Justiça

Congresso está prestes a aprovar projeto de lei que diminui transparência sobre uso do funado partidário

Já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e está prestes a ser votado no Senado o PL 5.029 que, na teoria, altera regras eleitorais e partidárias e, na prática, diminui a transparência dos partidos políticos e também o poder de fiscalização do poder público e da sociedade. Isso porque o texto abre brechas na prestação de contas dos partidos em relação ao uso do Fundo Partidário e dificulta a penalização caso haja alguma irregularidade.

O Fundo Partidário é anual e destina cerca de R$ 1 bilhão às legendas do país, distribuídos proporcionalmente ao tamanho das siglas. Desde 2017, os partidos realizam a prestação de contas anual desse dinheiro em um software único, o Sistema de Prestação de Contas Anual (SPCA), que é uniformizado e padrão para todos os partidos. Como conta Manoel Galdino, diretor-executivo da Transparência Brasil, isso tornou possível pela primeira vez ter acesso aos dados de como as siglas usam os recursos do fundo partidário. “Descobrimos várias coisas irregulares”, conta. O PL, caso seja aprovado, acaba com o uso desse sistema ao permitir que os partidos prestem conta com qualquer software, sem uniformização. “Isso vai inviabilizar que os técnicos do TSE fiscalizem essa prestação de contas, assim como a sociedade civil”, explica.

Na prática, o SPCA funciona de maneira semelhante aos softwares que utilizamos para declaração do Imposto de Renda. Lá, os partidos detalham quanto gastam com itens como salários de dirigentes partidários, viagens, auxílio-moradia, etc. Como ele tem rubricas padronizadas, permite a fiscalização pela Justiça eleitoral. “Se uma sigla usar um sistema em que ele chama salário de uma coisa, auxílio-moradia de outro, etc, você inviabiliza o entendimento, a comparação dessas informações”, explica Galdino. “Hoje, os técnicos sabem o que significam cada uma das entradas, e com softwares diferentes isso vai ficar difícil. E no Brasil hoje temos muitos partidos, com muitas contas e gastos.”

O PL também deve dificultar que as legendas sejam penalizadas caso apresentem informações que não sejam fidedignas em sua prestação de contas. Só haverá punição caso seja provado que o partido agiu com dolo, ou seja, má fé.  “Você pode prestar informações falsas porque vai ser impossível provar que você fez isso por má fé, e não por descuido ou erro. Essa ausência de punição é um incentivo para que isso seja cometido”, diz Galdino.

O projeto permite ainda que partidos usem verba partidária para contratar advogados para “interesse direto e indireto do partido, bem como nos litígios que envolvam candidatos”. Na prática, o fundo poderá ser usado inclusive para pagamento de defesa de políticos acusados de corrupção.

O Senado tentou votar o PL a toque de caixa na última quarta-feira, 11, mas a análise da proposta foi adiada para a próxima terça-feira 17. Isso porque houve pressão de parlamentares e organizações da sociedade civil. A Transparência Brasil, junto com outras organizações como Transparência Partidária e Contas Abertas, publicou na quarta-feira uma carta aberta ao presidente do Senado, David Alcolumbre, de repúdio à proposta. “A indecorosa proposta representa um dos maiores retrocessos dos últimos anos para transparência e integridade do sistema partidário brasileiro”, diz o texto.

FONTE: ÉPOCA

FRNEWS TV: Intercâmbio técnico fortalece parceria entre SENAR Rondônia e SENAR Mato Grosso

CLIQUE NA IMAGEM ABAIXO E ACESSE NOSSO APLICATIVO NA NUVEM

COLUNISTAS

PUBLICIDADE

Acesse nossa Página do Facebook

RESENHA POLITICA

TEIA DIGITAL

  • Coluna Teia Digita: Micro e Pequenas empresas exige mudanças para enfrentar 2027 – Por Silvio Persivo

    Que nem promessa de político depois das eleições. “Estou tentando escrever uma autobiografia. Mas, não me lembro nem de ontem” (Keith Richard). BANCOS DE RONDÔNIA SUSPENDERAM ATENDIMENTO PRESENCIAL NA QUINTA-FEIRA Os bancários de Rondônia, que reivindicam reajuste salarial, mudanças nos benefícios, entre eles o vale-alimentação, e manutenção dos postos de trabalho, deixaram as agências bancárias […]