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Investigação aponta ligações entre quadrilhas por trás de megarroubos

Com digitais e exames de DNA, polícia tem conseguido estabelecer ligações entre suspeitos de mega-ataques e solucionar casos. Após repetição de assaltos em aeroportos, transportadoras agora querem acesso a armas melhores para repelir criminosos

Investigações policiais em diferentes Estados mostram que, por trás de megarroubos cometidos recentemente no País, estão criminosos especializados e reincidentes. A polícia tem se beneficiado do avanço das técnicas de investigação com auxílio de exames de DNA e bancos de impressões digitais para, com mais frequência, conseguir fazer ligações entre os casos e entender melhor a dinâmica dos grupos. Essa compreensão ajuda decisivamente no esclarecimento dos crimes e na punição dos responsáveis, contam investigadores.

Foi o uso dessas ferramentas que permitiu que a polícia chegasse a conexões, por exemplo, entre suspeitos de três grandes roubos cometidos no ano passado: o roubo de quase R$ 10 milhões no aeroporto de Blumenau, considerado o maior da história de Santa Catarina, o roubo de 770 quilos de ouro em Guarulhos, com valor estimado em R$ 117 milhões, e a tentativa de assalto no aeroporto de Viracopos, que terminou com três suspeitos mortos.

Os casos tiveram modo de atuação semelhante: invasão de aeroportos para roubo de carregamentos valiosos que seriam embarcados em aeronaves, em duas das três vezes com auxílio de falsas viaturas e, em duas das três vezes, com uso de ambulância e caminhão de lixo na fuga. Mais do que o modo de agir, a polícia acredita que suspeitos compartilham um passado de empreitadas criminosas em conjunto.

É o caso de Marcelo Ferraz da Silva, o Capim, e Anderson Struziatto dos Santos. Capim foi preso na investigação do roubo do ouro em agosto de 2019, quando a polícia finalmente conseguiu coletar seu DNA e confrontar com vestígios encontrados em cenas de outros crimes. O material genético deu match com vestígios achados na cena do ataque a carros-forte na Rodovia dos Tamoios, em 2017. Lá, já havia sido encontrada a digital de Struziatto.

“A constatação de que há conexão entre os casos é física e contextual. Na medida que vamos investigando, os nomes vão se cruzando, são indivíduos que participam de um, dois, três casos iguais”, explica o delegado Pedro Ivo Corrêa, do Departamento de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil de São Paulo. “As provas periciais, como DNA e digital, têm fundamental importância. Em casos como esse, os criminosos não têm rosto, estão com touca, luva, máscaras. Não há testemunhas.”

Struziatto, um paulista de 31 anos, é suspeito reincidente em casos marcados pela violência. Uma busca policial em sua casa no ano passado coletou do seu sapato o DNA que a perícia precisava para confrontar com vestígios de outros crimes. Deu match com o material genético de uma touca ninja deixada para trás em um carro roubado usado no assalto à Prosegur em Santos, em abril de 2016, crime pelo qual agora responde na Justiça. Dois policiais foram mortos durante o assalto.

“O denunciado integra organização criminosa que emprega extrema violência. Ataques semelhantes já foram realizados no Estado de São Paulo após o crime tratado nesta denúncia. É preciso buscar a garantia da ordem retirando das ruas agentes com tal perfil violento”, escreveu, no documento apresentado à Justiça em junho de 2019, o promotor Rogério Pereira da Luz Ferreira, de Santos. Struziatto foi preso em Caruaru, Pernambuco, em novembro do ano passado, e foi transferido para São Paulo.

Em breve, ele deverá responder também pelo assalto ao aeroporto de Blumenau, onde passou a figurar como suspeito. A polícia acredita que ele e comparsas entraram no local, em março de 2019, munidos de uma metralhadora .50, além de fuzis AK-47 e abriram fogo contra o carro-forte que abasteceria um avião. Os tiros furaram a blindagem do carro e dois vigilantes ficaram feridos. Um disparo também quebrou a porta de vidro de uma empresa próxima e matou a funcionária Edivânia Oliveira, de 22 anos.

