Justiça

Com pensão vitalícia e salário, ex-governadores ganham até R$ 64 mil

R7 identificou 74 políticos que usufruem de aposentadoria paga pelos Estados; 38 acumulam rendimentos, incluindo salário de parlamentar

Dezoito Estados brasileiros incluem em suas folhas de pagamento pensões vitalícias a ex-governadores. O gasto com esse tipo de benefício chega a quase R$ 25 milhões por ano.

Um levantamento feito pelo R7 em 25 unidades da federação — Distrito Federal e Amapá não tinham dados disponíveis e também não responderam aos pedidos da reportagem — identificou 74 ex-governadores que recebem cifras muito acima da média salarial do funcionalismo público dos respectivos Estados.

O valor mensal médio da pensão vitalícia é de R$ 24.844,04. A reportagem também fez um cruzamento de dados com órgãos da administração pública (Câmara dos Deputados, Senado Federal, Assembleias Legislativas, prefeituras, ministérios, etc.) e identificou que 38 ex-governadores têm outras fontes de renda pagas pelo poder público. Há situações em que o político possui três pagamentos.

Com aposentadoria vitalícia e salário de parlamentar, alguns desses políticos chegam a ganhar até R$ 64 mil por mês.

Foram considerados os últimos dados disponíveis no Portal da Transparência de cada Estado ou município, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, da União ou relatórios enviados pelas administrações estaduais.

Santa Catarina

O governo catarinense paga pensões de ex-governador a dez políticos: total de R$ 275.040,55 em agosto. É a unidade da federação que mais gasta com esse tipo de benefício.

O atual governador, Eduardo Pinho Moreira (MDB), que havia ocupado o cargo entre 2006 e 2007, também aparece na lista das pensões vitalícias.

Como governador aposentado, ele recebe R$ 18.575,37; e como governador, R$ 15.000. Pinho Moreira ainda tem aposentadoria de ex-deputado federal (1987-1995), no valor de R$ 8.778,38.

A Secretaria de Comunicação de Santa Catarina cita julgamentos do ano passado do STF para falar que os rendimentos de Pinho Moreira são legais.

Governo catarinense diz que pensão segue a lei

Governo catarinense diz que pensão segue a lei

Eduardo Valente/Frame Photo/Folhapress

“[O STF] aprovou a tese de repercussão geral, segundo a qual deve ser aplicado o teto remuneratório constitucional, de forma isolada para cada cargo público acumulado, nas formas autorizadas pela Constituição Federal, que é o caso do governador.”

O ex-governador Paulo Afonso Vieira (MDB) também acumula dois rendimentos — R$ 30.471,11 de pensão e R$ 34.737,06 de salário como auditor fiscal da Receita estadual. No caso dele, a resposta do governo estadual é a mesma: as fontes pagadoras são distintas e não há ilegalidade em receber a pensão e o salário.

O deputado federal Esperidião Amin (PP) governou o Estado por dois mandatos (1983-1987 e 1999-2003) e recebe R$ 30.471,11 mensais, além do salário pago pela Câmara, de R$33.763.

Leonel Pavan (PSDB) era vice-governador e ficou no cargo por nove meses, em 2010. Mesmo assim, ele recebe a aposentadoria integral. Atualmente, é deputado estadual, com salário de R$ 25.322,25 e auxílios de R$ 4.377,73.

Outros três ex-chefes do Executivo catarinense acumulam aposentadoria especial com pensões do Congresso. Além dos R$ 30.471,11, Casildo Maldaner (MDB) ganha R$ 12.637 do Senado; Jorge Bornhausen, mais R$ 13.167,57, também do Senado; e Henrique Córdova, R$ 8.778,38 da Câmara.

Bornhausen é atualmente conselheiro da Associação Comercial de São Paulo. Procurado, o político disse que não tinha interesse em se manifestar sobre o assunto.

A pensão especial é paga também a Colombo Salles e Raimundo Colombo (PSD).

A Assembleia Legislativa catarinense acabou com aposentadorias para governadores que entrarem a partir de 2019. O governo estadual diz que as pensões antigas foram mantidas até que haja uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o caso, o que não tem data para ser julgado.

Rio Grande do Sul

Dos cofres gaúchos saem R$ 229.386,20 todos os meses para pagar as pensões de sete ex-governadores. Eles recebem em torno de R$ 32.600.

