Brasil

Governo prioriza ‘Centrão’ ao liberar R$ 2,5 bi em emendas antes de votação

Às vésperas de votação de reforma, governo está usando antiga forma de barganha, as emendas parlamentares – mais de R$ 2,551 bi foram reservados para deputados nos 5 primeiros dias deste mês; Câmara discutiu reforma na terça e votação deve ser nesta quarta.

Eleito com um discurso crítico ao que chamava de “velha política”, o presidente Jair Bolsonaro não pediu indicações dos partidos políticos ao escolher os seus ministros. Vem tendo uma relação difícil com a Câmara dos Deputados e o Senado desde o começo dos trabalhos do Congresso, em fevereiro.

No entanto, às vésperas da votação na Câmara da Reforma da Previdência, o governo resolveu lançar mão de uma das práticas mais antigas de convencimento de parlamentares – a liberação de emendas ao Orçamento. A Reforma da Previdência é o projeto mais importante deste começo da gestão de Bolsonaro. Segundo especialistas, alterar as regras das aposentadorias é fundamental para ajustar as contas públicas. Só em julho, o governo liberou R$ 2,55 bilhões em emendas, de acordo com levantamento da ONG Contas Abertas.

A BBC News Brasil analisou os dados levantados pela Contas Abertas: entre os 10 congressistas da ativa que mais tiveram emendas empenhadas em julho, não há nenhum nome de partidos de oposição ao governo. O “Top 10” contempla partidos como o Podemos, o PP, o PL e o PSD.

As emendas são pequenas modificações que deputados e senadores fazem ao Orçamento da União. São usadas pelos congressistas para colocar dinheiro público em serviços e obras nas localidades onde eles têm votos – podem ser destinadas a manter um posto de saúde, reformar uma escola ou comprar uma ambulância, por exemplo.

A imprensa brasileira também noticiou acordos entre o governo e deputados para garantir a liberação de emendas nos Orçamento dos anos seguintes, como forma de conseguir mais votos para a Reforma da Previdência. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) teria prometido R$ 40 milhões a cada deputado que votar a favor da Reforma Previdenciária, até 2022.

A reforma foi discutida em sessão na noite de terça e a votação deve acontecer nesta quarta (10).

Na terça, os deputados terminaram a fase conhecida como “discussão” do projeto – no qual congressistas contrários e favoráveis à proposta falam na tribuna. A previsão para esta quarta-feira é que a oposição apresente pelo menos mais quatro requerimentos antes que o texto possa ser votado. A Reforma da Previdência é uma proposta de emenda à Constituição (PEC), que precisa ser votada em dois turnos na Câmara antes de seguir para o Senado. Por isso, há a expectativa de que o tema continue sendo discutido ao longo da semana.

’40 milhões!’

As promessas de emendas já são parte do folclore do Congresso. Numa das entradas da Câmara, um grupo de sindicalistas de Brasília gritava “R$ 40 milhões! R$ 40 milhões!”, toda vez que um deputado pró-reforma passava, na manhã de terça-feira (9).

De acordo com levantamento da Contas Abertas, o governo empenhou (primeira etapa para uso dos recursos públicos) R$ 2,551 bilhões para emendas apenas nos cinco primeiros dias deste mês. O valor supera tudo que foi empenhado antes disso no primeiro semestre do ano: R$ 1,77 bilhão.

Até meses atrás, Bolsonaro manteve o seu discurso contra o que chamava de “velha política”. A última vez que usou o termo foi no fim de março, quando trocou farpas com Rodrigo Maia. Segundo ele, as rusgas aconteciam porque alguns congressistas se recusavam a “largar a velha política”. “O que é articulação? O que falta eu fazer? O que foi feito no passado? Veja onde estão dois ex-presidentes. Eu não seguirei o mesmo destino de ex-presidentes, pode ter certeza”, disse, numa referência a Lula (PT) e Michel Temer, ambos investigados por corrupção.

Desde 2015, o governo federal é obrigado a empenhar uma parte das emendas, graças à regra conhecida como “orçamento impositivo”. O economista Gil Castello Branco, fundador da Contas Abertas, nota que isso não tirou totalmente o potencial de negociação em torno desses recursos, já que o governo ainda controla o ritmo de liberação das emendas ao longo do ano.

