Cultura

Sertanejos dominam o rádio, que turbina cachês e chega onde internet é precária

Gênero mais consumido do Brasil em qualquer plataforma, o sertanejo tem uma presença ainda maior nas rádios

Nos últimos dias, um trecho de uma entrevista da empresária Kamila Fialho, que tem no currículo trabalhos com Anitta e Kevin o Chris, pipocou na internet. “Eu pago para tocar uma música na rádio e eles compram a rádio”, ela disse ao programa Podcast de Música, do YouTube, fazendo referência a artistas da música sertaneja. Apesar de exagerada, a provocação de Fialho tem algum respaldo na realidade.

Gênero mais consumido do Brasil em qualquer plataforma, o sertanejo tem uma presença ainda maior nas rádios, que são capazes de render cachês mais altos e dar fama nacional a uma música ou artista. No streaming, o ritmo também é protagonista, mas ali divide os holofotes com outros estilos, que criam alternativas para crescer sem depender das FMs.

Entre as cem músicas mais tocadas nas rádios do país em 2021, segundo relatórios das empresas especializadas Crowley e Connectmix, cerca de 60% são sertanejas, e o resto é dividido entre forró, pagode, pop e músicas internacionais, entre outros. O sertanejo também domina as primeiras posições das listas.

No meio digital, a supremacia é menor. O grupo Barões da Pisadinha, há dois anos consecutivos no posto de artista mais ouvido do Spotify, aparece nas listas de rádio, mas não tão bem ranqueado e com menos músicas tocadas que os grandes nomes do sertanejo. João Gomes, dono do disco mais ouvido do ano no Spotify e no Sua Música –plataforma de streaming forte no Nordeste, na qual seu álbum tem mais de 70 milhões de downloads– tem apenas uma canção entre as mais reproduzidas em rádio.

No YouTube, apenas um entre os dez vídeos de música mais vistos da plataforma em 2021 é de um artista sertanejo –no caso, “Batom de Cereja”, alavancada pela participação do cantor Rodolffo, dupla de Israel, no “Big Brother Brasil”. O funk, ausente nas listas das rádios, tem quatro músicas nas dez mais do YouTube, incluindo o hit “Bipolar”, dos MCs Don Juan, Davi e Pedrinho, e duas músicas do MC Poze do Rodo. O forró também aparece por lá, graças a Barões da Pisadinha, Zé Vaqueiro e Raí Saia Rodada.

“O sertanejo vem numa crescente, de dominar o mercado, há uns oito ou nove anos. Não era assim. Antigamente, o axé, o pop rock, o pagode, dividam mais espaço. Hoje, o sertanejo monopolizou”, diz JP Ferolla, que presta serviços de marketing para diversos artistas, de Wesley Safadão a Gustavo Mioto, de Pedro Sampaio a Bruno e Marrone. “O sertanejo veio com empresários do meio rural, com muita grana, e pegaram toda a mídia. Enquanto um nome do pop rock ou um pagode investe R$ 50 mil numa música, um sertanejo bota R$ 1,5 milhão. Então fica muito desleal.”

Segundo ele, as listas de mais tocadas na rádio, assim como as paradas do Spotify, são usadas para valorizar os cachês de shows. Ferolla diz que um artista sertanejo entre os mais tocados nas listas chega a investir cerca de R$ 400 mil num acordo de três meses para que sua música de trabalho toque pelo menos três vezes ao dia no período.

As reproduções adicionais acontecem por pedidos de fãs e pelo bom desempenho de uma música. Entre os compositores que alimentam os cantores sertanejos, a ideia é que uma música de trabalho –aquela que recebe investimento– já garante uma rotação alta em rádio, mas que é a qualidade da canção que determina se vai ser a primeira ou 50ª na lista de mais tocadas.

Esses valores podem variar bastante de acordo com a rádio, o artista e o tipo de acordo –se é nacional ou regionalizado, se é por música ou por cantor, por exemplo. Um empresário ou uma produtora pode negociar o espaço de vários artistas ao mesmo tempo, o que também influencia no preço. Não há uma tabela.

“Praticamente toda rádio nessas listas hoje vende espaço. E essa venda sempre existiu, o que mudou foi a moeda de troca. Hoje em dia preferem pagar dinheiro, mas antigamente eram shows, brindes, eles faziam de outra forma.”

