Esporte

Dilma: mudanças na Lei Pelé e apoio a times para melhorar popularidade

Estratégia é usar o futebol para deixar legado pós-Olimpíada. CBF contesta interferência

Rio e Brasília – Dilma Rousseff moveu a máquina em direção aos campos de futebol. A presidente tem usado o esporte, através dos patrocínios de R$ 83 milhões da Caixa Econômica Federal (CEF) a dez clubes, para melhorar a sua imagem diante da pior taxa de reprovação da história, de 71%. Dentro deste esquema tático que exclui a CBF em alguns lances, e envolve um time de ministros com a missão de criar até cursos de gestão do futebol, Dilma determinou que as mudanças na Lei Pelé e no Estatuto do Torcedor sejam o gol de placa do seu segundo mandato na área esportiva.

Cercada de ministros e de nove dirigentes do mundo do futebol em 19 de janeiro, quando assinou o pacote de patrocínios da Caixa, Dilma aproveitou o momento favorável para anunciar que faria alterações na Lei Pelé e no Estatuto do Torcedor. Coordenador das mudanças nas leis, o ministro Edinho Silva, da Secretaria de Comunicação Social, adiantou que a principal novidade será a criação de uma legislação trabalhista específica para o futebol, porque há o consenso de que a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) não é abrangente o suficiente.

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Neste caso, o governo não teve como deixar a CBF de fora de uma comissão, com atletas e dirigentes de clubes, que será criada nos próximos dias, porque é a entidade a organizadora do Brasileiro e há ações na Justiça de jogadores cobrando adicional noturno por trabalharem em partidas à noite na principal competição nacional. Também existem ações irregulares de clubes cobrando pagamento aos jogadores, quando deveria ser o contrário.

Idade mínima para vínculo empregatício

Outro problema a ser resolvido é com relação à regra constitucional que estabelece em 16 anos a idade mínima para trabalhar. E com 14 anos como aprendiz com vínculo empregatício. A Lei Pelé não regulamenta as situações das crianças e dos adolescentes que atuam nas categorias de base dos clubes. É possível que, agora, seja estabelecida uma nova relação trabalhista. Mas ainda não há informações de como Dilma fará isso.

Em relação ao Estatuto do Torcedor, Edinho revelou que será preciso modernizar o texto para os tempos atuais, das arenas esportivas do pós-Copa do Mundo.

— A presidente deu ordem para que a gente trabalhe intensamente para que haja uma modernização da gestão do futebol e do esporte, em geral — confirmou, ao GLOBO, Edinho Silva, para quem a presidente quer deixar um “legado de governança pós-olímpico”.

Professor universitário da área esportiva, Edinho Silva é o capitão de um time formado por Dilma para traçar uma agenda positiva atrelada ao esporte, sobretudo ao futebol, em meio à guerra diária do Planalto com os desdobramentos da crise econômica e das investigações da Lava Jato. Estão escalados os ministros Jaques Wagner, da Casa Civil, Aloizio Mercadante, da Educação, e George Hilton, do Esporte, além da presidente da Caixa, Miriam Belchior. A ideia seria repetir os passos do ex-presidente Lula e ganhar a simpatia dos fanáticos pelo futebol.

Para que dê certo, Dilma dá um afago milionário nos clubes, em uma época de fuga de patrocínios, e toma distância da CBF. Desde a final da Copa do Mundo não é vista ao lado de dirigentes da principal entidade do futebol brasileiro, que está com um ex-presidente preso, José Maria Marin, e outro, Marco Polo Del Nero, licenciado e indiciado por corrupção pelo FBI. Del Nero deverá ser banido pela Comissão de Ética da Fifa nos próximos dias.

— Constitucionalmente, o desporto deve ser independente do governo. A livre organização existe justamente para evitar a manipulação — disse Walter Feldman, secretário-geral da CBF.

Portaria do MEC cria cursos de gestão

Assinada por Mercadante, a Portaria 15, de 13 de janeiro, constituiu uma comissão para a criação de cursos de graduação e pós-graduação em gestão do futebol e do esporte, coordenada pelo ministro Edinho Silva. Além dele, o grupo, que teve a primeira reunião há uma semana, é constituído pelo secretário de Educação Superior, Jesualdo Pereira Farias, pelo secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento, Ricardo Leyser, pelo subchefe adjunto de assuntos jurídicos da Casa Civil, Dutra Carrijo, e por representantes da sociedade civil, como advogados e jornalistas. Nenhum deles é ligado à CBF.

A expectativa de Edinho é que os cursos de gestão sejam lançados pela presidente entre junho e julho deste ano, no embalo positivo do início das primeiras Olimpíadas da América do Sul, em agosto, no Rio.

