Brasil

Crise no RJ: gasto público com Olimpíadas permitiria construção de 600 UPAs

Se verba fosse direcionada à saúde pública, seria possível construir de 600 a 1.090 UPAs 24h

No dia 23 deste mês, funcionários protestaram na porta do Hospital Getúlio Vargas, na Penha, zona norte do Rio. Os manifestantes pediram melhores condições de trabalho e pagamento de salários atrasados. As portas da unidade foram fechadas com tapumes na tarde do dia anterior. Pacientes que procuraram a unidade encontram cartazes afirmando que a unidade de saúde só atenderia pessoas com risco de morte. Nesta quarta (30), a secretaria diz que o hospital funcionava normalmenteCacau Fernandes/Ag. O Dia/23.12.2015
Depois de peregrinar por 3 hospitais com Diogo Dias, de seis anos, em razão de fraturas no braço, a avó Marilda Dias conseguiu que a criança fosse atendida no Hospital Getúlio Vargas no dia 23 deste mêsCacau Fernandes/Ag. O Dia/23.12.2015

A crise nas finanças do Estado do Rio de Janeiro paralisou a Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e provocou atrasos no pagamento de salários e da segunda parcela do 13º salário de servidores. O mais novo — e grave — episódio da crise afeta um dos principais serviços prestados à população: a saúde. Na semana passada, funcionários com salários atrasados e a falta de insumos levaram ao fechamento de hospitais estaduais.

Dívidas do Estado com fornecedores deixaram hospitais sem remédios e itens básicos, como algodão, esparadrapo e luvas. O governo do Rio atribui o cenário à retração da economia, redução na arrecadação de ICMS e queda no preço do petróleo que provocou perda de 60% nos repasses dos chamados royalties e participações especiais.

O governo decretou situação de emergência na saúde. A situação começou a voltar à normalidade após envio de verba federal e empréstimo da prefeitura, mas o risco de novos problemas não está afastado em razão da crise financeira do Estado. Para o médico Jorge Darze, presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, planejar o orçamento com base em receitas instáveis, como os royalties, é uma “ilegalidade”. Ele ainda aponta que o governo estadual não direciona 12% do seu orçamento à saúde, conforme estabelecido na Constituição, gerando o que chamou de um “buraco” de R$ 660 milhões.

— Ao mesmo tempo, as obras de extensão do metrô continuaram, as obras das Olimpíadas estão sendo finalizadas. Então é como se a saúde pública fosse uma coisa secundária diante dessas pessoas que governam o Rio de Janeiro (…) O que deve ter ocorrido é o governo ter priorizado outras áreas em detrimento da saúde pública.

Em meio aos problemas financeiros, muita gente se questiona por que as obras das Olimpíadas, a serem realizadas na capital fluminense em agosto do próximo ano, não foram afetadas. Se os gastos públicos nos Jogos de 2016 fossem direcionados à saúde pública, seria possível construir de 600 a 1.090 UPAs 24h (Unidades de Pronto Atendimento) ou 3.104 UBSs (Unidades Básicas de Saúde).

Os cálculos foram feitos pelo R7 com base no cruzamento dos gastos públicos (municipais, estaduais e federais) em projetos associados exclusivamente à realização dos Jogos — parte do orçamento olímpico chamada de Matriz de Responsabilidades — com os custos de construção, mobiliário e equipamentos de UPAs e UBSs determinados em portaria de março de 2013 do Ministério da Saúde em vigor até os dias de hoje. Não foram considerados no cálculo os valores de custeio mensal das unidades de saúde.

Segundo a Autoridade Pública Olímpica, que coordena a participação nos Jogos da União, Estado e município, os gastos totais são de R$ 38,2 bilhões — 57% da iniciativa privada e 43% dos cofres públicos —, conforme a última atualização de junho deste ano.

Essas despesas são divididas em três partes: orçamento do comitê organizador (custos operacionais do evento e das competições bancados pela iniciativa privada no valor de R$ 7 bilhões); Matriz de Responsabilidades, cujo orçamento é de R$ 6,6 bilhões — R$ 4,2 bilhões por meio de PPPs (Parcerias Público Privadas) e R$ 2,4 bilhões de verba pública — e Plano de Políticas Públicas (Legado) com 27 projetos com baixa ou nenhuma relação com os Jogos, mas que se beneficiam do evento para antecipar ou ampliar investimentos em infraestrutura — dos R$ 24,6 bilhões previstos, 43% se dão por meio de PPPs.

