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Brasil está a um voto de liberar registro civil de transexuais

Vários tribunais regionais já têm deferido a alteração no registro civil de transexuais, independentemente da realização da operação de transgenitalização

O Supremo Tribunal Federal (STF) está a um passo de liberar a alteração do registro civil de transexuais sem a necessidade de cirurgia de transgenitalização, popularmente conhecida como “mudança de sexo”. Em novembro, o ministro Dias Toffoli, relator de um Recurso Extraordinário que discute o tema, entendeu que, mesmo sem realizar a cirurgia, pessoas transexuais já estavam sujeitas a constrangimento sem a adequação do nome à sua “identidade psicológica” e, portanto, deveriam ter direito à mudança. O ministro Marco Aurélio pediu vista, mas já tinham votado no mesmo sentido os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso e Rosa Weber. Nesta quinta-feira (22), o tribunal volta a se reunir para terminar o julgamento. A liberação precisa de apenas mais um voto dos seis ministros que ainda não votaram.

Em seu voto, porém, Toffoli apontou que o STF não pode decidir de antemão todos problemas jurídicos que podem surgir do resultado. O ministro deixou claro, por exemplo, que a decisão sobre a participação desses indivíduos em atividades como competições esportivas e concursos públicos restritos a um dos sexos caberá às autoridades competentes, com a identificação dos suportes fáticos em cada caso concreto, uma vez que o STF não teria a capacidade para pensar “em todas as situações do mundo fático”.

Assim, é preciso indagar quais são as consequências jurídicas já antevistas da alteração do gênero no registro civil de transexuais e quais instituições teriam que fazer adaptações frente à nova realidade.

Confira: Tudo sobre ideologia de gênero

Uma busca pela jurisprudência nacional revela que vários tribunais regionais já têm deferido a alteração no registro civil de transexuais, independentemente da realização da operação de transgenitalização. A justificativa, na maioria dos casos, é de que o gênero é preponderante ao sexo e que os documentos devem ser compatíveis com a forma como o indivíduo se vê. Ocorre que, mesmo com a realização da cirurgia, “não haveria a transformação da situação biológica, mas exclusivamente a tentativa de correção de uma inaptidão psicológica”. Seria, portanto, uma mudança na forma de viver do indivíduo, e não a “inversão da natureza”, como colocou Murilo Rezende Salgado no artigo “O Transexual e a Cirurgia para a Pretendida Mudança de Sexo”, da Revista dos Tribunais.

Previdência social 

Um dos questionamentos mais comuns que se faz quando o assunto é transexualidade, justamente pelo fato de a lei não fazer nenhuma menção específica a essa situação, está ligado à aposentadoria. Uma pessoa transexual, afinal, vai se aposentar de acordo com a idade prevista para homens ou mulheres?

Atualmente, os requisitos adotados pela Previdência Social, idade ou tempo de serviço, são estritamente biológicos, isto é, destinados a homens ou mulheres. A lei é taxativa ao trazer os critérios para aposentadoria: 35 anos de contribuição, se homem e 30, se mulher, ou 65 anos de idade, no caso dos homens, e 60 no caso das mulheres, com redução de tempo para trabalhadores rurais e professores.

Em relação aos transexuais, ainda não há precedentes na Justiça, mas Tereza Rodrigues Vieira, PhD em Direito pela Universidade de Montreal e que há 20 anos trabalha com o público transgênero, afirmou, em entrevista dada em dezembro à Gazeta do Povo, que “a partir do momento em que a sentença transitou em julgado reconhecendo a adequação do nome e do gênero da pessoa trans, esta deve ser considerada como qualquer outra do mesmo gênero”. Para a advogada, “não deve haver diferenças na concessão de benefícios, independentemente da realização de cirurgias”. No estado de São Paulo, por exemplo, segundo Tereza, as ações do gênero têm demorado de dois meses a um ano para serem concluídas.

Como o sistema previdenciário é entendido como um sistema protetor, os juízes tenderiam a interpretar que aos homens transexuais (aqueles que nasceram com o sexo biológico feminino) devem ser aplicados os critérios relativos à aposentadoria das mulheres, por se tratar de norma mais favorável.

Em 2010, na Inglaterra, uma mulher transexual (que nasceu num corpo masculino) conseguiu, na Justiça, o direito de que sua aposentadoria fosse contada a partir do momento em que completou 60 anos, idade mínima para as mulheres se aposentarem na localidade. Na época, o Departamento de Trabalho e Pensões, agência governamental do Reino Unido, negou o pedido de Christine Timbrell, nascida Christopher, pelo fato de ela ter continuado casada com sua esposa, Joy.

