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PCC pode ter guerra interna e nova liderança após transferências

Em entrevista à BBC News Brasil, promotor Lincoln Gakiya, responsável por pedir transferência de Marcola e outros 21 membros do grupo, diz que organização está em ‘estágio pré-máfia: só ‘falta expertise em lavagem de dinheiro’.

Principal responsável por investigar a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), o promotor Lincoln Gakiya afirma que o grupo pode passar por disputa interna e novas lideranças podem emergir após a transferência da cúpula da organização para presídios federais, na semana passada.

Gakiya foi responsável por pedir à Justiça a transferência de 22 membros da organização de São Paulo para presídios federais – eles foram para detenções em Brasília, Porto Velho e Mossoró (RN). Entre os detentos removidos estão Marcos Willians Camacho, conhecido como Marcola, principal chefe da facção.

Em entrevista à BBC News Brasil, Gakiya diz que a transferência dos detentos deve ser encarada como uma oportunidade para o Estado avançar no combate à facção – para ele, o foco agora deve ser rastrear como o grupo utiliza seu dinheiro. O promotor acredita que, se a facção não for contida, e se adquirir “expertise em lavagem de dinheiro”, pode se tornar uma organização comparável a uma máfia.

Gakiya não acredita que o PCC venha a realizar algum tipo de retaliação em virtude das transferências, como ocorreu em 2006. Em maio daquele ano, centenas de presos da facção foram transferidos para o presídio de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Em poucos dias, houve uma guerra entre membros da facção e agentes de segurança – dezenas de policiais foram mortos e mais de 500 civis, assassinados.

“Não podemos descartar nada. Houve uma grande preparação para esta remoção. Mas não acredito que possa haver algo como o que aconteceu em 2006”, disse.

No Ministério Público desde 1991, Gakiya começou a investigar o PCC em 2005. No ano seguinte, passou a andar escoltado por policiais em virtude das ameaças de morte. Em dezembro do ano passado, a polícia interceptou cartas com parentes de detentos que continham um plano de execução do promotor e de outras autoridades. Ele deveria ser morto caso Marcola fosse transferido para um presídio federal, segundo as mensagens. Em janeiro, outras cartas reafirmaram o pedido da cúpula da facção para que membros nas ruas assassinassem o promotor.

“A vida social minha e da minha família hoje é bastante limitada, mas a gente precisa continuar trabalhando”, disse à BBC News Brasil.

Leia abaixo a entrevista.

BBC News Brasil – Quem são os 22 transferidos, além do Marcola, e qual a consequência dessas transferências para o PCC?

Gakiya – Foram transferidos Marcola e outros membros da cúpula da organização. São pessoas da sintonia final geral (primeiro escalão do PPC) e do segundo escalão.

Para nós, que combatemos essa facção, essa remoção representa um avanço, porque nunca havíamos conseguido transferir várias lideranças ao mesmo tempo, em regime de RDD (Regime Disciplinar Diferenciado, quando o preso fica separado dos demais, dos meios de comunicação e só tem direito a duas horas diárias de banho de sol).

Eles ainda são os líderes, mas estão isolados. O objetivo é tentar cortar ligações desses líderes com seus comandados, que estão em outras prisões e em liberdade. A intenção é provocar um abalo na estrutura do PCC.

BBC News Brasil – Sabemos que, quando acontece uma prisão, as facções se adaptam muito rapidamente, criminosos se substituem. Como está a situação do PCC após as remoções? A organização está sem comando?

Gakiya – Já havia comandos na rua, criminosos em liberdade, egressos. Isso permanece. Mas a sintonia final geral, que é como se fosse o conselho deliberativo da organização, ficava na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Eles foram removidos todos de uma só vez. Isso causou momentaneamente uma ausência (da cúpula da organização). Eles continuam sendo integrantes da cúpula, mas estão isolados.

Em paralelo, houve uma série de remoções de presos para outras prisões do Estado para dificultar a reacomodação, essa substituição de peças. O setor de inteligência já havia investigado e detectado quem seriam as pessoas que ficariam no lugar da sintonia caso ela fosse removida, e eles foram todos removidos juntos, de uma vez só.

