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Senado pode votar projeto que condena infanticídio indígena

Mas antropólogos alertam que, nas entrelinhas, o texto esconde um “esforço para a evangelização” das tribos

Um tema considerado prioritário pelo Poder Executivo promete reacender o debate — e a polêmica — sobre os direitos dos povos indígenas no Brasil. O Projeto de Lei da Câmara (PLC) 119/2015 é uma das 35 matérias que o presidente Jair Bolsonaro quer ver aprovadas pelo Congresso Nacional em 2021.

A proposição altera o Estatuto do Índio (Lei 6.001, de 1973) para “garantir o direito à vida, à saúde e à integridade física” de crianças, adolescentes, mulheres, pessoas com deficiência e idosos indígenas. Mas antropólogos alertam que, nas entrelinhas, o texto esconde um “esforço para a evangelização” das tribos.

A matéria foi apresentada há 14 anos pelo então deputado Henrique Afonso, à época filiado ao PT do Acre. Identificado originalmente como PL 1.057/2007, o texto reafirma “o respeito e o fomento a práticas tradicionais indígenas”. Mas adverte que elas precisam estar “em conformidade com os direitos humanos fundamentais” estabelecidos pela Constituição Federal e por acordos internacionais.

Afonso enumera uma série de “práticas tradicionais nocivas” que, segundo ele, são adotadas em comunidades indígenas “por razões culturais”. Entre elas, o homicídio de recém-nascidos por meio de envenenamento, soterramento, desnutrição e maus-tratos. De acordo com o texto, algumas tribos “atentam contra a vida” de bebês pelo simples fato de serem gêmeos, filhos de mães solteiras ou marcados por sinais de nascença ou deficiências. O mesmo tratamento é dispensado a crianças que não têm o sexo desejado pelo grupo, recém-nascidos “portadores de má-sorte” ou bebês desnutridos, tidos como “frutos de maldição”.

Segundo o projeto, quem souber que uma criança indígena corre o risco de morrer deve comunicar o fato à Fundação Nacional de Saúde (Funasa), à Fundação Nacional do Índio (Funai), ao Conselho Tutelar ou à polícia. A pena por omissão é de um a seis meses de cadeia. Caso os pais ou a tribo “persistam na prática tradicional nociva”, a criança deve ser retirada da família e transferida para um abrigo provisório. Se isso não for possível, o recém-nascido é encaminhado à adoção.

­”O Estado brasileiro deve atuar no sentido de amparar todas as crianças, independentemente de origens, gênero, etnia ou idade, como sujeitos de direitos humanos que são. Obviamente, as tradições são reconhecidas, mas não estão legitimadas a justificar violações a direitos humanos. Práticas tradicionais nocivas, que se encontram presentes em diversos grupos sociais e étnicos do nosso país, não podem ser ignoradas e merecem enfrentamento, por mais delicado que seja”, argumenta Henrique Afonso.

O texto original sofreu mudanças na Câmara. Além de crianças, o projeto passou a contemplar adolescentes, mulheres, pessoas com deficiência e idosos. Os deputados incluíram no rol de “práticas que atentam contra a vida” nas comunidades indígenas os crimes de abuso sexual, estupro individual ou coletivo, escravidão, tortura, abandono de vulnerável e violência doméstica — além, é claro, do infanticídio.

De acordo com o projeto, a autoridade que deixar de tomar medidas imediatas para proteger indígenas em situação de risco pode ser responsabilizada, embora o texto não especifique a pena. A versão final aprovada pela Câmara não prevê explicitamente a possibilidade de adoção para crianças submetidas a maus-tratos. Mas mantém a hipótese de retirada provisória e “colocação em lugar seguro, observando as especificidades de cada etnia”. Se o risco for afastado, a autoridade deve “promover o reingresso em suas comunidades de origem sempre que possível”.

Aprovado por duas comissões temáticas e pelo Plenário da Câmara, o projeto chegou ao Senado em setembro de 2015. A matéria recebeu o aval da Comissão de Direitos Humanos (CDH) quatro anos depois, com parecer do senador Telmário Mota (Pros-RR). Desde outubro de 2019, o texto aguarda o relatório do senador Marcos Rogério (DEM-RO) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Se for aprovado sem mudanças pela Casa, o texto segue para sanção presidencial.