É que pelo Gender Recognition Act (Ato de Reconhecimento de Gênero), emitido pelo Parlamento britânico em 2004 e que passou a valer no ano seguinte, a mudança de gênero só passa a ter efeitos legais se o transexual, se casado, divorciar-se de seu parceiro. No caso em questão, Christine se submeteu a uma cirurgia de redesignação sexual com o consentimento de Joy, com quem continuou a viver. Christine recorreu da decisão da agência governamental e o juiz que analisou a questão deu ganho de causa à transexual, com o argumento de que a incapacidade da lei ao lidar com pessoas transgênero seria discriminatória.

Forças Armadas 

Em julho de 2017, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou seu perfil no Twitter para anunciar que pessoas transgênero não poderiam mais fazer parte do quadro das Forças Armadas do país. O republicano, que disse ter se reunido com generais e especialistas militares para chegar à decisão, foi na contramão de medida implementada pelo governo Obama. Último secretário de Defesa do democrata, Ashton Carter anunciou, em 2015, que a proibição de recrutamento de transexuais no país seria derrubada para garantir que “todas as pessoas capazes e dispostas a servir tenham a oportunidade plena e igualitária de fazê-lo”.

Mas pouco mais de três meses após o anúncio de Trump, a juíza federal Colleen Kollar-Kotelly, ao analisar o caso Jane Doe v. Trump, deu ganho de causa aos oficiais transgêneros, suspendendo a determinação do presidente. A sentença teve como base a quinta emenda à Constituição dos EUA, que prevê que todos têm direito ao devido processo legal. Na visão de Colleen, a medida de Trump não poderia ser colocada em prática enquanto a Justiça ainda discute o tema.

A decisão recebeu críticas. “Se Kollar-Kotelly quer comandar as Forças Armadas, ela deveria encarar a sociedade e concorrer à presidência. Até lá, seu tribunal deveria deixar a formulação de políticas para o homem mais bem informado e capacitado para o cargo”, escreveu Tony Perkins, presidente da ONG Family Research Council.

“Do ponto de vista legal, essas decisões são problemáticas. Juízes não têm o condão de desautorizar uma decisão fundamentada do presidente, sob sua autoridade constitucional como comandante-chefe [das Forças Armadas], capaz de estabelecer os princípios de elegibilidade para servir nas Forças Armadas”, disse Alden Abbott, pesquisador da The Heritage Foundation.

No Brasil, transexuais/transgêneros não enfrentam nenhum impedimento formal para servir nas Forças Armadas. Segundo o Exército brasileiro, mulheres transexuais estão dispensadas do alistamento, ainda que não tenham realizado cirurgia de redesignação sexual. É preciso, porém, que decisão judicial transitada em julgado – sem possibilidade de recurso – tenha confirmado a alteração de gênero no registro civil antes do indivíduo completar 18 anos.

Já os homens trans, se maiores de 18 anos e com idade inferior a 45, assim que obtiverem a mudança no registro civil, precisam se alistar, para, “dependendo da idade, prestar o Serviço Militar obrigatório inicial ou constar no cadastro de reservistas para eventual convocação em caso de conflito armado.” O alistamento deve ser realizado em até 30 dias após a mudança dos documentos.

Penitenciárias 

Outra dúvida que surge é sobre o sistema prisional. Como todo ser humano, transexuais não estão imunes a cometer crimes, muito menos sujeitos à impunidade por parte do Estado. Onde, então, essas pessoas devem cumprir pena?

Em 2014, a Resolução Conjunta n. 1, da Presidência da República e do Conselho Nacional de Combate à Discriminação, estipulou que tanto homens quanto mulheres transexuais presos devem ser encaminhados a unidades prisionais femininas, além de ser facultado o uso de roupas masculinas ou femininas e garantida a continuidade do tratamento hormonal. No Rio de Janeiro, desde 2015, travestis e transexuais podem escolher ir para as alas dos presídios destinadas às mulheres, mesmo ano em que o Piauí registrou o primeiro caso de transferência de uma transexual de penitenciária masculina para feminina.

Mesmo assim, ainda há muitas críticas quanto a esses procedimentos e o assunto não está pacificado. De um lado, há relatos de transexuais que sofrem abusos nas cadeias, chegando a serem estuprados muitas vezes por dia. De outro, são registradas queixas de mulheres que se sentem inseguras em uma cela com mulheres trans que não realizaram a cirurgia de transgenitalização.

Casamento 

As consequências para o casamento civil, tanto para pessoas transexuais que já realizaram cirurgia quanto para as que não o fizeram, também apresentam inúmeros desafios. A advogada Tereza Rodrigues Vieira diz conhecer casos de homens e mulheres trans que, após a alteração legal dos documentos, oficializaram a união. A advogada, contudo, reconhece a possibilidade do cônjuge, desconhecendo a condição de transexual do companheiro, de pedir pela anulação do casamento.