Os ex-governadores Alceu Collares (PDT) e Germano Rigotto (MDB) ainda recebem aposentadoria como ex-deputados: R$ 20.884,83 e R$ 11.672,35, respectivamente.

Já o ex-governador Pedro Simon (MDB) é aposentado pelo Senado, com vencimentos de R$ 17.556,76. Ao R7, Simon, de 88 anos, afirmou que abriu mão da pensão do governo do Estado enquanto esteve no Senado (1991-2015), optando apenas pelo salário de parlamentar. “De três anos para cá que eu voltei a receber [a pensão]”, disse.

Também são beneficiados os ex-governadores Antônio Britto Filho, Jair de Oliveira Soares (PP), Olívio Dutra (PT), e Tarso Genro (PT).

Antônio Britto Filho exerceu até maio deste ano o cargo de presidente do conselho consultivo de uma associação da indústria farmacêutica. Segundo a entidade, ele se mudou para os Estados Unidos.

O governo do Rio Grande do Sul informa que os benefícios antigos continuam a ser pagos. Uma mudança na legislação limita o recebimento nos quatro anos subsequentes ao fim do mandato.

Acre

O Acre é o terceiro Estado que mais gasta esses pagamentos: R$ 182.826,66 por mês, ou quase R$ 2,4 milhões por ano. São seis políticos que recebem R$ 30.471,11 mensais.

Entre os ex-governadores mais recentes, Binho Marques (PT) e Jorge Viana (PT) ganham aposentadoria vitalícia. Viana é senador e tem salário de R$ 33.763. Também constam na folha de pagamento: Flaviano Melo (atualmente deputado federal, com o mesmo vencimento: R$ 33.763), Iolanda Fleming, Nabor Júnior e Romildo Magalhães.

Mato Grosso

O governo de Mato Grosso informou que realiza pagamento de pensão a dez ex-governadores. O Estado não considera o tempo de permanência no cargo, portanto, há políticos que sentaram na cadeira por alguns dias e recebem até hoje o benefício.

É o caso de Moisés Feltrin (45 dias), Osvaldo Sobrinho, Edison Freitas de Oliveira, Márcio Lacerda, Iraci Araújo Moreira. Todos os ex-governadores interinos recebem entre R$ 11.597,08 e R$ 15.982,78.

Carlos Bezerra (MDB) é deputado federal, com salário de R$ 33.763. Márcio Lacerda é senador aposentado e ganha R$ 17.556,76. Já Osvaldo Sobrinho tem outra aposentadoria do governo de MT, cuja fonte não é indicada no Portal da Transparência. O valor mensal é de R$ 27.376,35.

O total desembolsado pelo Estado para pagar as pensões é de R$ 158.724,51. A Justiça chegou a suspender os pagamentos em 2014, mas eles foram retomados por decisão do STF em 2016.

Maranhão

No Maranhão, cinco ex-governadores recebem R$ 30.471,11 todos os meses. Um deles é José Sarney (MDB), que tem outra aposentadoria, do Senado, no valor de R$ 29.036,18 — total de R$ 59.507,29 mensais.

Maranhão paga R$ 30,4 mil a ex-governadores

Maranhão paga R$ 30,4 mil a ex-governadores

Ivan Ribeiro/Folhapress

José Reinaldo Tavares (PSDB) recebe a pensão e o salário de deputado federal, de R$ 33.763. O senador Edison Lobão (MDB) também acumula o salário de parlamentar e a pensão. Ambos recebem R$ 64.234,11 mensais.

Os ex-governadores João Alberto de Souza e Roseana Sarney (MDB) também constam na folha de pagamento das pensões especiais. O Estado com a população mais pobre do país gasta R$ 152.355,55 por mês com as pensões a políticos.

Em 2014, quando deixou o governo, Roseana divulgou uma nota em que defendia a aposentadoria. “A pensão vitalícia concedida ao ex-governador é um benefício de natureza adjutória pelo exercício da função pública relevante”.

Paraná

No PR, pensão vitalícia continua em vigor

No PR, pensão vitalícia continua em vigor

Divulgação

Cinco ex-governadores paranaenses recebem pensão vitalícia de R$ 30.471,11. Dentre eles, consta o senador Roberto Requião (MDB), cujos proventos como parlamentar são de R$ 33.763, chegando assim a R$ 64.234,11 por mês.