Não é que estejam sem liderança, mas a liderança que ficou no sistema possivelmente aguarda ordens que podem vir desses líderes no sistema federal.

BBC News Brasil – Há rumores de que o Marcola já encontra certa resistência dentro do PCC, principalmente depois da morte do Gegê do Mangue e do Paca (membros do PCC assassinados em fevereiro de 2018). Essas transferências podem contribuir na contestação da liderança do Marcola?

Gakiya – Essas situações agora serão melhor avaliadas. O que ocorreu no ano passado foi o assassinato de dois líderes supostamente a mando de um criminoso ligado ao Marcola.

Chegou até nós a informação de que criminosos em liberdade não aceitaram bem esses assassinatos.

No entanto, não tiveram força para confrontar o Marcola. Agora, com esse isolamento não só dele, mas de todos os parceiros dele de confiança, que estão ao lado dele desde 2003 na liderança do PCC, é bem provável que surja alguma disputa interna pelo poder.

Ou que haja indivíduos que não concordem com os posicionamentos que o Marcola tomou.

BBC News Brasil – Em 2006, houve ataques depois de transferências de líderes. Dessa vez, por ora, não houve retaliação. O sr. acha que é possível que aconteça?

Gakiya – Não podemos descartar nada. Houve uma grande preparação para esta remoção. O governo está preparado e o serviço de inteligência também. Temos atuado de forma muito eficiente. Primeiro, atuamos para prevenir o resgate (havia a suspeita de um plano para resgatar Marcola da prisão).

Descobrimos planos de assassinato de agentes do Estado – o meu, inclusive -, justamente para tentar forçar o Estado a recuar e não transferir presos para o sistema federal.

Mas não acredito que possa haver algo como o que aconteceu em 2006. Ali, houve um descompasso entre a transferência dos presos e as medidas que poderiam ser tomadas para evitar qualquer retaliação de bandidos que ficaram no sistema e dos que estavam em liberdade.

O Estado não contou com a reação deles, foi pego de surpresa. Agora a situação é diferente, há uma preparação, a polícia está presente nas ruas, o sistema penitenciário está bem cuidado – inclusive já houve visitas este final de semana. Não acredito que possam ocorrer episódios como os de 2006, mas a polícia permanece de sobreaviso.

BBC News Brasil – Fala-se muito sobre a existência de um suposto pacto de não-agressão do PCC com o governo de São Paulo. O senhor acredita nisso?

Gakiya – Ouço falar muito disso. Desconheço qualquer tipo de acordo e sou absolutamente contrário a isso. Quando o governo de São Paulo demorou para fazer a transferência dos criminosos para o sistema federal no ano passado, eu mesmo pedi. Penso que o Estado não pode retroceder por medo de retaliação do crime. 2006 foi um episódio negro da história do Estado, mas não pode impedir o Estado de tomar atitudes.

O que acontece é que eles (os presos) ameaçam. Fazem isso justamente para ver se o Estado recua. Já houve casos em que o Estado (que não São Paulo) teve que recuar quando tentou instalar bloqueadores de sinal de celular, por exemplo. Nesses casos, não é um acordo formal, mas tácito. No caso de São Paulo, isso não aconteceu.

BBC News Brasil – Hoje, o PCC é uma facção presente em vários Estados, e também fora do país. Se nada for feito, até onde o senhor acha ela pode chegar?

Gakiya – Se não houver um combate eficiente, não só por parte dos Estados, mas do governo federal, e um combate integrado, o PCC pode se tornar uma organização mafiosa.

Hoje, ela está num estágio de pré-máfia. Se se tornar uma organização com lavagem de dinheiro eficiente, com uso de doleiros e de outros negócios para desviar o foco da droga, vai se transformar um problema muito maior.

Senão vamos viver uma situação parecida com a da Colômbia, na época do Pablo Escobar, ou com a que está vivendo o México, com o El Chapo. Essa reação só vai ser eficiente se for integrada. Temos que ter medidas para fazer integração nacional e com outros países.

BBC News Brasil – O que falta para o PCC ser uma máfia?