Enterrado vivo

O índio Kakatsa Kamayura se apresenta como “um sobrevivente do infanticídio”. Ele relata que, logo após o parto, a mãe tentou sacrificá-lo porque o pai não o reconhecia como filho. Kamayura foi salvo da morte por uma desconhecida.

— Quando eu estava na barriga da minha mãe, meu pai não me reconheceu como filho legítimo. Minha mãe ficou muito triste. Pela pressão do meu pai, quando eu nasci, ela cavou um buraco e queria me enterrar. Mas uma senhora veio e me levou para a sua casa. Essa senhora me pegou, e eu sobrevivi. Tenho um irmão que foi vítima de infanticídio também. Ele é filho de mãe solteira. Quando nasceu, foi enterrado vivo. Depois de duas horas dentro do buraco, minha mãe o tirou de lá — conta.

Kakatsa Kamayura coordena o projeto Tekonoe, que tem o propósito de “cuidar, salvar e abrigar” crianças sob o risco de infanticídio. Durante uma audiência pública promovida pela CDH em novembro de 2016, ele próprio afirmou ter adotado uma menina que escapou da morte quando recém-nascida.

— Eu tenho uma filha que também é sobrevivente de infanticídio, uma filha linda. Não consegui salvar todas as crianças que nasceram na aldeia e foram mortas. Na nossa cultura, a gente enterra as crianças vivas. Dizem que a criança indígena é diferente da criança dos brancos, porque a criança indígena não tem alma. Mas não é uma pessoa sem alma, como as pessoas falam. Essas coisas falam as pessoas que não conhecem a cultura indígena — explica.

O debate na CDH também contou com a presença da jornalista indígena Sandra Terena. Produtora e diretora do documentário Quebrando o Silêncio, ela afirma que o vídeo “pôs por terra a versão oficial” de que “o infanticídio era uma invenção”.

— O objetivo do filme foi mostrar que muitas mães vêm pedindo apoio e precisam de ajuda para dar uma condição de vida para os seus filhos. Meu avô tinha uma doença de pele que a gente conhece por vitiligo. De todos os netos dele, eu sou a única que tenho essa característica. Entendo que, dependendo do contexto da aldeia em que eu tivesse nascido, eu também poderia ter sido uma vítima do infanticídio — afirma.

Quem também defende o PLC 119/2015 é a advogada Maíra Barreto, doutora em Direitos Humanos pela Universidade de Salamanca, na Espanha. Ela argumenta que a legislação brasileira precisa “passar pelo crivo” dos tratados internacionais. Um deles é a “Convenção sobre os Direitos da Criança”, aprovada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em 1989 e ratificada pelo Brasil no ano seguinte. Segundo o texto, os estados partes “devem adotar todas as medidas eficazes e adequadas para eliminar práticas tradicionais que sejam prejudiciais à saúde da criança”.

— Não resta dúvida quanto à questão de abolir (o infanticídio). Deve haver um combate por parte do Estado em relação a todas as práticas tradicionais nocivas. As mães indígenas, que também sofrem com essas questões culturais, têm o direito de criar seus filhos. O que eu tenho a mais que essa mãe? Eu não tenho nada. Só o meu local de nascimento é que é diferente do dela. E eu não posso condicionar os direitos das pessoas ao local de nascimento — afirma Maíra Barreto.

O PLC 119/2015 foi inspirado em uma sugestão da organização não governamental Atini — Voz pela Vida. Na justificativa do projeto apresentado à Câmara, o então deputado Henrique Afonso reconhece que o objetivo do texto é “tornar realidade os propósitos da Atini”. Fundada em 2006, a ONG tem como missões “erradicar o infanticídio nas comunidades indígenas” e “defender o direito inalienável à vida”.

Missões religiosas

Embora considerado prioritário pelo presidente Jair Bolsonaro, o projeto não é uma unanimidade. O antropólogo e ex-presidente da Funai Artur Nobre Mendes adota “uma postura bastante crítica” em relação à matéria. Para ele, o texto está apoiado em “uma série de pressupostos falsos”. O principal, segundo o antropólogo, é o viés religioso.

