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Maduro enfrenta nova crise de legitimidade pós-eleição

Crise gerada após eleições ameaçam planos de “reabilitação” de Maduro no cenário internacional.

Eleições questionadas, duas pessoas se proclamando presidente, protestos em massa pelas ruas.

Grande parte do que vem acontecendo nos últimos dias na Venezuela relembra a crise vivida pelo país em 2019, quando Nicolás Maduro assumiu seu segundo mandato presidencial.

“Este filme nós já vimos e já sabemos como termina”, afirmou Maduro na terça-feira (30/07), em discurso aos seus seguidores. Ele comparou as duas situações e indicou que, como ocorreu da outra vez, também irá chegar à vitória.

Mas, além das aparentes semelhanças, analistas consultados pela BBC News Mundo — o serviço de notícias em espanhol da BBC — consideram que os resultados das eleições presidenciais venezuelanas do último dia 28 de julho deixaram o governo em uma posição pior do que estava antes da votação.

E, paradoxalmente, o governo agora corre o risco de perder definitivamente a legitimidade internacional que tentava recuperar durante as eleições.

À meia-noite de domingo (28/07), o presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Elvis Amoroso, declarou que 80% das atas haviam sido apuradas e os resultados eram “irreversíveis”, apontando Maduro como vencedor.

A oposição denunciou que o CNE dificultou o fornecimento de cópias das atas de votação, espécie de boletim de urna, aos seus fiscais, como determina a lei.

E que os números de Amoroso contradizem os dados das atas em posse da oposição, bem como os resultados das pesquisas independentes de boca de urna e das contagens rápidas realizadas no dia das eleições.

Desde então, cresceu a pressão, tanto interna quanto externa, para o CNE publicar os resultados completos e detalhados das eleições, para poderem ser auditados.

Na sexta-feira (2/8), o órgão eleitoral atualizou os resultados da eleição presidencial, reafirmando Maduro como vencedor, mas não apresentou as atas eleitorais.

Amoroso explicou que a demora na atualização dos resultados foi causada por “ataques informáticos massivos de várias partes do mundo”, que “retardaram a transmissão das atas e o processo de divulgação dos resultados”.

A Venezuela entrou em profunda crise no início do segundo mandato de Nicolás Maduro, em 2019.

Mas o silêncio oficial sobre os resultados se manteve. Enquanto isso, surgiram novas críticas ao CNE.

Uma delas foi o relatório de observação eleitoral do Centro Carter, nos Estados Unidos, que denunciou o benefício institucional obtido pela campanha de Maduro. O relatório destaca que as eleições venezuelanas não foram limpas, nem democráticas.

‘Guaidó 2.0’

 

No ato realizado na segunda-feira (29/7) proclamando Maduro como vencedor, o líder venezuelano afirmou que é vítima de uma tentativa de golpe de Estado.

“Os mesmos países que hoje questionam o processo eleitoral venezuelano, a mesma extrema direita fascista… foram os que quiseram tentar impor ao povo da Venezuela, acima da Constituição, um presidente espúrio, usando as instituições do país”, declarou ele. “Uma espécie de Guaidó 2.0.”

Nicolás Maduro referiu-se ao caso do opositor Juan Guaidó, que presidia a Assembleia Nacional e se declarou presidente interino em 2019.

Guaidó alegava que cabia a ele assumir como chefe de Estado, já que a eleição de Maduro havia sido fraudada.

O opositor foi reconhecido por cerca de 60 governos de todo o mundo, incluindo muitos países latino-americanos, reunidos no chamado Grupo de Lima.

Agora, o governo de Maduro tenta equiparar àquele grupo os países que questionaram os resultados eleitorais apresentados pelo CNE no final do mês passado.

Em um comunicado publicado no dia 29 de julho, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, ordenou que os governos da Argentina, Chile, Costa Rica, Panamá, Peru, República Dominicana e Uruguai retirassem seu corpo diplomático da capital venezuelana, Caracas.

