores de cibersegurança e profissionais do setor descrevem como uma tendência preocupante: cada vez mais, cibercriminosos miram agências governamentais e instituições públicas em países de renda média e em desenvolvimento do Sul Global – conceito que agrupa os países do  Hemisfério Sul, exceto os mais desenvolvidos, como Austrália e Nova Zelândia.

Em agosto, hackers nocautearam o sistema judiciário da cidade de Córdoba, na Argentina; em julho, bloquearam o sistema de monitoração de enchentes do estado indiano de Goa; e, mais para o início de 2022, causaram apagões no banco central da Zâmbia.

“Não há dúvida que o número de vítimas de ransomware no Sul Global vem crescendo”, afirma Anna Chung, analista de ameaças de inteligência da empresa de cibersegurança Palo Alto Networks, considerando o recente pique de ataques na América Latina.

Outros pesquisadores estenderam esses alertas em relação à Ásia e África. Allan Liska, analista de ciberinteligência da Recorded Future, de cibersegurança, também tem observado um incremento das ofensivas no Sul da Ásia, onde “os alvos tendem a ser agências do governo e organizações maiores”.

O mesmo se aplica a diversos Estados africanos, segundo Joey Jansen van Vuuren, diretora de ciência de computação da Universidade de Tecnologia Tshwane, de Johanesburgo, África do Sul. “Por toda a África, o ransomware se transformou no cibercrime de maior impacto sobre governos e empresas”, registra.

Ser pequeno não é defesa

Os ataques por ransomware costumam seguir um plano básico: primeiro os intrusos ganham acesso à rede informática, dentro da qual passam semanas ou até meses espionando. Tão logo encontram dados suficientemente valiosos para justificar a exigência de um resgate, eles criptografam os documentos e enviam uma nota com suas exigências.

Para as vítimas, restam duas alternativas: pagar e torcer para que os criminosos cumpram sua palavra, devolvendo os dados e liberando o sistema; ou recusar-se e tentar restaurar seus sistemas com base em cópias de backup.

Estes últimos são os que costumam fazer manchetes, porém não passam da ponta do iceberg, ressalvam especialistas. A maioria dos casos em que as vítimas acabam pagando não são denunciados, o que, em certas áreas do Sul Global, se tornou prática comum.

“Hoje em dia, as organizações já aceitam isso como um fato. Elas chegam a alocar um orçamento, pois já contam que em algum momento terão que pagar resgate”, explica Charlette Donalds, professora da Universidade das Índias Ocidentais em Mona, Jamaica, e autora de um livro sobre cibercriminalidade no Sul Global.

Ela relata que tais sequestros cibernéticos estão em alta no Caribe, onde diversas autoridades fiscais já tiveram seus sistemas comprometidos, por exemplo. Segundo sua coautora Corlane Barclay, em geral os hackers encontram alvos fáceis.

“Por muito tempo os governos pensavam que, sendo tão pequenos, e com os agentes ameaçadores agindo em nível internacional, estes se concentrariam em vítimas mais lucrativas.” Assim, ao digitalizar seus serviços, investiram pouco em medidas de cibersegurança.

Liska, da Recorded Future, confirma ser essa uma das razões por que o Sul Global é tão visado: “Os criminosos sabem que vão encontrar sistemas relativamente fáceis de penetrar.”

“Esse é só o início”

Os analistas concordam quanto à necessidade de os governos intensificarem suas medidas e investirem no treinamento de uma nova geração de profissionais. Os países sem uma legislação sobre a cibersegurança deveriam aprovar leis forçando companhias e instituições públicas a protegerem seus sistemas.

Os governos precisam também insistir por mais cooperação internacional, por exemplo nos moldes da “iniciativa contra ransomware” lançada pelos Estados Unidos em fins de 2021. Sete dos 30 países incluídos no projeto são do Sul Global.

Os especialistas também frisam a necessidade de despertar a consciência sobre o assunto entre as populações, pois a ameaça dos sequestros cibernéticos chegou para ficar – como foi demonstrado pelos eventos em Costa Rica.

Um mês depois de San José declarar emergência nacional, outro grupo de cibercriminosos assumiu o controle do sistema de TI da principal organização de saúde costa-riquenha, impedindo milhares de pacientes de serem atendidos.

“Foi aí que o povo se deu conta que esses ataques são capazes de afetar nossas famílias, nossos filhos”, comenta Diego González. Ele espera que essa experiência recente leve os responsáveis pelas decisões políticas a impulsionarem o investimento de longo prazo na cibersegurança.

Por outro lado, o empreendedor costa-riquenho está convencido que o que ocorreu em seu país natal pode se repetir em breve em outros locais: “A gente vive numa era de ciberataques. Esse é só o início.”

FONTE: DEUTCHE WELLE

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

CHARGE – CARTUNISTA

COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: BRASIL É O 8º MERCADO DE MÚSICA GRAVADA DO MUNDO – Por Silvio Persivo

    Com um faturamento de R$ 3,958 bilhões, crescimento de 14,1%, segundo a Pró-Música Brasil, o Brasil se tornou o 8º maior mercado de música gravada do mundo em 2025. Do total do faturamento cerca de R$ 3,4 bilhões vieram do streaming, que aparece como principal motor das receitas do setor.  Neste cenário, a Associação Brasileira da Música Independente (ABMI) amplia sua agenda de conexões comerciais por meio do BMK (Brazil Music Market), um projeto voltado à aproximação de artistas, selos e empresas com profissionais e oportunidades da indústria musical. Em outubro, são previstas ações no Formemus, no Espírito Santo, e, em novembro, na Semana Internacional de Música de São Paulo (SIM São Paulo). Para Talita Cordeiro, diretora-geral da ABMI, o avanço do mercado brasileiro precisa se traduzir em oportunidades concretas para as empresas independentes. A discussão envolve o acesso a novos mercados, a construção de parcerias comerciais e a capacidade de transformar a circulação internacional da música brasileira em negócios sustentáveis. FONTE: COLUNA TEIA DIGITAL –  POR SILVIO PERSIVO

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