Esporte

Em baixa com Dunga, Thiago Silva segue quase unanimidade na Europa

Técnica x emoção: constante na seleção do mundo da Fifa, zagueiro mantém bons números no PSG, mas busca recuperar confiança do técnico após falhas de liderança

O ato do jornal italiano “Corriere dello Sport” de apontar Thiago Silva como melhor zagueiro da história da seleção brasileira é apenas mais uma demonstração de que o jogador segue com moral elevada na Europa, principalmente nos países que estão no seu currículo, Itália (Milan) e França (PSG). Mas o defensor não conta com o mesmo prestígio com Dunga, por isso ficou fora das últimas convocações. Se Thiago vai tão bem no futebol europeu, onde estão os melhores campeonatos do mundo, o que falta para ele voltar a ser chamado pelo técnico da Seleção?

A explicação para a ausência do zagueiro não passa pela técnica. A dele é acima da média e fica ainda mais em evidência quando falham Miranda e David Luiz, os atuais titulares, como aconteceu no empate frustrante com o Uruguai pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, na semana passada. O problema de Thiago, na visão de Dunga e de muitos outros, é emocional.

Thiago Silva Brasil x Croácia Copa do Mundo (Foto: Marcos Ribolli)

Desde os tempos de Fluminense, onde era chamado de “Monstro”, Thiago Silva é conhecido pela técnica, claro, mas também pela segurança e pelamax2 liderança. Com carreira sólida, chegou à Copa do Mundo no Brasil como capitão da seleção brasileira. Mas esses atributos passaram a ser questionados justamente na reta final da competição, quando chorou antes da disputa de pênaltis contra o Chile, pelas oitavas de final, e inclusive pediu a Luiz Felipe Scolari para ser a última opção de cobrador de todo o time, atrás até do goleiro Julio Cesar, por não se sentir confiante. Atitude mal vista para um capitão.

Mais à frente, com Thiago suspenso por acúmulo de cartões amarelos, o Brasil levou a histórica goleada de 7 a 1 da Alemanha na semifinal da Copa em casa. O zagueiro já disse certa vez que a eliminação não foi culpa dele pelo fato de não ter jogado esse duelo. Mas os acontecimentos do torneio acabaram causando certa depressão no então capitão, como já admitiu em entrevista.

A partir do momento em que eu achar que não tenho mais condições, vou ser o primeiro a pedir para não ser convocado. Até então, estou trabalhando para voltar e esse prêmio é uma prova disso”
Thiago Silva, ao fazer parte da seleção do mundo da Fifa do ano de 2015

– O presidente (do PSG) me deu muitos conselhos. Ele me disse: “Você é o melhor zagueiro do mundo, mas deve continuar trabalhando”. Eu respondi: “Presidente, trabalho sempre, mas na minha cabeça… Não sei o que está acontecendo, tem algum problema” – disse ao “Canal +”.

Após o fiasco na Copa do Mundo, a CBF trocou o comando: saiu Felipão, voltou Dunga. E o início de Thiago sob o novo comando também não foi dos mais tranquilos. Primeiro, reclamou de não ter sido comunicado da perda da braçadeira de capitão para Neymar. Depois, falhou em momento importante ao cometer pênalti infantil que permitiu o empate do Paraguai e a vitória rival nos pênaltis nas quartas de final da Copa América de 2015. Recebeu mais críticas, algumas de nomes expressivos, como Romário.

– Acabou para ele, o trem deixou a estação. Ele demonstrou que não tem personalidade suficiente para vestir a camisa do Brasil. Se eu fosse treinador, não o convocaria. Eu não estou questionando sua qualidade como jogador. Eu só quero saber da sua força psicológica. A esse respeito, ele falhou – disse o “Baixinho” ao jornal francês “L’Equipe”.

THIAGO MANTÉM BONS NÚMEROS E PRÊMIOS

Ao passo que está em baixa com Dunga, Thiago Silva vem se mantendo em alta na Europa. É titular absoluto do Paris Saint-Germain e foi escolhido para a seleção do mundo da Fifa nos três últimos anos (2013, 14 e 15). Os prêmios fortaleceram o desejo de retornar à Seleção.