O levantamento, que abrange dados desde janeiro de 2016, mostra também que o valor já liberado em julho é o quarto maior para um mês em todo o período. O mês com maior liberação nesse intervalo foi maio de 2016 (R$ 3,8 bilhão), quando houve o impeachment de ex-presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, tanto o governo Dilma quantos os aliados do então vice-presidente, o emedebista Michel Temer, negociaram votos em troca de emendas.

Outro período de grande desembolso, nota Castello Branco, foram junho e julho de 2017, quando estava sendo analisada na Câmara a primeira denúncia contra o já presidente Temer. Somados os dois meses, houve liberação de R$ 4,6 bilhão. Para dar uma dimensão de como esses valores são elevados, a média mensal entre janeiro de 2016 e junho de 2019 fica em R$ 740 milhões.

“O que acontece hoje em dia não é o que ocorria anos atrás, em que você favorecia um parlamentar da base em detrimento de outros, um partido, em detrimento dos demais. Agora você libera tudo, mas libera à conta gotas, estrategicamente, quando tem uma votação importante no Congresso Nacional”, afirma. Castello Branco.

“As emendas parlamentares são um idioma, uma das formas como se comunicam o Executivo e o Legislativo. Isso acontece há décadas e agora não foi diferente. Houve uma concentração (de empenho de recursos) e inclusive promessa de liberar recursos além dos limites mínimos obrigatórios (do Orçamento Impositivo)”, disse ele à BBC News Brasil.

Bolsonaro respondeu no começo da noite de segunda às críticas de que estaria trocando votos por recursos do Orçamento. “Por conta do Orçamento Impositivo, o governo é obrigado a liberar anualmente recursos previstos no orçamento da União aos parlamentares e a aplicação destas emendas é indicada pelos mesmos. Estamos apenas cumprindo o que a lei determina e nada mais. Boa noite a todos”, escreveu ele.

Emendas extras?

Castello Branco se refere às promessas feitas pelo governo a parlamentares – de liberar verbas extras para gastos em suas bases além dos limites previstos no chamado Orçamento Impositivo (o equivalente a 1,2% da receita corrente líquida do governo).

Dentro dessas regras, o Orçamento aprovado pelo Congresso em 2018 para 2019 prevê quase R$ 15 milhões em emendas para cada parlamentar neste ano, além de R$ 3,6 bilhões para serem distribuídos entre as bancadas estaduais. A soma disso dá R$ 10,8 bilhões, dos quais R$ 4,3 bilhões já foram empenhados.

A BBC News Brasil conversou reservadamente com técnicos em Orçamento da Câmara para entender como seria possível o governo liberar emendas além do aprovado pelo Congresso no ano anterior.

Segundo estes técnicos, qualquer verba extra não seriam emendas parlamentares, do ponto de vista formal.

O que a administração Bolsonaro pode fazer é usar recursos livres nos orçamentos dos ministérios e destinar para gastos em regiões indicadas pelos congressistas.

Por exemplo: destinar verbas da pasta da Saúde especificamente para obras em um hospital da base eleitoral do deputado ou senador. O parlamentar poderá divulgar em sua base que foi seu pedido que garantiu o dinheiro, mas esse gasto não terá o carimbo legal de sua indicação.

Esse mecanismo também não é novo e permitiria ao governo beneficiar parlamentares de primeiro mandato, que não estavam no Congresso no ano passado, e por isso não têm direito a emendas no orçamento deste ano.

“Essa liberação de verbas extras sempre foi usado, veio junto com as caravelas (portuguesas, em 1500)”, brinca um técnico da Câmara.

O deputado Bohn Gass (PT-RS) explica que este tipo de acordo é feito com a aprovação de um tipo de projeto chamado PLN (Projeto de Lei do Congresso Nacional), que remaneja os recursos dentro do Orçamento da União. “Você vai ver um monte de PLNs sendo aprovado. E aí vai ficar um recurso extra ali no Ministério da Saúde, mais um pouco no Ministério do Desenvolvimento Regional, e o governo vai chamar os seus deputados para ‘apadrinhar’ os projetos que receberam esse dinheiro”, diz ele.

Deputados disseram à BBC News Brasil que este tipo de arranjo será feito com os ministérios da Justiça, da Agricultura e da Saúde, entre outros.

Deputados do Centrão foram os que mais receberam

A partir dos dados da ONG Contas Abertas, a BBC News Brasil analisou quais parlamentares que mais tiveram emendas empenhadas em julho.

