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Declaração de Trump a vítimas de ataques em escolas reaviva debate sobre armar professores nos EUA

Para presidente, fato de escolas serem zonas livres de armas estimula a ação de “maníacos”; Trump se encontrou com sobreviventes de Parkland

Em um encontro com sobreviventes da tragédia que matou 17 pessoas na semana passada na escola Marjory Stoneman Douglas, na Flórida, Donald Trump defendeu uma ideia polêmica: armar os professores para que eles possam agir em caso de ataques desse tipo.

“Se um professor tivesse uma arma, ele não teria corrido; ele teria atirado e seria o fim de tudo isso”, afirmou o presidente nesta quarta-feira, ao se reunir com alunos sobreviventes e pais das vítimas do ex-aluno Nikolas Cruz, de 19 anos, e também de tragédias passadas.

Professores em treinamento para reagir contra atiradores em escolas

Para Trump, o fato de escolas serem zonas livres de armas estimula a ação de “maníacos”. “Para maníacos, isso significa: ‘Vamos entrar e atacar, porque nenhum tiro será disparado contra nós’.” Ele admitiu que a medida é “controversa”, mas apontou como uma das soluções que estão sendo discutidas para evitar novos massacres.

O presidente fez o comentários ao ouvir pedidos das vítimas para garantir que algo assim não voltasse a ocorrer novamente. Sua sugestão foi apoiada por alguns dos presentes, mas outros clamaram por mais controle no comércio de armas nos EUA.

Em meio a esses pedidos, Trump defendeu também o endurecimento da checagem dos antecedentes dos compradores de armas. “Nós seremos bem fortes na checagem de antecedentes, daremos uma ênfase muito forte na saúde mental”, afirmou o republicano.

Ao mencionar a ideia de armar professores, porém, o presidente reacendeu um debate que já vinha ocorrendo no país.

Armas ao mestre

Outra tragédia numa escola em Benton, no Kentucky, já havia, no fim de janeiro, colocado o assunto na pauta do dia dos jornais e reacendido o debate sobre possíveis soluções para o problema, como capacitar professores para reagir em situações desse tipo — o que já tem sido adotado em alguns Estados do país.

Naquele caso, dois estudantes de 15 anos morreram e 14 ficaram feridos quando um colega de classe abriu fogo do lado de fora da escola. Tratava-se do terceiro tiroteio em uma escola dos EUA em 48 horas.

Horas após o ataque em Benton, o senador republicano Steve West apresentou um projeto de lei que permitiria às escolas do Kentucky contar com patrulhas de segurança armadas. A proposta, que recebeu o apoio interpartidário do senador democrata Ray Jones, se juntou a outra no Estado que busca flexibilizar restrições a armas no entorno de universidades.

“Precisamos de agentes armados em todas as escolas do Kentucky”, disse Jones. “Esse é um preço pequeno a pagar se salvar a vida de uma criança.”

A proposta se somou a uma série de leis estaduais formuladas nos últimos anos para colocar mais armas nas escolas. Em novembro, membros do Senado de Michigan (os Estados americanos são bicamerais, têm Senado e Câmara) aprovaram um projeto que permite a professores nas escolas primárias, secundárias e de ensino médio manterem armas em um local sigiloso dentro da sala de aula.

Legislação semelhante foi aprovada neste ano na Flórida, em Indiana, na Pensilvânia, em Mississippi, na Carolina do Sul e em West Virginia. Se conseguirem colocá-lo em vigor, esses Estados se juntariam a pelo menos nove que já permitem algum tipo de porte de armas em instituições de ensino.

O fato é que cada novo tiroteio em escolas reacende um longo debate sobre a solução ser aumentar o controle sobre as armas ou relaxar as regras para porte delas.

“Se queremos falar sobre prevenção de tiroteios em escolas, deveríamos estar falando, em primeiro lugar, sobre impedir os jovens de terem armas nas mãos”, disse Adam Skaggs, diretor do Giffords Law Center to Prevent Gun Violence, organização que defende a aprovação de leis, políticas e programas que ajudem a evitar a violência armada. “Essas são as leis para as quais deveríamos estar discutindo.”

Em treinamentos como o 'Faster', professores recebem orientação prática e psicológica

Pressão

A multiplicação de iniciativas para armar professores e funcionários de escolas remonta a 2012, na esteira de um tiroteio ocorrido na escola primária de Sandy Hook, em Connecticut, em que vinte crianças e seis professores morreram.

Em meio à comoção pública gerada pelo massacre e à consequente pressão pública pelo controle de armas, a Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês) atuou fortemente na direção oposta.

“O único jeito de parar um cara mau com uma arma é ter um cara bom com uma arma”, disse o vice-presidente executivo da entidade, Wayne LaPierre, uma semana após o tiroteio. A frase virou bordão e passou a servir como base para a atuação da NRA do Congresso americano, onde busca influenciar a formulação de leis.