Para o cálculo desta reportagem, foram desconsiderados os valores empregados no chamado Legado, quem envolvem projetos voltados para o Rio de Janeiro, como a construção da linha 4 do metrô e a despoluição da baía de Guanabara. O cruzamento de dados considerou os investimentos públicos de R$ 2,4 bilhões que integram a Matriz de Responsabilidades (atualizada a cada seis meses) aplicados nas instalações esportivas, como o Parque Olímpico da Barra e o Complexo de Deodoro.

O valor foi comparado com investimentos repassados pelo governo federal, via Ministério da Saúde, a governos e municípios para a construção, mobiliários e equipamentos de novas UPAs 24 horas, unidades de saúde intermediárias entre atenção básica e hospitalar que funcionam sem interrupção. Entre outros serviços, as UPAs prestam primeiro atendimento a pacientes que sofreram traumas, inclusive aos que necessitam de cirurgia, estabilizam pacientes atendidos pelo Samu 192 e realizam consultas médicas em pronto atendimento a casos de menor gravidade.

Durante a crise na saúde do Rio, o serviço de UPAs foram afetados, como o caso da unidade de Colubandê, em São Gonçalo, região metropolitana, que, nesta semana, restringiu o atendimento por motivo de falta de segurança. Isso porque os salários de funcionários terceirizados que cuidam dessa área atrasaram e eles não foram trabalhar. Uma viatura da PM fazia a segurança na porta da unidade. Nesta quarta-feira (30), a Secretaria Estadual de Saúde informou que todas as UPAs de gestão estadual funcionavam normalmente. Os hospitais, que operavam com restrições na semana passada, também funcionam normalmente, segundo a secretaria, mas seguem encaminhando pacientes de baixa complexidade para UPAs e UBSs.

Segundo portaria do Ministério da Saúde, os repasses federais para construção de UPAs novas são diferentes conforme o porte da unidade de saúde. As UPAs de porte 1 — instaladas em áreas com até 100 mil habitantes e que atendem, em média, 150 pacientes em 24 horas, com ao menos quatro médicos e sete leitos — recebem R$ 2,2 milhões. Já as UPAs de porte 3 — instaladas em áreas de até 300 mil habitantes e que atendem, em média, 350 pacientes em 24 horas, com ao menos nove médicos e 15 leitos — recebem investimentos de R$ 4 milhões.

Com os R$ 2,4 bilhões do orçamento olímpico seria possível construir, com mobília e equipamentos, 1.090 UPAs de porte 1 e 600 UPAs de porte 3.

Já, se o dinheiro fosse aplicado somente em UBSs de porte 4 (que abrigam quatro equipes de atenção básica) — a maior segundo critério de portaria do Ministério da Saúde —, cujo repasse definido é de R$ 773 mil, seria possível construir 3.104 unidades.

Fonte: R7

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COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • PODCAST: “Não se pode confundir gentileza com fraqueza”, diz Marcos Rogério ao falar sobre como pretende governar Rondônia

