Cultura

Repaginados, clubes do livro ganham adeptos de todas as idades em formato virtual

É o caso da terapeuta corporal aposentada Cleide Tomazini Aichele, 78

Mesmo com muita gente afastada de amigos e parentes por causa da pandemia do novo coronavírus, a leitura não precisa ser um hábito solitário. Se por um lado as pessoas têm menos perspectivas de sair das próprias casas, por outro, a tecnologia facilitou a interação entre leitores e propiciou o crescimento de um velho conhecido daqueles que não querem apenas viajar nas histórias contadas, mas compartilha-las com quem está na mesma página: o clube do livro.

É o caso da terapeuta corporal aposentada Cleide Tomazini Aichele, 78. Ela é uma das participantes mais ativas do Clube de Leitura 6.0, inciativa da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, em parceria com a Fundação Observatório do Livro e da Leitura, que atende 825 idosos em 26 cidades.

No começo do ano, Aichele chegou a comparecer a dois encontros no Núcleo de Convivência de Idosos do Centro de Assistência e Promoção Social Nosso Lar, na Mooca (zona leste de São Paulo). Mas a quarentena e o fato de todos os participantes serem do grupo de risco da Covid-19, fizeram as reuniões presenciais ficarem inviáveis. Quando as reuniões migraram para a internet, Aichele se animou a participar novamente. “Fui uma das primeiras. Quem já participava foi avisado e fomos um falando pro outro.”

Sem medo de lidar com a tecnologia, ela diz que os encont ros virtuais até facilitaram a participação. “Antes era bem mais difícil”, conta. “A gente recebia um tablet e tinha que ler junto ali na hora. Agora, eu posso ler tanto no computador quanto no celular. Se eu vou ao médico, aproveito a espera para adiantar a leitura.” Para quem tem dificuldade, monitores e voluntários estão à disposição para ajudar.

Mãe de três filhos e avó de quatro netas, Aichele diz que dá vários palpites durante os encontros, que ocorrem por meio do Zoom. “Estou um pouco mais corajosa de comentar as coisas”, diz ela, em tom de brincadeira. Tanto é que até sugeriu os contos do autor Hans Christian Andersen (1805-1875) para as próximas leituras. Os livros são sempre eleitos em votação pelos próprios participantes.

Após 60 anos de casada, ela perdeu o marido há dez meses, e diz que precisava de leituras mais leves. “O pessoal estava lendo Kafka e Machado de Assis, que falavam muito de angústia e sofrimento”, lamenta. “Estava em um momento em que precisava de algo que me erguesse.”

Junto com os monitores do programa, Aichele encontrou outro grupo. Há dois meses com esses novos companheiros, ela enumera diversas vantagens desse tipo de clube. “É gostoso, é bom para a nossa cabeça, ajuda a ficar mais inteligente e a gente compreende melhor as coisas”, conta. “A leitura aproxima as pessoas e distrai.”

A frequência até aumentou. Se antes os encontros presenciais eram de 15 em 15 dias, agora ela participa todas as semanas. “Isso nos obriga a ter uma disciplina”, avalia. No momento, ela está lendo “Perto do Coração Selvagem”, de Clarice Lispector. “Não tenho tanta facilidade para entender, mas as pessoas vão falando e a história vai clareando”, diz. “Sempre tem uma ou outra que leu mais e ajuda.”

E a ajuda não fica restrita apenas ao entendimento do livro em si. “Estou num grupo gostoso. Nesse momento em que eu estou, de perda do meu marido, foi uma companhia muito boa”, conta.

“Estava bem mal, agora eu percebo que estou começando a ficar um pouco melhor.” E olha que Aichele não era uma fanática pela leitura. “Não tinha o costume de ler, e hoje me arrependo”, diz.

“Casei muito cedo, tive os meus pais e os pais dele para cuidar. Mas nunca é tarde para começar.”

CLUBE DE LEITURA POR ACASO
Criado durante a quarentena, o clube do Vá Ler Um Livro nunca teve versão presencial. Comandado pela professora Tatiany Leite, 26, ele iniciou no final de agosto, no YouTube, e tem quase 400 membros ativos. A relação de Leite com os livros vem de muito antes tal qual o trabalho com literatura. Aos 15 anos, ela se tornou aprendiz de produção da antiga MTV Brasil (1990-2013), que veiculava campanha em que mandava os jovens desligarem a TV e lerem um livro. Foi então que ela teve a ideia de criar um blog para resenhar.

Quando o YouTube começou a se destacar, ela fez parcerias com canais de “booktubers” (youtubers que falam sobre literatura) porque não queria aparecer na frente das câmeras. Foi convencida a fazer pelo menos um vídeo de teste e nunca mais parou.