Gil acusou estes países de tentar “reeditar o Grupo de Lima” e de fingir desconhecer os resultados das eleições.

O Peru já anunciou que reconhece Edmundo González Urrutia como vencedor das eleições. Os presidentes da Argentina, Javier Milei, e da Costa Rica, Rodrigo Chaves, falaram abertamente em fraude eleitoral na Venezuela. E, em 1º de agosto, o governo dos Estados Unidos reconheceu González Urrutia como o vencedor da corrida presidencial venezuelana.

Mas existem importantes diferenças entre o que ocorreu em 2019 e a situação atual.

Os governos que não reconheceram Maduro em 2019 tomaram a decisão porque seu novo mandato era fruto de uma eleição que consideravam fraudulenta.

Na época, a maior parte da oposição decidiu não participar, alegando que não havia condições para que o processo fosse livre e justo.

Mas o governo de Maduro e aqueles que ainda o apoiam no cenário internacional defendiam que não havia ocorrido fraude.

Simplesmente, a oposição teve a oportunidade de participar e preferiu se abster do processo.

Nesta ocasião, apesar das denúncias de falta de condições para realizar eleições livres, a oposição participou e também garante ter vencido o pleito.

Eles sustentam esta afirmação com base nas atas eleitorais que estão em seu poder.

Diferentemente do que fez o CNE, eles publicaram os dados em um website, para que possam ser revisados e auditados por qualquer pessoa.

Dezenas de países e organizações de várias partes do mundo reconheceram Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela em 2019, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia.

Outra diferença fundamental é que a autoproclamação de Guaidó foi baseada em artigos da Constituição venezuelana que estabelecem que, no caso de ausência do chefe de Estado, o presidente da Assembleia Nacional (AN) fica encarregado de ocupar o Executivo de forma provisória.

Guaidó formou uma espécie de governo interino, paralelo ao de Maduro, e tentou exercer a presidência — na maioria das oportunidades, sem sucesso.

Já González Urrutia foi candidato nas eleições presidenciais e declarou estar de posse das atas de votação que demonstrariam sua vitória.

Ele não reivindica a presidência de imediato, nem pretende formar um governo paralelo.

González Urrutia pede o reconhecimento de sua vitória, o que permitiria que ele assumisse como chefe de Estado em janeiro, quando começa o novo mandato presidencial.

Caso a oposição realmente tenha vencido as eleições — com cerca de 70% dos votos, como eles afirmam ter recebido —, González Urrutia contaria com o apoio expresso e massivo dos venezuelanos para se tornar presidente.

Por outro lado, Guaidó era um parlamentar pouco conhecido, que supostamente teria o direito de assumir o cargo devido à sua posição na Assembleia Nacional.

O diretor do programa para a América Latina do Centro Wilson em Washington DC, nos Estados Unidos, Benjamin Gedan, acredita que a situação de Maduro na Venezuela, agora, ficou mais difícil.

“Estas eleições prejudicaram muito o perfil interno de Maduro”, segundo Gedan, “porque o que temos agora é uma população totalmente mobilizada, comprometida com um processo eleitoral que não teve continuidade e com esperanças não cumpridas de realizar a transição política.”

“É uma população decepcionada, mas também furiosa e disposta a se manifestar ou procurar outros caminhos para realizar as mudanças políticas que ela exige”, declarou o especialista à BBC News Mundo.

Gedan indicou ainda que muitos dos militantes tradicionais do chavismo não compareceram para votar porque, embora não estejam a favor da oposição, querem uma mudança política no país.

O mal-estar dos que votaram para fazer essa mudança estaria sendo refletido nas manifestações que ocorrem na Venezuela desde o dia seguinte às eleições, como destaca o ex-presidente do CNE Andrés Caleca, que hoje faz parte da oposição venezuelana.