O grupo pró-armamento chegou a publicar documento exigindo a presença de agentes ou funcionários armados em todas as escolas dos Estados Unidos. Em 2013, um ano após o episódio em Sandy Hook, sete Estados promulgaram leis autorizando que professores e funcionários portassem armas.

“Nos últimos dois ou três anos vimos uma explosão de projetos de lei para obrigar escolas a permitirem a presença de armas ou a armarem seus professores”, disse Skaggs.

“E não se trata apenas de promover a ideia de que as pessoas precisam de armas nas escolas para estarem seguras. É a ideia de que as pessoas precisam de armas em todos os lugares — nas ruas, nos parques públicos e até em edifícios governamentais.”

Defensores das medidas afirmam que elas são a única maneira efetiva de proteger os alunos.

Eles usam como argumento, por exemplo, as escolas em zonas rurais, mais afastadas, onde uma resposta da polícia para uma situação de emergência, como um tiroteio, pode levar muito tempo. As zonas sem armas, por sua vez, estariam criando “alvos vulneráveis”, segundo esses grupos.

No Kentucky, palco do tiroteio do fim de janeiro, o republicano Tim Moore apresentou projetos de lei em 2017 e 2018 em um esforço para diminuir restrições a armas nas escolas e universidades.

“Sempre que pessoas mal-intencionadas quiserem fazer mal aos outros em nosso país — incluindo a crianças inocentes — irão buscar locais onde sabem que haverá chances mínimas de resistência”, disse ele, em entrevista por telefone.

“Mas permitir que cidadãos que cumprem a lei sejam devidamente treinados, devidamente avaliados, com uma verificação profunda de seu histórico, de antecedentes criminais… a isso são colocados obstáculos.”

Treinamento difícil

Mulher segura cartaz em que lê-se 'Mães dizem — que vergonha, NRA', em protesto contra a organização

Mulher segura cartaz em que lê-se ‘Mães dizem — que vergonha, NRA’, em protesto contra a organização

BBC Brasil

Tiroteios em escolas passaram a chamar a atenção da opinião pública em abril de 1999, quando Eric Harris e Dylan Klebold assassinaram 12 estudantes e um professor na Columbine High School, uma escola de ensino médio em Littleton, Colorado.

O “saldo” desse massacre já foi, no entanto, suplantado pelos tiroteios em Virginia Tech, na Universidade Estadual da Virgínia, com 33 mortos, na escola primária Sandy Hook (25 mortos) e em outras 203 ocorrências com tiros em escolas ou no entorno delas.
De acordo com um estudo do FBI, a polícia federal americana, que contemplou 160 casos envolvendo atiradores, entre os anos 2000 e 2013, aproximadamente um quarto dos casos ocorreu em ambientes educacionais e mais da metade foi registrado em escolas primárias ou secundárias.

Quatorze anos após Columbine, a aproximadamente 12 km de lá, Littleton foi palco de outro tiroteio. Portando duas armas, Karl Pierson, de 18 anos, foi até a Arapahoe High School, em dezembro de 2013, e atirou na cabeça de Clare Davis, de 17, antes de se matar na biblioteca da escola.

Um dos primeiros policiais a chegarem ao local naquele dia foi Quinn Cunningham, membro da SWAT, unidade de polícia especializada dos EUA. Ainda em serviço, o policial agora treina professores para portar armas de fogo e reagir em situações em que haja ameaça de atiradores.

Ministrado em três dias, o treinamento “Faster” (mais rápido, em português) é financiado pela organização Coloradans for Civil Liberties, do Estado do Colorado. A programação inclui um dia de “desenvolvimento de capacidade de raciocínio”, que consiste em preparar os professores para a possibilidade de terem de atirar para matar um de seus alunos.

Cunningham, hoje com 44 anos, pede aos professores para fecharem os olhos e imaginarem o estudante entrando na sala de aula com uma arma.

Estudo do FBI mostra que escolas primárias e secundárias têm sido os principais alvos de tiroteios

Estudo do FBI mostra que escolas primárias e secundárias têm sido os principais alvos de tiroteios

BBC Brasil

Na prática, o professor teria apenas uma fração de segundo para avaliar a situação e reagir. Essa é a parte mais difícil e emocional do treinamento, e leva alguns dos participantes às lágrimas.

“Mas, se pudermos fazê-los vencer a situação primeiro em suas mentes, em um cenário real eles terão êxito”, disse Cunningham.

Cinco membros da equipe da Fleming High School, situada no nordeste do Estado, se voluntariaram no ano passado para o treinamento — que ocorre nas férias de verão, para que os alunos não saibam quem está envolvido.

Uma professora que já participou, e que pediu para manter seu nome em sigilo, disse que decidiu imaginar seu aluno favorito durante os exercícios — em um esforço para se manter firme na pior eventualidade possível.