– É um momento diferente, de eu olhar para mim e falar se tenho ou não condição para estar na seleção brasileira. A partir do momento em que eu achar que não tenho mais condições, vou ser o primeiro a pedir para não ser convocado. Até então, estou trabalhando para voltar e esse prêmio é uma prova disso – disse ele na Festa de Gala em janeiro deste ano.

Constância de Thiago no PSG:

2015/16 – 37 jogos (até hoje, com presença em 79% do total)
2014/15 – 40 jogos (68%)
2013/14 – 42 jogos (76%)

Os números por temporada também jogam a favor de Thiago Silva, que ajudou o PSG a dominar o futebol francês nos últimos anos. Nesta temporada o zagueiro fez 37 jogos até agora. Na anterior, havia feito 40 partidas – vale lembrar que o PSG muitas vezes poupa jogadores importantes em jogos de menor importância. Ou seja, ele segue com a mesma importância e o mesmo fôlego para o time, que busca conquistar sua primeira Liga dos Campeões e vai encarar o Manchester City nas quartas de final a partir da semana que vem.

Seleção da Fifa 2015 (Foto: Philipp Schmidli/Getty Images)
Thiago Silva foi eleito em 2015 para a seleção da Fifa pelo terceiro ano seguido (Foto: Philipp Schmidli / Getty Images)

IMPRENSA EUROPEIA TENTA ENTENDER AUSÊNCIA

A cada vez que Thiago não é chamado por Dunga, a imprensa europeia, principalmente a francesa, tenta entender o porquê. O jornalista Arnaud Hermant, que acompanha o dia a dia do PSG para o jornal “L’Equipe”, exaltou o “melhor zagueiro do mundo”.

Ele gosta de Paris, é um jogador que tem um bom ‘feeling’ com a torcida, e nós aqui não sabemos por que não é convocado para a seleção brasileira”
Arnaud Hermant, jornalista francês

– Eu só posso julgar o Thiago como jogador. E como jogador ele é um dos melhores do PSG nesta temporada. É um jogador emotivo, é verdade. Isso pode ser um problema. Mas é um dos melhores jogadores, senão o melhor do PSG neste ano. Aqui é considerado o melhor zagueiro do mundo e tenho quase a certeza de que será votado como um dos três melhores (de todas as posições) de todo o Campeonato Francês. Após a Copa do Mundo, em 2014, ele não voltou tão bem, não jogou bem alguns jogos, teve uma queda, mas o Laurent Blanc manteve a confiança e ele respondeu. Agora está bem regular. Ele gosta de Paris, é um jogador que tem um bom “feeling” com a torcida, e nós aqui não sabemos por que não é convocado para a seleção brasileira. Porque, repito, ele foi um dos melhores, senão o melhor do PSG nesta temporada.

Para Mario Torrejón, da rádio espanhola “Cadena SER”, o estilo Dunga é muito defensivo para Thiago Silva. O jornalista usou o lateral-esquerdo Marcelo, do Real Madrid, como comparação.

– Acho que o Thiago Silva é um dos melhores zagueiros do mundo, e para mim o Dunga não o convoca por causa da “maneira Dunga” de entender futebol, que é mais defensiva do que o normal. Dunga era muito disciplinado taticamente quando jogador, e agora como treinador é a mesma coisa. Por isso o Dunga pensa que o Thiago Silva não é tão duro como zagueiro, que gosta de sair para o jogo. O Dunga gosta de zagueiros que fiquem atrás, que não arrisquem. Essa é a imagem que temos dele. É parecido com o que acontece com o Marcelo. Ele é ofensivo, imagina bem o jogo, e é pouco convocado pelo Dunga. O Filipe Luís, que é o titular da seleção brasileira hoje, é um pouco mais disciplinado e mantém mais a posição.