“A grande diferença é que estes protestos não se destinam a defender um político (…). As pessoas estão protestando porque estão roubando seus votos”, declarou Caleca, em entrevista à TV online venezuelana VPI. Ele acrescentou que os eleitores, os fiscais do governo e os militares que protegeram os locais de votação em todo o país sabem o que aconteceu ali.

E, segundo Caleca, eles estão cientes da vitória de González Urrutia, o que debilitaria a situação interna de Nicolás Maduro.

De sanções à reinserção internacional

 

Em consequência da reeleição questionada em 2018, o governo de Maduro enfrentou diversas sanções internacionais impostas principalmente pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

O governo americano adotou uma série de medidas que restringiram a capacidade da PDVSA, a empresa estatal de petróleo da Venezuela, de explorar e comercializar o petróleo venezuelano.

Essas sanções foram implementadas em um período em que a economia venezuelana já estava em profunda recessão, com o país em moratória de sua dívida externa e enfrentando uma crise hiperinflacionária.

Como resultado, o governo venezuelano ficou isolado no cenário internacional, contando apenas com o apoio de seus aliados da ALBA (Aliança Bolivariana para os Povos da América), como Cuba, Nicarágua, Bolívia e várias ilhas do Caribe, além de outros aliados internacionais, como Rússia, China, Irã e Turquia.

A situação começou a mudar a partir de 2021, quando Maduro foi convidado pelo presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, para uma reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) no México.

Naquele mesmo ano, a chegada de Joe Biden à Casa Branca trouxe um novo diálogo entre Washington e Caracas, permitindo a realização de alguns acordos pontuais.

A saída de líderes de direita do poder em países como Bolívia, Brasil e Colômbia também ajudou Maduro a recuperar gradualmente seu reconhecimento internacional, avançando em direção a uma certa normalização de seu status no cenário mundial.

O presidente Joe Biden flexibilizou as sanções dos Estados Unidos sobre o petróleo venezuelano.

Como parte desse processo, os EUA permitiram que a empresa americana Chevron expandisse suas operações na Venezuela.

Em troca, o governo de Maduro deveria retomar as negociações com a oposição venezuelana no México.

Esse movimento iniciou o processo que culminou nas eleições de 28 de julho.

Se o pleito fosse considerado suficientemente transparente, poderia abrir caminho para uma nova legitimação de Maduro, possibilitando a eliminação das sanções internacionais contra seu governo.

No entanto, até agora, isso não parece provável.

‘Oportunidade perdida’

 

O governo de Maduro considera as eleições encerradas e nega qualquer má conduta durante a apuração.

No entanto, os resultados das eleições presidenciais de 28 de julho, anunciados pelo CNE, foram recebidos com grande ceticismo pela comunidade internacional.

Países como Nicarágua, Rússia, Irã, Bolívia, Cuba, China e Honduras reconheceram a vitória de Maduro como legítima e o parabenizaram.

Em contraste, o presidente do Chile, Gabriel Boric, declarou que os resultados são “difíceis de acreditar”, enquanto o presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, afirmou que o pleito “esteve claramente viciado”.

O governo brasileiro adotou uma postura mais cautelosa, mas enfatizou que a publicação das atas eleitorais é um “passo indispensável para a transparência, credibilidade e legitimidade do resultado”. O presidente Lula, tradicional aliado de Maduro, também defendeu a apresentação das atas para resolver a disputa.

Se as dúvidas sobre a transparência das eleições não forem esclarecidas, é improvável que Maduro consiga a legitimação desejada. Sem isso, será difícil para ele recuperar economicamente o país no cenário internacional.

Economistas apontam que, para alcançar a recuperação, não só é necessário o levantamento das sanções, mas também a renegociação da dívida externa, a atração de investimentos substanciais e o apoio financeiro de organismos multilaterais, como o FMI e o Banco Mundial.

Os resultados das eleições presidenciais são questionados tanto dentro quanto fora da Venezuela.