“A proposta surgiu da demanda de profissionais de jornalismo esportivo, do ministro Edinho Silva e do ministro Aloizio Mercadante, que considera fundamental formar profissionais competentes e inspirados nas melhores práticas de gestão do futebol em nível internacional”, afirmou, em nota, o Ministério da Educação.

Em conversa de George Hilton com um representante da CBF, aconteceu uma tentativa de interferência. Durante a polêmica da entidade com a Primeira Liga, o ministro fez pressão a favor da aprovação da competição alternativa, o que acabou ocorrendo, diante de uma provável derrota da CBF na Justiça. Em evidente sinal de apoio aos clubes, Hilton esteve presente na estreia do Flamengo contra o Atlético-MG, quando a Liga ainda não tinha o referendo da CBF.

— A competição conta com o nosso apoio e com o nosso entusiasmo. Defendi desde o inicio a criação de uma liga nacional e entendemos que temos novos desafios pela frente e em prol do nosso futebol — disse Hilton, após aquele jogo no Mineirão.

Afago em tempos de crise econômica

O aporte de R$ 83 milhões da Caixa Econômica Federal para patrocinar dez clubes foi um grande afago em tempos de crise econômica e fuga de patrocinadores privados dos times pelo Brasil afora.

Na assinatura dos contratos, há menos de um mês, os valores foram conhecidos: Flamengo (R$ 25 milhões); Sport, Coritiba, Atlético-PR e Vitória (R$ 6 milhões cada); Chapecoense e Figueirense (R$ 4 milhões cada) e CRB-AL (R$ 1 milhão). A presidente anunciou, ainda, mais dois clubes contemplados, o Cruzeiro e o Atlético-MG, com R$ 12,5 milhões para cada um.

O valor total pode aumentar se a Caixa renovar com o Corinthians. O clube, que ganha R$ 30 milhões, pediu mais R$ 7 milhões. Se as negociações não evoluírem, a Caixa poderá fechar com o São Paulo, por menos dinheiro: R$ 20 a 25 milhões. O banco ainda negocia com Vasco e Atlético-GO.

— É uma parceria comercial positiva — disse Dilma na cerimônia, em 19 de janeiro.

Quase ao mesmo tempo que deu ajuda aos clubes, o governo cortou o patrocínio de R$ 18 milhões por três anos da Petrobras à Copa do Brasil, organizada pela CBF. O contrato foi feito entre a estatal e a Klefer, que detém os direitos de comercialização da Copa do Brasil e é investigada sob suspeita de receber propinas. A estatal manteve o apoio às modalidades olímpicas e de esporte motor.

 

 

Fonte: oglobo

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COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. 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TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: As perspectiva de inflação pioram segundo Boletim Focus – Por Silvio Persivo