PSG x Gazelec Ajaccio - gol Thiago Silva (Foto: Efe)
Incontestável no PSG, Thiago Silva busca voltar à seleção brasileira (Foto: Efe)

COMPANHEIROS APOIAM VOLTA À SELEÇÃO

Se depender dos companheiros de Thiago Silva na seleção brasileira, o zagueiro voltará a ser convocado. O lateral-direito Daniel Alves, do Barcelona, faz coro firme pelo antigo capitão. Assim como o meia Willian, do Chelsea.

– Eu não sou quem convoca, mas, se fosse, o Thiago estaria na Seleção. Porque, para mim, ele é o melhor zagueiro do mundo, sem dúvida alguma, pela qualidade e pelo destaque que sempre tem. Infelizmente, para ele, eu não convoco. Porque, se convocasse, ele estaria na minha seleção. Insisto que, para mim, o Thiago é o melhor zagueiro do mundo – disse Dani Alves.

Thiago Silva pênalti Brasil Paraguai (Foto: Reuters)
Thiago cometeu pênalti infantil contra o Paraguai na última Copa América e contribuiu para eliminação (Foto: Reuters)

– Todos sabem da qualidade dele. Para mim, sem dúvida é um dos melhores zagueiros do mundo. Ele tem tudo para voltar à Seleção. Jogando como ele vem jogando, sem dúvida tem chance de voltar – afirmou Willian.

Eu não sou quem convoca, mas, se fosse, o Thiago estaria na Seleção. Porque, para mim, ele é o melhor zagueiro do mundo, sem dúvida alguma”
Daniel Alves, lateral do Barcelona e da Seleção

David Luiz, companheiro de Thiago Silva no Paris Saint-Germain e titular da Seleção, prefere não falar sobre o tema por achar antiético. Mas Marquinhos, outro companheiro de PSG e que também vem sendo convocado, fala, apesar de não entrar tanto na questão. Outra opinião forte é a de Sergio Ramos, do Real Madrid, que formou a dupla de zaga da última seleção da Fifa ao lado de Thiago.

– O Thiago é um grande profissional, grande ídolo que tenho, grande amigo. Ele está sempre focado, sempre trabalhando, dando melhor nos jogos, e está sempre disponível para a seleção e para ser lembrado – disse Marquinhos ao SporTV.

– Para mim, o Thiago sempre foi uma referência, ele é um competidor nato. Eu o considero um dos melhores zagueiros do mundo. Sinceramente não entendo por que não vai à seleção brasileira, é um dos melhores. Mas essas não são decisões minhas. Eu lhe desejo muita sorte, porque é um grandíssimo futebolista – declarou Sergio Ramos.

DUNGA TEM RESSALVAS

Apesar do coro pela volta de Thiago Silva, Dunga ainda não parece convencido disso. Chegou a mandar indiretas ao entorno do zagueiro por suposta pressão pelo retorno. E, em entrevista recente ao canal “Esporte Interativo”, tentou justificar sua opção.

É jogador que, se trouxermos para ficar na reserva, não vai ficar contente. Quando tiver oportunidade para jogar, não vai ter problema, se estiver em ótima fase. Mas também temos que pensar em outras opções, futuro…”
Dunga, sobre ausência de Thiago na Seleção

– Jogador de Seleção tem que assumir suas responsabilidades. No Brasil a gente gosta de falar que é o paizão. Isso, eu já tenho meus filhos. Tenho que tratar profissionalmente. Tenho que tratar com respeito. É jogador que, se trouxermos para ficar na reserva, não vai ficar contente. Quando tiver oportunidade para jogar, não vai ter problema, se estiver em ótima fase. Mas também temos que pensar em outras opções, futuro, Marquinhos na seleção olímpica. Jogador que tem futuro não só na seleção principal, mas na olímpica. Também estamos trabalhando em várias frentes. Não posso falar com jogador através de vocês (da imprensa). E mesma coisa o jogador não pode falar através de vocês. Então só levo em consideração o que ele fala para mim. Não quero ter razão, quero ganhar. Quero ouvir, mas tem que ser ouvido em coisas concretas que vão ajudar a Seleção, e não individualmente. Hoje a gente está trabalhando com outro sistema que tem muitos assessores, não sabe se é o jogador que falou. Fico muito resguardado quanto a isso.

