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Universidade de Medicina do Paraguai investigada por ligação com o PCC

Sucessivas prisões de integrantes da facção matriculados em instituição na fronteira colocaram a Universidad Central Del Paraguay na mira do MP e da PF; Universidade nega qualquer ligação com o crime organizado e diz que não pode controlar a vida dos alunos

Era noite de 23 de março quando agentes da Senad (Secretaria Nacional Anti-Drogas do Paraguai) entraram em um lava-jato na cidade de Pedro Juan Caballero, na divisa com a cidade brasileira de Ponta Porã, e prenderam 14 integrantes do PCC que estavam reunidos no local. O alvo principal era o brasileiro Wesley Neres dos Santos, conhecido como Bebezão.

A operação feita em conjunto com a Polícia Federal brasileira seria mais uma a combater a atuação do crime organizado na fronteira, mas um detalhe chamou a atenção de autoridades paraguaias e brasileiras: Bebezão estava matriculado no curso de medicina da Universidad Central Del Paraguay (UCP). A identidade da instituição, apreendida pela Senad, garantia livre circulação no país vizinho.

Bebezão havia assumido a liderança do tráfico de drogas na região, estratégica para o crime organizado por servir como corredor de ligação entre a droga que vem dos países andinos e os grandes centros do Brasil. Ele foi o sucessor de Giovani Barbosa da Silva, o Bonitão, preso em 9 de janeiro na mesma cidade e expulso para o Brasil no dia seguinte após uma violenta tentativa de resgate.

O delegado Leonardo Nogueira Rafaini, chefe da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado, da Polícia Federal no Mato Grosso do Sul, explica que Bebezão tinha a função de articular o tráfico de drogas na fronteira, cuidando da logística para enviar grandes remessas de entorpecentes para o Brasil. A carteirinha da UCP garantia ao criminoso uma espécie de salvo-conduto para circular livremente no Paraguai.

Na época, a UCP admitiu que Bebezão estava mesmo matriculado na instituição, assegurou que ele frequentava as aulas remotas, mas que não tinha conhecimento da relação dele com o crime organizado.

Na semana seguinte à prisão no Paraguai, policiais da Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes na Fronteira) prenderam em Ponta Porã outro integrante graduado do PCC que usava uniforme da UCP no momento da prisão.

O preso era o motorista Cleverson Portelli, de 45 anos, conhecido como Tubarão. Segundo a Polícia, ele é considerado um dos principais líderes da facção na região de fronteira. Na casa onde foi preso com um comparsa, a Polícia achou camisetas de uniforme da UCP. Segundo o delegado Rodolfo Daltro, do Defron, a Polícia tinha informação de que o local funcionava como uma espécie de entreposto, onde a droga que vinha do Paraguai ficaria armazenada até o transporte para São Paulo.

Na manhã de 20 de maio, dois homens foram presos pela GCMFRON (Guarda Civil Metropolitana de atuação na Fronteira) na Rodoviária de Ponta Porã ao tentar embarcar em um ônibus para São Paulo com três quilos de maconha e um quilo de cocaína. Os dois também tinham ligação com a universidade.

O eletricista Milton Colangeli, de 50 anos, disse que veio do interior de São Paulo para se matricular em medicina na UCP. No momento da prisão, ele estava com documentos da faculdade com os requisitos para entrar no curso. Ele não soube explicar direito porque tinha escolhido aquela instituição, mas disse que foi indicado por um amigo.

O outro preso, que segundo a Polícia, comprou a passagem e iria acompanhar o transporte, era o porteiro Rafael Henrique dos Santos, de 33 anos, também do interior de São Paulo. Ele usava um uniforme da UCP e disse que era estudante de medicina na universidade. Os dois foram encaminhados para a Polícia Federal em Ponta Porã.

O súbito interesse de criminosos brasileiros pelo curso de medicina da UCP colocou a instituição no radar das autoridades dos dois países.