“Na Região Sul, não havia nenhum precedente para o que aconteceu, não somente em relação ao valor roubado, mas também pelo grau da violência empregada. Por conta disso, já suspeitávamos que era gente de fora”, diz o delegado Anselmo Cruz, da Diretoria de Investigações Criminais de Santa Catarina. Cruz passou a trabalhar em conjunto com o Deic de São Paulo para chegar a suspeitos de terem realizado o ataque. A primeira parte da investigação indiciou oito suspeitos e a apuração continua ocorrendo para identificação de outros envolvidos.

O bando, que fugiu com R$ 9,8 milhões de Blumenau, também era composto por Davi Marques dos Santos. Foi uma prova pericial que o ligou ao crime, mas ele ainda não foi localizado. Resgatado em 2014 de uma penitenciária em Franco da Rocha, Santos é considerado um dos criminosos mais perigosos do País e foi incluído recentemente na lista de mais procurados elaborada pelo Ministério da Justiça, que o tem como suspeito também do mega-ataque à Prosegur de Ciudad del Este, no Paraguai, em 2017 – foram roubados de lá US$ 40 milhões.

A lista de crimes imputada a Davi ainda inclui roubos a bancos e lotéricas no interior de Pernambuco e Bahia. A Operação Novo Cangaço, de 2011, considerava ele e o irmão, Daniel Marques dos Santos, suspeitos de uma série de roubos na região. Ambos foram processados e condenados no ano seguinte. A constatação, em outubro de 2019, que Daniel era um dos três mortos pela polícia após confronto decorrente de uma tentativa de assalto no aeroporto de Viracopos, em Campinas, trouxe a certeza que a família não se afastou da vida criminosa.

A reportagem não conseguiu contatar os advogados de Struziatto e Silva e não identificou o responsável pela defesa de Santos. A Polícia Federal de São Paulo não respondeu questionamentos sobre o andamento da investigação relativa ao assalto em Viracopos.

Grupos não têm mais chefe supremo, diz delegado

As investigações mostram as conexões, mas isso não significa que o grupo se organize como quadrilha única, com estrutura hierárquica definida e atuação sempre em conjunto, ponderam os policiais. Para Corrêa, os criminosos adaptaram seu modo de atuação. “O conceito de organização criminosa está mudando, está evoluindo. Não é mais quadrilha com ordens de um chefe supremo, enquanto os outros obedecem. As organizações se unem nas empreitadas a partir da divisão de tarefas e atuam com comunicação e constante movimento”, explica.

Os roubos obedecem o planejamento definido a partir da obtenção de uma informação privilegiada, por exemplo. O plano inclui ainda uma fase logística, de obtenção de carros e casas, e a preparação para o roubo em si. “Há o ‘dono do serviço’ e ele monta o time dele para atuar naquele crime. Não são pessoas que saem roubando toda hora. A partir da informação privilegiada, passam a operar para preparar determinado roubo”, diz Correa. Para ele, a polícia vem conseguindo acompanhar a evolução dos grupos e hoje consegue dar respostas por meio da identificação, indiciamento e responsabilização judicial.

O cientista político e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública Guaracy Mingardi vê a capacidade de esses grupos multiplicarem conhecimento criminoso entre eles. “Nem todo mundo está em todos os casos. Depois do primeiro, no próximo roubo outros já sabem como se portar e o que fazer. Eles aprenderam e vão dar sequência e outros vão continuar aprendendo. Eles repetem até a polícia identificar e combater a tática. Aí, iniciam uma nova.”

Para uma maior efetividade no combate aos grupos, Mingardi pede melhoria no compartilhamento de informações. “As polícias muitas vezes não conversam e não há uma estrutura institucional para compartilhar informações. É preciso estabelecer um canal direto entre os Estados para que, com velocidade, policiais acessem informações precisas quando necessário. Ainda falta essa troca de uma forma mais sistemática.”

Transportadoras querem permissão para armas melhores

Alvo prioritário dos megarroubos, as transportadoras de valores querem autorização da Polícia Federal para usar mais e melhores armas de fogo na defesa dos seus funcionários e das cargas. Ao longo dos últimos dez anos, os ataques escalaram em violência e com frequência contam com dezenas de criminosos armados com fuzis, metralhadoras e explosivos e dispostos a matar e destruir estruturas em busca de dinheiro.

Contra esse aparato de guerra, as transportadoras são autorizadas a usar espingardas calibre 12 e revólveres calibre 38, armas consideradas obsoletas, diz o diretor-presidente da Associação Brasileira de Transporte de Valores, Ruben Schechter. Para mudar essa realidade e adequar o armamento a um patamar moderno, Schechter diz que tem procurado órgãos de segurança e o Ministério da Justiça em busca da revisão das restrições.