Gakiya – Falta expertise na lavagem de dinheiro. Há indícios de que o PCC manda dinheiro para fora do país, cometendo evasão de divisas, mas ainda precisamos seguir esse dinheiro para entender se está virando bens em outros países, caracterizando lavagem de dinheiro.

Aqui no Brasil há lavagem de dinheiro por parte dos líderes. Provavelmente, haverá um trabalho em cima disso. Eles lavam dinheiro com empresas de ônibus, garagens, postos de gasolina, negócios que facilitam esse tipo de lavagem. Mas o PCC, como organização, ainda não tem (um esquema desses). O dinheiro está sendo mandado para fora do Brasil e às vezes até mesmo enterrado aqui mesmo.

BBC News Brasil – Qual a perspectiva desse combate integrado?

Gakiya – Mudar o foco. Já houve uma fase de conhecimento da organização. Eles têm uma facilidade de substituição de peças, mas a engrenagem é a mesma, e a gente já sabe como funciona. Mas precisamos mudar a forma de atuar. Não basta essa atuação de enxugar gelo no Estado de São Paulo.

A gente não consegue atacar a base financeira, porque esse dinheiro não circula no mercado formal – não está em nome de laranjas, não está em empresas. O dinheiro é enviado para o Paraguai, para a Bolívia? Vamos precisar atuar em conjunto para seguir o caminho do dinheiro até onde ele vai se transformar na compra de um material – em geral, cocaína e maconha.

BBC News Brasil – O senhor acha que está enxugando gelo?

Gakiya – O trabalho que fazemos é importante. Quando o PCC preenche os quadros, nós precisamos investigar e tirar esses integrantes de circulação. Talvez essa nova remoção seja o início de uma nova era. Não vai se cortar em 100% a comunicação dessas lideranças porque isso ainda é impossível no Brasil.

O Estado precisa aproveitar esse momento para iniciar uma nova fase de combate, atacar as bases financeiras, juntamente com o governo federal e outros Estados.

BBC News Brasil – Muitos especialistas em segurança pública dizem que o aumento da população carcerária ajuda o PCC, oferecendo mão de obra para a facção. O senhor concorda?

Gakiya – Sempre digo que a primeira coisa que explica o crescimento da facção é a ausência do Estado. Onde o Estado está ausente, seja em superlotação de presídio, seja nessas comunidades mais pobres, a facção encontra terreno fértil.

Na questão carcerária, é preciso atacar em várias frentes. Precisamos pensar na criação de vagas ou na diminuição da massa carcerária. Acho que principalmente é preciso fazer com que ser parte de organização criminosa não seja vantajoso para o preso. Principalmente líderes. Por exemplo, no caso desses 22 transferidos, eles vão perder contato com suas bases, com suas famílias, e serão mandados para outras regiões.

Nosso plano aqui no Estado é propor a construção de uma nova penitenciária de segurança máxima só para abrigar integrantes de organização criminosa que tenham alguma função. Aí a gente retira esse pessoal que faz essa cooptação de jovens e de pessoas que ingressam no sistema pela primeira vez e os mandamos para uma penitenciária com mais rigor.

BBC News Brasil – Em que pé está a guerra do PCC com o Comando Vermelho?

Gakiya – A guerra continua nos Estados. Ela deu uma arrefecida, talvez até em função desses rumores de transferências das lideranças. Mas guerra foi ruim para todas as facções, elas perderam integrantes, morreu muita gente nas prisões. Isso é algo que ainda não foi resolvido.

BBC News Brasil – O senhor sabe se existe negociação do PCC com outras facções criminosas do Rio, rivais do Comando Vermelho, como Amigos dos Amigos ou Terceiro Comando Puro?

Gakiya – Há tempos, o PCC era aliado do Comando Vermelho. Fizeram negócios, como compra de drogas e armas. Depois, houve o rompimento, a guerra.

O PCC teria se aproximado do Nem da Rocinha por meio de lideranças que estavam no sistema federal. O Nem era da ADA (Amigos dos Amigos), no Rio. O PCC teria fornecido armamento para o Nem confrontar um rival.

Agora, o Nem da Rocinha passou para o Terceiro Comando Puro (TCP). Então, o PCC agora é aliado do TCP. Essas coisas são muito dinâmicas, quem trabalha nessa área precisa ficar atento a essas mudanças. Pois elas podem causar mortes dentro do sistema penitenciário se você não separar os presos. E também guerra nas ruas.