Vivendo mau momento no futebol, o Brasil de Dunga volta a campo nesta terça-feira, às 21h45 (de Brasília), pelas eliminatórias da Copa do Mundo, fora de casa contra o Paraguai, justamente o adversário que eliminou o país na última Copa América com falha boba de Thiago Silva, que por sua vez ficou fora desde então. Sem o antigo capitão, a zaga da Seleção precisa provar seu valor após os muitos erros contra o Uruguai. E a performance defensiva e o resultado podem fazer crescer – ou diminuir – a pressão pela volta de Thiago.

OPINIÃO DO SETORISTA

blog Bastidores FC, Alexandre Lozetti (Foto: Marcos Ribolli)

Por Alexandre Lozetti
Setorista da Seleção para o GloboEsporte.com

“Thiago Silva é o mais talentoso dos zagueiros brasileiros em atividade, mas, no que diz respeito ao comportamento, é uma espécie de “antiDunga”. Desde a Copa do Mundo, com lágrimas e cartões em horas erradas, passando pelo chororô no episódio da braçadeira de capitão que ele perdeu para Neymar, até o pênalti cometido contra o Paraguai, que tirou o Brasil da última Copa América, o jogador demonstrou um desequilíbrio surpreendente para quem sempre pareceu tão maduro.

Obviamente, não é o futebol que afasta Thiago Silva da Seleção. E é compreensível que o técnico se preocupe com outros aspectos. Ele precisa confiar em seus jogadores, dentro e fora de campo, e o zagueiro foi incapaz de conviver com momentos difíceis nos últimos dois anos. A vaga não será recuperada no grito. Pelo talento que tem, Thiago estará sempre na mira de Dunga. Cabe a ele se preparar mentalmente para se adequar a um time que dificilmente o colocará na condição de protagonista”.

Fonte: globoesporte

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COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • TEIA DIGITAL: Em Setembro, Balança Comercial em Rondônia apresenta resultado negativo – Por Silvio Persivo

