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Presos vendem celas por até R$ 5 mil no Complexo do Curado, no Recife

Os sobrados são enfileirados um ao lado do outro. Cada andar tem um morador. O acesso ao piso superior é feito por escadas de madeira improvisadas. Graças a gambiarras elétricas, alguns deles dispõem de comodidades como frigobar, televisão e exaustor. O cenário lembra uma viela de favela. Mas os sobrados são celas do presídio Complexo do Curado, localizado, ironicamente, na Avenida da Liberdade, no Recife. Como qualquer imóvel privado, as celas viraram ativos valiosos num mercado imobiliário criado dentro do presídio. Quanto maiores forem a ventilação e a iluminação, maior é o valor de venda ou aluguel, afirma a assistente social Wilma Melo, uma das fundadoras do Serviço Ecumênico de Militância nas Prisões (Sempri). Há três décadas, Wilma dedica seus dias ao Curado, onde perdeu o marido,

um ex-detento. Ela acompanhou, desde o início, o crescimento da favela encarcerada. O metro quadrado mais caro, diz Wilma, ultrapassa R$ 2 mil – equivalente ao metro quadrado na periferia de São Paulo ou de um bairro classe média em Belém. Como troça, os presos apelidaram os sobrados de Minha Cela, Minha Vida, uma alusão a um dos programas de governo mais caros à presidente reeleita Dilma Rousseff. Eles foram construídos pelos próprios presos. Segundo o padre Wilmar Varjão, da Pastoral Carcerária, parte do material de construção é comprada com dinheiro das famílias dos presos. Chega em caminhões ou em carriolas.

Além dos sobrados, existe outra modalidade de cela: as casas de pombo. Ou tocas, como são chamadas no relatório geral do último mutirão carcerário do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). São buracos feitos pelos presos dentro das paredes, um ao lado do outro – como urnas num cemitério vertical. Cada buraco é equipado com um colchão e tem um dono. Para subir a eles, os presos usam escadas. O preço dos buracos, como os sobrados, tem variações. Com ventilação e luminosidade, pode custar até R$ 2 mil, afirma Wilma. Os presos, diz ela, não buscam conforto apenas para si próprios. Cada um deles quer um lugar melhor para receber a família nos dias de visita. A diária de um buraco chega a custar R$ 50.

Os presos que não têm poder ou dinheiro para comprar ou alugar um sobrado ou um buraco são obrigados a dormir no chão das celas, dos banheiros, dos pátios ou das BRs, apelido dado aos corredores do presídio – outra troça, alusão às siglas das rodovias federais. Em uma das vezes em que o advogado Fernando Delgado, da Clínica de Direitos Humanos da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, perguntou a um preso sobre a lotação de uma das celas, recebeu uma resposta confusa: “Aqui dorme cinco, mas conta 24 (sic)”. Delgado entendeu, depois, a matemática do presídio. O preso queria dizer que aquela cela tinha 24 presos, mas cinco haviam comprado o direito de dormir em colchões. Os outros ficavam no chão. Nos dias de visita íntima, aos sábados, redes e cabanas aramadas são enfileiradas no pátio. Cada um protege a própria intimidade com um lençol. As mulheres pernoitam no presídio.

O “pacto pela vida”

O Curado nasceu em 2012, com capacidade para 2.114 presos,  para substituir o presídio Professor Aníbal Bruno. O complexo foi criado com uma estrutura de três unidades independentes e muradas, cada uma com diretor, enfermaria, cozinha e escola. Um dos motivos para a mudança, segundo o governo de Pernambuco, era tratar os presos com “mais humanidade” e melhorar a organização.

A criação do Curado foi também uma resposta ao aumento da população carcerária em Pernambuco, um dos efeitos do Pacto pela Vida,  programa de segurança pública implementado pelo ex-governador Eduardo Campos (1965-2014). Vitrine do PSB, partido no comando de Pernambuco há oito anos, o Pacto, lançado em 2007, criou bônus salariais para os policiais que atingissem metas de apreensão de drogas e prisões preventivas. A taxa de homicídios do Estado caiu mais de 30%. Entre 2006 e 2012, também aumentou em 206% o número de encarcerados por posse de drogas. Um relatório do Ministério da Justiça, de novembro de 2012, diz que o Pacto tem pontos positivos, “mas é uma bomba de efeito retardado”. O CNJ, em outro relatório, de maio de 2014, diz que “a falta de investimento, a demora no julgamento processual e a manutenção da prisão de pessoas que cometeram pequenos delitos transformam as casas prisionais em verdadeiros depósitos de pessoas”.