No próprio canal, que hoje tem mais de 180 mil seguidores, ela apresenta conteúdos de duas vertentes: a educacional, voltada para livros que cairão em vestibulares pelo país, e a de entretenimento, em que privilegia a leitura como hobby. No clube, que surgiu quase por acaso, ela mistura as duas.”Eu estava relendo ‘Macunaíma’ e brinquei durante uma transmissão ao vivo que devia fazer um clube de leitura”, conta. “O povo gostou e eu falei: ‘Então, vamos fazer’.”

Ao todo, a obra de Mário de Andrade (1893-1945) foi tema de sete encontros virtuais. “É um dos livros mais difíceis da literatura brasileira, mas a ideia é justamente desmistificar, tirar do pedestal em que a gente coloca a literatura”, conta. “A gente combinou que seriam três capítulos por encontro. Fizemos lives de 1h40 a 2h de duração e tivemos muita participação.”

Leite diz que descobriu também que o livro estava na lista do vestibular da Universidade Federal da Bahia, o que acabou atraindo mais interessados. Cada um dos encontros, que ocorrem todos os domingos, às 20h, chegou a ter de 2.000 a 3.000 visualizações. Leite sempre inicia o debate com uma aula introdutória sobre a corrente literária do autor. “O tanto de doutorado que eu li para falar sobre esse livro”, admira-se. “Nada é o que parece, tudo no livro tem muitos significados.”

Além das transmissões, o clube troca reflexões por meio do aplicativo de troca de mensagens Telegram. É por lá que votam em quais serão os próximos livros que irão destrinchar. Atualmente, eles estão lendo em conjunto “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis.

Leite tenta explicar por que houve mais procura por conteúdos sobre literatura durante a pandemia. “Além da coisa do tempo, de as pessoas estarem mais em casa, tem o lance de ter que estudar em casa”, avalia. “Tem gente que tenta entender por conta própria o que não assimilou durante a aula via Zoom.”

“Quando criei o clube, achei que só ia ter gente mais velha”, conta. “Aí eu vi um monte de gente muito novinha. Agora as faixas de idade estão bem mixadas, tem de 15 a 50 e tantos anos.”

Ela diz que seu objetivo é fazer com que ambos os públicos circulem pelo canal e consumam também outros conteúdos, mas acabou ganhando de presente uma conexão maior com os próprios seguidores. “O clube tem facilitado esse processo de ter um link melhor com o público”, avalia. “Nunca tinha sido tão próximo, já sei os nomes e a carinha de quem participa.”

PODCLUBE
Já o clube do Põe na Estante, criado pela apresentadora de rádio Gabriela Mayer, 32, nasceu de forma diferente. Primeiro, ela criou um blog, no qual escrevia suas impressões sobre o que estava lendo. Depois de deixar o espaço abandonado por alguns anos, ela teve a ideia de juntar duas de suas paixões –a literatura e os podcasts.

O clube do livro no formato de podcast funciona por temporadas (ela acabou de encerrar a terceira, e a quarta deve estrear em dezembro). A cada episódio, Mayer recebe dois convidados para discutir obras literárias. “Agora na pandemia, ele se expandiu e virou clube fora do podcast também”, alegra-se.

As discussões ocorrem em transmissões ao vivo no Instagram, quinzenalmente às quartas-feiras, às 19h30. “Começou com o livro ‘Fique comigo’, da [autora nigeriana] Ayobami Adebayo”, relata. “A gente fazia leituras conjuntas, dividia em partes e se encontrava. Um monte de gente topou participar. Na última live, o pessoal já falou: ‘Vamos escolher o próximo’.”

Depois disso, o grupo já emendou três livros em sequência e estão escolhendo o próximo. “Ler em conjunto na pandemia veio muito de uma reclamação de quem não estava conseguindo se concentrar”, comenta. “Mesmo gente que lia muita coisa. Eu mesma, no começo, também estava com dificuldade.”

Ela diz que costuma dar um tempo maior logo depois da escolha do livro para que os participantes tenham tempo de se familiarizar com a obra. “Tem que respeitar o ciclo de leitura das pessoas, para que a leitura seja uma coisa prazerosa”, avalia.

Mayer acrescenta que o mais gostoso do clube é a interação entre os participantes. “É uma troca despretensiosa. Você capta uma referência que o outro não capta e vice-versa. Quando lemos o livro da Ayobami Adebayo, por exemplo, alguns leitores tinham conhecimentos sobre a Nigéria que eu não tinha.”

Ao longo da vida, ela diz que participou pouco de clubes do livro com presença física. “Por conta dos meus horários, acabava não conseguindo participar do encontro”, relata. “Já aconteceu várias vezes de ler o livro e não conseguir ir no dia.”