    Em entrevista a Robson Oliveira no Resenha Política, governador eleito aborda relação com Léo Moraes, formação da equipe, saúde, segurança pública, investimentos e articulações para o início do mandato Eleito governador de Rondônia no primeiro turno das eleições de 4 de outubro, Marcos Rogério (PL) falou sobre a postura que pretende adotar à frente do Executivo estadual durante entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado pelo jornalista Robson Oliveira, em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica. Questionado sobre como conciliará o histórico de confrontos políticos com a necessidade de diálogo, respondeu: “Não se pode confundir gentileza com fraqueza e nem falar alto com autoridade”. O governador eleito afirmou que pretende liderar também aqueles que pensam de maneira diferente e defendeu uma administração baseada na competência técnica, independentemente de filiações partidárias. Ao afastar a possibilidade de perseguições políticas contra servidores, declarou: “Vai ter caça-talentos”. Segundo ele, a prioridade será reunir profissionais capazes de produzir resultados, sem compromissos de loteamento de cargos. Na área administrativa, Marcos Rogério apresentou as primeiras medidas que pretende adotar depois da posse, com atenção especial à saúde e à segurança pública. Anunciou a intenção de instalar um gabinete de crise, coordenado pessoalmente pelo governador, para enfrentar as filas de pacientes que aguardam consultas especializadas, exames e cirurgias. Também reafirmou os projetos de construção de um Hospital de Urgência em Porto Velho, para substituir o João Paulo II, e de um hospital de traumas na região de Ji-Paraná, cuja estrutura pretende financiar com recursos do Detran. Na segurança, defendeu o retorno de policiais militares atualmente empregados em outras funções ao trabalho operacional, como resposta emergencial à deficiência de efetivo. Reconheceu, entretanto, que a recomposição das forças policiais será um dos maiores desafios dos primeiros dois anos de mandato. A relação com o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos), também ocupou espaço importante da entrevista. Marcos Rogério confirmou a manutenção dos compromissos assumidos durante a campanha e atribuiu ao apoio do prefeito parte do resultado eleitoral alcançado na capital. O governador eleito reconheceu que ambos tiveram divergências políticas no passado, mas afirmou que conseguiram superá-las por meio do diálogo. “A gente tem mais convergência do que divergência”, declarou. Entre as ações previstas na parceria, destacou a pavimentação do acesso entre a BR-364 e União Bandeirantes, melhorias na Estrada da Penal e investimentos em infraestrutura urbana e agricultura familiar. Marcos Rogério também comentou a destinação de recursos para o centro de convenções, unidades escolares e outras intervenções na capital, defendendo uma atuação conjunta entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Porto Velho. No campo político, o governador eleito abordou a formação de sua equipe de transição, a composição do futuro secretariado, a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa e a convivência com o vice-governador eleito Rodrigo Camargo (Podemos). Defendeu uma equipe inicial enxuta, de perfil técnico, para diagnosticar a situação financeira e administrativa do Estado. Sobre o Legislativo, afirmou que respeitará a autonomia dos deputados, embora considere importante a escolha de um presidente alinhado ao projeto aprovado nas urnas. Também falou sobre o cenário político nacional, Flávio Bolsonaro, infraestrutura e os desafios econômicos de Rondônia. Ao avaliar as expectativas em torno de seu mandato, reconheceu as limitações orçamentárias e evitou estabelecer soluções imediatas para problemas estruturais. “Não estou prometendo milagre”, afirmou. Durante a conversa com Robson Oliveira, reforçou que seu principal objetivo será destravar a administração pública, recuperar a capacidade de investimento e transformar os compromissos eleitorais em resultados concretos para a população. ASSISTA: FONTE: RONDONIA DINAMICA 

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • TEIA DIGITAL: Em Setembro, Balança Comercial em Rondônia apresenta resultado negativo – Por Silvio Persivo