Nos dias 8 e 9 de maio de 2013, a procuradora da República Carolina de Gusmão Furtado, acompanhada de outras autoridades, visitou o Curado. “Verificamos que a divisão do presídio em três unidades resumiu-se a uma simples separação murada, que em nada minimizou a questão da superlotação”, diz Carolina. Hoje, amontoam-se no Curado 7.031 detentos, pouco mais de um quinto da população carcerária de Pernambuco. Sobram presos – e faltam defensores públicos, promotores e advogados. “A Justiça de Pernambuco é muito problemática. É um quadro de quase caos”, afirma o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Nos mutirões feitos no Curado, o CNJ, não raras vezes, encontrou detentos com penas vencidas havia mais de cinco anos. Os presos, muitas vezes, não sabem nem quanto tempo ficarão atrás das grades. Em uma das inspeções feitas por autoridades federais no Curado, o então secretário de Ressocialização (Seres) de Pernambuco, coronel Romero Ribeiro, disse que não informava as previsões das penas aos detentos por receio de instabilidades no presídio. Ribeiro foi exonerado do cargo há dois meses.

O chaveiro
No Curado, os agentes penitenciários não entram nos pavilhões. O diretor do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Pernambuco, Nivaldo Oliveira, diz que os agentes ficam em funções administrativas e na gaiola, a entrada do presídio. Em uma das visitas de monitoramento, entre os dias 26 e 27 de agosto de 2013, trabalhavam 16 agentes, ou um para cada 400 presos. O CNJ recomenda um para cinco. “O Curado é uma brincadeira de mau gosto do Estado. Nosso efetivo é uma vergonha”, diz Oliveira.

Em Leviatã, o filósofo Thomas Hobbes (1588-1679) afirma que o homem, no estado de natureza, impõe-se ao outro pela força, ferramenta para conquistar e manter o poder. Para evitar o estado de guerra, cria-se um contrato social, a base da filosofia política moderna. Todos abdicam de suas liberdades para que o eleito assegure paz e proteção a todos. Cinco séculos depois, o CNJ encontrou dentro do Curado o homem primitivo e o eleito de Hobbes personificados em uma só figura, o chaveiro. Num relatório de 2010, assim é descrito o chaveiro: “Um preso, geralmente condenado ou respondendo por crime de homicídio, que impõe a ordem e a disciplina no pavilhão… Relaciona presos a serem encaminhados aos médicos, psicólogos, advogados e assistentes sociais. É assessorado por um auxiliar e um mesário”.

O número de chaveiros é desconhecido. Nos 17 pavilhões oficiais há ao menos um, geralmente ligado a grupos de extermínio. Os carcereiros paraestatais gerenciam as celas e outras áreas, como a enfermaria e a cantina. São alçados aos cargos de chefia ao ser indicados por outros chaveiros, diz Wilma. Há denúncias de que presos recrutados pelo Estado para trabalhar na cadeia seriam chaveiros.

Cada chaveiro dita as próprias regras. Em geral, cobram, à parte, por material de limpeza e higiene pessoal e por idas à enfermaria e até mesmo ao banheiro, se o preso não tem condições de ir sozinho. O chaveiro decide qual preso pode ter assessoria jurídica e o horário das visitas.

O chaveiro tem, além disso, o poder de decidir sobre a liberdade de movimentação na cadeia. Nos presídios, existe a cela da disciplina. Em tese, apenas quatro homens deveriam permanecer ali por um determinado período. No Curado, até 70 presos ficam no isolamento por tempo indeterminado, afirma Delgado, de Harvard. Alguns dos presos confinados foram jurados de morte. Outros, descobertos delatores. E há os encaminhados pelo chaveiro. Como o chaveiro tem a prerrogativa de dizer quem está certo ou não, pode  atribuir mau comportamento a qualquer preso e mandá-lo para o castigo. ÉPOCA conversou com uma pessoa cujo parente foi para o castigo pelas mãos de um chaveiro. O parente, acusado de incitar violência, está há quatro meses no isolamento. A condição para a saída do confinamento – uma cela com uma única entrada de ar e uma bica – é o pagamento de R$ 2 mil ao chaveiro.