Na folha de pagamento do Paraná ainda constam: Jaime Lerner (dono de um escritório de urbanismo), João Elísio Ferraz de Campos, Mario Pereira e Orlando Pessuti, presidente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul. Este último ficou por nove meses no cargo.

O Estado gasta por mês R$ 152.355,55 com esses benefícios (mesmo valor do Maranhão). A Seap (Secretaria da Administração e da Previdência) do Estado diz que as pensões vitalícias continuam em vigor, inclusive para os próximos políticos que ingressarem no cargo.

Rondônia

Governo de Rondônia alterou lei de pensões

Governo de Rondônia alterou lei de pensões

Divulgação

Seis ex-governadores de Rondônia recebem mensalmente R$ 25.322,25 — Humberto da Silva Guedes, Ivo Cassol (PP), João Cahulla, José Bianco, Osvaldo Piana e Valdir Raupp (MDB).

Raupp é senador pelo MDB e recebe R$ 33.763 mensais. Ivo Cassol recebeu o mesmo valor até junho, quando pegou uma licença por motivos particulares.

Os gastos do governo estadual com os benefícios somam R$ 151.933,50 todos os meses.

A lei que disciplina o pagamento das pensões vitalícias é de 1985. Segundo o governo de Rondônia, em 2011, uma mudança na legislação impede que ex-governadores que ocuparem cargo na administração estadual acumulem rendimentos. No entanto, a regra não vale para aqueles que possuem cargos em outras esferas, como o Legislativo federal, por exemplo.

Paraíba

Ex-governadores da Paraíba recebem R$ 25,5 mil

Ex-governadores da Paraíba recebem R$ 25,5 mil

Rubens Chaves/Folhapress

Atualmente, cinco ex-governadores da Paraíba recebem aposentadoria vitalícia de R$ 25.500,82. Dentre eles, José Maranhão (MDB) tem cargo de senador, com salário de R$ 33.763.

Dois deles recebem aposentadoria do Senado: Cícero de Lucena (R$ 18.328,48) e Milton Cabral (R$ 27.888,63). Wilson Braga é aposentado pela Câmara dos Deputados (R$ 22.148,53) e também pela Assembleia Legislativa da Paraíba, onde foi deputado estadual (R$ 6.330,50).

Roberto Paulino (MDB) também é beneficiado com a pensão de ex-governador e outra de ex-deputado estadual, no valor de R$ 6.330,50.

O também senador Cássio Cunha Lima (PSDB) governou a Paraíba entre 2003 e 2009. Ele constava na folha de pagamento do Estado até junho (últimos dados disponíveis). No entanto, a assessoria do parlamentar enviou à reportagem cópia de um documento comprovando que a pensão de ex-governador foi suspensa desde 1º de julho deste ano a pedido do próprio político.

O Estado desembolsa R$ 141.004,92 por mês para custear as aposentadorias de ex-governadores.

Rio de Janeiro

Governo do RJ paga pensão a dois ex-governadores

Governo do RJ paga pensão a dois ex-governadores

Lucas Lacaz Ruiz/Folhapress

Principal exemplo do drama financeiro vivido por vários Estados, o Rio de Janeiro paga R$ 39.362,66 por mês a dois ex-governadores. O valor que cada um deles recebe equivale ao salário do atual governador: R$ 19.681,33.

Na lista, aparece o atual ministro de Minas e Energia, Wellington Moreira Franco (MDB), que ainda recebe outros R$ 10.628,33 pelo cargo que ocupa na administração federal.

Também contam na folha de pagamento o nome de Nilo Batista, que é atualmente sócio de um escritório de advocacia na capital fluminense. A reportagem tentou contato com ele, mas a informação é de que o ex-governador está viajando.

Em nota, Secretaria de Estado de Fazenda e Planejamento diz que “a legislação que previa a concessão do benefício exigia também que o mesmo fosse solicitado, mas esse benefício foi revogado por emenda constitucional e não é mais concedido pelo Estado. Os ex-governadores Anthony Garotinho, Benedita da Silva, Rosinha Garotinho e Sérgio Cabral não recebem pensão. O pagamento das pensões de ex-governadores é feito com recursos do Tesouro Estadual, não tendo qualquer impacto nas contas do Rioprevidência”.