Para estudar medicina no Paraguai não é necessário vestibular ou alguma prova de ingresso como no Brasil. O valor das mensalidades, algo em torno de R$ 900, também é muito inferior ao cobrado nas instituições brasileiras que chegam a até R$ 10 mil. Por esta razão, milhares de estudantes brasileiros procuram as instituições paraguaias.

Apenas na região de Pedro Juan Caballero são 9 instituições que oferecem cursos de medicina. A Universidad Central Del Paraguay é uma das mais novas da região. Fundada em 2006, a instituição abriu a faculdade de medicina dez anos depois. Atualmente diz ter 8 mil alunos nas unidades de Pedro Juan e Ciudad Del Este.

A sede da UCP fica próximo do Palácio da Justiça e a quatro quarteirões da divisa com a cidade de Ponta Porã. No saguão de entrada, um luminoso dá as boas-vindas aos estudantes da turma de 2021. As inscrições para o segundo semestre estão abertas.

A informação para cursar é de que apenas é necessário pagar a matrícula – cerca de R$ 900. Surpreende a informação de que o pagamento pode ser feito por meio de boletos de uma empresa brasileira ou em uma conta bancária no Brasil. A informação é diferente do que consta no site da universidade de que só são aceitos pagamentos em Guaranis – moeda do Paraguai.

Contas bancárias para pagamentos de mensalidades da UCP no Brasil (Reprodução)

Contas bancárias para pagamentos de mensalidades da UCP no Brasil

Em um vídeo institucional, a UCP orienta os alunos sobre o pagamento no Brasil. Embora o curso seja no Paraguai, as mensalidades podem ser depositadas na conta da empresa UCP Medicina PY Administração Gestão Acadêmica e Assessoria Eireli que está sediada na Avenida Paulista, em São Paulo. A empresa está registrada em nome de Aparecido Carlos Bernardo.

Bernardo apresenta-se como diretor-geral da UCP. É ele quem assina a carteirinha de estudante encontrada com o líder do PCC, Bebezão, mencionado no início desta reportagem. No documento, ele é identificado como Karlos Bernardo.

Na região da fronteira, a ascensão meteórica de Bernardo surpreende quem o conheceu no passado. Em menos de 10 anos, ele passou de um modesto dono de um blog regional para dono de uma fortuna que inclui aviões, lanchas, fazendas e mansões dos dois lados da fronteira. Bernardo chegou a estudar medicina, mas não concluiu o curso.

Em 2013, o empresário entrou como sócio da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidad Sudamericana também em Pedro Juan Caballero. Três anos depois, ele saiu da instituição e montou o curso de medicina na UCP. A abertura da nova faculdade aconteceu no mesmo ano em que foi assassinado Jorge Rafaat, que até então controlava o tráfico na região da fronteira.

A execução de Rafaat, em 15 de junho de 2016, teria sido comandada pelo PCC que pretendia ter o controle exclusivo do tráfico na fronteira e para executar o plano se aliou a um rival de Rafaat: Jarvis Pavão. Ele estava preso no Paraguai, mas mesmo assim comandava os negócios de dentro do presídio. Em 2017, Pavão foi extraditado e cumpre pena em presídio federal.

Contrato UCP (Reprodução)

Dias depois da morte do traficante, sites de notícias do Paraguai registraram que Bernardo iria retomar o controle da Sudamericana que havia sido tomada de maneira violenta por Rafaat em razão do pagamento de uma dívida. Segundo a notícia, ele estaria acompanhado de uma das advogadas de Jarvis Pavão.

De acordo com policiais que preferiram não se identificar, criminosos já haviam sido identificados se matriculando na Sudamericana para circular livremente no Paraguai. Foi o caso de Oscar Ferreira Leite Neto e Mauro Andilo Ocampo Lopes, que estudavam medicina na Sudamericana, e desapareceram em 2017 em Pedro Juan Caballero.

Ambos eram acusados de matar e queimar os corpos do policial civil Anderson Celin Gonçalves da Silva e do pistoleiro Alberto Aparecido Roberto Nogueira, conhecido como Betão, um ano antes em Bela Vista (MS), na região da fronteira. Betão já havia trabalhado como pistoleiro do traficante Fernandinho Beira-Mar.