No relatório do CNJ de 2010, o chaveiro também é descrito como “o responsável pela venda de drogas e, não raro, é o traficante”. As drogas não entram pela porta do presídio, diz Wilma. Lá, o controle é severo. Os pacotes, bem como as armas, chegam por cima dos muros. Embora seja proibido por lei, o Curado está localizado no perímetro urbano do Recife. A proximidade de casas facilita o trabalho dos arremessadores. Depois de jogar a encomenda, eles são abrigados pelos vizinhos do presídio. A troca da guarda no presídio é uma das brechas. Além disso, cerca de 50% das guaritas em torno do presídio estão desativadas.

Dentro do Curado, buracos nos muros entre as unidades prisionais permitem que tanto drogas quanto facões circulem (confira nas fotos abaixo). O preso que não pode pagar pelo consumo da droga ou é jurado de morte ou pede ajuda para a família. Um pai de um preso disse a representantes do Ministério da Justiça, segundo o relatório de inspeção de novembro de 2012, que pagava o fumo e a sobrevivência do filho usuário de droga por depósito bancário. Os dados da conta do traficante chegavam por mensagem de celular. Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Pernambuco, Pedro Henrique Reynaldo Alves, “sem a droga, os presos não conseguem permanecer sem se rebelar”.

“Pior que Pedrinhas”

O Curado é pior que Pedrinhas”, diz Delgado. O Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, ganhou destaque no ano passado com rebeliões em série e mortes violentas, como decapitações. Delgado é um dos cinco denunciantes que levaram, em 2011, o Curado à Comissão Internacional de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Desde então, instituições em defesa dos direitos humanos contabilizaram 265 denúncias de atos violentos no Curado. Uma das promotoras que acompanharam o caso, Rosa Maria de Andrade, escreveu num relatório de outubro de 2012 que “atrocidades há muito vinham ocorrendo sem quaisquer providências”.

Em 2010, durante visita de monitores de ONGs de direitos humanos, um preso foi encontrado com as costas raspadas por faca e uma fratura exposta no braço esquerdo. Em um documento da Seres de 30 de outubro de 2012, um preso alegou ter sido espancado por agentes, disse que recebeu choques elétricos e foi violado com um cabo de vassoura. Num relatório do Ministério Público (MP) de Pernambuco, de 31 de outubro de 2012, aparecem denúncias de tortura e maus-tratos cometidos por agentes e chaveiros. Em 20 de junho de 2013, um preso morreu envenenado. No boletim de ocorrência, consta causa da morte desconhecida.

Porrete com dizeres “Direitos Humanos”  (Foto:  )

Em uma das inspeções feitas por Delgado, um porrete de madeira foi encontrado na área do presídio destinada à Polícia Militar. O porrete tinha arame numa extremidade e vinha com a inscrição “Direitos Humanos” (foto acima). O material foi entregue ao diretor do presídio. Segundo Delgado, o caso não foi solucionado. As fotos da apreensão constam no documento entregue à Comissão de Direitos Humanos da OEA. Como o Brasil não apresentou avanços significativos na solução dos problemas do presídio, o caso do Curado, em maio de 2014, subiu para a Corte Interamericana de Direitos Humanos, onde o país assumiu uma posição equivalente a de um réu. É uma situação vexatória, em que o país, em tese, passa a ser obrigado a cumprir as determinações da Corte para atenuar a superlotação, a falta de assistência jurídica, a violação de direitos humanos, entre outros problemas.

Para salvar a imagem do país, criou-se um fórum permanente dos governos federal e estadual sobre o Curado. A cada três meses, o governo brasileiro manda à Corte um relatório sobre os avanços feitos ou não. Na ata da reunião de 28 de agosto de 2014, o fórum disse ter verificado avanços no sistema de saúde e monitoramento dos presos. Caso não haja avanços, a diplomacia é acionada em busca de um acordo. Para os defensores de direitos humanos, manter o Brasil como réu é uma maneira de forçar a implementação das medidas. “Não vejo como a situação pode mudar sem uma intervenção federal”, afirma Delgado.