O ex-governador Celso Peçanha recebeu até julho de 2016, quando faleceu. “Como ele morreu após a revogação por emenda constitucional, das pensões a ex-governadores e beneficiários, não há pagamento para pensionista”, diz a Fazenda estadual.

Outros Estados

No Amazonas, a reportagem identificou apenas um nome, o de Amazonino Mendes (PTB), atual governador. Além do salário de R$ 30.471,11, o político tem uma aposentadoria de R$ 18.896,78.

Dois ex-governadores do Piauí acumulam aposentadorias. Antonio Freitas Neto recebe R$ 12.481,40 do Estado e mais R$ 17.026,19 como ex-senador. Situação parecida é de Hugo Napoleão, com pensão de R$ 9.615,03 do governo estadual e R$ 22.148,52 do Senado.

O ex-governador Mão Santa (MDB) também recebe pensão de R$ 12.481,40 e soma com o salário de prefeito de Parnaíba, de R$ 15.197,41.

No Rio Grande do Norte, os ex-governadores José Agripino Maia (DEM) e Lavoisier Maia Sobrinho recebem R$ 25.322,25 cada. No caso de Agripino, ele ainda tem o salário de senador, de R$ 33.763.

O senador Agripino Maia sustenta que “por serem de fontes pagadoras distintas (uma federal e outra estadual), tanto os proventos que recebe como senador quanto a pensão de ex-governador têm amparo legal, não apresentando qualquer ilegalidade”.

O governo do RN diz que desde a Constituição de 1988 não concede mais o benefício a políticos que ocupam a chefia do Poder Executivo no Estado.

Minas Gerais acabou com a concessão de novas aposentadorias a ex-governadores em 2011. No entanto, a Secretaria de Estado de Fazenda informa que “por força de decisão judicial, permanece o pagamento da pensão concedida antes da edição da Lei 19.575, especificamente, para o ex-governador Eduardo Brandão de Azeredo”.

Azeredo (PSDB) recebe o mesmo salário do atual governador, que é de R$ 10.500. Além disso, ele também tem aposentadoria de ex-deputado federal, de R$ 10.611,23.

Congresso paga aposentadoria a 17 ex-governadores

Congresso paga aposentadoria a 17 ex-governadores

Wikimedia Commons

Dos três ex-governadores de Sergipe que recebem a pensão vitalícia de R$ 23.484,51, dois estão também na folha de pagamento do Senado Federal. Antonio Carlos Valadares (PSB) tem mandato, com salário de R$ 33.763. Albano Franco tem aposentadoria de R$ 17.556,76.

O senador Valadares afirmou que “é do conhecimento público” o recebimento da pensão dele como ex-governador. Ainda de acordo com o parlamentar, o benefício tem amparo legal, mas ele aguarda que o Congresso edite uma nova lei para disciplinar definitivamente o acúmulo de proventos dos servidores. “Cabe registrar ainda que, desde meu ingresso, no ano de 1995, sempre foi dada ciência ao Senado Federal sobre referida condição remuneratória, conforme comprovação em declarações anuais do Imposto de Renda”, conclui.

Em Pernambuco, dois ex-chefes do Executivo aparecem com pensão especial de R$ 30.471,10 por mês: José Muniz Ramos e também o ex-vice-presidente da República Marco Maciel (governo FHC).

Em Mato Grosso do Sul, consta apenas o nome do ex-governador Marcelo Miranda, com proventos de R$ 30.471,11. Na folha de pagamento de Goiás, aparece o nome do ex-governador Leonino Di Ramos Caiado, com vencimentos de R$ 24.117,21.

No Ceará, o ex-governador Luiz de Gonzaga Fonseca Mota tem pensão de R$ 29.935,18. Adauto Bezerra recebe R$ 18.896,78 e Francisco de Paula Rocha Aguiar, R$ 30.471,11.

Outro lado

O R7 tentou contato com todos os políticos citados na reportagem. Em alguns casos, não foi possível localizá-los. Em outros, os assessores se comprometeram a enviar um posicionamento, mas não o fizeram. Também houve quem não quis se pronunciar. As respostas daqueles que se manifestaram até o fechamento desta reportagem foram incluídas no texto acima.