Apesar de malvista, a prática do jabá, o ato pagar uma quantia em dinheiro para a rádio tocar a música de um artista, não configura um crime, e hoje é praticamente regra, além de já ter chegado à cadeia do streaming. Por isso, quando Kamila Fialho diz que sertanejos compraram as rádios, não está falando da compra literal de estações, mas dos espaços na programação.

Além de investir numa música em rádio, o sertanejo se beneficia da grande quantidade de rádios segmentadas do gênero, o que acaba dificultando ainda mais a presença de outros estilos. Ferolla, que também trabalha com os Barões da Pisadinha, diz que o investimento em rádio dos astros do forró é menor, e ainda há discriminação.

“A maioria das rádios sertanejas não toca forró e nem piseiro. Já vi artista que quis pagar e não foi aceito. Então a rádio também faz uma seleção, não pega qualquer música.”

Mesmo competindo com os meios digitais, o rádio continua relevante no Brasil. Uma pesquisa do Kantar Ibope Media de setembro de 2021 concluiu que 80% dos brasileiros ouvem rádio, um aumento de dois pontos percentuais em relação ao ano anterior. Hoje, as estações também têm canais no YouTube e divulgam playlists no streaming, além de alcançarem regiões com acesso precário às redes móveis e pessoas com pacotes de dados mais restritos no celular.

É também essa capacidade de penetração em todo o Brasil que motiva a estratégia dos sertanejos. “A internet não conseguiu ainda entrar no país inteiro do jeito que o rádio entrou. E o sertanejo é de massa –e é massa mesmo. O sertanejo precisa e aposta em muita gente do Brasil inteiro. E quem tem esse alcance é rádio”, diz André Piunti, jornalista especializado em sertanejo, e que também faz entrevistas com figuras do segmento no YouTube.

A relação do sertanejo com as rádios é antiga, e está longe de ser restrita. As músicas que tocam no rádio são impulsionadas nas redes sociais e no streaming, num esquema de retroalimentação. Ou seja, uma pessoa que passou o dia ouvindo uma música na rádio, quando chega em casa e acessa a internet, vai atrás daquela canção. Como diz Piunti, “nada que eles fazem é por acaso”.

Nomes do pagode como Thiaguinho, Dilsinho, Ferrugem, Sorriso Maroto e o Grupo Menos é Mais são alguns dos que conseguem furar a bolha e aparecer entre os mais tocados em rádio. “Caras como o Thiaguinho, que se vestiram de pop, se tornaram pessoas interessantes, com quem marcas querem falar, revertem esse interesse em shows. Mas, ainda assim, o cachê desses astros não é o cachê de um sertanejo. Mesmo o Dennis DJ, que toca em todos os rodeios, não tem esse cachê”, diz Kamilla Fialho.

Além do alcance mais perene em todo o país, o sertanejo promove shows. Os discos e vídeos são gravados ao vivo, com plateia, numa demonstração a público e contratantes da estrutura e do repertório dos shows com os quais eles vão rodar o país.

Isso tudo acaba elevando os cachês. “Você vê artistas do sertanejo que têm cachês de R$ 80 mil e outros de R$ 400 ou R$ 300 mil, mas ainda assim o cara já nasce com um cachê no patamar de R$ 80 mil. Meus artistas de pop e de funk, mesmo depois da era Anitta e Naldo, todos começam com cachês mais baixos. E o investimento também é outro.”

Artistas do pop e do funk, por exemplo, também conseguem entrar no rádio, em negociações que envolvem planos de carreira, gravação de vinhetas e entrevistas, entre outros, mas num espaço restrito.

“No Brasil existem rádios pop que não tocam sertanejo, e tocam no Brasil inteiro. Se eu entro nessas três rádios, eu consigo um número de execuções grande, mas menor do que se juntar todas as sertanejas. A questão é que o Brasil é feito de interiores, não tem uma internet com tanta velocidade como nas capitais. E essas três rádios pop não necessariamente estão no interior.”

Igor Carvalho, que trabalha no departamento de artistas e repertório da GR6, uma das maiores produtoras de funk do país, conta que esse estilo busca outros tipos de investimentos. “São movimentos bem diferentes. O funk é de massa, atinge as periferias, e o sertanejo é mais nacional, entra em casas que o funk talvez não entre. Apesar de isso estar mudando. Hoje tem funks que tocam em festa de criança. Os artistas têm preocupação em fazer letras que o público mais caxias aceite.”