Isso porque o inciso I do artigo 1.556 do Código Civil prevê como hipótese de anulação o erro essencial quanto à pessoa do outro, no “que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fama”. Nesses casos, o prazo para entrar com o pedido é de três anos a partir da data do casamento.

“É possível que o cônjuge que desconhecia a transexualidade do outro tenha manifestado, antes do casamento, o desejo de ter filhos próprios, rejeitando a possibilidade de adoção ou reprodução assistida heteróloga”, afirma a jurista. O Projeto de Lei (PL) 3875/2012, que tramita na Câmara dos Deputados, busca incluir explicitamente a hipótese de desconhecimento da condição de transexual do cônjuge no rol das possibilidades de anulação do casamento. De autoria do parlamentar Manato (SD-ES), o texto já foi aprovado pela Comissão de Seguridade Social e Família da Casa e aguarda agora parecer da Comissão de Constituição e Justiça.

Em audiência pública sobre o tema realizada na Câmara em 2015, convidados defenderam o direito ao esquecimento dos transgêneros, que asseguraria que o passado em uma outra identidade fosse deixado para trás.

Esporte 

As entidades ligadas ao esporte também são instituições que precisam discutir a liberação do registro civil, estipulando regras sobre a participação de transexuais em torneios. Em relatório divulgado em janeiro de 2016, o Comitê Olímpico Internacional (COI) definiu as diretrizes para atletas transexuais participarem de competições esportivas, mesmo sem a realização de cirurgia de transgenitalização.

No caso de quem nasceu com o sexo biológico masculino e fez a transição de gênero para o feminino, a atleta precisa ter a identidade de gênero declarada legalmente e manter nível baixo de testosterona durante os 12 meses que antecedem o início das provas. Quando se trata de transexuais masculinos – aqueles que nasceram com o sexo biológico feminino -, a organização não prevê restrições.

A força física, que é maior em corpos masculinos, é um dos principais argumentos usados por quem se posiciona de forma contrária à participação de transexuais em equipes femininas, por isso a testagem do testosterona. Ocorre que mesmo com os níveis baixos à época da competição, pode-se afirmar que as mulheres transexuais possuem uma espécie de benefício pregresso em relação às mulheres biológicas.

O fisiologista Turibio Leite de Barros explica que, por terem tido mais testosterona no processo de “construção” do corpo, as mulheres transexuais têm massa muscular mais desenvolvida, o que seria uma vantagem em esportes nos quais força, impulsão e potência são fatores determinantes de desempenho. “Isso é incontestável, é um aspecto hormonal e fisiológico”, afirma Barros. Para o profissional, é uma situação difícil de ser resolvida porque, ao mesmo tempo em que essas pessoas têm o direito de se envolver em uma atividade esportiva, não é possível declarar que elas não possuem nenhuma vantagem.

FONTE: GAZETA DO POVO

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CHARGE – CARTUNISTA

COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: As perspectiva de inflação pioram segundo Boletim Focus – Por Silvio Persivo