Há duas semanas, uma reportagem da TV Globo flagrou detentos do Curado portando celular e facões. O então secretário da Seres, Carlos Humberto Inojosa, pediu demissão. O novo secretário de Justiça e de Direitos Humanos de Pernambuco, Pedro Eurico, Pasta responsável pela Seres, assumiu em 2 de janeiro. Eurico diz desconhecer o comércio de celas e negou a existência da cela de isolamento. A ÉPOCA, anunciou revistas semanais nos pavilhões, alambrados de 6 metros nos muros, contratação de 162 agentes penitenciários, renovação do sistema de monitoramento atual – por ele considerado “ineficiente”–, revisão das máquinas de raios X e a criação de 3.700 vagas em presídios do Estado até 2016. Os casos de tortura até então sem solução, diz Eurico, serão investigados.

Mudanças no sistema prisional exigem muita transpiração – e dinheiro. Pernambuco tentou construir mais presídios em parceria público-privada, mas a empresa responsável faliu e o projeto parou. Em dezembro, o promotor Marco Aurélio Farias, coordenador de Cidadania e Direitos Humanos de Pernambuco, protocolou na Justiça estadual um pedido de interdição parcial do Curado. “Esperava do governo um sinal que não aconteceu”, afirma Farias. O juiz Luiz Rocha, da 1ª Vara de Execuções Penais do Recife, responsável pelo Curado, não demonstra muita pressa em julgar a ação. Diz que tem 17 mil processos para acompanhar e que não sabe se o Estado de Pernambuco sequer responderá ao MP. A Justiça deveria mostrar mais agilidade. Para o promotor Farias, Curado pode implicar uma sentença internacional sem precedentes para o Brasil. “O caso Curado pode extrapolar para um monitoramento do sistema prisional de Pernambuco e de todo o país pela Corte Interamericana”, diz Farias. Não é difícil entender por quê. O Curado expõe sem retoques as condições medievais de nossas cadeias.

Fonte: Época

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CHARGE – CARTUNISTA

COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • TEIA DIGITAL: Em Setembro, Balança Comercial em Rondônia apresenta resultado negativo – Por Silvio Persivo