BBC News Brasil – Que tipo de presença o PCC tem no Rio?

Gakiya – O PCC está presente no Rio, mas ainda de forma tímida. Tem vários integrantes do PCC que negociam drogas, armamento para o TCP. O que eles estão proibidos de fazer são negócios com integrantes do Comando Vermelho. Os negócios do PCC basicamente estão na favela da Rocinha, que é comandada pelo TCP.

BBC News Brasil – O senhor entrou para o MP em 1991 e investiga o PCC desde 2005. Como começou esse trabalho?

Gakiya – Sou bastante curioso. Quando comecei a investigar o PCC, já tinha problemas de ameaças. No começo, queria saber quem poderia autorizar um atentado contra um promotor. Acabei subindo na investigação até a cúpula da organização.

O que nos diferencia, nessa investigação que eu coordeno, é que a gente não para. Trabalhamos todos os dias desde 2005. Já estamos em 2019, e é como se fosse uma novela. Um seriado do Narcos da Netflix com vários capítulos e temporadas.

BBC News Brasil – Como reagiu a ter que andar com escolta?

Gakiya – Quando a nossa família percebe isso, é uma reação de tristeza sobre a que ponto chegou nosso país. A gente fica com a liberdade restrita por simplesmente fazer o que a gente deve fazer, o trabalho do dia a dia.

Nossa vida social hoje é bastante limitada em virtude dessa situação, mas a gente tem de continuar trabalhando. Como eu falei, foi só a primeira fase. A gente pretende levar em frente a investigação.

BBC News Brasil – Quando o senhor se aposentar do MP, que ponto o senhor gostaria de ter atingido nessa investigação?

Gakiya – É difícil dizer. Já existe uma base de informações sobre o funcionamento da organização. Apostamos que essas transferências vão ter um resultado favorável, pode ter uma disputa interna e talvez surja até uma nova liderança.

O que quero deixar é um caminho pavimentado para promotores mais jovens, que tenham o perfil adequado e que saibam o que vão enfrentar nessa investigação, que possam fazer um trabalho talvez mais qualificado e competente que o meu.

FONTE: BBC BRASIL

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

CHARGE – CARTUNISTA

COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. 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Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • TEIA DIGITAL: Em Setembro, Balança Comercial em Rondônia apresenta resultado negativo – Por Silvio Persivo

