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ARTIGO: O Paradoxo Inverso – Por Heverton Aguiar

Um dia desses eu estava lendo uma postagem feita pela caríssima Sandra Santos – notável repórter de Porto Velho – RO, em sua página no Facebook, que me levou a algumas reflexões. Ela fez um comentário crítico acerca do ocorrido em um reality show que está sendo exibido em um canal de televisão aberta, em que um dos participantes – galã da teledramaturgia brasileira – teria sido sincero e respeitoso com uma moça, que também participa da telerrealidade, ao recusar as suas investidas amorosas. Comportou-se, dessa forma, o rapaz, com a decência esperada de um homem que, com sensibilidade, expõe à mulher os motivos pelos quais não está disposto a se relacionar amorosamente com ela. Até aqui tudo normal, nada de relevante! No entanto, como ponderou a autora da publicação, a reação do público nas redes sociais foi diametralmente oposta à normalidade que o acontecimento evidenciava, o que nos fez repensar sobre a reação dos internautas. 

 No caso, a talentosa repórter demonstrou indignação com a incoerência do comportamento das pessoas que, ao mesmo tempo que erigem a bandeira do não ao machismo, da defesa da dignidade da mulher e do combate ao sexismo institucionalizado sistêmico, esperam, fenotipicamente, que o homem tenha a postura de “pegador”, de “macho alfa”, daquele que não dispensa qualquer affair. Quando o homem se comporta de forma contrária, como fez o jovem galã, as pessoas furibundas o adjetivam com os mais desairosos termos possíveis, tendo a situação do jovem rapaz se agravado, mormente, por sua hereditariedade paterna.  

Essa incongruência do comportamento humano representa apenas um dos vários exemplos de paradoxos invertidos que testemunhamos hodiernamente. Não são raras as vezes em que nos deparamos com as contradições dos que amam e cantam aos ventos o desejo de ver a felicidade do ser amado, mas assim a desejam desde que essa felicidade não contraste com a sua! A incoerência daqueles que, mesmo cônscios da gravidade da pandemia que assola a humanidade, desconsideram os apelos das autoridades sanitárias e se aglomeram em festas clandestinas, bares, encontros e, concomitantemente, fazem campanhas financeiras e de orações por um conhecido, um ente querido que tenha sido infectado, e, quando a morte ceifa a vida de um dos seus, usam as redes sociais para, em choro, bradarem: Vírus maligno! Traiçoeiro! Cruel e covarde! Até quando? Depois, voltam para as festas e aglomerações rotineiras. 

São infindáveis as espécies de contradições provenientes do comportamento das pessoas, razão pela qual não ousarei tentar elencadas. Gostaria apenas de convidá-los a pensar sobre a sua essência. Esses comportamentos paradoxais, contraditórios e duais do ser humano intrigam, desde muito tempo, os mais fluentes behavioristas. Como é possível o mesmo indivíduo emitir um conceito sobre um determinado assunto e se comportar de forma tão díspare acerca dele? Eis a grande questão!  

A princípio, torna-se necessário consignar, com a devida clareza solar, que não estamos nos referindo à convivência dos contrários, tampouco estamos refletindo acerca da sociedade plural e a salutar contenda entre os contras e os a favores, entre os coxinhas e os mortadelas, entre negacionistas e alarmistas, separatistas e integracionistas, muito menos, ainda, sobre o perene dilema entre filósofos, na busca da verdade absoluta, “para quem as coisas só podem ser verdadeiras ou falsas”, e os sofistas, na procura por vários pontos de vista, para quem “o homem é a medida de todas as coisas”. A polarização de ideias certamente aperfeiçoa a tolerância social, afastando-nos do extremismo e do fanatismo, os quais, conforme lição de Ariano Suassuna, nunca moram na mesma casa com a inteligência. A pluralidade de comportamentos e ideias sociais aperfeiçoam a democracia, mesmo que seja ela “sequestrada, condicionada ou amputada”, no dizer de Saramago. 

                                   A proposta aqui é fazermos uma análise endógena sobre contradição comportamental, esse paradoxo interno e inverso, pedindo vênia, desde já, pelo neologismo, nos valendo da licença poética. Isso porque o paradoxo é uma figura de linguagem que indica contradição, mas não ilógica. O termo é complexo e se aplica à linguística, à matemática, à física, à filosofia e também à poesia. Mas, para além disso, é uma ideia coerente e bem estruturada que apresenta elementos contraditórios à sua própria estrutura. Trata-se de um raciocínio com duas ideias, em que uma se opõe à outra. Aparentemente sem nexo ou lógica, mas só aparentemente, visto que encontra nexo e lógica no raciocínio da contradição. O que não ocorre nos comportamentos paradoxais inversos das pessoas. 

