Atualidades

Noruega paralisa repasses para o Fundo Amazônia

Ministro do Clima e Meio Ambiente anuncia suspensão de R$ 130 milhões para o Brasil

O ministro do Clima e Meio Ambiente da Noruega , Ola Elvestuen, anunciou nesta quinta-feira a suspensão dos repasses de 300 milhões de coroas norueguesas, o equivalente a R$ 133 milhões, que seriam destinados ao Fundo Amazônia .

Segundo o jornal norueguês “Dagens Næringsliv” (DV), especializado em negócios, o governo local estaria insatisfeito com a nova configuração dos comitês do Fundo , que está sendo discutida em Brasília. A Noruega e a Alemanha já se declararam contrárias às mudanças .

Criado em 2008, o Fundo Amazônia recebeu, até hoje, R$ 3,4 bilhões em doações, sendo que 94% da quantia (R$ 3,19 bilhões) veio da Noruega. O volume de repasses é condicionado ao índice de desmatamento—- quanto maior for seu avanço, menores são as verbas obtidas.

— O Brasil rompeu o acordo com a Noruega e a Alemanha desde o fechamento da diretoria do Fundo Amazônia e do Comitê Técnico. Eles não podem fazer isso sem acordo com a Noruega e a Alemanha — disse Elvestuen ao DV.

O ministro indicou que, nos últimos meses, os índices de devastação da Amazônia se multiplicaram em relação ao mesmo período do ano anterior. De acordo com ele, isso mostraria que o governo brasileiro “não quer mais parar” o desmatamento.

A comunidade científica, segundo Elvestuen, está preocupada que o desmatamento leve o bioma a um “ponto de inflexão” — a devastação seria tamanha que afetaria a formação de chuvas, provocando a destruição de toda a floresta.

— Isso é muito sério para toda a luta pelo clima. A Amazônia é o pulmão do mundo e todos nós dependemos inteiramente da proteção da floresta tropical. Não há cenários para atingir as metas climáticas sem a Amazônia — alertou Elvestuen.

O Comitê Orientador do Fundo Amazônia (Cofa), cuja atribuição era determinar diretrizes e acompanhar os resultados obtidos pelos projetos, foi extinto em junho. Nenhuma reunião foi realizada este ano — normalmente, há pelo menos duas.

Entre os programas afetados pela revogação do Cofa está o Projeto Frutificar. Aprovada em agosto de 2018, a iniciativa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) tinha previsão de ser iniciada neste ano.

A duração prevista do Frutificar é de três anos, com orçamento total de R$ 29 milhões. O programa estimularia a produção de açaí e cacau por mil famílias no Amapá e no Pará.

— É um projeto voltado para comunidades agrícolas de pequeno porte, e que indiretamente contribuiria para a redução do desmatamento — destaca Paulo Moutinho, pesquisador do Ipam. — Quando o governo federal pediu mudanças na operação do Fundo, o programa, que já estava pronto, ficou parado no BNDES. Agora, sem os recursos da Noruega, não sabemos o que vai acontecer com ele.

Adriana Ramos, sócia do Instituto Socioambiental, considera que o corte de doações da Noruega já era previsível:

— A existência do Cofa era uma exigência contratual da Noruega para manter o seu apoio ao Fundo Amazônia. — ressalta. — O comitê foi extinto sem a apresentação de qualquer proposta para substitui-lo. Sua estrutura era importante porque permitia que diversos setores do governo e da sociedade acompanhassem os trabalhos: ministérios, secretarias estaduais, representantes de empresários, cientistas e da sociedade civil.

Para Adriana, a Noruega continuará investindo em programas ambientais da Amazônia, mas sem firmar contratos com o governo federal.

Em nota, a ONG norueguesa Fundação Rainforest reivindica que a iniciativa privada pressione o governo brasileiro a montar uma política ambiental “responsável e previsível”:

“A Noruega compra grandes quantidades de soja para agricultura e piscicultura”, ressalta o comunicado. “Deve ser claramente dito ao governo brasileiro que uma boa cooperação comercial exige que as autoridades cumpram com acordos e obrigações internacionais”.

Na semana passada, em audiência na Câmara dos Deputados, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, criticou uma suposta “contradição” do governo norueguês , que “fomenta recursos para ONGs” na Amazônia ao mesmo tempo que explora petróleo no Círculo Polar Ártico.

De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, 11% das emissões anuais de gases estufa são provocadas pelo desmatamento de florestas tropicais.

Mudança de rumo

Desde o início do governo Bolsonaro, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, critica a destinação dos recursos do Fundo Amazônia e as supostas “inconsistências” de sua gestão pelo BNDES.

Para Salles, o fundo teria se transformado num mecanismo de mera distribuição de verbas, sem dispositivos de avaliação dos resultados, o que colocaria em risco os objetivos estabelecidos para a sua própria constituição.

O banco de desenvolvimento afastou a chefe do Departamento de Meio Ambiente , Daniela Baccas, responsável pela administração das doações do Fundo Amazônia. No entanto, a Controladoria-Geral da União e os governos da Alemanha e da Noruega não corroboraram as suas críticas de Salles. A gestão Fundo também foi elogiada em uma auditoria realizada no ano passado pelo Tribunal de Contas da União

O GLOBO entrou em contato com o Ministério do Meio Ambiente brasileiro e com a Embaixada da Noruega, mas ainda não obteve resposta. O Palácio do Planalto afirmou que não comentará os cortes.

A Alemanha já havia anunciado o corte de repasses ao Brasil , mas restritos a projetos de preservação da floresta que não estavam ligados ao Fundo Amazônia. O governo brasileiro reagiu afirmando não precisar do dinheiro do país europeu .

FONTE: O GLOBO

FRNEWS TV: Intercâmbio técnico fortalece parceria entre SENAR Rondônia e SENAR Mato Grosso

CLIQUE NA IMAGEM ABAIXO E ACESSE NOSSO APLICATIVO NA NUVEM

COLUNISTAS

PUBLICIDADE

Acesse nossa Página do Facebook

RESENHA POLITICA

TEIA DIGITAL

  • Coluna Teia Digita: Micro e Pequenas empresas exige mudanças para enfrentar 2027 – Por Silvio Persivo

    Que nem promessa de político depois das eleições. “Estou tentando escrever uma autobiografia. Mas, não me lembro nem de ontem” (Keith Richard). BANCOS DE RONDÔNIA SUSPENDERAM ATENDIMENTO PRESENCIAL NA QUINTA-FEIRA Os bancários de Rondônia, que reivindicam reajuste salarial, mudanças nos benefícios, entre eles o vale-alimentação, e manutenção dos postos de trabalho, deixaram as agências bancárias […]