“Professores não devem ter favoritos, mas, você sabe, sempre há aqueles alunos que ficam mais próximos”, disse ela. “Só que se aquele aluno tomou a decisão errada de pôr todo mundo em perigo, eu terei de fazer algo a respeito.”

A escola agora tem cartazes em todas as entradas anunciando que alguns professores portam armas. Os estudantes passaram cerca de uma ou duas semanas tentando adivinhar quais deles seriam, antes de desistir, disse a professora.

Os voluntários da Fleming High foram submetidos a checagem de antecedentes criminais e a análises de tensões na voz, semelhante a um teste de detector de mentiras, disse Steve McCracken, superintendente da escola. Os cinco foram aprovados.

“No fim das contas, ninguém na escola ou na comunidade é a favor de ter armas, mas se uma pessoa ruim vier até a escola, agora estaremos aptos a lidar com a situação”, disse ele.

“Nós não temos um departamento local de polícia na nossa cidadezinha, e a delegacia fica a pelo menos 15 ou 20 minutos em um bom dia. A principal razão disso (de armar os professores) é fechar uma lacuna.”

Alguns membros da equipe se opuseram abertamente à presença de armas e um professor chegou a deixar a escola por causa disso, mas a reação geral dos funcionários e da comunidade foi de apoio, disse ele.

Em uma sondagem feita pela Associação Nacional de Educação, em 2013, apenas 22% dos professores do país disseram aprovar a ideia de ter a equipe armada, enquanto 68% disseram se opor.

‘Dar uma de Rambo’

 O treinamento de três dias dado pela 'Faster' divide opiniões

O treinamento de três dias dado pela ‘Faster’ divide opiniões

BBC Brasil

Em Michigan, quando os senadores aprovaram uma lei em novembro que estendia a chamada “concealed carry” — a permissão de porte de armas — em escolas de ensino médio, igrejas, creches e eventos esportivos, o ex-professor e agora senador estadual democrata Jim

Ananich fazia parte da minoria contrária ao projeto.

Ele disse que a “grande maioria” dos seus ex-colegas também desaprovaria a mudança.

“Tentar dar uma de Rambo não se encaixa na realidade de uma situação estressante”, afirma. “Indivíduos não treinados são muito mais propensos a atirar em um transeunte, em um policial ou em uma criança.”

Os três dias de treinamento da “Faster” — e a formação mínima legalmente exigida em Michigan, de apenas oito horas — não são o suficiente, ressalta.

“Seguir a filosofia da NRA, de que você pode pôr armas nas mãos de professores e de indivíduos não treinados, e esperar que eles tomem decisões que agentes da lei ou militares devem tomar é um retrocesso e é perigoso.”

Os que lutam para manter as armas fora das escolas dizem que armar professores é uma solução ruim para o problema errado, particularmente em Estados em que faltam leis para permitir a posse de armas de fogo em casa.

De acordo com o Giffords Law Center, 27 Estados e o Distrito de Columbia têm algum tipo de lei de prevenção de acesso à criança (CAP, na sigla em inglês), determinando o quão seguras as armas devem ser guardadas dentro de casa.

As leis de CAP no Kentucky — onde o atirador teria pego a arma de dentro do guarda-roupa dos pais — estão entre as mais fracas de todos os Estados. Lá, pais e outros responsáveis legais apenas infringirão a lei se deliberadamente derem a arma a uma criança condenada por um crime violento ou propensa a cometer um delito.

Na prática, grupos como o Campaign to Keep Guns Off Campus (“Campanha para manter armas fora do campus”), que se opõe a políticas que obrigariam as universidades a terem armas, estão lutando em cada Estado contra a NRA, seus afiliados em âmbito estadual e outros grupos de defesa de armas para derrotar legislações pró-armas nas escolas.

“Nós — a comunidade de prevenção à violência armada — estamos derrubando a maioria dos projetos de lei agora, mas a força do outro lado está lá”, disse Andy Pelosi, diretor da Keep Guns off Campus.

“A NRA tem suas impressões digitais sobre esta questão agora. Eles querem espalhar armas em todos os lugares”, acrescentou ele.

A NRA foi procurada pela reportagem, mas não respondeu ao pedido de entrevista para comentar o assunto.