O autor do projeto, deputado Henrique Afonso, foi pastor da Igreja Presbiteriana e integrou a Frente Parlamentar Evangélica da Câmara. A jornalista Sandra Terena, autora do documentário Quebrando o Silêncio, é membro da Igreja Cristã Presbiteriana e chefiou a Secretaria de Igualdade Racial do Ministério da Família. A pasta é comandada por Damares Alves, que foi pastora da Igreja do Evangelho Quadrangular e é ponta de lança da “pauta de costumes” na Esplanada dos Ministérios. A própria Damares foi uma das fundadoras da ONG Atini, que encomendou o projeto de combate ao infanticídio indígena.

— Há uma série de pressupostos falsos que deram origem a esse projeto de lei. Especialmente, ele tem um caráter religioso. Ou seja, parte do esforço de evangelização dos índios por parte de algumas missões religiosas. E decorre daí essa percepção, essa visão que distorce completamente a realidade de vida no meio dos indígenas — argumenta o antropólogo Artur Nobre Mendes.

Para o ex-presidente da Funai, o PLC 119/2015 tem “caráter discriminatório” porque situa o infanticídio como “uma prática única e exclusiva dos povos e das sociedades indígenas”.

— Destaca-se esse grupo social como sendo aquele que pratica, de forma contumaz e corriqueira, o infanticídio, ignorando o restante da sociedade. O infanticídio cometido por alguns grupos, nas raras vezes em que ocorre, diz respeito às reais possibilidades de sobrevivência da criança, da sua possibilidade de se desenvolver como ser social pleno. Essa decisão é algo que causa extrema dor, tristeza e desespero. É possível construir junto a essas comunidades indígenas outras formas e soluções sem agredi-las, sem criminalizá-las — avalia.

A antropóloga Marianna Holanda, doutora em Bioética pela Universidade de Brasília, também é contrária à aprovação do PLC 119/2015. Ela destaca que a matéria não conta com o aval de entidades relevantes, como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Abip), o Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). De acordo com a antropóloga, os dados sobre infanticídio no Brasil “não são alarmantes”.

— A mortalidade de crianças indígenas se dá, em grande parte, pela dificuldade de assistência à saúde. As principais causas são desnutrição, diarreia, viroses, infecções respiratórias, falta de saneamento básico. Sabemos que pneumonia, diarreia e gastroenterite são doenças facilmente tratáveis, desde que essas crianças tenham acesso às políticas de saúde — avalia.

Para Marianna Holanda, a intenção do PLC 119/2015 é “criminalizar os próprios povos indígenas”. A antropóloga afirma que “uma campanha” iniciada em 2005 tenta passar a impressão de que as tribos brasileiras adotam “tradições culturais nocivas e arcaicas” — e precisam ser punidas por isso.

— A sociedade brasileira, em geral, é profundamente ignorante sobre os povos indígenas, mantendo imagens estereotipadas, caricaturadas e, pior, carregadas de preconceito e discriminação. Segundo o IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística], 165 mil pessoas, ou seja, 20% da população indígena autodeclarada, possuem ao menos uma forma de deficiência: auditiva, visual, motora, mental ou intelectual. Isso nos permite demonstrar que os dados que afirmam que há uma prescrição social para que essas crianças sejam mortas por seus pais e familiares não se sustentam — argumenta.

Doenças tratáveis

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), publicou em setembro do ano passado a última atualização do relatório “Violência Contra os Povos Indígenas”, com dados de 2019. O documento destaca um aumento nos registros de mortalidade de crianças até cinco anos de vida. O número saltou de 591, em 2018, para 825, no ano seguinte.

De acordo com o texto, no entanto, “diversas mortes” ocorreram por doenças tratáveis. “Um total de 114 crianças vieram a óbito por diferentes tipos de pneumonia. Outras 53 morreram por diarreia e gastroenterite de origem infecciosa presumível. O órgão de assistência à saúde registrou também 28 óbitos de crianças por morte sem assistência. Nos estados do Acre e do Mato Grosso do Sul foram registrados cinco óbitos por influenza/gripe”, destaca o documento. Não há no relatório nenhuma referência a “práticas tradicionais” de envenenamento, soterramento, desnutrição ou maus-tratos como a causa mortis daquelas crianças.

No capítulo sobre assassinatos, o relatório indica que houve 113 homicídios de indígenas em 2019. De acordo com a publicação, “os dados oficiais não permitem uma análise mais aprofundada” porque não apresentam “informações detalhadas sobre a faixa etária das vítimas”. No entanto, sempre segundo o Cimi, as mortes estão relacionadas a quatro “circunstâncias” principais: disputa pela demarcação de territórios; combate à exploração madeireira e garimpeira; preconceito e intolerância contra indígenas; e situações como alcoolismo, tráfico de drogas e prostituição. Nenhuma menção a gestação gemelar, sinais de nascença, deficiências físicas ou mentais, “má-sorte” ou “maldição” como motivação para os crimes.