    E querem nos dizer o que devemos fazer sem considerar nossos interesses. “Eles não aprenderam nada e não esqueceram nada” (Charles Maurice de Talleyrand-Périgord). 3ª EXPOTURISMO ENCERRA COM IMENSO SUCESSO Realizada com muito sucesso, de público e de movimentação financeira, a 3ª Expo Turismo Rondônia 2026, que, este ano, foi no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, brilhou pela diversidade dos estandes. A feira reuniu empreendedores, especialistas, representantes de municípios e profissionais do setor. Estiveram presentes mais de 10 mil visitantes ao longo dos três dias para visitar 85 estandes, especialistas e empreendedores do setor. O evento ampliou a visibilidade dos negócios, estimulou parcerias e incluiu palestras, workshops, aulas-show, debates, oficinas, talk shows e capacitações, além da exposição de produtos, serviços e experiências turísticas. Também a pesca esportiva foi o grande destaque com a presença de Nelson Nakamura e os filhos Renan e Vitor Nakamura, referências na pesca esportiva. Nelson Nakamura e os filhos participam da Expo pela terceira vez, com presença em workshops e atividades voltadas ao segmento, ao lado de outros especialistas do setor. O evento foi realizado pel0 governo de Rondônia por meio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio-RO) e o apoio da Prefeitura Municipal de Porto Velho.  O governador Marcos Rocha destacou sobre o evento a importância de valorizar os atrativos regionais e criar oportunidades para empreendedores e municípios por meio do turismo. AS CRIANÇAS AINDA SÃO MAIORIA EM RONDÔNIA O Dia das Crianças foi muito comemorado em Rondônia, mas, é preciso frisar que, no Brasil, hoje, existem 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais contra apenas 26,4 milhões de crianças de até 9 anos. É uma diferença de 10 milhões a favor dos idosos, o que reflete a virada demográfica que começou em 2020 e deve se aprofundar em 2040, quando serão 2,5 idosos para cada criança. Em 2000, as crianças eram 19,8% da população. Hoje são somente 12,3%, ou 1 em cada 8 brasileiros. Já em 18 das 27 unidades da federação há mais idosos do que crianças. O Rio Grande do Sul lidera com a maior proporção de idosos: possui 1,96 idoso por criança. Já Rondônia, a proporção é de 1,18 criança de até 9 anos para cada idoso com 60 anos ou mais (ou cerca de 85 idosos para cada 100 crianças nessa faixa etária). EM SETEMBRO BALANÇA COMERCIAL DE RONDÔNIA APRESENTA RESULTADO NEGATIVO O comércio exterior de Rondônia, em setembro, segundo o Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), fechou o mês com déficit de US$ 59,5 milhões, valor proveniente de US$ 195,7 milhões em vendas e US$ 255,2 milhões, mas, no acumulado de janeiro a setembro deste ano, o resultado permanece favorável ao Estado, com saldo positivo de US$ 560,2 milhões. O resultado de setembro decorre do aumento das importações que chegou perto de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O que também contribuiu, porém em menor proporção, foram as limitações tarifárias sobre a carne bovina na China, que atingiu o teto da cota anual, e passou a receber uma sobretaxa de 55% em cima da taxa base de 12%, totalizando a alíquota de 67%. Para contornar as restrições no país asiático, frigoríficos e produtores locais redirecionaram seus carregamentos para destinos como Chile, Estados Unidos e Canadá. A pauta de embarques permaneceu concentrada na carne bovina, responsável por 58,1% das vendas, e o milho, com 23,3%. O mercado de café também apresentou teve expansão contínua, com 7,3% da pauta mensal. O café ganhou protagonismo na balança comercial pelo forte crescimento em 2026. O volume total do grão embarcado até o momento perfaz quase o dobro de tudo o que foi exportado ao longo do ano de 2025. Nas importações, a China respondeu por 41,2% do total acumulado no ano, somando US$ 953,6 milhões, acompanhada por parceiros como Argentina e Estados Unidos. Os valores elevados de compras externas decorrem do modelo tributário de importação escritural garantido pela legislação estadual. Neste sistema, as empresas registradas em Rondônia efetuam o recolhimento de tributos no Estado, enquanto os produtos entram no país por portos de outras regiões e seguem para o destino final, sem significar consumo direto pela população local. UNIVERSIDADES EM XEQUE A atual disputa eleitoral está desnudando, de uma forma até burlesca, o que acontece nas universidades brasileiras e como essas se encontram distantes dos problemas reais do país. É fato que a tecnologia e o progresso estão obrigando a academia a mudar o que fazem. Porém, com as manifestações estudantis e os problemas que surgem internamente de incêndios e uso das instalações para politicagem, a questão que aflora se tornou mais grave. Começa-se a questionar não somente “apenas o que fazem” e sim também “os que fazem”. Há professores passando vergonha tanto pelos discursos ultrapassados como pela demonstração de falta de conhecimento demonstrando que o saber está realmente escasso nas universidades. E isto se demonstra tanto pela queda das instituições nos rankings de classificação, em relação as de outros países, como pela deterioração visível dos campus e instalações onde as pichações, a falta de manutenção e a sujeira dão uma triste demonstração de como se encontram locais que deveriam ser espelhos para a sociedade. E o mais preocupante é que esta desvalorização das universidades se visualiza quando há um declínio de uma das suas principais razões de existência, que é a realização de pesquisas. Antes o setor produtivo precisava dos recursos que as universidades possuíam, da aliança entre ensino e pesquisa, inclusive para sustentar os salários das pessoas capazes de realizar este tipo de pesquisa. Agora, tudo indica que, com a crescente perda de importância das pesquisas universitárias, as empresas apostam mais nos seus próprios recursos e de que a inteligência artificial será cada vez mais capaz de realizar grande parte das pesquisas necessárias. Por isto diminuem a procura por vagas, […]

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