A decisão da Prefeitura de Porto Velho de interditar integralmente, durante 24 horas por dia, uma ampla área do cruzamento da Avenida Farquar com a Avenida Sete de Setembro para a implantação da chamada “Rua da Copa” tem provocado indignação entre comerciantes, moradores e usuários do transporte coletivo da capital.
Localizada em frente ao Prédio do Relógio e à sede da Prefeitura, a estrutura montada para a realização de eventos relacionados à Copa do Mundo de 2026 permanecerá ocupando parte significativa da malha viária durante todo o período da competição. Caso a Seleção Brasileira alcance a final do torneio, a interdição poderá se estender por aproximadamente 39 dias consecutivos, transformando uma medida temporária em um problema de grandes proporções para a mobilidade urbana da cidade.
A Avenida Farquar é considerada uma das mais importantes vias da região central de Porto Velho. Diariamente, ela recebe grande fluxo de veículos e funciona como uma importante ligação com a Avenida Sete de Setembro, contribuindo para a distribuição do trânsito em uma das áreas mais movimentadas da capital. Com a interdição permanente do trecho, é como se uma das pernas fundamentais da malha viária do centro da cidade tivesse sido amputada por quase quarenta dias.
O resultado já começa a ser percebido pelos motoristas. Congestionamentos, aumento do tempo de deslocamento, dificuldades de acesso aos estabelecimentos comerciais e atrasos no transporte coletivo tornaram-se reclamações frequentes. Empresas instaladas na região afirmam que clientes estão evitando circular pelo local devido às dificuldades de acesso e à falta de estacionamento.
Para os comerciantes, a situação é ainda mais preocupante porque o fechamento não ocorre apenas nos dias dos jogos da Seleção Brasileira. A área permanece isolada continuamente, durante todos os dias da semana e em período integral, afetando diretamente a atividade econômica de quem depende do fluxo diário de consumidores.
Empresários da região já discutem a possibilidade de recorrer ao Poder Judiciário para buscar indenizações ou até mesmo a revisão da medida, alegando prejuízos financeiros e ausência de estudos públicos demonstrando os impactos econômicos da interdição.
Diante da gravidade da situação, cresce também a expectativa por uma atuação do Ministério Público de Rondônia. Especialistas defendem que o órgão avalie a legalidade e a razoabilidade da medida, especialmente considerando os reflexos sobre a mobilidade urbana, a livre iniciativa e o direito ao trabalho dos comerciantes afetados.
Embora a proposta da “Rua da Copa” tenha sido apresentada como uma forma de promover lazer e integração social durante o Mundial, críticos da iniciativa afirmam que o município não pode sacrificar a circulação de uma das principais vias do centro da capital por mais de um mês. Para muitos moradores, a festa do futebol não pode resultar no bloqueio prolongado de uma artéria essencial da cidade, sob pena de impor prejuízos desproporcionais à população e ao setor produtivo local.
DA REDAÇÃO FOLHA





















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