O senador Telmário Mota, relator do PLC 119/2015, é favorável à matéria. No parecer aprovado pela CDH em 2019, o parlamentar afirma que “crenças e práticas tradicionais indígenas ocasionalmente implicam atos lesivos aos direitos fundamentais”. Para ele, o Congresso não pode adiar a decisão sobre a matéria.

— Temos de decidir de uma vez por todas se vamos ficar presos a formas tradicionalistas de pensamento e ação ou se vamos avançar rumo à inclusão de todas as nossas populações. Sem hesitar, afirmamos que a modernização do Brasil requer a extensão do respeito aos direitos humanos a todo local e a todas as vidas brasileiras. E os indígenas são brasileiros — argumenta Telmário.

O senador Paulo Paim (PT-RS), ex-presidente da CDH, lembra que os povos indígenas vêm sendo “violentados física e culturalmente há 500 anos”. Ele defende que o relator da matéria na CCJ, senador Marcos Rogério, “arregimente as lideranças indígenas e as partes interessadas” para discutir a proposta em profundidade.

— Não é o governo ou o Parlamento que devem interferir de cima para baixo nessas questões, sem diálogo e sem nem saber se essas são as reais prioridades dos povos indígenas — pontua.

Em 2015, quando era deputado federal, Marcos Rogério foi o relator em Plenário do projeto aprovado pela Câmara.

— Por mais que alguns argumentem que esta lei é uma intervenção desnecessária na cultura dos povos indígenas, trata-se apenas do cumprimento dos comandos contidos na nossa legislação, que insta o Estado a envidar todos os esforços para a proteção integral da criança. A tolerância em relação a diversidade cultural deve ser norteada pelo respeito aos direitos humanos — disse Marcos Rogério na ocasião.

FONTE: AGÊNCIA BRASIL COM GOVERNO DO ACRE

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

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COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: As perspectiva de inflação pioram segundo Boletim Focus – Por Silvio Persivo