As emendas empenhadas em 2019 correspondem ao Orçamento aprovado no ano passado. Por este motivo, a lista inclui também deputados que não têm mais mandato, seja porque não tentaram a reeleição para o Congresso em 2018 ou porque não conseguiram se reeleger.

Entre os que se reelegeram e, portanto, votarão a Reforma da Previdência, todos os dez que receberam maior valor são de partidos que vão do centro à direita. Parlamentares de partidos de esquerda, que fazem oposição ao governo, não aparecem no topo da lista.

Entre os dez mais estão os deputados Marco Feliciano (PODE-SP), com R$ 12,1 milhões; Alex Manente (Cidadania-SP), com R$ 11,9 milhões; Roberto de Lucena (PODE-SP), com R$ 10,1 milhões; Misael Varella (PSD-MG), com R$ 10 milhões; André Fufuca (PP-MA), com R$ 9,6 milhões; Altineu Côrtes (PL-RJ), com R$ 9 milhões; Celso Russomano (PRB-SP), com R$ 8,5 milhões; e Eli Côrrea Filho (DEM-SP), com R$ 7,5 milhões. Completam a lista dos dez parlamentares os senadores Ciro Nogueira (PP-PI), que é também presidente do PP, com R$ 7,6 milhões; e Mara Gabrilli (PSDB-SP), com R$ 7,6 milhões.

Quando a análise leva em conta todas as emendas do Orçamento de 2019 empenhadas desde o começo do ano para deputados e ex-deputados, porém, o quadro que emerge é de mais equilíbrio na divisão.

Deputados do PT conseguiram empenhar em média R$ 5,5 milhões este ano – o valor é próximo do conseguido por deputados do DEM, por exemplo (R$ 5,9 milhões). Estes dados foram levantados pela reportagem da BBC News Brasil por meio da ferramenta Siga Brasil.

Segundo um deputado do Partido Progressista (PP), a questão das emendas é relevante principalmente para os deputados de Estados do Norte e do Nordeste. “O meu eleitorado (no Sudeste) já está me cobrando para que eu vote a favor da reforma, então eu já ia votar a favor independente de emenda. Para a gente do Sul e do Sudeste é mais fácil votar a favor, mas os colegas principalmente do Norte e do Nordeste precisam ter essa contrapartida (das emendas) para mostrar para o eleitorado deles”, diz, sob condição de anonimato.

O congressista diz que em seu partido não houve promessa explícita de valores – o líder da bancada apenas avisou que “um valor extra” seria liberado em emendas. “Ele chegou e disse ‘vai ser liberado um valor extra. Apresente os seus pedidos, e faça uma ordem de prioridade (do que deve ser liberado primeiro, conforme o dinheiro apareça)”, diz o deputado, também sob anonimato.

“Eu mesmo apresentei só R$ 6 milhões. No momento não sabia que tinha essa coisa de R$ 20 milhões”. Até agora, este congressista do PP teve cerca de R$ 4,5 milhões empenhados em emendas, segundo a ferramenta Siga Brasil.

A reportagem da BBC News Brasil apurou que a liberação das emendas está sendo negociada pela Secretaria de Governo (Segov), hoje comandada pelo general de Exército Luiz Eduardo Ramos. Formalmente, a decisão de pagar ou não uma determinada emenda é do ministro da pasta à qual ela está ligada. Por exemplo: se o deputado apresenta uma emenda para a construção de um posto de saúde, a decisão de pagar ou não cabe ao Ministério da Saúde.

FONTE: BBC NEWS BRASIL

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COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: Confiança Empresarial diminui com cenário econômico de incerteza – Por Silvio Persivo

