Em Linhas Gerais

Na Câmara Municipal Municipal, Vereador Fogaça vem se destacando por uma atuação dignificante para o próprio parlamento.- por Gessi Taborda

PENSAMENTO

“A ignorância em si não é nem vergonhosa e nem maléfica. Ninguém pode saber tudo. Mas fingir saber o que na verdade não se sabe é tão vergonhoso quanto maléfico”. Charles Darwin (1809/1882), Naturalista britânico.

DIA DE CRÕNICA

Descansemos nossos leitores dos temas casmurros da política e economia. De novo damos espaço para crônica leve, construída com as observações dessa vida, cada mais presa à avanços da tecnologia que eu mesmo tenho dificuldades de assimilar. E esse parece ser também o problema do Parnásio (que nome mais estranho), um sujeito longe de chegar à meia idade e que poderia ser seu vizinho.

SONO LEVE

Parnásio tateou por cima do criado-mudo até encontrar o celular: era pouco mais de meia noite. Meia hora depois, e ainda não havia conseguido pegar novamente no sono. Levantou, foi até a cozinha para esquentar um pouco de leite com canela.

Há algumas semanas vinha dormindo mal. Também pudera, pois além dos desencontros na empresa, andava estudando demais para conseguir o mestrado. E vivia um período bastante tenso, um tanto pensativo, quase melancólico, achando que não fazia muito sentido o seu viver. Que a vida estava muito insegura por culpa das coisas da política e da economia.

 GELADEIRA VAZIA

Abriu a geladeira e deu-se conta que estava sem leite. Voltou a deitar, mas não deu nem cinco minutos e decidiu sair para comprar o leite. O início da madrugada estava fresca. Enquanto dirigia pensava que ao passar os 30 anos vivia uma crise existencial, e não sabia o que fazer.

Era princípio de madrugada, mas havia um bom movimento na única padaria que encontrou aberta.

Parnásio foi direto à prateleira dos leites, e quando foi checar o preço, a etiqueta estava apagada; ou melhor, lhe pareceu que se apagara naquele instante. Olhou ao lado, imediatamente outra etiqueta piscou, e o preço desapareceu. Mais uma, e mais outra. Por mais que procurasse, todas sem o valor.

CÓDIGO ILEGÍVEL

Pegou uma caixinha de leite, passou pela leitora de barras e apareceu um monte de pontos de interrogação. Decidiu procurar um funcionário, e quando ia chegando à recepção viu o jornal de ofertas, porém, sem nenhum preço. Havia apenas um único caixa aberto e ao aproximar-se foi barrado por um homem alto e forte, que lhe pareceu o gerente.

VALORES SUMIDOS

Visivelmente contrariado Parnásio perguntou ao sujeito que parecia gerente

– Por que todos os produtos estão sem preço?

– Estamos com um problema! – falou o gerente.

– Ah vá! – ironizou Aquiles.

– Não me leve a mal, mas todas as etiquetas perderam misteriosamente o valor. Não há nenhum produto com preço!

– Mas eu quero comprar apenas uma caixinha de leite.

– Lamento, não podemos vender!

– Olha – falou Aquiles – não deve custar mais do que três reais. Tome cinco.

– Na verdade, não é esse o problema, ocorre que os produtos estão temporariamente sem valores de venda.

 

OS PREÇOS MISTERIOSOS

Que besteira, eu sei quanto vale uma caixinha de leite – falou furiosamente Aquiles.

– Pois é, não temos mais tanta certeza disso! Esse é o problema!

– Mas isso é um absurdo. Você está me dizendo que querem colocar o preço em cima do eu acho quanto vale?

– Isso mesmo, e como não sabemos mais o quanto você está disposto a pagar, não temos como colocar o preço.

– Pago dez reais numa caixinha de leite – falou o raivoso Aquiles.

– Percebeu? Você não sabe o valor. Talvez estivesse disposto a pagar uns cinquenta no leite?

– Não, isso não!!! Seria um absurdo!

 

COMPOSIÇÃO DO PREÇO

Viu? Não sabe o valor! – falou o gerente com um sorriso irônico.

– Mas o correto não seria você verificar quanto pagou para seu fornecedor, acrescentar os custos e margem de lucro?

– Imagina! Claro que não. Veja aquele vinho, vendíamos por umas seis vezes mais o preço que pagamos, e isso ia muito além de custos e lucro.

– Então vou levar o leite, e amanhã eu volto e pago o preço que estiver marcado.

– Você sempre deixando para amanhã, não é Parnásio?

– Como você sabe o meu nome?

– Conheço o seu nome e sua tendência a poetar, ou melhor, a sua aflição parnasiana!

 

TEMPOS DE PESADELOS

Longas e estridentes gargalhadas invadiram os ouvidos de Parnásio, que acordou assustado, pois estava na verdade tendo um pesadelo. Levantou, foi correndo até a cozinha e encontrou o leite. Aqueceu com canela, e enquanto tomava ia se acalmando até perceber que seu pesadelo fazia sentido; um supermercado o qual não consegue atribuir valores a seus produtos, não consegue vendê-los. E Parnásio entendeu que ele mesmo não sabe muito bem sobre os seus próprios valores, e talvez ao refletir mais, ficará menos vulnerável aos valores externos, que quase sempre refletem valores de múltiplas finalidades.

 

O VEREADOR TÁ CERTO

Everaldo Fogaça é considerado um jornalista combativo. Graças a isso ganhou notoriedade com o seu “O Observador” e com ele a simpatia que foi traduzida em números necessários para colocá-lo na Câmara Municipal.

Ali, Fogaça vem se destacando por uma atuação dignificante para o próprio parlamento.

Ele está certo: o Legislativo não pode se submeter ao autoritarismo e à ilegalidade. Não foi para isso que a população elegeu os 21 vereadores.

 

UMA ESPERANÇA POSITIVA

O vereador, por sua coragem de desnudar a comédia dos erros encenada pela maioria da edilidade quando aceita os equívocos do prefeito em todas as áreas e, principalmente nessa questão do transporte urbano vai ganhando conceito e possibilidade real de participar da eleição do ano que vem numa chapa majoritária.

Everaldo Fogaça já é hoje um claro exemplo de que precisamos do debate qualificado, com propostas sérias para a cidade. A Câmara Municipal não é circo nem teatro de arena. Por tudo isso, ele bem poderia continuar no legislativo e, quem sabe, assumir a presidência da casa na próxima legislatura.

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