Relações

A Polícia investiga as relações de Carlos Bernardo com expoentes do crime organizado na fronteira. Em maio de 2019, o antigo gerente da fazenda de Jarvis Pavão, Hugo Escobar, foi executado a tiros no centro de Pedro Juan Caballero. Escobar trabalharia na UCP. Ele aparece em uma foto de uma reunião na instituição. Também assina como testemunha na escritura de uma fazenda comprada por Carlos Bernardo em Mato Grosso do Sul.

No cartório de registro de imóveis de Pedro Juan Caballero consta que em outubro de 2019, a empresa Paraguai Grupan vendeu uma mansão para Bernardo. Os imóveis da empresa foram bloqueados pela Justiça a pedido do Ministério Público em investigação de narcotráfico. A suspeita é que a Grupan seria uma das empresas paraguaias usadas para lavagem de dinheiro pelo maior traficante brasileiro, Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, preso pela PF em 2017.

Também há registros fotográficos de Carlos Bernardo com integrantes do crime organizado na fronteira:

Carlos Bernardo e o traficante Levi Adriani Felício (Reprodução)

Carlos Bernardo e o traficante Levi Adriani Felício 

Bernardo aparece em fotos com o traficante Levi Adriani Felício, apontado como um dos maiores fornecedores de drogas e armas para o PCC e do Comando Vermelho, do Rio de Janeiro. Em 2019, Felício foi preso pela Senad em um apartamento de alto padrão em Assunção e expulso para o Brasil.

Em outra imagem, o empresário foi fotografado em uma fazenda ao lado de Edson de Lima, pistoleiro de Minotauro, acusado de matar o policial civil Wescley Dias Vasconcelos, em 6 de março de 2018, em Ponta Porã. Fontes disseram que Edson trabalharia como segurança para Carlos Bernardo.

Carlos Bernardo aparece em foto com pistoleiro acusado de matar policial civil (Reprodução)

Carlos Bernardo aparece em foto com pistoleiro acusado de matar policial civil 

Wescley teria descoberto o nome falso que Minotauro usava e por isso teria sido morto. Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, conhecido como Minotauro, era o chefe do tráfico na região até ser preso em Florianópolis em 2019.

Edson foi preso dias depois do crime, mas ficou pouco tempo na cadeia. Meses depois, em março de 2019, ele foi visto almoçando no mesmo restaurante que os procuradores da República almoçavam em Ponta Porã.

A presença foi entendida como uma tentativa de intimidação. Este foi um dos motivos que levaram à mudança da sede do Ministério Público Federal da região para a cidade de Dourados distante a 122 quilômetros da fronteira.

Em um vídeo caseiro obtido pelo Núcleo de Jornalismo Investigativo da RecordTV, Bernardo conta que após perder a Sudamericana, conseguiu um aporte para o novo negócio – a UCP. No entanto, a ex-mulher dele afirmou à uma rádio do Paraguai que a origem do aporte seria o crime organizado. Tentamos contato com mulher, mas ela não quis se manifestar.

Segundo a ex-mulher, Bernardo seria o dono da faculdade de medicina da UCP, a face visível da instituição, que seria um investimento do PCC para lavar dinheiro e garantir abrigo e identidade para os criminosos que atuam na estratégica fronteira com o Paraguai. As unidades do UCP estão em cidades importantes para a facção: Pedro Juan Caballero e Ciudad Del Este.

Na entrevista que deu à rádio paraguaia, a ex-mulher conta que tem medo de morrer. Ela teve um relacionamento com um ex-aluno da UCP que também teria sido ameaçado. Tentamos contato com ele, mas o universitário não quis conversar com a reportagem.

Empresário nega acusações de ex-mulher

O empresário Aparecido Carlos Bernardo nega qualquer ligação com o crime organizado. Ele atribui os ataques ao despeito em razão à trajetória de sucesso como empresário na área de cursos de medicina e como dirigente da UCP. E também refuta as acusações da ex-mulher feitas em entrevista à uma rádio paraguaia.

