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PF detecta rota do dinheiro da Rodrimar a operador de Temer

Testemunha confessou ter entregue controle de empresa de ‘prateleira’ a coronel Lima

No curso das investigações que envolvem o presidente Michel Temer e empresários do ramo portuário, a Polícia Federal (PF) colheu o depoimento de uma nova testemunha, na semana passada, que estabelece o possível caminho da propina de uma das empresas do setor até o coronel João Baptista Lima, amigo pessoal do presidente e investigado no inquérito dos portos por ser o operador financeiro de Temer.

Em depoimento no último dia 17, Gabriel de Carvalho Jacintho contou que abria empresas inativas para vendê-las a empresários brasileiros e entregou uma delas, a Eliland do Brasil, à empresa do coronel Lima, Argeplan. A PF descobriu a existência de um contrato, que teve duração de dez anos, entre a Eliland do Brasil e a Rodrimar, concessionária do porto de Santos investigada por supostamente ter pago propina a Temer para obter benefícios no governo. Os investigadores apuram se a Argeplan foi usada para captar propina e bancar despesas pessoais de Temer e seus familiares, como a reforma da casa da filha dele, Maristela.

O inquérito dos Portos investiga se Temer favoreceu a Rodrimar ou outras empresas do setor por meio de um decreto que prorrogou e aumentou o prazo de concessões do setor portuário. O Porto de Santos é um tradicional reduto de influência política do emedebista.

Jacintho afirmou à PF que seu trabalho era abrir “empresas de prateleira”, que ficavam inativas até serem adquiridas por empresários, a maioria deles brasileiros. Na avaliação dos investigadores, esse tipo de empresa é usada para operações de lavagem de dinheiro.

No depoimento, ele conta que entregou o controle da Eliland a um sócio do coronel Lima, o empresário Carlos Alberto Costa, atendendo ao pedido de um escritório de advocacia. Ele também apresentou aos investigadores dois documentos que comprovam a transferência integral da empresa diretamente para Costa. Nas buscas realizadas na Operação Skala, deflagrada no fim de março, a PF encontrou papéis da Rodrimar e do porto de Santos na casa de Costa, reforçando seu vínculo com o setor.

Jacintho saiu formalmente da constituição da Eliland no ano 2000 e indicou para administrar a empresa Almir Martins, que é contador de Costa na Argeplan e já atuou em campanhas eleitorais de Michel Temer.

Em maio, o contador admitiu à PF que a “Eliland somente possuía contrato com a empresa Rodrimar” e que não se recordava do objeto do contrato e valores envolvidos. Afirmou ainda que “tais pagamentos da Rodrigmar ocorreram até 2010”. Após as oitivas da semana passada, a PF avalia que ao menos três testemunhas confirmam a ligação direta entre a empresa de Lima e a Rodrimar, traçando assim a rota da suposta propina a Michel Temer. Os investigadores ainda analisam o material apreendido na Operação Skala e as quebras de sigilo bancário e fiscal dos investigados, dentre eles o próprio presidente.

Temer já afirmou à PF que nunca recebeu pagamentos indevidos de empresas do setor portuário e não atuou para favorecer nenhuma dessas empresas em medidas do governo. O Palácio do Planalto tem dito que o decreto dos Portos publicado no ano passado não beneficiou a Rodrimar.

Procurada nesta quinta-feira, a assessoria de Temer enviou a seguinte nota: “O presidente jamais recebeu qualquer tipo de propina da Rodrimar. O decreto dos portos não beneficiou a empresa. E foi assinado em 2017. Todos supostos pagamentos citados na investigação são de anos anteriores, quando não havia previsão de de Michel Temer vir a ser o presidente da República e assinar essa normatização do setor”. A Rodrimar também nega irregularidades.

Os advogados do coronel Lima, Cristiano Benzota, Maurício Leite e Aline Duarte afirmam em nota que ele “nega qualquer irregularidade, assim como a prática ou a participação em qualquer ato ilícito”

FONTE: O GLOBO

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