Para Benjamin Gedan, o interesse pelo petróleo venezuelano é significativo devido à grande capacidade de extração do país, mas ele duvida que esses investimentos se concretizem.

“Não acho que seja viável devido à grande incerteza política”, afirma Gedan. “Há uma grande possibilidade de retorno das sanções, e também não há perspectivas de mudanças profundas no marco legal.”

Ele acrescenta: “As petroleiras desejam desempenhar um papel mais ativo no setor energético, mas, no momento, o marco legal da Venezuela é muito socialista.”

Gedan observa que todos os especialistas em energia da Venezuela concordam que o país não tem futuro sem uma transição política.

“Independentemente das sanções dos Estados Unidos, o que a Venezuela precisa é de uma renovação total dos governantes, um novo marco regulatório para o setor, novas leis e enormes investimentos para reconstruir um setor que está quase totalmente destruído.”

Benedicte Bull, professora de ciências políticas da Universidade de Oslo, destaca que essa crise de legitimidade não deve impactar a aliança de Maduro com a China e a Rússia.

No entanto, ela alerta que a situação internacional mudou desde 2019.

“Atualmente, a Rússia não tem a capacidade econômica para oferecer a Maduro o mesmo apoio que fornecia em 2019 para evitar sanções”, explica a professora.

“Com a China, há uma relação, mas Maduro sabe que a China não está disposta a oferecer mais financiamento.”

A China parabenizou Nicolás Maduro pela vitória nas eleições de 28 de julho, apesar das contestações sobre o resultado.

Em relação à América Latina, Benjamin Gedan alerta que a crise de legitimidade gerada pelas eleições deste ano interrompeu o processo de “normalização” das relações entre a Venezuela e os países da região.

“Será muito difícil para a maioria dos governantes da América Latina restabelecer relações com este governo”, afirma ele, “pois ainda existe um compromisso regional com a democracia, e é evidente que a Venezuela não a possui.”

Gedan explica que isso não necessariamente resultará em sanções regionais, o que não é comum, nem no fechamento de embaixadas.

“O que significa é que a Venezuela não terá aliados na região que justifiquem seu comportamento, como teve por muitos anos”, esclarece.

Ele conclui: “Para pessoas como Lula, o presidente colombiano Gustavo Petro ou o ex-mandatário argentino Alberto Fernández, será muito difícil defender o regime ou justificar as violações dos Direitos Humanos após essas eleições.”

FONTE: BBC NEWS BRASIL

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

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COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: Confiança Empresarial diminui com cenário econômico de incerteza – Por Silvio Persivo