Bernardo afirma que por iniciativa própria procurou a Polícia Federal no Brasil depois que vieram a público informações de que ele e a UCP estariam sendo investigados. Ele também pediu Habeas Data à Justiça do Paraguai e enviou à reportagem documentos de diversos órgãos policiais do país vizinho no qual atestam que não constam investigações sobre o empresário.

Ele diz que não é o dono da UCP, mas dirigente da instituição, que foi o responsável por instalar o curso de medicina da Sudamericana, mas negou conhecer Jorge Rafaat e a história narrada em site do Paraguai sobre a retomada da Sudamericana.

“No ano de 2015, fui convocado para uma reunião em Assunção e tive a surpresa de receber um comunicado que eu já não fazia parte do corpo diretivo da mesma (Sudamericana). Aí simplesmente tive que aceitar aquela decisão que nos abalou naquele momento. Os novos sócios da mesma não deram nenhuma explicação. Simplesmente aceita ou aceita”, explica.

Perguntado sobre a suposta dívida com Jorge Rafaat, Bernardo nega: “Nunca devi nenhuma dívida para a pessoa que você mencionou e nem para ninguém”.

Sobre a entrevista da ex-mulher à rádio do Paraguai, o empresário nega as ameaças. “Segundo ela a mesma, agiu por forte emoção e disse um monte de coisas sem fundamento algum. Tanto que depois do fato eu fui ao Palácio da justiça e me coloquei a disposição da justiça do Paraguai e também fui ao fórum de Ponta Porã e fiz o mesmo. Outra coisa a minha vida sempre foi dedicada ao trabalho de cedo ao anoitecer, nunca trabalhei de forma errada ou ligada ao tráfico. Todas as pessoas de bem aqui na fronteira sabem disso. Os meus telefones são os mesmos desde 2012. Então em uma região que é vigiada por vários órgãos da justiça do Paraguai, Brasil e Estados Unidos, uns telefones destes já teriam feito alguma coisa. Por isso tenho a minha consciência tranquila”, explica

Carlos Bernardo admite que conhece Levi Adriani Felício, Hugo Escobar e Edson de Lima. O último teria trabalhado como segurança, indicado por uma empresa de vigilância do Paraguai.

“Aqui nesta fronteira você tem amizades com todos e nem por isso, você que trabalha em outra coisa totalmente diferente, é ligado a eles. Cada um trabalha como quiser. A vida deles e as consequências de seus referidos trabalhos cabe a eles responder. Uma foto em um evento não significa nada”, afirma.

O empresário diz que conhece apenas de nome os traficantes Jarvis Pavão e Minotauro. “Nunca fui na casa deles e nem eles na minha, mas aqui todos conhecem todo mundo”, diz.

Sobre a empresa no Brasil, aberta em nome dele que recebe as mensalidades dos alunos da UCP, Bernardo explica que em razão da pandemia, a empresa foi aberta para facilitar a vida dos alunos que passaram a ter aulas remotas.

Universidade diz que é vítima de campanha difamatória

O advogado da UCP, Alfredo Montiel, nega ligação da universidade com o crime organizado e diz que este tipo de informação pode ter sido motivado pelas instituições concorrentes. “Não foi só aluno da UCP que teve problema com a Polícia e não teve a repercussão que teve. Isso é má-fé com a universidade para manchar o bom nome da UCP”, afirma.

Montiel explica que a UCP atualmente tem 8 mil alunos, sendo 5 mil em Pedro Juan Caballero e 3 mil em Cidade do Leste. Por esta razão, ele argumenta que é difícil verificar todas as pessoas que se matriculam na instituição. “A gente não é polícia para investigar a origem de cada pessoa”, ressalta.

Para ele, o sucesso da UCP pode estar por trás da campanha difamatória contra a instituição. “Isso de fato produz bronca nas outras universidades. Uma universidade que cresceu demais, acontece algum fato isolado e o pessoal já acrescenta e coloca lenha no fogo”, diz.

