Pré-candidato ao Governo de Rondônia questiona a condução do leilão de R$ 8,47 bilhões da Caerd, previsto para setembro, e defende maior debate com a sociedade antes da concessão.
O ex-prefeito de Porto Velho e pré-candidato ao Governo do Estado, Hildon Chaves (Federação União Progressistas), questionou a proposta de privatização da CAERD (Companhia de Águas e Esgotos do Estado de Rondônia), apresentada pelo governo estadual.
Em entrevista concedida no fim de semana ao programa Repórter do Povo, na Rádio Rio Madeira, em Porto Velho, Hildon Chaves afirmou que vê “com muita estranheza” a pressa repentina do Governo do Estado em realizar o leilão de concessão dos serviços de água e esgoto da empresa, marcado para o próximo dia 29 de setembro, na Bolsa de Valores de São Paulo, no valor de R$ 8,47 bilhões e com duração de 35 anos.
“O meu questionamento é que essa Parceria Público-Privada (PPP) ocorra justamente no apagar das luzes desse governo, depois de atravessar praticamente todos os oito anos de mandato sem tocar no assunto, e justo agora, às vésperas de uma eleição, tomar uma decisão dessa importância”, alertou Hildon.
“Os órgãos de controle, em especial o Tribunal de Contas do Estado, da forma mais diligente possível, precisam tomar pé dessa situação e avaliar com profundidade a forma como está sendo conduzido esse modelo de privatização”, afirmou Hildon. Quarenta municípios do Estado fazem parte do contrato. Pelo cronograma já estabelecido, a entrega das propostas das empresas interessadas, na Bolsa de Valores (B3), ocorrerá uma semana antes do leilão.
REPETINDO A BR-364
“Rondônia enfrenta, há décadas, graves problemas relacionados ao tratamento de água e principalmente de esgoto, mas a verdade é que neste momento, sem informações aprofundadas, sou totalmente contrário a este leilão”, disse o pré-candidato.
“Nada justifica uma privatização bilionária sem se realizar um amplo debate com envolvimento de toda a sociedade”, avaliou. “Minha avó já dizia que gato escaldado tem medo de água fria”, ironizou Hildon, ao comparar o leilão da Caerd com o processo que culminou na privatização da BR-364.
“O cenário está se repetindo, naquela oportunidade também não houve debate público e o resultado foi o pedágio mais caro do país, sem uma contrapartida imediata em obras, uma conta pesada que é paga todos os dias pelos cidadãos rondonienses”, raciocinou. “Quando encarece o frete, tudo fica mais caro, desde o arroz e o feijão até o gás de cozinha”.
Hildon lembrou que o mesmo ocorreu em relação à Energiza. “Quando alguém precisa ir até a Energiza é maltratado, recebe um péssimo atendimento, as reclamações são enormes, pessoas simples não sabem lidar com aquelas máquinas, e se atrasar o pagamento já ocorre um desrespeito absurdo, sem falar nas contas altíssimas, sem nenhuma justificativa aparente”.
“Para um governo que já está no fim, com todo respeito, isso não cheira bem”, disse. “Por que então não fazem a toque de caixa as obras que são tão necessárias na Saúde?”, questionou. “Claro que não interessa, quando se trata da Saúde não existe pressa, não tem urgência, pois se apenas 5% desse interesse todo fosse para a Saúde, certamente já salvaria muitas vidas”, disse Hildon. “Mas como se trata de uma privatização de quase 8,5 bilhões de reais, daí a urgência aparece do nada, é caso de vida ou morte”..
FONTE: ASSESSORIA ELEITORAL

















Add Comment