Brasil

Medo de não receber o Auxílio Brasil provoca correria a postos

Desinformação é a maior marca do Auxílio Brasil; programa começará a ser pago nesta quarta

O Auxílio Brasil, programa de transferência de renda que vai ficar no lugar do extinto Bolsa Família, está previsto para entrar em vigor na quarta-feira, o que tem levado milhares de brasileiros aos serviços sociais dos municípios em busca de informações. O EXTRA percorreu Centros de Referência e Assistência Social (CRAS) na capital fluminense e foi ver de perto o drama das pessoas que lutam para obter alguma resposta porque ainda não entenderam se terão ou não direito ao novo benefício.

As principais dúvidas apontadas foram: quem recebia o Bolsa Família precisa fazer uma nova inscrição no CadÚnico (para programas sociais do governo federal)? Se a pessoa não está inscrita, pode receber o pagamento? O cadastro já foi feito, mas até hoje o cidadão continua na fila de espera. Neste caso, como proceder?

Segundo o Ministério da Cidadania, o Auxílio Brasil vai contemplar automaticamente as 14,6 milhões de famílias já cadastradas no antigo programa e, mais à frente, outras 2,6 milhões; por isso, não há necessidade de recadastramento. O programa, informa a pasta, alcançará mais de 50 milhões de brasileiros, ou um quarto da população. O ministério, porém, não informou se vai abrir novas inscrições para atingir os não cadastrados.

A auxiliar de serviços gerais Fátima Gomes, de 49 anos, moradora de Bento Ribeiro, na Zona Norte, estava com a filha Luciana, de 23, e a neta Marina, de 8 meses, na fila do CRAS José Carlos Campos, em Rocha Miranda, esperando para fazer inscrição no CadÚnico.

— Na minha casa, somos cinco pessoas. Somente eu trabalho e ganho um salário mínimo (R$ 1.100) por mês. Só de supermercado gasto R$ 600, sem comprar carne. Troquei por frango, que também está muito caro, e por ovo — conta Fátima, que ainda paga R$ 250 de energia elétrica e cujo marido, Carlos José, de 52 anos, está há quase três anos sem emprego.

Na sexta-feira o Ministério da Cidadania divulgou mais informações sobre o programa: o saque poderá ser feito com o cartão do extinto Bolsa Família até que um novo seja criado e haverá consulta sobre a concessão via aplicativo da Caixa.

Noite ao relento

O desespero e a incerteza levaram duas jovens mães solteiras a enfrentarem a noite e o frio na porta do CRAS Professora Helenice Nunes Jacintho, em Paciência, na Zona Oeste: Sulamita de Souza, de 19 anos, moradora da região, pernoitou na fila com a filha Ana Laura de apenas 1 ano e 3 meses.

— Cheguei às 22h de ontem (quarta-feira) e dormi com minha filha no colo na fila para conseguir atendimento.

Sulamita: madrugada na fila com bebê no colo
Sulamita: madrugada na fila com bebê no colo Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo

Joyce Gonçalves, de 28 anos, de Paciência, também passou a noite na fila com a bebê Cecília, de 2 anos, mas teve o atendimento remarcado para 23 de novembro:

— Recebi o auxílio emergencial e agora, com o fim do programa, não sei como será.

Mãe de quatro filhos — de 15, 12, 11 e 9 anos de idade — Fabiana Reis, 34, de Honório Gurgel, na Zona Norte, esperava na fila para atualizar as informações do CadÚnico.

Ela conta que chegou a receber o Auxílio Emergencial e que o dinheiro ajudou muito no sustento da família e com o fim do programa ficou com medo de não ter o que dar de comer aos filhos.

— Vim atualizar meu cadastro para não correr o risco de não ter o auxílio travado — lamenta.

Fabiana Reis, 34, de Honório Gurgel, na Zona Norte: esper para atualizar cadastro
Fabiana Reis, 34, de Honório Gurgel, na Zona Norte: esper para atualizar cadastro Foto: Martha Imenes / Agência O Globo

Somente no ano que vem

Todas as pessoas que conversaram com o EXTRA disseram esperar receber o benefício de R$ 400 anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro já em dezembro.

No entanto, a suspensão de novos beneficiários no programa, que estará em vigor pelo menos até fevereiro, e com a falta de recursos para bancar o programa, é provável que o “quatrocentão” fique para o ano que vem. Os recursos oriundos da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Precatórios ainda são uma incógnita.

Por enquanto o que está valendo é o reajuste no Bolsa Família (17,84%) que fará com que a média de pagamentos fique em R$ 217,18.

Confira o valor de alguns benefícios

Benefício Primeira Infância: Para famílias com crianças de até 36 meses incompletos de idade, pago por integrante que se enquadre nessa condição – R$ 130.

Benefício Composição Familiar: Para famílias com gestantes ou pessoas com três a 21 anos de idade, pago por integrante nessa condição – R$ 65.

Benefício de Superação da Extrema Pobreza: Pago por família, para aquelas que não tiverem superado a linha da extrema pobreza após o pagamento dos dois primeiros benefícios (Primeira Infância e Composição Familiar) – Valor variável, será o suficiente para que a renda familiar fique acima da linha de extrema pobreza.

Auxílio Esporte Escolar: Para estudantes com idade entre 12 anos completos e 17 anos incompletos que se destacarem em competições oficiais do sistema de jogos escolares – R$ 1.000 em parcela única ou 12 parcelas de R$ 100.

Bolsa de Iniciação Científica Júnior: Destinado a alunos que se destacarem em competições acadêmicas e científicas vinculadas a temas da educação básica – R$ 1.000 em parcela única ou 12 parcelas de R$ 100.

Auxílio Criança Cidadã: Destinado ao acesso de criança, em tempo integral ou parcial, a creches, regulamentadas ou autorizadas, que ofertem educação infantil – R$ 200 para criança matriculada em período parcial ou R$ 300 para criança matriculada em período integral.

Auxílio Inclusão Produtiva Rural: Incentivo à “produção, doação e consumo de alimentos saudáveis pelos agricultores familiares para consumo de famílias”. Só serão elegíveis ao benefício famílias que moram em municípios que firmarem termo de adesão com o Ministério da Cidadania – R$ 200.

Auxílio Inclusão Produtiva Urbana: Destinado a cidadãos já beneficiários e que conseguirem vínculo de emprego – R$ 200.

FONTE: EXTRA

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

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COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: BRASIL É O 8º MERCADO DE MÚSICA GRAVADA DO MUNDO – Por Silvio Persivo

    Com um faturamento de R$ 3,958 bilhões, crescimento de 14,1%, segundo a Pró-Música Brasil, o Brasil se tornou o 8º maior mercado de música gravada do mundo em 2025. Do total do faturamento cerca de R$ 3,4 bilhões vieram do streaming, que aparece como principal motor das receitas do setor.  Neste cenário, a Associação Brasileira da Música Independente (ABMI) amplia sua agenda de conexões comerciais por meio do BMK (Brazil Music Market), um projeto voltado à aproximação de artistas, selos e empresas com profissionais e oportunidades da indústria musical. Em outubro, são previstas ações no Formemus, no Espírito Santo, e, em novembro, na Semana Internacional de Música de São Paulo (SIM São Paulo). Para Talita Cordeiro, diretora-geral da ABMI, o avanço do mercado brasileiro precisa se traduzir em oportunidades concretas para as empresas independentes. A discussão envolve o acesso a novos mercados, a construção de parcerias comerciais e a capacidade de transformar a circulação internacional da música brasileira em negócios sustentáveis. FONTE: COLUNA TEIA DIGITAL –  POR SILVIO PERSIVO

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