Mundo

Maior porta-aviões do mundo chega à América do Sul em meio a tensões com a Venezuela

USS Gerald R. Ford entra em zona de operação dos EUA no Caribe; deslocamento é visto como movimento estratégico de Washington na região

O porta-aviões USS Gerald R. Ford dos Estados Unidos, considerado o maior e mais moderno do mundo, entrou nesta terça-feira (11) na área de responsabilidade do Comando Sul dos EUA (USSOUTHCOM), que abrange a América Central, América do Sul e o Caribe.

De acordo com a Marinha americana, o deslocamento cumpre ordem do secretário de Guerra, Pete Hegseth, para “desmantelar organizações criminosas transnacionais e combater o narco-terrorismo em defesa da pátria”.

O envio do porta-aviões foi iniciado no dia 24 de outubro. A medida representa o movimento mais musculoso de Washington na região da América Latina.

“A presença reforçada das forças dos EUA na área de responsabilidade do USSOUTHCOM aumentará a capacidade dos EUA de detectar, monitorar e interromper atores e atividades ilícitas que comprometem a segurança e a prosperidade do território norte-americano e nossa segurança no Hemisfério Ocidental”, publicou o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, no X.

Base naval modernizada no Caribe

Uma investigação feita pela agência Reuters revelou que os EUA estão modernizando a antiga base naval Roosevelt Roads, em Porto Rico, desativada há mais de 20 anos.

As obras, que incluem repavimentação de pistas de decolagem e ampliação da estrutura militar, indicam preparativos para possíveis operações prolongadas próximas à Venezuela.

“A base oferece posição estratégica e amplo espaço para armazenamento de equipamentos”, afirmou um oficial americano à agência.

Além da reforma da base, novas instalações estão sendo construídas em aeroportos civis de Porto Rico e St. Croix, nas Ilhas Virgens Americanas, ambos territórios sob jurisdição dos EUA.

As localidades ficam a cerca de 800 quilômetros da Venezuela, ampliando o alcance operacional das forças americanas.

Foco na Venezuela e tensões regionais

Fontes militares ouvidas pela Reuters apontam que as obras indicam movimentação voltada à Venezuela. O presidente Nicolás Maduro afirma que Washington tenta desestabilizá-lo.

Segundo analistas, o envio do Gerald Ford representa o maior movimento militar dos EUA na região desde 1994, quando o país enviou dois porta-aviões e 20 mil soldados ao Haiti, durante a Operação Defender a Democracia.

Desde setembro, as forças norte-americanas realizaram 14 ataques contra navios suspeitos de narcotráfico no Caribe e no Pacífico, resultando em 61 mortes, ações que aumentaram as tensões com Venezuela e Colômbia, que veem o avanço militar americano como ameaça à soberania regional.

Como é o USS Gerald R. Ford

O USS Gerald R. Ford é o navio mais moderno da frota americana, capaz de lançar e recuperar aviões de asa fixa de dia e de noite, com 4.000 tripulantes e dezenas de aeronaves táticas a bordo.

Entre seus esquadrões estão:

  • VFA-31, VFA-37 e VFA-87 VFA-213: Unidades compostas por caças multifunção que realizam ataques aéreos, missões defensivas e ofensivas, podendo operar tanto no ar quanto contra alvos terrestres.
  • EA-18G Growler, E-2D Advanced Hawkeye: Trata-se de uma aeronave derivada do F/A-18F, usada para guerra eletrônica, ou seja, bloquear radares, interferir em comunicações inimigas e proteger outras aeronaves contra mísseis guiados.
  • MH-60R/S Seahawk: Os dois modelos são versões navais do Black Hawk, usados para resgate, transporte, ataque marítimo, guerra antissubmarino e apoio logístico.
  • Aeronaves C-2A Greyhound: É um avião de transporte logístico, responsável por levar suprimentos, peças e pessoal entre o porta-aviões e bases em terra

FONTE: REUTERS

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