Brasil

Ministério da Saúde cria centro de operações de emergência para combate à dengue

A medida visa organizar e acelerar ações de vigilância e resposta às arboviroses

Diante do aumento de casos de dengue em 2024, o Ministério da Saúde anunciou, nesta quinta-feira (9), a criação do Centro de Operações de Emergência (COE) para dengue e outras arboviroses. A iniciativa, apresentada pela ministra Nísia Trindade, busca fortalecer e agilizar as estratégias de vigilância em colaboração com estados e municípios ao longo de 2025.

O COE, coordenado em parceria com estados e municípios, está alinhado ao novo Plano de Contingência Nacional para dengue, chikungunya e zika. A medida visa organizar e acelerar as ações de vigilância e resposta às arboviroses.

“Em 2024, houve um aumento significativo nos casos de dengue. Esse crescimento não se deve apenas à mudança climática, mas também à circulação de novos sorotipos. No entanto, o principal fator foi o regime de chuvas associado ao aquecimento global”, declarou a ministra Nísia Trindade.

Desde 2023, o Ministério da Saúde mantém um monitoramento constante do cenário epidemiológico e coordena ações de controle em todo o país. Com o COE, será possível realizar análises detalhadas e rápidas, facilitando a tomada de decisões e a implementação de medidas eficazes para conter o avanço da doença.

“Para se ter uma ideia, países como o Uruguai, que nunca haviam registrado casos de neve, passaram a enfrentá-los. Em 2024, o Ministério da Saúde do Uruguai enviou uma missão ao Brasil para trocar experiências e buscar orientações, destacando a importância do cuidado em regiões frias”, acrescentou a ministra.

Aumento do sorotipo 3

Durante o anúncio do COE, foi destacada a preocupação com o aumento da circulação do sorotipo 3 da dengue nas últimas semanas de 2024, especialmente nos estados do Amapá, São Paulo e Minas Gerais. Esse sorotipo não tinha incidência relevante no Brasil desde 2008. Atualmente, o sorotipo 1 é o predominante (73,4%), seguido pelo tipo 2 (25,9%). A presença do tipo 3 pode elevar os casos, já que grande parte da população não possui imunidade contra ele.

“O Ministério da Saúde tem monitorado de perto o cenário epidemiológico e investido em ações de prevenção, capacitação e controle de vetores. Já os estados e municípios, responsáveis pela rede assistencial, precisam se preparar para esse período de aumento de casos”, destacou a secretaria Ethel Maciel.

Ethel também lembrou que a vacina contra a dengue oferece proteção para os quatro sorotipos da doença e reforçou a importância de que o público-alvo complete o esquema vacinal com as duas doses do imunizante.

Casos de dengue em 2024

Dados do Painel de Monitoramento de Arboviroses revelam que, em 2024, o Brasil registrou 6.484.890 casos prováveis de dengue e 5.972 mortes pela doença. Além disso, 908 óbitos estão sob investigação. O coeficiente de incidência foi de 3.193,5 casos para cada 100 mil habitantes.

A maior parte dos casos prováveis (55%) ocorreu entre mulheres. Quanto ao recorte de raça/cor, 42% foram registrados entre brancos, 34,4% entre pardos, 5,1% entre pretos, 0,9% entre amarelos e 0,2% entre indígenas, enquanto 17,3% dos registros não especificaram essa informação. A faixa etária de 20 a 29 anos concentrou o maior número de casos, seguida pelas de 30 a 39 anos e 40 a 49 anos.

São Paulo lidera em número absoluto de casos prováveis (2.182.875), seguido por Minas Gerais (1.695.024) e Paraná (656.286). No entanto, o Distrito Federal apresenta o maior coeficiente de incidência, com 9.907,5 casos para cada 100 mil habitantes, seguido por Minas Gerais (8.252,8) e Paraná (5.735,2).

O aumento dos casos no Distrito Federal foi particularmente alarmante, com uma alta de 584% em 2024 em comparação a 2023. O número de casos prováveis saltou de 40.784 para 279.102, enquanto as mortes subiram de 14 para 440.

FONTE: JOVEM PAN NEWS

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