“Chegamos a uma situação onde um civil comum pode comprar armamento muito mais potente do que os que vigilantes têm à disposição para guarda de valores”, diz o diretor. Enquanto não são autorizadas a se armar melhor, as empresas, conta ele, investem em tecnologia de proteção e prevenção. “Essa tecnologia pode ajudar a evitar um sinistro antes que ele ocorra, mas a partir do momento que há uma ação, isso não serve para impedir que o roubo aconteça”, acrescenta.

Sobre os casos em aeroportos, que têm se repetido, Schechter diz que as mudanças promovidas pelas concessionárias e pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) não foram suficientes. Ele cobra mudanças que permitam que a carga valiosa seja acompanhada mais de perto pelos vigilantes em todos os estágios do embarque. “Infelizmente, os aeroportos não tem uma previsão de tratamento diferenciado para carga valiosa e ela é armazenada no mesmo local onde estão cargas de vestuário, sapatos”, diz.

Schechter diz que a recorrência dos casos tem efeito sobre o trânsito de dinheiro entrando e saindo do País, o que pode culminar com consequências para a balança comercial. “Há uma dificuldade para exportar papel moeda para bancos do exterior. E os clientes estrangeiros estão muito receosos de trazer dinheiro de fora para dentro. É algo que pode afetar toda a economia.”

Em nota, a Polícia Federal diz que obedece os termos da Lei 7.102/1983, que dispõe sobre os serviços das empresas particulares de vigilância. O artigo 22 confirma que é permitido a esses funcionários o uso de revólver calibre 32 ou 38, de espingardas calibre 12, 16 ou 20, além de cassetetes de madeira ou de borracha.

“Sendo assim, a Polícia Federal não pode normatizar contrariamente à lei para permitir a utilização de outros calibres de armas”, informa a PF. O órgão acrescenta que tramita no Congresso projeto que atribui à Polícia Federal a definição dos calibres a serem utilizados nas atividades de segurança privada.

Programa prevê fiscalização constante, diz Anac

Em nota, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) diz que os aeroportos brasileiros seguem normas baseadas em regulamentos internacionais. No Brasil, destaca, existe o Programa de Segurança contra Atos de Interferência Ilícita, “que prevê ações de fiscalização constantes nos aeroportos para fins de garantir a segurança da aviação civil”.

“A Agência trabalha com conceitos preventivos para mitigar riscos, obtidos por meio de ações de vigilância continuada e de monitoramento das operações. As fiscalizações ocorrem de forma programada, não programada e a partir de denúncias, e envolvem inspeções presenciais, auditorias, monitoramento de reclamações, recebimento de informações e dados de diversos canais que demonstram o cumprimento das regras da Agência, entre outras atividades que, somadas, garantem o monitoramento abrangente e efetivo do cumprimento das normas pelos operadores aeroportuários.”

Depois dos roubos, a agência diz que tem acompanhado as medidas tomadas pelos aeroportos. “A Anac não torna público detalhes desta comunicação, das ações e medidas feitas pelos aeroportos ou das recomendações comunicadas pela Agência, porquê, por questões de segurança, os procedimentos são extremamente sigilosos.”

FONTE: ESTADÃO CONTEÚDO

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

CHARGE – CARTUNISTA

COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: Confiança Empresarial diminui com cenário econômico de incerteza – Por Silvio Persivo