    E querem nos dizer o que devemos fazer sem considerar nossos interesses. “Eles não aprenderam nada e não esqueceram nada” (Charles Maurice de Talleyrand-Périgord). 3ª EXPOTURISMO ENCERRA COM IMENSO SUCESSO Realizada com muito sucesso, de público e de movimentação financeira, a 3ª Expo Turismo Rondônia 2026, que, este ano, foi no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, brilhou pela diversidade dos estandes. A feira reuniu empreendedores, especialistas, representantes de municípios e profissionais do setor. Estiveram presentes mais de 10 mil visitantes ao longo dos três dias para visitar 85 estandes, especialistas e empreendedores do setor. O evento ampliou a visibilidade dos negócios, estimulou parcerias e incluiu palestras, workshops, aulas-show, debates, oficinas, talk shows e capacitações, além da exposição de produtos, serviços e experiências turísticas. Também a pesca esportiva foi o grande destaque com a presença de Nelson Nakamura e os filhos Renan e Vitor Nakamura, referências na pesca esportiva. Nelson Nakamura e os filhos participam da Expo pela terceira vez, com presença em workshops e atividades voltadas ao segmento, ao lado de outros especialistas do setor. O evento foi realizado pel0 governo de Rondônia por meio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio-RO) e o apoio da Prefeitura Municipal de Porto Velho.  O governador Marcos Rocha destacou sobre o evento a importância de valorizar os atrativos regionais e criar oportunidades para empreendedores e municípios por meio do turismo. AS CRIANÇAS AINDA SÃO MAIORIA EM RONDÔNIA O Dia das Crianças foi muito comemorado em Rondônia, mas, é preciso frisar que, no Brasil, hoje, existem 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais contra apenas 26,4 milhões de crianças de até 9 anos. É uma diferença de 10 milhões a favor dos idosos, o que reflete a virada demográfica que começou em 2020 e deve se aprofundar em 2040, quando serão 2,5 idosos para cada criança. Em 2000, as crianças eram 19,8% da população. Hoje são somente 12,3%, ou 1 em cada 8 brasileiros. Já em 18 das 27 unidades da federação há mais idosos do que crianças. O Rio Grande do Sul lidera com a maior proporção de idosos: possui 1,96 idoso por criança. Já Rondônia, a proporção é de 1,18 criança de até 9 anos para cada idoso com 60 anos ou mais (ou cerca de 85 idosos para cada 100 crianças nessa faixa etária). EM SETEMBRO BALANÇA COMERCIAL DE RONDÔNIA APRESENTA RESULTADO NEGATIVO O comércio exterior de Rondônia, em setembro, segundo o Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), fechou o mês com déficit de US$ 59,5 milhões, valor proveniente de US$ 195,7 milhões em vendas e US$ 255,2 milhões, mas, no acumulado de janeiro a setembro deste ano, o resultado permanece favorável ao Estado, com saldo positivo de US$ 560,2 milhões. O resultado de setembro decorre do aumento das importações que chegou perto de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O que também contribuiu, porém em menor proporção, foram as limitações tarifárias sobre a carne bovina na China, que atingiu o teto da cota anual, e passou a receber uma sobretaxa de 55% em cima da taxa base de 12%, totalizando a alíquota de 67%. Para contornar as restrições no país asiático, frigoríficos e produtores locais redirecionaram seus carregamentos para destinos como Chile, Estados Unidos e Canadá. A pauta de embarques permaneceu concentrada na carne bovina, responsável por 58,1% das vendas, e o milho, com 23,3%. O mercado de café também apresentou teve expansão contínua, com 7,3% da pauta mensal. O café ganhou protagonismo na balança comercial pelo forte crescimento em 2026. O volume total do grão embarcado até o momento perfaz quase o dobro de tudo o que foi exportado ao longo do ano de 2025. Nas importações, a China respondeu por 41,2% do total acumulado no ano, somando US$ 953,6 milhões, acompanhada por parceiros como Argentina e Estados Unidos. Os valores elevados de compras externas decorrem do modelo tributário de importação escritural garantido pela legislação estadual. Neste sistema, as empresas registradas em Rondônia efetuam o recolhimento de tributos no Estado, enquanto os produtos entram no país por portos de outras regiões e seguem para o destino final, sem significar consumo direto pela população local. UNIVERSIDADES EM XEQUE A atual disputa eleitoral está desnudando, de uma forma até burlesca, o que acontece nas universidades brasileiras e como essas se encontram distantes dos problemas reais do país. É fato que a tecnologia e o progresso estão obrigando a academia a mudar o que fazem. Porém, com as manifestações estudantis e os problemas que surgem internamente de incêndios e uso das instalações para politicagem, a questão que aflora se tornou mais grave. Começa-se a questionar não somente “apenas o que fazem” e sim também “os que fazem”. Há professores passando vergonha tanto pelos discursos ultrapassados como pela demonstração de falta de conhecimento demonstrando que o saber está realmente escasso nas universidades. E isto se demonstra tanto pela queda das instituições nos rankings de classificação, em relação as de outros países, como pela deterioração visível dos campus e instalações onde as pichações, a falta de manutenção e a sujeira dão uma triste demonstração de como se encontram locais que deveriam ser espelhos para a sociedade. E o mais preocupante é que esta desvalorização das universidades se visualiza quando há um declínio de uma das suas principais razões de existência, que é a realização de pesquisas. Antes o setor produtivo precisava dos recursos que as universidades possuíam, da aliança entre ensino e pesquisa, inclusive para sustentar os salários das pessoas capazes de realizar este tipo de pesquisa. Agora, tudo indica que, com a crescente perda de importância das pesquisas universitárias, as empresas apostam mais nos seus próprios recursos e de que a inteligência artificial será cada vez mais capaz de realizar grande parte das pesquisas necessárias. Por isto diminuem a procura por vagas, […]

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