    E querem nos dizer o que devemos fazer sem considerar nossos interesses. “Eles não aprenderam nada e não esqueceram nada” (Charles Maurice de Talleyrand-Périgord). 3ª EXPOTURISMO ENCERRA COM IMENSO SUCESSO Realizada com muito sucesso, de público e de movimentação financeira, a 3ª Expo Turismo Rondônia 2026, que, este ano, foi no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, brilhou pela diversidade dos estandes. A feira reuniu empreendedores, especialistas, representantes de municípios e profissionais do setor. Estiveram presentes mais de 10 mil visitantes ao longo dos três dias para visitar 85 estandes, especialistas e empreendedores do setor. O evento ampliou a visibilidade dos negócios, estimulou parcerias e incluiu palestras, workshops, aulas-show, debates, oficinas, talk shows e capacitações, além da exposição de produtos, serviços e experiências turísticas. Também a pesca esportiva foi o grande destaque com a presença de Nelson Nakamura e os filhos Renan e Vitor Nakamura, referências na pesca esportiva. Nelson Nakamura e os filhos participam da Expo pela terceira vez, com presença em workshops e atividades voltadas ao segmento, ao lado de outros especialistas do setor. O evento foi realizado pel0 governo de Rondônia por meio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio-RO) e o apoio da Prefeitura Municipal de Porto Velho.  O governador Marcos Rocha destacou sobre o evento a importância de valorizar os atrativos regionais e criar oportunidades para empreendedores e municípios por meio do turismo. AS CRIANÇAS AINDA SÃO MAIORIA EM RONDÔNIA O Dia das Crianças foi muito comemorado em Rondônia, mas, é preciso frisar que, no Brasil, hoje, existem 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais contra apenas 26,4 milhões de crianças de até 9 anos. É uma diferença de 10 milhões a favor dos idosos, o que reflete a virada demográfica que começou em 2020 e deve se aprofundar em 2040, quando serão 2,5 idosos para cada criança. Em 2000, as crianças eram 19,8% da população. Hoje são somente 12,3%, ou 1 em cada 8 brasileiros. Já em 18 das 27 unidades da federação há mais idosos do que crianças. O Rio Grande do Sul lidera com a maior proporção de idosos: possui 1,96 idoso por criança. Já Rondônia, a proporção é de 1,18 criança de até 9 anos para cada idoso com 60 anos ou mais (ou cerca de 85 idosos para cada 100 crianças nessa faixa etária). EM SETEMBRO BALANÇA COMERCIAL DE RONDÔNIA APRESENTA RESULTADO NEGATIVO O comércio exterior de Rondônia, em setembro, segundo o Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), fechou o mês com déficit de US$ 59,5 milhões, valor proveniente de US$ 195,7 milhões em vendas e US$ 255,2 milhões, mas, no acumulado de janeiro a setembro deste ano, o resultado permanece favorável ao Estado, com saldo positivo de US$ 560,2 milhões. O resultado de setembro decorre do aumento das importações que chegou perto de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O que também contribuiu, porém em menor proporção, foram as limitações tarifárias sobre a carne bovina na China, que atingiu o teto da cota anual, e passou a receber uma sobretaxa de 55% em cima da taxa base de 12%, totalizando a alíquota de 67%. Para contornar as restrições no país asiático, frigoríficos e produtores locais redirecionaram seus carregamentos para destinos como Chile, Estados Unidos e Canadá. A pauta de embarques permaneceu concentrada na carne bovina, responsável por 58,1% das vendas, e o milho, com 23,3%. O mercado de café também apresentou teve expansão contínua, com 7,3% da pauta mensal. O café ganhou protagonismo na balança comercial pelo forte crescimento em 2026. O volume total do grão embarcado até o momento perfaz quase o dobro de tudo o que foi exportado ao longo do ano de 2025. Nas importações, a China respondeu por 41,2% do total acumulado no ano, somando US$ 953,6 milhões, acompanhada por parceiros como Argentina e Estados Unidos. Os valores elevados de compras externas decorrem do modelo tributário de importação escritural garantido pela legislação estadual. Neste sistema, as empresas registradas em Rondônia efetuam o recolhimento de tributos no Estado, enquanto os produtos entram no país por portos de outras regiões e seguem para o destino final, sem significar consumo direto pela população local. UNIVERSIDADES EM XEQUE A atual disputa eleitoral está desnudando, de uma forma até burlesca, o que acontece nas universidades brasileiras e como essas se encontram distantes dos problemas reais do país. É fato que a tecnologia e o progresso estão obrigando a academia a mudar o que fazem. Porém, com as manifestações estudantis e os problemas que surgem internamente de incêndios e uso das instalações para politicagem, a questão que aflora se tornou mais grave. Começa-se a questionar não somente “apenas o que fazem” e sim também “os que fazem”. Há professores passando vergonha tanto pelos discursos ultrapassados como pela demonstração de falta de conhecimento demonstrando que o saber está realmente escasso nas universidades. E isto se demonstra tanto pela queda das instituições nos rankings de classificação, em relação as de outros países, como pela deterioração visível dos campus e instalações onde as pichações, a falta de manutenção e a sujeira dão uma triste demonstração de como se encontram locais que deveriam ser espelhos para a sociedade. E o mais preocupante é que esta desvalorização das universidades se visualiza quando há um declínio de uma das suas principais razões de existência, que é a realização de pesquisas. Antes o setor produtivo precisava dos recursos que as universidades possuíam, da aliança entre ensino e pesquisa, inclusive para sustentar os salários das pessoas capazes de realizar este tipo de pesquisa. Agora, tudo indica que, com a crescente perda de importância das pesquisas universitárias, as empresas apostam mais nos seus próprios recursos e de que a inteligência artificial será cada vez mais capaz de realizar grande parte das pesquisas necessárias. Por isto diminuem a procura por vagas, […]

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