Ele diz que, ainda que não menospreze a importância do rádio, os funkeiros tentam se virar sem ele. “Tem artistas de funk com cachê de R$ 100 mil que não toca em rádio nenhuma. Não sei até que ponto é indispensável tocar na rádio, até porque a gente sabe que isso tem um custo. E são valores que, pela nossa avaliação, não é válido o custo benefício. O sertanejo pode ter cachê de R$ 300 mil, mas o custo para chegar nisso é muito maior.”

Isso também se reflete nos investimentos em shows. Enquanto sertanejos vendem turnês conceituais com banda e estrutura grandes, os funkeiros fazem shows mais curtos, e podem tocar várias vezes numa única noite. “A banda de um funkeiro é um DJ com um equipamento de R$ 10 mil no máximo, que é uma MPC [music production controller]”, diz Carvalho.

O dinheiro gasto para promover o funk acaba indo mais para influenciadores em plataformas como o TikTok, a compra de espaço em playlists de pessoas famosas, propaganda nos serviços de streaming, impulsionamento digital das músicas e videoclipes. “O funk acompanha a juventude. Muita gente não ouve rádio, mas está no Instagram e no TikTok. Claro que existem casos em que vale a pena estar no rádio, é muito bom atingir mais pessoas. Mas se você for falar do funk em si, a conta não fecha. Se tiver só aquele dinheiro, ele não vai ser investido primeiramente no rádio.”

Nos últimos anos, o funk tem conseguido se aproveitar também de estratégias do sertanejo, nas parcerias entre artistas do gênero e, mais recentemente, na gravação dos filmes de show –os chamados DVDs. Kevin o Chris, cliente de Fialho, e o MC Hariel, da GR6, gravaram apresentações ao vivo para tentar vender shows mais longos e turnês temática, e assim elevar os cachês –como fazem os sertanejos.

Entre os empresários ouvidos pela reportagem, é unanimidade que investimento só em rádio ou só no streaming não é o melhor caminho. Mesmo para artistas menores, o melhor é estar em todas essas plataformas –com mais ou menos visibilidade–, e ainda ter um desenvolvimento de imagem nas redes sociais.

É o que diz Santo Trevisan, que há mais de uma década trabalha como divulgador de rádio para artistas menores ou em início de carreira –como Vini Vercilo, filho de Jorge Vercilo. Ele viaja de duas a três vezes no mês visitando rádios nos interiores do país e, como tem baixo ou nenhum poder de investimento, tenta encaixar seus artistas estreitando o relacionamento com as pessoas das rádios.

“Se eu tiver um artista com 2 milhões de plays no streaming e ele tocar nas rádios de uma microrregião de Santa Catarina, a possibilidade de ele fazer show lá é muito maior do que se ele só tiver 2 milhões de plays. Se você está no interior de Minas Gerais, onde a internet não funciona tão bem, é a rádio da região que vai vender o show. Você cria uma relação com aquela rádio e o público dela”, ele diz.

Para Trevisan, o importante é escolher bem em quais rádios divulgar determinados artistas, promover entrevistas, aproximar os cantores dos programadores e trabalhar em regiões específicas. Há muitos artistas com hits, mas que não são rostos conhecidos e não chegam nos interiores.

“Tocar música na rádio é possível, mas depende de quanto você quer que toque. Teve um artista sertanejo meu que começou a tocar em rádio grande, e não foi por promoção –ou, como você diz, jabá. Mas se o artista diz ‘eu quero ser conhecido nacionalmente’, ele vai gastar dinheiro, não tem como. E não vai ser só em rádio, mas impulsionamento no streaming, redes sociais, tudo.”

FONTE: FOLHAPRESS

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

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COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: Confiança Empresarial diminui com cenário econômico de incerteza – Por Silvio Persivo

