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Orçamento da ciência tem novo corte, de R$ 477 milhões

Ministério da Ciência e Tecnologia vai se reunir nesta terça-feira (6) para discutir consequências do contingenciamento.

O Orçamento nacional de Ciência e Tecnologia, que já começou o ano 25% menor do que em 2017, deverá encolher mais 10%, por causa do bloqueio de R$ 16 bilhões do Orçamento federal, anunciado pelo governo na semana passada.

As consequências serão “catastróficas para toda a estrutura de pesquisa no País”, na avaliação de entidades científicas.

“A possibilidade de recuperação econômica do País fica ainda mais comprometida e a qualidade de vida da população brasileira, em particular na saúde pública, será certamente prejudicada”, diz uma carta enviada ao presidente Michel Temer na sexta-feira, antes mesmo do contingenciamento ser confirmado.

O documento é assinado pela SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e outras cinco entidades.

O orçamento do MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) disponível para investimento em bolsas e pesquisas será reduzido de R$ 4,5 bilhões para R$ 4 bilhões, aproximadamente, de acordo com cálculos da própria pasta.

O valor exato do contingenciamento é de R$ 477 milhões. Outras áreas do governo federal também têm sofrido com restrição de verbas.

“Estamos conversando com o MCTIC para ver saídas, mas a situação é muito preocupante. Corte de 10% é intolerável”, diz o diretor do LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica), Augusto Gadelha.

“O sistema está tão fragilizado que vai quebrar todo mundo”, afirma o diretor do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas), Ronald Shellard. O orçamento inicial, sem contingenciamento, já era considerado uma “tragédia anunciada” pela comunidade científica. Considerando a inflação, ele representa menos da metade do que o ministério dispunha para investimento cinco anos atrás.

“É alto o risco de laboratórios de pesquisa serem fechados, pesquisadores deixarem o País e jovens estudantes abandonarem a carreira científica”, destaca um manifesto assinado por dezenas de organizações. “Enquanto outros países apostam na ciência e tecnologia como um setor prioritário, aqui ele é visto como qualquer outro”, critica o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich.

O Ministério da Ciência e Tecnologia informou que vai se reunir nesta terça-feira (6) para discutir as consequências do contingenciamento.

FONTE: ESTADÃO CONTEUDO

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