    Insistir é preciso. “De tudo ficaram três coisas: A certeza de que estamos começando. A certeza de que precisamos continuar. A certeza de seremos interrompidos antes de terminar. Portanto, devemos fazer da interrupção um caminho novo. Da queda, um passo de dança. Do medo, uma escada. Do sonho, uma ponte. Da procura, um encontro” (Fernando Sabino). IV SIMPÓSIO DE CIÊNCIA E PESQUISA A da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa do Estado de Rondônia (Fapero) com o objetivo de aproximar a sociedade da comunidade científica e apresentar os seus resultados nos projetos apoiados pela instituição,) realiza o IV Simpósio de Ciência e Pesquisa (Simfap), nos dias 5 e 6 de novembro. O evento reúne pesquisadores para compartilhar seus trabalhos, fortalecer a ciência, a tecnologia e a inovação no estado.. O evento om palestras, mesas-redondas, debates e apresentações de trabalhos científicos será realizado no Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO), na Avenida Presidente Dutra, nº 1889, em Porto Velho, e as inscrições estão abertas até o dia 4 de novembro, O presidente da Fapero, Paulo Renato Haddad, disse que o Simfap já se tornou uma tradição “Mais do que apresentar resultados, o evento é uma forma de dar transparência aos investimentos realizados em ciência, tecnologia e inovação, aproximando a população das pesquisas e demonstrando como esses recursos estão contribuindo para o desenvolvimento de Rondônia”. COMEÇOU O PERÍDO DE DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE REBANHOS Começou neste último domingo (1º), o período para a segunda etapa da declaração obrigatória de rebanhos em Rondônia. A atualização cadastral deve ser realizada até 30 de novembro pelos produtores rurais que criam bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos, suínos, equídeos e aves. O procedimento é realizado junto à Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron). Durante o período, a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) fica condicionada à regularização das informações cadastrais e os produtores só poderão movimentar os animais para transporte ou comercialização depois de feitaa declaração do rebanho. No sistema Idaron Online, os pecuaristas vão classificar o gado como leiteiro ou de corte e informar os números de nascimentos e mortes desde maio. Também será necessário indicar a faixa etária dos animais, especificando quantos, entre os nascidos depois da primeira etapa da declaração, têm de quatro a seis meses e quantos têm de um a três meses de idade. Por fim deve ser feito o ajuste automático do total dos rebanhos no sistema, a partir das alterações informadas pelo produtor. A A atualização cadastral, como se sabe, é necessária para manter o status sanitário de Rondônia como área livre de febre aftosa sem vacinação. CONFIANÇA DOS EMPRESÁRIOS DIMINUI COM CENÁRIO ECONÔMICO DE INCERTEZA Segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), os empresários do comércio, no último e mais forte trimestre para o setor no ano, estão menos otimistas, com menos planos de expansão e contratação. O Icec registrou um recuo de 2,7% em outubro, resultado das incertezas do cenário econômico e apresentou sua quarta queda consecutiva e a mais intensa desde julho, já descontados os efeitos sazonais. Com este resultado, o indicador reduziu para os 96,7 pontos, ficando abaixo do nível de neutralidade e atingindo o valor mais baixo desde maio de 2021, na pandemia, quando marcou 94,5 pontos. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, “O comércio acende um alerta para todo o país ao entrar no período mais lucrativo do calendário, sob cautela. Quando o empresário pisa no freio das contratações e dos investimentos, toda economia desacelera, reflexo direto das incertezas nos âmbitos fiscal e monetário que travam as decisões de negócios neste último trimestre”, analisou. Em Rondônia, a situação é um pouco melhor mesmo com o Icec caindo de 107,3 pontos para 105,9 pontos, ou seja, uma queda de -1,3%. Rondônia, em geral, possui um comportamento mais otimista e resiliente, mas, ainda assim, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia-Fecomércio/RO, Raniery Araújo Coêlho, afirmou ser preciso “Maior previsibilidade, segurança jurídica e políticas monetárias que reduzam os custos das operações do nosso setor. O comércio, nas condições atuais, mesmo querendo expandir e gerar postos de trabalho sofre com a falta de um ambiente mais favorável para manter o crescimento”. E também aconselhou os empresários a realizarem promoções e facilidades maiores para atrair os clientes neste final de ano. REINCIDÊNCIA DE INADIMPLENTES BATE RECORDE Um sintoma deste problema é o fato do Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em setembro, revelar que se verificou o maior recorde no número de consumidores negativados nas listas de inadimplentes. Em setembro de 2026, do total de negativações, 87,44% foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses. Acrescente-se que no universo de reincidentes, a maior parte, 67,05%, ainda não havia quitado as pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 20,38% tinham saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 12,56% dos negativados em setembro não estiveram com restrições no CPF ao longo do último ano. Mais: o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento das demais pendências para os reincidentes foi de 72,5 dias. Isto significa que, em média, depois de cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence. Também se observa que houve um crescimento de 18,28% no número de devedores reincidentes, os que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes, na comparação com os 12 meses anteriores. É uma forte indicação de que o programa Desenrola não deu certo. AUTOR: SILVIO PERSIVO –  COLUNA TEIA DIGITAL

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