    E querem nos dizer o que devemos fazer sem considerar nossos interesses. “Eles não aprenderam nada e não esqueceram nada” (Charles Maurice de Talleyrand-Périgord). 3ª EXPOTURISMO ENCERRA COM IMENSO SUCESSO Realizada com muito sucesso, de público e de movimentação financeira, a 3ª Expo Turismo Rondônia 2026, que, este ano, foi no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, brilhou pela diversidade dos estandes. A feira reuniu empreendedores, especialistas, representantes de municípios e profissionais do setor. Estiveram presentes mais de 10 mil visitantes ao longo dos três dias para visitar 85 estandes, especialistas e empreendedores do setor. O evento ampliou a visibilidade dos negócios, estimulou parcerias e incluiu palestras, workshops, aulas-show, debates, oficinas, talk shows e capacitações, além da exposição de produtos, serviços e experiências turísticas. Também a pesca esportiva foi o grande destaque com a presença de Nelson Nakamura e os filhos Renan e Vitor Nakamura, referências na pesca esportiva. Nelson Nakamura e os filhos participam da Expo pela terceira vez, com presença em workshops e atividades voltadas ao segmento, ao lado de outros especialistas do setor. O evento foi realizado pel0 governo de Rondônia por meio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio-RO) e o apoio da Prefeitura Municipal de Porto Velho.  O governador Marcos Rocha destacou sobre o evento a importância de valorizar os atrativos regionais e criar oportunidades para empreendedores e municípios por meio do turismo. AS CRIANÇAS AINDA SÃO MAIORIA EM RONDÔNIA O Dia das Crianças foi muito comemorado em Rondônia, mas, é preciso frisar que, no Brasil, hoje, existem 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais contra apenas 26,4 milhões de crianças de até 9 anos. É uma diferença de 10 milhões a favor dos idosos, o que reflete a virada demográfica que começou em 2020 e deve se aprofundar em 2040, quando serão 2,5 idosos para cada criança. Em 2000, as crianças eram 19,8% da população. Hoje são somente 12,3%, ou 1 em cada 8 brasileiros. Já em 18 das 27 unidades da federação há mais idosos do que crianças. O Rio Grande do Sul lidera com a maior proporção de idosos: possui 1,96 idoso por criança. Já Rondônia, a proporção é de 1,18 criança de até 9 anos para cada idoso com 60 anos ou mais (ou cerca de 85 idosos para cada 100 crianças nessa faixa etária). EM SETEMBRO BALANÇA COMERCIAL DE RONDÔNIA APRESENTA RESULTADO NEGATIVO O comércio exterior de Rondônia, em setembro, segundo o Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), fechou o mês com déficit de US$ 59,5 milhões, valor proveniente de US$ 195,7 milhões em vendas e US$ 255,2 milhões, mas, no acumulado de janeiro a setembro deste ano, o resultado permanece favorável ao Estado, com saldo positivo de US$ 560,2 milhões. O resultado de setembro decorre do aumento das importações que chegou perto de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O que também contribuiu, porém em menor proporção, foram as limitações tarifárias sobre a carne bovina na China, que atingiu o teto da cota anual, e passou a receber uma sobretaxa de 55% em cima da taxa base de 12%, totalizando a alíquota de 67%. Para contornar as restrições no país asiático, frigoríficos e produtores locais redirecionaram seus carregamentos para destinos como Chile, Estados Unidos e Canadá. A pauta de embarques permaneceu concentrada na carne bovina, responsável por 58,1% das vendas, e o milho, com 23,3%. O mercado de café também apresentou teve expansão contínua, com 7,3% da pauta mensal. O café ganhou protagonismo na balança comercial pelo forte crescimento em 2026. O volume total do grão embarcado até o momento perfaz quase o dobro de tudo o que foi exportado ao longo do ano de 2025. Nas importações, a China respondeu por 41,2% do total acumulado no ano, somando US$ 953,6 milhões, acompanhada por parceiros como Argentina e Estados Unidos. Os valores elevados de compras externas decorrem do modelo tributário de importação escritural garantido pela legislação estadual. Neste sistema, as empresas registradas em Rondônia efetuam o recolhimento de tributos no Estado, enquanto os produtos entram no país por portos de outras regiões e seguem para o destino final, sem significar consumo direto pela população local. UNIVERSIDADES EM XEQUE A atual disputa eleitoral está desnudando, de uma forma até burlesca, o que acontece nas universidades brasileiras e como essas se encontram distantes dos problemas reais do país. É fato que a tecnologia e o progresso estão obrigando a academia a mudar o que fazem. Porém, com as manifestações estudantis e os problemas que surgem internamente de incêndios e uso das instalações para politicagem, a questão que aflora se tornou mais grave. Começa-se a questionar não somente “apenas o que fazem” e sim também “os que fazem”. Há professores passando vergonha tanto pelos discursos ultrapassados como pela demonstração de falta de conhecimento demonstrando que o saber está realmente escasso nas universidades. E isto se demonstra tanto pela queda das instituições nos rankings de classificação, em relação as de outros países, como pela deterioração visível dos campus e instalações onde as pichações, a falta de manutenção e a sujeira dão uma triste demonstração de como se encontram locais que deveriam ser espelhos para a sociedade. E o mais preocupante é que esta desvalorização das universidades se visualiza quando há um declínio de uma das suas principais razões de existência, que é a realização de pesquisas. Antes o setor produtivo precisava dos recursos que as universidades possuíam, da aliança entre ensino e pesquisa, inclusive para sustentar os salários das pessoas capazes de realizar este tipo de pesquisa. Agora, tudo indica que, com a crescente perda de importância das pesquisas universitárias, as empresas apostam mais nos seus próprios recursos e de que a inteligência artificial será cada vez mais capaz de realizar grande parte das pesquisas necessárias. Por isto diminuem a procura por vagas, […]

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