Ao longo do tempo, inúmeros paradoxos intrigaram os pensadores, todos impregnados por algo contrário à opinião ou ao senso comum. Por oportuno, traremos alguns deles para melhor aclarar a proposição: 

Paradoxo do mentiroso 

O paradoxo de Epiménides, cidadão de Creta – uma famosa ilha da Grécia antiga – é um dos inúmeros paradoxos do mentiroso existentes e também o mais famoso. Epiménides disse: “Todos os cretenses são mentirosos”, sendo que ele mesmo era um cretense. Ora, se todos os cretenses são mentirosos, será que ele está falando a verdade? E se estiver dizendo a verdade, a sua afirmação já não será correta, porquanto ele não estaria dizendo uma mentira. 

Paradoxo de Epicuro 

Esse paradoxo se baseia nas três principais características do Deus judaico: onipotência, onisciência e onibenevolência, e na existência do mal no mundo. Para Epicuro, filósofo grego do período helenístico, se duas características forem verdadeiras, a terceira é necessariamente falsa. Argumenta ele: Se Deus é onisciente e onipotente, isso significa que ele tem conhecimento de todo o mal e tem poder para acabar com ele. Mas não o faz. Então, ele não é onibenevolente! Se Deus é onipotente e onibenevolente, isso quer dizer que ele tem poder para extinguir o mal e quer fazê-lo, uma vez que ele é bom. Mas ele não o faz por não saber o quanto de mal existe e onde o mal está. Logo, ele não é onisciente! E conclui: Se Deus é onisciente e onibenevolente, então ele sabe de todo o mal que existe e quer extingui-lo. Mas ele não o faz, visto que não é capaz. Portanto, ele não é onipotente! Percebam que o pensador nos apresenta um trilema aparentemente contraditório, mas amparado pelo nexo lógico. Aos que, intrigados, tiverem curiosidade na solução desse paradoxo, sugiro a leitura da Resolução Agostiniana. 

Até o famoso poeta Vinícius de Moraes se valeu dessa figura de linguagem em suas composições. Um de seus mais famosos versos reflete um verdadeiro paradoxo. No Soneto da Fidelidade, o poeta finaliza os versos da seguinte forma: “Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure”. Ora, se o amor é infinito, irá durar para sempre. Mas se o amor for infinito apenas enquanto durar, então, deixa de ser necessariamente infinito. Essa é a base do pensamento paradoxal, proposições e argumentos que contrariam os princípios básicos e gerais do raciocínio humano. 

Mas, como dito acima, não é isso que acontece com o comportamento das pessoas! O que testemunhamos é uma desarmonização dos princípios éticos/morais, uma vez que falam uma coisa e fazem outra. No jargão mais popular: “Não são fiéis à fé que professam”, o que denota a ausência de conceitos enraizados do que seja certo ou errado. Não se trata da liberdade inarredável de mudar de ideia, posto que o homem não deve envergonhar-se de fazê-lo, já que não deve ter vergonha de pensar, como foi dito por Blaise Pascoal. Nas palavras de Francis Bacon, “Triste não é mudar de ideia, triste é não ter ideia para mudar”. Aqui, a questão determinante é que o seu comportamento é incompatível com as suas ideias, e essa incompatibilidade traduz uma infidelidade de princípios, criando, assim, uma antípoda entre o que diz que pensa e o que efetivamente faz. Helena Blavatsky, responsável pela sistematização da moderna Teosofia, nos adverte dizendo: “Honra suas verdades com a prática!”  

As pessoas têm frequentemente abandonado suas individualidades, que fazem delas seres únicos e íntegros, pela massificação das ideias suscetíveis à manipulação. Ou seja, deixam de fazer o certo por ser o certo, mesmo que ninguém esteja vendo, como esculpido no imperativo categórico de Kant, para fazer o certo apenas pelo receio da coerção. Por consequência, observa-se uma espécie de farisaísmo moral, já que dizem coisas que provavelmente não façam e fazem coisas que provavelmente não dizem. 

Vivemos tempos difíceis, como se as pessoas tivessem encontrado o anel de Giges, um artefato mítico e mágico mencionado pelo filósofo Platão no segundo livro de A República, que dá ao possuidor o poder de tornar-se invisível. O mencionado anel é semelhante ao que foi dado de presente em O Hobbit e no livro O Senhor dos Anéis, que concede a invisibilidade aos que o usam, mas também os corrompe!  