    Insistir é preciso. “De tudo ficaram três coisas: A certeza de que estamos começando. A certeza de que precisamos continuar. A certeza de seremos interrompidos antes de terminar. Portanto, devemos fazer da interrupção um caminho novo. Da queda, um passo de dança. Do medo, uma escada. Do sonho, uma ponte. Da procura, um encontro” (Fernando Sabino). IV SIMPÓSIO DE CIÊNCIA E PESQUISA A da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa do Estado de Rondônia (Fapero) com o objetivo de aproximar a sociedade da comunidade científica e apresentar os seus resultados nos projetos apoiados pela instituição,) realiza o IV Simpósio de Ciência e Pesquisa (Simfap), nos dias 5 e 6 de novembro. O evento reúne pesquisadores para compartilhar seus trabalhos, fortalecer a ciência, a tecnologia e a inovação no estado.. O evento om palestras, mesas-redondas, debates e apresentações de trabalhos científicos será realizado no Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO), na Avenida Presidente Dutra, nº 1889, em Porto Velho, e as inscrições estão abertas até o dia 4 de novembro, O presidente da Fapero, Paulo Renato Haddad, disse que o Simfap já se tornou uma tradição “Mais do que apresentar resultados, o evento é uma forma de dar transparência aos investimentos realizados em ciência, tecnologia e inovação, aproximando a população das pesquisas e demonstrando como esses recursos estão contribuindo para o desenvolvimento de Rondônia”. COMEÇOU O PERÍDO DE DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE REBANHOS Começou neste último domingo (1º), o período para a segunda etapa da declaração obrigatória de rebanhos em Rondônia. A atualização cadastral deve ser realizada até 30 de novembro pelos produtores rurais que criam bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos, suínos, equídeos e aves. O procedimento é realizado junto à Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron). Durante o período, a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) fica condicionada à regularização das informações cadastrais e os produtores só poderão movimentar os animais para transporte ou comercialização depois de feitaa declaração do rebanho. No sistema Idaron Online, os pecuaristas vão classificar o gado como leiteiro ou de corte e informar os números de nascimentos e mortes desde maio. Também será necessário indicar a faixa etária dos animais, especificando quantos, entre os nascidos depois da primeira etapa da declaração, têm de quatro a seis meses e quantos têm de um a três meses de idade. Por fim deve ser feito o ajuste automático do total dos rebanhos no sistema, a partir das alterações informadas pelo produtor. A A atualização cadastral, como se sabe, é necessária para manter o status sanitário de Rondônia como área livre de febre aftosa sem vacinação. CONFIANÇA DOS EMPRESÁRIOS DIMINUI COM CENÁRIO ECONÔMICO DE INCERTEZA Segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), os empresários do comércio, no último e mais forte trimestre para o setor no ano, estão menos otimistas, com menos planos de expansão e contratação. O Icec registrou um recuo de 2,7% em outubro, resultado das incertezas do cenário econômico e apresentou sua quarta queda consecutiva e a mais intensa desde julho, já descontados os efeitos sazonais. Com este resultado, o indicador reduziu para os 96,7 pontos, ficando abaixo do nível de neutralidade e atingindo o valor mais baixo desde maio de 2021, na pandemia, quando marcou 94,5 pontos. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, “O comércio acende um alerta para todo o país ao entrar no período mais lucrativo do calendário, sob cautela. Quando o empresário pisa no freio das contratações e dos investimentos, toda economia desacelera, reflexo direto das incertezas nos âmbitos fiscal e monetário que travam as decisões de negócios neste último trimestre”, analisou. Em Rondônia, a situação é um pouco melhor mesmo com o Icec caindo de 107,3 pontos para 105,9 pontos, ou seja, uma queda de -1,3%. Rondônia, em geral, possui um comportamento mais otimista e resiliente, mas, ainda assim, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia-Fecomércio/RO, Raniery Araújo Coêlho, afirmou ser preciso “Maior previsibilidade, segurança jurídica e políticas monetárias que reduzam os custos das operações do nosso setor. O comércio, nas condições atuais, mesmo querendo expandir e gerar postos de trabalho sofre com a falta de um ambiente mais favorável para manter o crescimento”. E também aconselhou os empresários a realizarem promoções e facilidades maiores para atrair os clientes neste final de ano. REINCIDÊNCIA DE INADIMPLENTES BATE RECORDE Um sintoma deste problema é o fato do Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em setembro, revelar que se verificou o maior recorde no número de consumidores negativados nas listas de inadimplentes. Em setembro de 2026, do total de negativações, 87,44% foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses. Acrescente-se que no universo de reincidentes, a maior parte, 67,05%, ainda não havia quitado as pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 20,38% tinham saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 12,56% dos negativados em setembro não estiveram com restrições no CPF ao longo do último ano. Mais: o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento das demais pendências para os reincidentes foi de 72,5 dias. Isto significa que, em média, depois de cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence. Também se observa que houve um crescimento de 18,28% no número de devedores reincidentes, os que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes, na comparação com os 12 meses anteriores. É uma forte indicação de que o programa Desenrola não deu certo. AUTOR: SILVIO PERSIVO –  COLUNA TEIA DIGITAL

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