Embora torça para a retomada de encontros presenciais, Mayer enxerga vantagens no modelo virtual, como flexibilidade de horários e a possibilidade de ter participantes de todos os lugares do Brasil. Ela afirma, porém, que tem coisas que não mudam entre os dois formatos. “É um espaço para fazer amigos.

Fiz uma grande amiga assim, trocamos mensagem sobre os livros e vimos que tinhámos muita afinidade.”

VANTAGENS DOS CLUBES DE LIVRO VIRTUAL
O economista e administrador Nelson Mattera Junior, 62, também vê benefícios em participar de clubes do livro em formato virtual. Assim como Aichele, ele não conseguia ler muito durante boa parte da vida. “Eu trabalhava no mercado financeiro, tinha uma vida muito agitada e não podia ter compromisso de leitura”, conta ele, que agora divide sua atenção entre “O Clube dos Anjos”, de Luiz Fernando Veríssimo, e “Flores Azuis”, de Carola Saavedra.

Depois que decidiu priorizar a qualidade de vida, há cerca de quatro anos, ele passou a frequentar clubes do livro de forma presencial em diversos pontos de São Paulo, como na Casa das Rosas e na Biblioteca Parque Villa-Lobos, equipamento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, gerida pela Organização Social SP Leituras.

Com a pandemia, os encontros presenciais foram substituídos por virtuais e ele comemorou. “Eu fazia um deslocamento grande para participar”, conta. “Moro no bairro da Saúde (zona sul de São Paulo) e ir para o lado do Parque Villa-Lobos (zona oeste) era difícil. É ruim pra ir e pior pra voltar”, diz. “Sem querer, a gente acabou descobrindo uma coisa que é excelente”, comemora. “Em uma cidade como São Paulo você pensar em se locomover é complicado. Esse encontro virtual é excelente, facilita em todos os sentidos.”

Mattera, que costuma fazer suas leituras em um aparelho do tipo Kindle, diz que não é um expert em tecnologia, mas não teve problemas para fazer uso das ferramentas necessárias para participar (os encontros ocorrem via Zoom). “Não que eu fosse acostumado, a reunião virtual era uma exceção”, avalia. “Mas, cá pra nós, a facilidade que você tem hoje é muito grande. A pessoa te passa um link e você aparecer na sala de reunião, é muito simples.”

Após participar de quatro ou cinco dos encontros mensais, ele que notou que os participantes estão até mais animados com a nova interface. “Até percebo que hoje a participação é muito maior”, relata. “As pessoas comentam mesmo, para elas é uma válvula de escape. Vejo que tem gente que até fica com a câmera fechada, mas o chat vai comendo solto. Todo mundo se manifesta de alguma forma.”

Outra vantagem apontada por ele é a possibilidade de ter pessoas participando de outros lugares. No grupo da Villa-Lobos, por exemplo, ele diz que há uma participante de Curitiba. “O clube de leitura online possibilita que qualquer pessoa participe, isso é um fator que agrega muito”, analisa. “Não precisa nem ser de outra cidade, é bom até para incluir a pessoa de uma camada mais simples, que mora na periferia e tem dificuldade de se deslocar até a biblioteca.”

“Se você colocar na balança, para mim essa forma online é muito melhor”, diz. “Você não está junto presencialmente, mas a interação é a mesma. Peço até para que, quando a biblioteca reabrir, não acabem com o clube virtual.”

FONTE: FOLHAPRESS

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

CHARGE – CARTUNISTA

COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • TEIA DIGITAL: Em Setembro, Balança Comercial em Rondônia apresenta resultado negativo – Por Silvio Persivo