FONTE: BBC BRASIL

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

CHARGE – CARTUNISTA

COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: Confiança Empresarial diminui com cenário econômico de incerteza – Por Silvio Persivo

    Insistir é preciso. “De tudo ficaram três coisas: A certeza de que estamos começando. A certeza de que precisamos continuar. A certeza de seremos interrompidos antes de terminar. Portanto, devemos fazer da interrupção um caminho novo. Da queda, um passo de dança. Do medo, uma escada. Do sonho, uma ponte. Da procura, um encontro” (Fernando Sabino). IV SIMPÓSIO DE CIÊNCIA E PESQUISA A da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa do Estado de Rondônia (Fapero) com o objetivo de aproximar a sociedade da comunidade científica e apresentar os seus resultados nos projetos apoiados pela instituição,) realiza o IV Simpósio de Ciência e Pesquisa (Simfap), nos dias 5 e 6 de novembro. O evento reúne pesquisadores para compartilhar seus trabalhos, fortalecer a ciência, a tecnologia e a inovação no estado.. O evento om palestras, mesas-redondas, debates e apresentações de trabalhos científicos será realizado no Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO), na Avenida Presidente Dutra, nº 1889, em Porto Velho, e as inscrições estão abertas até o dia 4 de novembro, O presidente da Fapero, Paulo Renato Haddad, disse que o Simfap já se tornou uma tradição “Mais do que apresentar resultados, o evento é uma forma de dar transparência aos investimentos realizados em ciência, tecnologia e inovação, aproximando a população das pesquisas e demonstrando como esses recursos estão contribuindo para o desenvolvimento de Rondônia”. COMEÇOU O PERÍDO DE DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE REBANHOS Começou neste último domingo (1º), o período para a segunda etapa da declaração obrigatória de rebanhos em Rondônia. A atualização cadastral deve ser realizada até 30 de novembro pelos produtores rurais que criam bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos, suínos, equídeos e aves. O procedimento é realizado junto à Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron). Durante o período, a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) fica condicionada à regularização das informações cadastrais e os produtores só poderão movimentar os animais para transporte ou comercialização depois de feitaa declaração do rebanho. No sistema Idaron Online, os pecuaristas vão classificar o gado como leiteiro ou de corte e informar os números de nascimentos e mortes desde maio. Também será necessário indicar a faixa etária dos animais, especificando quantos, entre os nascidos depois da primeira etapa da declaração, têm de quatro a seis meses e quantos têm de um a três meses de idade. Por fim deve ser feito o ajuste automático do total dos rebanhos no sistema, a partir das alterações informadas pelo produtor. A A atualização cadastral, como se sabe, é necessária para manter o status sanitário de Rondônia como área livre de febre aftosa sem vacinação. CONFIANÇA DOS EMPRESÁRIOS DIMINUI COM CENÁRIO ECONÔMICO DE INCERTEZA Segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), os empresários do comércio, no último e mais forte trimestre para o setor no ano, estão menos otimistas, com menos planos de expansão e contratação. O Icec registrou um recuo de 2,7% em outubro, resultado das incertezas do cenário econômico e apresentou sua quarta queda consecutiva e a mais intensa desde julho, já descontados os efeitos sazonais. Com este resultado, o indicador reduziu para os 96,7 pontos, ficando abaixo do nível de neutralidade e atingindo o valor mais baixo desde maio de 2021, na pandemia, quando marcou 94,5 pontos. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, “O comércio acende um alerta para todo o país ao entrar no período mais lucrativo do calendário, sob cautela. Quando o empresário pisa no freio das contratações e dos investimentos, toda economia desacelera, reflexo direto das incertezas nos âmbitos fiscal e monetário que travam as decisões de negócios neste último trimestre”, analisou. Em Rondônia, a situação é um pouco melhor mesmo com o Icec caindo de 107,3 pontos para 105,9 pontos, ou seja, uma queda de -1,3%. Rondônia, em geral, possui um comportamento mais otimista e resiliente, mas, ainda assim, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia-Fecomércio/RO, Raniery Araújo Coêlho, afirmou ser preciso “Maior previsibilidade, segurança jurídica e políticas monetárias que reduzam os custos das operações do nosso setor. O comércio, nas condições atuais, mesmo querendo expandir e gerar postos de trabalho sofre com a falta de um ambiente mais favorável para manter o crescimento”. E também aconselhou os empresários a realizarem promoções e facilidades maiores para atrair os clientes neste final de ano. REINCIDÊNCIA DE INADIMPLENTES BATE RECORDE Um sintoma deste problema é o fato do Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em setembro, revelar que se verificou o maior recorde no número de consumidores negativados nas listas de inadimplentes. Em setembro de 2026, do total de negativações, 87,44% foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses. Acrescente-se que no universo de reincidentes, a maior parte, 67,05%, ainda não havia quitado as pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 20,38% tinham saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 12,56% dos negativados em setembro não estiveram com restrições no CPF ao longo do último ano. Mais: o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento das demais pendências para os reincidentes foi de 72,5 dias. Isto significa que, em média, depois de cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence. Também se observa que houve um crescimento de 18,28% no número de devedores reincidentes, os que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes, na comparação com os 12 meses anteriores. É uma forte indicação de que o programa Desenrola não deu certo. AUTOR: SILVIO PERSIVO –  COLUNA TEIA DIGITAL

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