    Sobre os fatos hediondos e lamentáveis. “Aconteceu e, portanto, pode voltar a acontecer: está a essência do que temos para dizer” (Primo Levi). BLACK FRIDAY IMPULSIONA COMÉRCIO DE RONDÔNIA Segundo a  Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio/RO). a Black Friday de 2026 deve movimentar cerca de R$ 736 milhões em Rondônia. Para Porto Velho, a estimativa é de R$ 147 milhões em vendas, com um crescimento previsto de 3,2%.  No cenário nacional, um estudo da Stefanini Marketing estimou que a data poderá gerar R$ 14,47 bilhões em vendas e 18,3 milhões de pedidos. Uma sondagem da Fecomércio/RO aponta que 68,4% dos consumidores pretendem fazer compras. Entre os produtos mais procurados estão roupas (51,8%), eletrodomésticos (31,9%) e eletrônicos (23%). A pesquisa também aponta que 48,1% planejam pagar à vista, enquanto 50,9% pretendem antecipar as compras para a semana anterior à Black Friday. Para a Fecomércio/RO, a movimentação antecipada pode estender o período de promoções e contribuir para as vendas de fim de ano. “A antecipação das compras deve ampliar o período de promoções e, este ano, inclusive com o apoio direto do Sebrae de Rondônia, os empresários se prepararam mais. Daí a suposição de que a Black Friday deve impulsionar as vendas de fim de ano”, disse o presidente da entidade, Raniery Araújo Coêlho. PREÇO DO DIESEL AUMENTA QUASE 2% EM RONDÔNIA O Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que acompanha o comportamento de preços nos postos de combustível, aponta que Rondônia registrou um cenário de alta nos preços dos combustíveis em outubro, na comparação com setembro, com exceção do etanol.  O diesel comum subiu 1,93%, custando em média R$ 7,39 já o S-10 ficou 1,87% mais caro, com preço médio de R$ 7,61, enquanto a gasolina subiu 0,13%, alcançando R$ 7,45. No sentido oposto, o etanol recuou 0,58%, cotado a R$ 5,14. Segundo Vinicios Fernandes, Diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade, “Em outubro, Rondônia apresentou uma tendência de alta nos preços da maior parte dos combustíveis, com destaque para o diesel, que registrou os avanços mais expressivos no período. Com a queda registrada no período, o etanol se consolida como a opção mais econômica e sustentável para os motoristas rondonienses”. ENCONTRO DE CATADORES DE MATERIAIS RECICLÁVEIS DE RONDÔNIA O governo do estado realizou na segunda-feira (2) o 4º Encontro Estadual de Catadores de Materiais Recicláveis, entre os municípios de Presidente Médici e Ji-Paraná. Durante o evento, encerrado na terça-feira (3), cerca de 100 profissionais organizados em cooperativas, associações ou de forma individual participaram da programação, coordenada pela Secretaria de Estado da Mulher, da Família, da Assistência e do Desenvolvimento Social (Seas), com palestras, visita técnica, atividades práticas e levantamento de demandas que ampliem a geração de renda, qualifiquem a atuação das cooperativas e associações, difundam práticas seguras de trabalho e consolidem propostas para o desenvolvimento da política pública de reciclagem inclusiva no estado.  A titular da Seas, Luana Rocha reforçou, que com estes encontros o governo, por meio da Seas, contribui com a organização dos catadores no estado para o fortalecimento das cooperativas e a construção de uma pauta unificada em defesa da reciclagem inclusiva em Rondônia. ““A escolha de Presidente Médici atendeu ao pedido dos próprios catadores, apresentado no Fórum Estadual de Lixo e Cidadania, pelo fato de o município estar mais centralizado, favorecendo a participação de um número maior de catadores. Nesta edição foi inserida pela primeira vez a oficina do projeto “Recicla ON”, do Instituto Gea, do estado de São Paulo, focada na capacitação e estruturação de cooperativas de catadores para a destinação correta de resíduos eletroeletrônicos (lixo eletrônico). AS PERSPECTIVAS DE INFLAÇÃO PIORAM SEGUNDO O BOLETIM FOCUS A mais recente edição do Boletim Focus mostra uma piora drástica das expectativas dos investidores com relação à inflação, aos juros e à taxa de câmbio. A piora se inicia pela inflação. Há quatro semanas, a estimativa este ano foi de 5,01%. Na semana passada, subiu para 5,19% e, nesta edição, avançou para 5,22%, bastante acima do teto da meta.  A projeção para 2027 também piorou. Nas últimas semanas, a expectativa estave ao redor de 4,3%. Acima da meta de 3%, mas dentro do limite aceitável. Agora, a projeção avançou para 4,76%, acima do teto de 1,5% da meta. A alta prevista é menos intensa nos anos de 2028 e de 2029. Porém, as estimativas para esses dois anos se situavam ao redor de 3,5% e agora estão ao redor de 4%, também  acima da meta. RESILIÊNCIA DA ECONOMIA GLOBAL DIMINUI AFIRMA FMI O documento final da 54ª reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC), nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, alerta que a economia global resiste a choques, mas sua capacidade de absorver novas turbulências diminui, após o desmantelamento da ordem geopolítica, conflitos e danos às cadeias de suprimentos, pela pandemia e por guerras. Assim o FMI pede políticas mais consistentes, reconstrução das reservas fiscais, estabilidade de preços e cooperação entre nações. O World Economic Outlook projeta um crescimento mundial de 3,1% em 2026 e 3,4% em 2027, e inflação global de 4,7% neste ano, recuando para 4,1% no próximo. Há diferenças: países beneficiados por investimentos em IA e condições comerciais favoráveis têm perspectivas melhores do que importadores de energia e economias de baixa renda. Interessante é que o documento destaca os riscos do endividamento público: a alta dos rendimentos dos títulos soberanos, somada à dívida elevada, pode encarecer o crédito. Recomenda consolidação fiscal e marcos fiscais, preservando investimentos prioritários e a proteção social; transferências temporárias e direcionadas seriam mais eficientes do que controles generalizados de preços. Na política monetária, pede estabilidade de preços, decisões baseadas em dados, comunicação clara e independência dos bancos centrais. A inteligência artificial impulsiona investimentos, comércio e produtividade, mas seus benefícios tendem a ser desiguais; revisões nas expectativas de rentabilidade podem provocar correções nos mercados e ampliar disparidades. AUTOR: SILVIO PERSIVO –  TEIA DIGITAL

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