Diz a lenda que, certa vez, um pastor de ovelhas – um homem que se notabilizava por sua seriedade, honestidade, probidade, lealdade e fidelidade no cumprimento de todos os preceitos sociais – encontrou o anel de Giges, o colocou no dedo e ao girá-lo percebeu que ficava invisível. A partir daí, se valendo da invisibilidade momentânea, começou a praticar inúmeras condutas reprováveis no seio da sociedade onde vivia, o que demonstrou que sua retidão de outrora era apenas medo da punição e das consequências negativas, pois dentro de si habitava a degradação moral. 

Refletindo sobre essa degradação moral, o pensador inglês Thomas Hobbes, autor da importante obra política Leviatã, disse que a espécie humana representa a luta de todos contra todos e que sua natureza é a má índole, sendo, nesse particular, contrapontuado por Rossueau, para quem o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. Se considerarmos que a sociedade se configura na associação de uns com os outros em uma espécie de rede de relacionamento entre as pessoas, concluiremos que são elas (as pessoas) a gênese do problema sobre o qual estamos nos debruçando. 

Sandra Santos, ainda em sua postagem, disse que o jovem ator teria admitido estar com depressão, doença considerada pelo Organização Mundial da Saúde como o mal do século XXI, e que ainda sofre de ansiedade. Indignada escreveu: “as brincadeiras e deboches internet afora mostram apenas como o ser humano é indiferente à dor alheia e valoriza a alegria falsa”. Esse comportamento revela o ódio nosso de cada dia, o rio de ódio que flui perene, sob águas superficialmente calmas, como dito por Leandro Karnal. As pessoas se comprazem com a dor alheia, riem e debocham do sofrimento do próximo, sempre com uma justificativa de acordo com sua lógica – “convencem as paredes do quarto e dormem tranquilas”, já cantado pelo poeta. 

Cada vez mais as pessoas acreditam naquilo que elas preferem que seja verdade, e que em nome do bem possam fazer o mal. Esse paradoxo interno e inverso nos faz conviver com a violência que não achamos que é nossa, sobretudo a violência da intolerância, do desrespeito e da insensibilidade com a dor e o drama alheios. Não podemos olvidar que ninguém segue vetor contrário! Da mesma forma que o racismo, machismo, misoginia, homofobia, demofobia, dentre outros, estão no elenco dos gestos de ódio e revelam nossa primitividade, esse ódio cria a violência real e moral que assola a sociedade.  

Por essas razões, fica compreensível a afirmação de Nietzsche quando ele diz que o último cristão morreu na cruz. Que Cristo foi o primeiro e último cristão. Já que o homem cristificado supera completamente o ódio e, quando é insultado, deve amar o que lhe ofende. Vivemos em uma sociedade em que as pessoas se apressam mais em retribuir a maldade sofrida do que um benefício recebido. 

É, querida Sandra Santos, tens plena razão! O ser humano realmente é dúbio, contraditório e paradoxal, mas não podemos perder a esperança, posto que não podemos esquecer que ele é a melhor de todas as criações de Deus, o mais precioso aos seus olhos! Estamos neste plano existencial para aprendermos e evoluirmos espiritualmente. O bem ainda é melhor e maior do que mal, e o mal em si é excepcional. O psiquiatra José Ângelo Gaiarsa falava que o mal tem tanta visibilidade porque o bem ainda prevalece. Se fazer o bem fosse raridade, estaria estampado nas primeiras páginas dos jornais. 

Sigamos, pois, firmes na linha evolutiva espiritual, e que esperancemos que sempre haja a prevalência do bem sobre o mal! 

 

Autor: Héverton Aguiar, Promotor de Justiça, pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal pela UFMG, pós-graduando em filosofia pela PUC/RS, estudante de filosofia da Nova Acrópole, professor universitário e palestrante. 

  • A opinião dos colunistas colaboradores não reflete necessariamente a posição da Folha Rondoniense

 

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COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: Confiança Empresarial diminui com cenário econômico de incerteza – Por Silvio Persivo