    E querem nos dizer o que devemos fazer sem considerar nossos interesses. “Eles não aprenderam nada e não esqueceram nada” (Charles Maurice de Talleyrand-Périgord). 3ª EXPOTURISMO ENCERRA COM IMENSO SUCESSO Realizada com muito sucesso, de público e de movimentação financeira, a 3ª Expo Turismo Rondônia 2026, que, este ano, foi no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, brilhou pela diversidade dos estandes. A feira reuniu empreendedores, especialistas, representantes de municípios e profissionais do setor. Estiveram presentes mais de 10 mil visitantes ao longo dos três dias para visitar 85 estandes, especialistas e empreendedores do setor. O evento ampliou a visibilidade dos negócios, estimulou parcerias e incluiu palestras, workshops, aulas-show, debates, oficinas, talk shows e capacitações, além da exposição de produtos, serviços e experiências turísticas. Também a pesca esportiva foi o grande destaque com a presença de Nelson Nakamura e os filhos Renan e Vitor Nakamura, referências na pesca esportiva. Nelson Nakamura e os filhos participam da Expo pela terceira vez, com presença em workshops e atividades voltadas ao segmento, ao lado de outros especialistas do setor. O evento foi realizado pel0 governo de Rondônia por meio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio-RO) e o apoio da Prefeitura Municipal de Porto Velho.  O governador Marcos Rocha destacou sobre o evento a importância de valorizar os atrativos regionais e criar oportunidades para empreendedores e municípios por meio do turismo. AS CRIANÇAS AINDA SÃO MAIORIA EM RONDÔNIA O Dia das Crianças foi muito comemorado em Rondônia, mas, é preciso frisar que, no Brasil, hoje, existem 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais contra apenas 26,4 milhões de crianças de até 9 anos. É uma diferença de 10 milhões a favor dos idosos, o que reflete a virada demográfica que começou em 2020 e deve se aprofundar em 2040, quando serão 2,5 idosos para cada criança. Em 2000, as crianças eram 19,8% da população. Hoje são somente 12,3%, ou 1 em cada 8 brasileiros. Já em 18 das 27 unidades da federação há mais idosos do que crianças. O Rio Grande do Sul lidera com a maior proporção de idosos: possui 1,96 idoso por criança. Já Rondônia, a proporção é de 1,18 criança de até 9 anos para cada idoso com 60 anos ou mais (ou cerca de 85 idosos para cada 100 crianças nessa faixa etária). EM SETEMBRO BALANÇA COMERCIAL DE RONDÔNIA APRESENTA RESULTADO NEGATIVO O comércio exterior de Rondônia, em setembro, segundo o Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), fechou o mês com déficit de US$ 59,5 milhões, valor proveniente de US$ 195,7 milhões em vendas e US$ 255,2 milhões, mas, no acumulado de janeiro a setembro deste ano, o resultado permanece favorável ao Estado, com saldo positivo de US$ 560,2 milhões. O resultado de setembro decorre do aumento das importações que chegou perto de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O que também contribuiu, porém em menor proporção, foram as limitações tarifárias sobre a carne bovina na China, que atingiu o teto da cota anual, e passou a receber uma sobretaxa de 55% em cima da taxa base de 12%, totalizando a alíquota de 67%. Para contornar as restrições no país asiático, frigoríficos e produtores locais redirecionaram seus carregamentos para destinos como Chile, Estados Unidos e Canadá. A pauta de embarques permaneceu concentrada na carne bovina, responsável por 58,1% das vendas, e o milho, com 23,3%. O mercado de café também apresentou teve expansão contínua, com 7,3% da pauta mensal. O café ganhou protagonismo na balança comercial pelo forte crescimento em 2026. O volume total do grão embarcado até o momento perfaz quase o dobro de tudo o que foi exportado ao longo do ano de 2025. Nas importações, a China respondeu por 41,2% do total acumulado no ano, somando US$ 953,6 milhões, acompanhada por parceiros como Argentina e Estados Unidos. Os valores elevados de compras externas decorrem do modelo tributário de importação escritural garantido pela legislação estadual. Neste sistema, as empresas registradas em Rondônia efetuam o recolhimento de tributos no Estado, enquanto os produtos entram no país por portos de outras regiões e seguem para o destino final, sem significar consumo direto pela população local. UNIVERSIDADES EM XEQUE A atual disputa eleitoral está desnudando, de uma forma até burlesca, o que acontece nas universidades brasileiras e como essas se encontram distantes dos problemas reais do país. É fato que a tecnologia e o progresso estão obrigando a academia a mudar o que fazem. Porém, com as manifestações estudantis e os problemas que surgem internamente de incêndios e uso das instalações para politicagem, a questão que aflora se tornou mais grave. Começa-se a questionar não somente “apenas o que fazem” e sim também “os que fazem”. Há professores passando vergonha tanto pelos discursos ultrapassados como pela demonstração de falta de conhecimento demonstrando que o saber está realmente escasso nas universidades. E isto se demonstra tanto pela queda das instituições nos rankings de classificação, em relação as de outros países, como pela deterioração visível dos campus e instalações onde as pichações, a falta de manutenção e a sujeira dão uma triste demonstração de como se encontram locais que deveriam ser espelhos para a sociedade. E o mais preocupante é que esta desvalorização das universidades se visualiza quando há um declínio de uma das suas principais razões de existência, que é a realização de pesquisas. Antes o setor produtivo precisava dos recursos que as universidades possuíam, da aliança entre ensino e pesquisa, inclusive para sustentar os salários das pessoas capazes de realizar este tipo de pesquisa. Agora, tudo indica que, com a crescente perda de importância das pesquisas universitárias, as empresas apostam mais nos seus próprios recursos e de que a inteligência artificial será cada vez mais capaz de realizar grande parte das pesquisas necessárias. Por isto diminuem a procura por vagas, […]

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