    Insistir é preciso. “De tudo ficaram três coisas: A certeza de que estamos começando. A certeza de que precisamos continuar. A certeza de seremos interrompidos antes de terminar. Portanto, devemos fazer da interrupção um caminho novo. Da queda, um passo de dança. Do medo, uma escada. Do sonho, uma ponte. Da procura, um encontro” (Fernando Sabino). IV SIMPÓSIO DE CIÊNCIA E PESQUISA A da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa do Estado de Rondônia (Fapero) com o objetivo de aproximar a sociedade da comunidade científica e apresentar os seus resultados nos projetos apoiados pela instituição,) realiza o IV Simpósio de Ciência e Pesquisa (Simfap), nos dias 5 e 6 de novembro. O evento reúne pesquisadores para compartilhar seus trabalhos, fortalecer a ciência, a tecnologia e a inovação no estado.. O evento om palestras, mesas-redondas, debates e apresentações de trabalhos científicos será realizado no Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO), na Avenida Presidente Dutra, nº 1889, em Porto Velho, e as inscrições estão abertas até o dia 4 de novembro, O presidente da Fapero, Paulo Renato Haddad, disse que o Simfap já se tornou uma tradição “Mais do que apresentar resultados, o evento é uma forma de dar transparência aos investimentos realizados em ciência, tecnologia e inovação, aproximando a população das pesquisas e demonstrando como esses recursos estão contribuindo para o desenvolvimento de Rondônia”. COMEÇOU O PERÍDO DE DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE REBANHOS Começou neste último domingo (1º), o período para a segunda etapa da declaração obrigatória de rebanhos em Rondônia. A atualização cadastral deve ser realizada até 30 de novembro pelos produtores rurais que criam bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos, suínos, equídeos e aves. O procedimento é realizado junto à Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron). Durante o período, a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) fica condicionada à regularização das informações cadastrais e os produtores só poderão movimentar os animais para transporte ou comercialização depois de feitaa declaração do rebanho. No sistema Idaron Online, os pecuaristas vão classificar o gado como leiteiro ou de corte e informar os números de nascimentos e mortes desde maio. Também será necessário indicar a faixa etária dos animais, especificando quantos, entre os nascidos depois da primeira etapa da declaração, têm de quatro a seis meses e quantos têm de um a três meses de idade. Por fim deve ser feito o ajuste automático do total dos rebanhos no sistema, a partir das alterações informadas pelo produtor. A A atualização cadastral, como se sabe, é necessária para manter o status sanitário de Rondônia como área livre de febre aftosa sem vacinação. CONFIANÇA DOS EMPRESÁRIOS DIMINUI COM CENÁRIO ECONÔMICO DE INCERTEZA Segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), os empresários do comércio, no último e mais forte trimestre para o setor no ano, estão menos otimistas, com menos planos de expansão e contratação. O Icec registrou um recuo de 2,7% em outubro, resultado das incertezas do cenário econômico e apresentou sua quarta queda consecutiva e a mais intensa desde julho, já descontados os efeitos sazonais. Com este resultado, o indicador reduziu para os 96,7 pontos, ficando abaixo do nível de neutralidade e atingindo o valor mais baixo desde maio de 2021, na pandemia, quando marcou 94,5 pontos. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, “O comércio acende um alerta para todo o país ao entrar no período mais lucrativo do calendário, sob cautela. Quando o empresário pisa no freio das contratações e dos investimentos, toda economia desacelera, reflexo direto das incertezas nos âmbitos fiscal e monetário que travam as decisões de negócios neste último trimestre”, analisou. Em Rondônia, a situação é um pouco melhor mesmo com o Icec caindo de 107,3 pontos para 105,9 pontos, ou seja, uma queda de -1,3%. Rondônia, em geral, possui um comportamento mais otimista e resiliente, mas, ainda assim, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia-Fecomércio/RO, Raniery Araújo Coêlho, afirmou ser preciso “Maior previsibilidade, segurança jurídica e políticas monetárias que reduzam os custos das operações do nosso setor. O comércio, nas condições atuais, mesmo querendo expandir e gerar postos de trabalho sofre com a falta de um ambiente mais favorável para manter o crescimento”. E também aconselhou os empresários a realizarem promoções e facilidades maiores para atrair os clientes neste final de ano. REINCIDÊNCIA DE INADIMPLENTES BATE RECORDE Um sintoma deste problema é o fato do Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em setembro, revelar que se verificou o maior recorde no número de consumidores negativados nas listas de inadimplentes. Em setembro de 2026, do total de negativações, 87,44% foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses. Acrescente-se que no universo de reincidentes, a maior parte, 67,05%, ainda não havia quitado as pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 20,38% tinham saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 12,56% dos negativados em setembro não estiveram com restrições no CPF ao longo do último ano. Mais: o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento das demais pendências para os reincidentes foi de 72,5 dias. Isto significa que, em média, depois de cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence. Também se observa que houve um crescimento de 18,28% no número de devedores reincidentes, os que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes, na comparação com os 12 meses anteriores. É uma forte indicação de que o programa Desenrola não deu certo. AUTOR: SILVIO PERSIVO –  COLUNA TEIA DIGITAL

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