    Insistir é preciso. “De tudo ficaram três coisas: A certeza de que estamos começando. A certeza de que precisamos continuar. A certeza de seremos interrompidos antes de terminar. Portanto, devemos fazer da interrupção um caminho novo. Da queda, um passo de dança. Do medo, uma escada. Do sonho, uma ponte. Da procura, um encontro” (Fernando Sabino). IV SIMPÓSIO DE CIÊNCIA E PESQUISA A da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa do Estado de Rondônia (Fapero) com o objetivo de aproximar a sociedade da comunidade científica e apresentar os seus resultados nos projetos apoiados pela instituição,) realiza o IV Simpósio de Ciência e Pesquisa (Simfap), nos dias 5 e 6 de novembro. O evento reúne pesquisadores para compartilhar seus trabalhos, fortalecer a ciência, a tecnologia e a inovação no estado.. O evento om palestras, mesas-redondas, debates e apresentações de trabalhos científicos será realizado no Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO), na Avenida Presidente Dutra, nº 1889, em Porto Velho, e as inscrições estão abertas até o dia 4 de novembro, O presidente da Fapero, Paulo Renato Haddad, disse que o Simfap já se tornou uma tradição “Mais do que apresentar resultados, o evento é uma forma de dar transparência aos investimentos realizados em ciência, tecnologia e inovação, aproximando a população das pesquisas e demonstrando como esses recursos estão contribuindo para o desenvolvimento de Rondônia”. COMEÇOU O PERÍDO DE DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE REBANHOS Começou neste último domingo (1º), o período para a segunda etapa da declaração obrigatória de rebanhos em Rondônia. A atualização cadastral deve ser realizada até 30 de novembro pelos produtores rurais que criam bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos, suínos, equídeos e aves. O procedimento é realizado junto à Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron). Durante o período, a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) fica condicionada à regularização das informações cadastrais e os produtores só poderão movimentar os animais para transporte ou comercialização depois de feitaa declaração do rebanho. No sistema Idaron Online, os pecuaristas vão classificar o gado como leiteiro ou de corte e informar os números de nascimentos e mortes desde maio. Também será necessário indicar a faixa etária dos animais, especificando quantos, entre os nascidos depois da primeira etapa da declaração, têm de quatro a seis meses e quantos têm de um a três meses de idade. Por fim deve ser feito o ajuste automático do total dos rebanhos no sistema, a partir das alterações informadas pelo produtor. A A atualização cadastral, como se sabe, é necessária para manter o status sanitário de Rondônia como área livre de febre aftosa sem vacinação. CONFIANÇA DOS EMPRESÁRIOS DIMINUI COM CENÁRIO ECONÔMICO DE INCERTEZA Segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), os empresários do comércio, no último e mais forte trimestre para o setor no ano, estão menos otimistas, com menos planos de expansão e contratação. O Icec registrou um recuo de 2,7% em outubro, resultado das incertezas do cenário econômico e apresentou sua quarta queda consecutiva e a mais intensa desde julho, já descontados os efeitos sazonais. Com este resultado, o indicador reduziu para os 96,7 pontos, ficando abaixo do nível de neutralidade e atingindo o valor mais baixo desde maio de 2021, na pandemia, quando marcou 94,5 pontos. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, “O comércio acende um alerta para todo o país ao entrar no período mais lucrativo do calendário, sob cautela. Quando o empresário pisa no freio das contratações e dos investimentos, toda economia desacelera, reflexo direto das incertezas nos âmbitos fiscal e monetário que travam as decisões de negócios neste último trimestre”, analisou. Em Rondônia, a situação é um pouco melhor mesmo com o Icec caindo de 107,3 pontos para 105,9 pontos, ou seja, uma queda de -1,3%. Rondônia, em geral, possui um comportamento mais otimista e resiliente, mas, ainda assim, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia-Fecomércio/RO, Raniery Araújo Coêlho, afirmou ser preciso “Maior previsibilidade, segurança jurídica e políticas monetárias que reduzam os custos das operações do nosso setor. O comércio, nas condições atuais, mesmo querendo expandir e gerar postos de trabalho sofre com a falta de um ambiente mais favorável para manter o crescimento”. E também aconselhou os empresários a realizarem promoções e facilidades maiores para atrair os clientes neste final de ano. REINCIDÊNCIA DE INADIMPLENTES BATE RECORDE Um sintoma deste problema é o fato do Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em setembro, revelar que se verificou o maior recorde no número de consumidores negativados nas listas de inadimplentes. Em setembro de 2026, do total de negativações, 87,44% foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses. Acrescente-se que no universo de reincidentes, a maior parte, 67,05%, ainda não havia quitado as pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 20,38% tinham saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 12,56% dos negativados em setembro não estiveram com restrições no CPF ao longo do último ano. Mais: o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento das demais pendências para os reincidentes foi de 72,5 dias. Isto significa que, em média, depois de cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence. Também se observa que houve um crescimento de 18,28% no número de devedores reincidentes, os que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes, na comparação com os 12 meses anteriores. É uma forte indicação de que o programa Desenrola não deu certo. AUTOR: SILVIO PERSIVO –  COLUNA TEIA DIGITAL

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