    Sobre os fatos hediondos e lamentáveis. “Aconteceu e, portanto, pode voltar a acontecer: está a essência do que temos para dizer” (Primo Levi). BLACK FRIDAY IMPULSIONA COMÉRCIO DE RONDÔNIA Segundo a  Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio/RO). a Black Friday de 2026 deve movimentar cerca de R$ 736 milhões em Rondônia. Para Porto Velho, a estimativa é de R$ 147 milhões em vendas, com um crescimento previsto de 3,2%.  No cenário nacional, um estudo da Stefanini Marketing estimou que a data poderá gerar R$ 14,47 bilhões em vendas e 18,3 milhões de pedidos. Uma sondagem da Fecomércio/RO aponta que 68,4% dos consumidores pretendem fazer compras. Entre os produtos mais procurados estão roupas (51,8%), eletrodomésticos (31,9%) e eletrônicos (23%). A pesquisa também aponta que 48,1% planejam pagar à vista, enquanto 50,9% pretendem antecipar as compras para a semana anterior à Black Friday. Para a Fecomércio/RO, a movimentação antecipada pode estender o período de promoções e contribuir para as vendas de fim de ano. “A antecipação das compras deve ampliar o período de promoções e, este ano, inclusive com o apoio direto do Sebrae de Rondônia, os empresários se prepararam mais. Daí a suposição de que a Black Friday deve impulsionar as vendas de fim de ano”, disse o presidente da entidade, Raniery Araújo Coêlho. PREÇO DO DIESEL AUMENTA QUASE 2% EM RONDÔNIA O Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que acompanha o comportamento de preços nos postos de combustível, aponta que Rondônia registrou um cenário de alta nos preços dos combustíveis em outubro, na comparação com setembro, com exceção do etanol.  O diesel comum subiu 1,93%, custando em média R$ 7,39 já o S-10 ficou 1,87% mais caro, com preço médio de R$ 7,61, enquanto a gasolina subiu 0,13%, alcançando R$ 7,45. No sentido oposto, o etanol recuou 0,58%, cotado a R$ 5,14. Segundo Vinicios Fernandes, Diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade, “Em outubro, Rondônia apresentou uma tendência de alta nos preços da maior parte dos combustíveis, com destaque para o diesel, que registrou os avanços mais expressivos no período. Com a queda registrada no período, o etanol se consolida como a opção mais econômica e sustentável para os motoristas rondonienses”. ENCONTRO DE CATADORES DE MATERIAIS RECICLÁVEIS DE RONDÔNIA O governo do estado realizou na segunda-feira (2) o 4º Encontro Estadual de Catadores de Materiais Recicláveis, entre os municípios de Presidente Médici e Ji-Paraná. Durante o evento, encerrado na terça-feira (3), cerca de 100 profissionais organizados em cooperativas, associações ou de forma individual participaram da programação, coordenada pela Secretaria de Estado da Mulher, da Família, da Assistência e do Desenvolvimento Social (Seas), com palestras, visita técnica, atividades práticas e levantamento de demandas que ampliem a geração de renda, qualifiquem a atuação das cooperativas e associações, difundam práticas seguras de trabalho e consolidem propostas para o desenvolvimento da política pública de reciclagem inclusiva no estado.  A titular da Seas, Luana Rocha reforçou, que com estes encontros o governo, por meio da Seas, contribui com a organização dos catadores no estado para o fortalecimento das cooperativas e a construção de uma pauta unificada em defesa da reciclagem inclusiva em Rondônia. ““A escolha de Presidente Médici atendeu ao pedido dos próprios catadores, apresentado no Fórum Estadual de Lixo e Cidadania, pelo fato de o município estar mais centralizado, favorecendo a participação de um número maior de catadores. Nesta edição foi inserida pela primeira vez a oficina do projeto “Recicla ON”, do Instituto Gea, do estado de São Paulo, focada na capacitação e estruturação de cooperativas de catadores para a destinação correta de resíduos eletroeletrônicos (lixo eletrônico). AS PERSPECTIVAS DE INFLAÇÃO PIORAM SEGUNDO O BOLETIM FOCUS A mais recente edição do Boletim Focus mostra uma piora drástica das expectativas dos investidores com relação à inflação, aos juros e à taxa de câmbio. A piora se inicia pela inflação. Há quatro semanas, a estimativa este ano foi de 5,01%. Na semana passada, subiu para 5,19% e, nesta edição, avançou para 5,22%, bastante acima do teto da meta.  A projeção para 2027 também piorou. Nas últimas semanas, a expectativa estave ao redor de 4,3%. Acima da meta de 3%, mas dentro do limite aceitável. Agora, a projeção avançou para 4,76%, acima do teto de 1,5% da meta. A alta prevista é menos intensa nos anos de 2028 e de 2029. Porém, as estimativas para esses dois anos se situavam ao redor de 3,5% e agora estão ao redor de 4%, também  acima da meta. RESILIÊNCIA DA ECONOMIA GLOBAL DIMINUI AFIRMA FMI O documento final da 54ª reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC), nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, alerta que a economia global resiste a choques, mas sua capacidade de absorver novas turbulências diminui, após o desmantelamento da ordem geopolítica, conflitos e danos às cadeias de suprimentos, pela pandemia e por guerras. Assim o FMI pede políticas mais consistentes, reconstrução das reservas fiscais, estabilidade de preços e cooperação entre nações. O World Economic Outlook projeta um crescimento mundial de 3,1% em 2026 e 3,4% em 2027, e inflação global de 4,7% neste ano, recuando para 4,1% no próximo. Há diferenças: países beneficiados por investimentos em IA e condições comerciais favoráveis têm perspectivas melhores do que importadores de energia e economias de baixa renda. Interessante é que o documento destaca os riscos do endividamento público: a alta dos rendimentos dos títulos soberanos, somada à dívida elevada, pode encarecer o crédito. Recomenda consolidação fiscal e marcos fiscais, preservando investimentos prioritários e a proteção social; transferências temporárias e direcionadas seriam mais eficientes do que controles generalizados de preços. Na política monetária, pede estabilidade de preços, decisões baseadas em dados, comunicação clara e independência dos bancos centrais. A inteligência artificial impulsiona investimentos, comércio e produtividade, mas seus benefícios tendem a ser desiguais; revisões nas expectativas de rentabilidade podem provocar correções nos mercados e ampliar disparidades. AUTOR: SILVIO PERSIVO –  TEIA DIGITAL

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