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De celulares ao empreendedorismo: O que mudou em Cuba desde que Fidel deixou o poder

A cada dia existem mais empreendedores privados, cubanos viajando para outros países e negócios no mercado imobiliário – algo impensável há 15, 30, 40 ou 50 anos.

Para muitos, isso é uma prova de que a versão do fidelismo iniciada quando Raúl Castro substituiu o irmão no comando do país, em 2008, é muito diferente da original, nascida com a revolução de 1959.

A cada dia existem mais empreendedores privados, cubanos viajando para outros países e negócios no mercado imobiliário – algo impensável há 15, 30, 40 ou 50 anos.

Para muitos, isso é uma prova de que a versão do fidelismo iniciada quando Raúl Castro substituiu o irmão no comando do país, em 2008, é muito diferente da original, nascida com a revolução de 1959.

sa Escola Nacional de Quadros Sindicais Lázaro Peña.

Ele visitou a ilha nos anos da generosidade soviética, nos momentos difícieis da década de 1990 e das transformações atuais.

“Cuba é cada vez menos o fervor revolucionário de Fidel e mais o reflexo de suas necessidades”, disse Olivera à BBC.

“Vive uma mudança substancial, o aparato estatal já não respondia à realidade da sociedade cubana”, acrescentou.

O boliviano deu como exemplo a diferença entre o “fervor revolucionário” que havia antes da década de 1980 e a vontade de muitos jovens cubanos do presente – a de deixar a ilha.

De Fidel a Raúl

Fora de Cuba, muitos acreditavam que Raúl Castro estava em sintonia total com as políticas do irmão mais velho.

Fidel CastroImage copyrightAFP
Image captionFidel Castro é reconhecido como um dos grandes líderes políticos do século 20

No entanto, em pouco tempo ficou claro que seu governo seria diferente.

Fidel Castro delegou o poder de forma temporária a Raúl em julho de 2006. Dois anos depois, anunciou que deixava a presidência de forma definitiva.

Dentro de Cuba, Raúl gerava percepções variadas antes de assumir o comando do país: desde a de homem “severo” que atuava a mando das Forças Armadas Revolucionárias até a de conselheiro sensato do líder máximo da Revolução Cubana.

Em pouco tempo ele acabou com as incertezas.

Já como presidente, Raúl aboliu rapidamente as proibições vigentes para os cubanos como acesso a hotéis, aluguel de carros e a compra de telefones celulares.

A abertura para a posse de propriedade privada e para os empreendimentos particulares foi considerada por muitos como uma abordagem muito mais pragmática do que a de Fidel Castro.

Além disso, Raúl também determinou que seu mandato presidencial deve ter um limite (até 2018) e aceitou que a Igreja Católica fosse um dos mediadores na questão dos presos políticos.

E as previsões em relação ao pragmatismo do irmão de Fidel Castro ficaram mais fortes depois que foi anunciada a retomada de relações com os Estados Unidos, ocorrida em dezembro de 2014.

Dados

De acordo com o Conselho de Administração de Cuba, há meio milhão de trabalhadores autônomos na ilha.

Cuba
Image captionDesde 2012 são permitidas 201 atividades privadas em Cuba

Existem 201 atividades privadas autorizadas, e um dos negócios mais procurados é o de restaurantes.

Essa explosão de trabalhadores atuando por conta própria tomou um novo impulso a partir de reformas econômicas implantadas por Raúl em 2012.

A retomada das relações com os Estados Unidos, que começou em 2014, é vista como uma demonstração de apoio a esse impulso empreendedor.

Tanto López como Olivera concordam que essa não era a Cuba que Fidel Castro estimulou nos anos da Guerra Fria.

Mas, na avaliação dos dois, a realidade foi mais forte.

Não é fácil estabelecer com precisão como será o futuro de Cuba, mas é muito provável que com a partida do comandante-em-chefe também desapareçam muitos dos pensamentos mais rígidos e radicais que durante décadas ditaram o destino da Revolução Cubana.

Fonte: BBC

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