    Insistir é preciso. “De tudo ficaram três coisas: A certeza de que estamos começando. A certeza de que precisamos continuar. A certeza de seremos interrompidos antes de terminar. Portanto, devemos fazer da interrupção um caminho novo. Da queda, um passo de dança. Do medo, uma escada. Do sonho, uma ponte. Da procura, um encontro” (Fernando Sabino). IV SIMPÓSIO DE CIÊNCIA E PESQUISA A da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa do Estado de Rondônia (Fapero) com o objetivo de aproximar a sociedade da comunidade científica e apresentar os seus resultados nos projetos apoiados pela instituição,) realiza o IV Simpósio de Ciência e Pesquisa (Simfap), nos dias 5 e 6 de novembro. O evento reúne pesquisadores para compartilhar seus trabalhos, fortalecer a ciência, a tecnologia e a inovação no estado.. O evento om palestras, mesas-redondas, debates e apresentações de trabalhos científicos será realizado no Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO), na Avenida Presidente Dutra, nº 1889, em Porto Velho, e as inscrições estão abertas até o dia 4 de novembro, O presidente da Fapero, Paulo Renato Haddad, disse que o Simfap já se tornou uma tradição “Mais do que apresentar resultados, o evento é uma forma de dar transparência aos investimentos realizados em ciência, tecnologia e inovação, aproximando a população das pesquisas e demonstrando como esses recursos estão contribuindo para o desenvolvimento de Rondônia”. COMEÇOU O PERÍDO DE DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE REBANHOS Começou neste último domingo (1º), o período para a segunda etapa da declaração obrigatória de rebanhos em Rondônia. A atualização cadastral deve ser realizada até 30 de novembro pelos produtores rurais que criam bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos, suínos, equídeos e aves. O procedimento é realizado junto à Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron). Durante o período, a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) fica condicionada à regularização das informações cadastrais e os produtores só poderão movimentar os animais para transporte ou comercialização depois de feitaa declaração do rebanho. No sistema Idaron Online, os pecuaristas vão classificar o gado como leiteiro ou de corte e informar os números de nascimentos e mortes desde maio. Também será necessário indicar a faixa etária dos animais, especificando quantos, entre os nascidos depois da primeira etapa da declaração, têm de quatro a seis meses e quantos têm de um a três meses de idade. Por fim deve ser feito o ajuste automático do total dos rebanhos no sistema, a partir das alterações informadas pelo produtor. A A atualização cadastral, como se sabe, é necessária para manter o status sanitário de Rondônia como área livre de febre aftosa sem vacinação. CONFIANÇA DOS EMPRESÁRIOS DIMINUI COM CENÁRIO ECONÔMICO DE INCERTEZA Segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), os empresários do comércio, no último e mais forte trimestre para o setor no ano, estão menos otimistas, com menos planos de expansão e contratação. O Icec registrou um recuo de 2,7% em outubro, resultado das incertezas do cenário econômico e apresentou sua quarta queda consecutiva e a mais intensa desde julho, já descontados os efeitos sazonais. Com este resultado, o indicador reduziu para os 96,7 pontos, ficando abaixo do nível de neutralidade e atingindo o valor mais baixo desde maio de 2021, na pandemia, quando marcou 94,5 pontos. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, “O comércio acende um alerta para todo o país ao entrar no período mais lucrativo do calendário, sob cautela. Quando o empresário pisa no freio das contratações e dos investimentos, toda economia desacelera, reflexo direto das incertezas nos âmbitos fiscal e monetário que travam as decisões de negócios neste último trimestre”, analisou. Em Rondônia, a situação é um pouco melhor mesmo com o Icec caindo de 107,3 pontos para 105,9 pontos, ou seja, uma queda de -1,3%. Rondônia, em geral, possui um comportamento mais otimista e resiliente, mas, ainda assim, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia-Fecomércio/RO, Raniery Araújo Coêlho, afirmou ser preciso “Maior previsibilidade, segurança jurídica e políticas monetárias que reduzam os custos das operações do nosso setor. O comércio, nas condições atuais, mesmo querendo expandir e gerar postos de trabalho sofre com a falta de um ambiente mais favorável para manter o crescimento”. E também aconselhou os empresários a realizarem promoções e facilidades maiores para atrair os clientes neste final de ano. REINCIDÊNCIA DE INADIMPLENTES BATE RECORDE Um sintoma deste problema é o fato do Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em setembro, revelar que se verificou o maior recorde no número de consumidores negativados nas listas de inadimplentes. Em setembro de 2026, do total de negativações, 87,44% foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses. Acrescente-se que no universo de reincidentes, a maior parte, 67,05%, ainda não havia quitado as pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 20,38% tinham saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 12,56% dos negativados em setembro não estiveram com restrições no CPF ao longo do último ano. Mais: o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento das demais pendências para os reincidentes foi de 72,5 dias. Isto significa que, em média, depois de cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence. Também se observa que houve um crescimento de 18,28% no número de devedores reincidentes, os que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes, na comparação com os 12 meses anteriores. É uma forte indicação de que o programa Desenrola não deu certo. AUTOR: SILVIO PERSIVO –  COLUNA TEIA DIGITAL

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