Com a pandemia, a UCP, segundo o advogado, passou a aceitar inscrições on line, nas quais o interessado informa o RG, histórico escolar e ficha de antecedentes criminais do Brasil. “Pagando a matrícula, o aluno já recebe a carteirinha de identificação como aluno da UCP. Quando a gente desconfia, pesquisamos antecedentes no Brasil, Interpol, pesquisamos tudo”, explica.

Sobre a prisão de Bebezão, o advogado esclareceu que ele havia se matriculado on line na UCP no ano passado, trancou a matrícula na pandemia e voltou a se matricular neste ano. “Não sabíamos da vida dele até ele ser preso. Isso escapa do controle da universidade”, assinala.

https://img.r7.com/images/carteirinha-bebezao-07062021223004856

Segundo Montiel, a venda de camisetas do uniforme da universidade é livre para os alunos. Ele também ressalta que há bancas na rua que vendem o uniforme.

Sobre a possibilidade de pagamento no Brasil, o advogado explica que 99% dos alunos da UCP são brasileiros e com a pandemia ficaria complicado viajar apenas para pagar a matrícula e voltar ao Brasil. Por esta razão, a empresa estaria fazendo esta intermediação.

O advogado explicou ainda que Hugo Escobar (gerente de Jarvis Pavão que aparece em foto de reunião na UCP) não era diretamente funcionário da instituição. “Era marido de uma funcionária”, esclarece.

Outro lado

O advogado Fábio Ricardo Mendes Figueiredo, que representa Jarvis Pavão e Luiz Carlos da Rocha (Cabeça Branca) informa que ambos não possuem qualquer relação com a universidade ou Carlos Bernardo. Segundo a defesa, Cabeça Branca não é dono da empresa Grupan, investigada pelo Ministério Público do Paraguai.

Os defensores de Cleverson Portelli e Minotauro não responderam nosso contato. Não localizamos as defesas de Wesley Neres dos Santos no processo que levou à expulsão do Paraguai, e a de Edson de Lima. O espaço está aberto para se manifestarem.

FONTE: R7.COM

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

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COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • TEIA DIGITAL: Em Setembro, Balança Comercial em Rondônia apresenta resultado negativo – Por Silvio Persivo