    Sobre os fatos hediondos e lamentáveis. “Aconteceu e, portanto, pode voltar a acontecer: está a essência do que temos para dizer” (Primo Levi). BLACK FRIDAY IMPULSIONA COMÉRCIO DE RONDÔNIA Segundo a  Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio/RO). a Black Friday de 2026 deve movimentar cerca de R$ 736 milhões em Rondônia. Para Porto Velho, a estimativa é de R$ 147 milhões em vendas, com um crescimento previsto de 3,2%.  No cenário nacional, um estudo da Stefanini Marketing estimou que a data poderá gerar R$ 14,47 bilhões em vendas e 18,3 milhões de pedidos. Uma sondagem da Fecomércio/RO aponta que 68,4% dos consumidores pretendem fazer compras. Entre os produtos mais procurados estão roupas (51,8%), eletrodomésticos (31,9%) e eletrônicos (23%). A pesquisa também aponta que 48,1% planejam pagar à vista, enquanto 50,9% pretendem antecipar as compras para a semana anterior à Black Friday. Para a Fecomércio/RO, a movimentação antecipada pode estender o período de promoções e contribuir para as vendas de fim de ano. “A antecipação das compras deve ampliar o período de promoções e, este ano, inclusive com o apoio direto do Sebrae de Rondônia, os empresários se prepararam mais. Daí a suposição de que a Black Friday deve impulsionar as vendas de fim de ano”, disse o presidente da entidade, Raniery Araújo Coêlho. PREÇO DO DIESEL AUMENTA QUASE 2% EM RONDÔNIA O Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que acompanha o comportamento de preços nos postos de combustível, aponta que Rondônia registrou um cenário de alta nos preços dos combustíveis em outubro, na comparação com setembro, com exceção do etanol.  O diesel comum subiu 1,93%, custando em média R$ 7,39 já o S-10 ficou 1,87% mais caro, com preço médio de R$ 7,61, enquanto a gasolina subiu 0,13%, alcançando R$ 7,45. No sentido oposto, o etanol recuou 0,58%, cotado a R$ 5,14. Segundo Vinicios Fernandes, Diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade, “Em outubro, Rondônia apresentou uma tendência de alta nos preços da maior parte dos combustíveis, com destaque para o diesel, que registrou os avanços mais expressivos no período. Com a queda registrada no período, o etanol se consolida como a opção mais econômica e sustentável para os motoristas rondonienses”. ENCONTRO DE CATADORES DE MATERIAIS RECICLÁVEIS DE RONDÔNIA O governo do estado realizou na segunda-feira (2) o 4º Encontro Estadual de Catadores de Materiais Recicláveis, entre os municípios de Presidente Médici e Ji-Paraná. Durante o evento, encerrado na terça-feira (3), cerca de 100 profissionais organizados em cooperativas, associações ou de forma individual participaram da programação, coordenada pela Secretaria de Estado da Mulher, da Família, da Assistência e do Desenvolvimento Social (Seas), com palestras, visita técnica, atividades práticas e levantamento de demandas que ampliem a geração de renda, qualifiquem a atuação das cooperativas e associações, difundam práticas seguras de trabalho e consolidem propostas para o desenvolvimento da política pública de reciclagem inclusiva no estado.  A titular da Seas, Luana Rocha reforçou, que com estes encontros o governo, por meio da Seas, contribui com a organização dos catadores no estado para o fortalecimento das cooperativas e a construção de uma pauta unificada em defesa da reciclagem inclusiva em Rondônia. ““A escolha de Presidente Médici atendeu ao pedido dos próprios catadores, apresentado no Fórum Estadual de Lixo e Cidadania, pelo fato de o município estar mais centralizado, favorecendo a participação de um número maior de catadores. Nesta edição foi inserida pela primeira vez a oficina do projeto “Recicla ON”, do Instituto Gea, do estado de São Paulo, focada na capacitação e estruturação de cooperativas de catadores para a destinação correta de resíduos eletroeletrônicos (lixo eletrônico). AS PERSPECTIVAS DE INFLAÇÃO PIORAM SEGUNDO O BOLETIM FOCUS A mais recente edição do Boletim Focus mostra uma piora drástica das expectativas dos investidores com relação à inflação, aos juros e à taxa de câmbio. A piora se inicia pela inflação. Há quatro semanas, a estimativa este ano foi de 5,01%. Na semana passada, subiu para 5,19% e, nesta edição, avançou para 5,22%, bastante acima do teto da meta.  A projeção para 2027 também piorou. Nas últimas semanas, a expectativa estave ao redor de 4,3%. Acima da meta de 3%, mas dentro do limite aceitável. Agora, a projeção avançou para 4,76%, acima do teto de 1,5% da meta. A alta prevista é menos intensa nos anos de 2028 e de 2029. Porém, as estimativas para esses dois anos se situavam ao redor de 3,5% e agora estão ao redor de 4%, também  acima da meta. RESILIÊNCIA DA ECONOMIA GLOBAL DIMINUI AFIRMA FMI O documento final da 54ª reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC), nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, alerta que a economia global resiste a choques, mas sua capacidade de absorver novas turbulências diminui, após o desmantelamento da ordem geopolítica, conflitos e danos às cadeias de suprimentos, pela pandemia e por guerras. Assim o FMI pede políticas mais consistentes, reconstrução das reservas fiscais, estabilidade de preços e cooperação entre nações. O World Economic Outlook projeta um crescimento mundial de 3,1% em 2026 e 3,4% em 2027, e inflação global de 4,7% neste ano, recuando para 4,1% no próximo. Há diferenças: países beneficiados por investimentos em IA e condições comerciais favoráveis têm perspectivas melhores do que importadores de energia e economias de baixa renda. Interessante é que o documento destaca os riscos do endividamento público: a alta dos rendimentos dos títulos soberanos, somada à dívida elevada, pode encarecer o crédito. Recomenda consolidação fiscal e marcos fiscais, preservando investimentos prioritários e a proteção social; transferências temporárias e direcionadas seriam mais eficientes do que controles generalizados de preços. Na política monetária, pede estabilidade de preços, decisões baseadas em dados, comunicação clara e independência dos bancos centrais. A inteligência artificial impulsiona investimentos, comércio e produtividade, mas seus benefícios tendem a ser desiguais; revisões nas expectativas de rentabilidade podem provocar correções nos mercados e ampliar disparidades. AUTOR: SILVIO PERSIVO –  TEIA DIGITAL

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