    E querem nos dizer o que devemos fazer sem considerar nossos interesses. “Eles não aprenderam nada e não esqueceram nada” (Charles Maurice de Talleyrand-Périgord). 3ª EXPOTURISMO ENCERRA COM IMENSO SUCESSO Realizada com muito sucesso, de público e de movimentação financeira, a 3ª Expo Turismo Rondônia 2026, que, este ano, foi no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, brilhou pela diversidade dos estandes. A feira reuniu empreendedores, especialistas, representantes de municípios e profissionais do setor. Estiveram presentes mais de 10 mil visitantes ao longo dos três dias para visitar 85 estandes, especialistas e empreendedores do setor. O evento ampliou a visibilidade dos negócios, estimulou parcerias e incluiu palestras, workshops, aulas-show, debates, oficinas, talk shows e capacitações, além da exposição de produtos, serviços e experiências turísticas. Também a pesca esportiva foi o grande destaque com a presença de Nelson Nakamura e os filhos Renan e Vitor Nakamura, referências na pesca esportiva. Nelson Nakamura e os filhos participam da Expo pela terceira vez, com presença em workshops e atividades voltadas ao segmento, ao lado de outros especialistas do setor. O evento foi realizado pel0 governo de Rondônia por meio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio-RO) e o apoio da Prefeitura Municipal de Porto Velho.  O governador Marcos Rocha destacou sobre o evento a importância de valorizar os atrativos regionais e criar oportunidades para empreendedores e municípios por meio do turismo. AS CRIANÇAS AINDA SÃO MAIORIA EM RONDÔNIA O Dia das Crianças foi muito comemorado em Rondônia, mas, é preciso frisar que, no Brasil, hoje, existem 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais contra apenas 26,4 milhões de crianças de até 9 anos. É uma diferença de 10 milhões a favor dos idosos, o que reflete a virada demográfica que começou em 2020 e deve se aprofundar em 2040, quando serão 2,5 idosos para cada criança. Em 2000, as crianças eram 19,8% da população. Hoje são somente 12,3%, ou 1 em cada 8 brasileiros. Já em 18 das 27 unidades da federação há mais idosos do que crianças. O Rio Grande do Sul lidera com a maior proporção de idosos: possui 1,96 idoso por criança. Já Rondônia, a proporção é de 1,18 criança de até 9 anos para cada idoso com 60 anos ou mais (ou cerca de 85 idosos para cada 100 crianças nessa faixa etária). EM SETEMBRO BALANÇA COMERCIAL DE RONDÔNIA APRESENTA RESULTADO NEGATIVO O comércio exterior de Rondônia, em setembro, segundo o Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), fechou o mês com déficit de US$ 59,5 milhões, valor proveniente de US$ 195,7 milhões em vendas e US$ 255,2 milhões, mas, no acumulado de janeiro a setembro deste ano, o resultado permanece favorável ao Estado, com saldo positivo de US$ 560,2 milhões. O resultado de setembro decorre do aumento das importações que chegou perto de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O que também contribuiu, porém em menor proporção, foram as limitações tarifárias sobre a carne bovina na China, que atingiu o teto da cota anual, e passou a receber uma sobretaxa de 55% em cima da taxa base de 12%, totalizando a alíquota de 67%. Para contornar as restrições no país asiático, frigoríficos e produtores locais redirecionaram seus carregamentos para destinos como Chile, Estados Unidos e Canadá. A pauta de embarques permaneceu concentrada na carne bovina, responsável por 58,1% das vendas, e o milho, com 23,3%. O mercado de café também apresentou teve expansão contínua, com 7,3% da pauta mensal. O café ganhou protagonismo na balança comercial pelo forte crescimento em 2026. O volume total do grão embarcado até o momento perfaz quase o dobro de tudo o que foi exportado ao longo do ano de 2025. Nas importações, a China respondeu por 41,2% do total acumulado no ano, somando US$ 953,6 milhões, acompanhada por parceiros como Argentina e Estados Unidos. Os valores elevados de compras externas decorrem do modelo tributário de importação escritural garantido pela legislação estadual. Neste sistema, as empresas registradas em Rondônia efetuam o recolhimento de tributos no Estado, enquanto os produtos entram no país por portos de outras regiões e seguem para o destino final, sem significar consumo direto pela população local. UNIVERSIDADES EM XEQUE A atual disputa eleitoral está desnudando, de uma forma até burlesca, o que acontece nas universidades brasileiras e como essas se encontram distantes dos problemas reais do país. É fato que a tecnologia e o progresso estão obrigando a academia a mudar o que fazem. Porém, com as manifestações estudantis e os problemas que surgem internamente de incêndios e uso das instalações para politicagem, a questão que aflora se tornou mais grave. Começa-se a questionar não somente “apenas o que fazem” e sim também “os que fazem”. Há professores passando vergonha tanto pelos discursos ultrapassados como pela demonstração de falta de conhecimento demonstrando que o saber está realmente escasso nas universidades. E isto se demonstra tanto pela queda das instituições nos rankings de classificação, em relação as de outros países, como pela deterioração visível dos campus e instalações onde as pichações, a falta de manutenção e a sujeira dão uma triste demonstração de como se encontram locais que deveriam ser espelhos para a sociedade. E o mais preocupante é que esta desvalorização das universidades se visualiza quando há um declínio de uma das suas principais razões de existência, que é a realização de pesquisas. Antes o setor produtivo precisava dos recursos que as universidades possuíam, da aliança entre ensino e pesquisa, inclusive para sustentar os salários das pessoas capazes de realizar este tipo de pesquisa. Agora, tudo indica que, com a crescente perda de importância das pesquisas universitárias, as empresas apostam mais nos seus próprios recursos e de que a inteligência artificial será cada vez mais capaz de realizar grande parte das pesquisas necessárias. Por isto diminuem a procura por vagas, […]

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