FONTE: R7.COM

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COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • TEIA DIGITAL: Em Setembro, Balança Comercial em Rondônia apresenta resultado negativo – Por Silvio Persivo

    E querem nos dizer o que devemos fazer sem considerar nossos interesses. “Eles não aprenderam nada e não esqueceram nada” (Charles Maurice de Talleyrand-Périgord). 3ª EXPOTURISMO ENCERRA COM IMENSO SUCESSO Realizada com muito sucesso, de público e de movimentação financeira, a 3ª Expo Turismo Rondônia 2026, que, este ano, foi no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, brilhou pela diversidade dos estandes. A feira reuniu empreendedores, especialistas, representantes de municípios e profissionais do setor. Estiveram presentes mais de 10 mil visitantes ao longo dos três dias para visitar 85 estandes, especialistas e empreendedores do setor. O evento ampliou a visibilidade dos negócios, estimulou parcerias e incluiu palestras, workshops, aulas-show, debates, oficinas, talk shows e capacitações, além da exposição de produtos, serviços e experiências turísticas. Também a pesca esportiva foi o grande destaque com a presença de Nelson Nakamura e os filhos Renan e Vitor Nakamura, referências na pesca esportiva. Nelson Nakamura e os filhos participam da Expo pela terceira vez, com presença em workshops e atividades voltadas ao segmento, ao lado de outros especialistas do setor. O evento foi realizado pel0 governo de Rondônia por meio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio-RO) e o apoio da Prefeitura Municipal de Porto Velho.  O governador Marcos Rocha destacou sobre o evento a importância de valorizar os atrativos regionais e criar oportunidades para empreendedores e municípios por meio do turismo. AS CRIANÇAS AINDA SÃO MAIORIA EM RONDÔNIA O Dia das Crianças foi muito comemorado em Rondônia, mas, é preciso frisar que, no Brasil, hoje, existem 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais contra apenas 26,4 milhões de crianças de até 9 anos. É uma diferença de 10 milhões a favor dos idosos, o que reflete a virada demográfica que começou em 2020 e deve se aprofundar em 2040, quando serão 2,5 idosos para cada criança. Em 2000, as crianças eram 19,8% da população. Hoje são somente 12,3%, ou 1 em cada 8 brasileiros. Já em 18 das 27 unidades da federação há mais idosos do que crianças. O Rio Grande do Sul lidera com a maior proporção de idosos: possui 1,96 idoso por criança. Já Rondônia, a proporção é de 1,18 criança de até 9 anos para cada idoso com 60 anos ou mais (ou cerca de 85 idosos para cada 100 crianças nessa faixa etária). EM SETEMBRO BALANÇA COMERCIAL DE RONDÔNIA APRESENTA RESULTADO NEGATIVO O comércio exterior de Rondônia, em setembro, segundo o Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), fechou o mês com déficit de US$ 59,5 milhões, valor proveniente de US$ 195,7 milhões em vendas e US$ 255,2 milhões, mas, no acumulado de janeiro a setembro deste ano, o resultado permanece favorável ao Estado, com saldo positivo de US$ 560,2 milhões. O resultado de setembro decorre do aumento das importações que chegou perto de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O que também contribuiu, porém em menor proporção, foram as limitações tarifárias sobre a carne bovina na China, que atingiu o teto da cota anual, e passou a receber uma sobretaxa de 55% em cima da taxa base de 12%, totalizando a alíquota de 67%. Para contornar as restrições no país asiático, frigoríficos e produtores locais redirecionaram seus carregamentos para destinos como Chile, Estados Unidos e Canadá. A pauta de embarques permaneceu concentrada na carne bovina, responsável por 58,1% das vendas, e o milho, com 23,3%. O mercado de café também apresentou teve expansão contínua, com 7,3% da pauta mensal. O café ganhou protagonismo na balança comercial pelo forte crescimento em 2026. O volume total do grão embarcado até o momento perfaz quase o dobro de tudo o que foi exportado ao longo do ano de 2025. Nas importações, a China respondeu por 41,2% do total acumulado no ano, somando US$ 953,6 milhões, acompanhada por parceiros como Argentina e Estados Unidos. Os valores elevados de compras externas decorrem do modelo tributário de importação escritural garantido pela legislação estadual. Neste sistema, as empresas registradas em Rondônia efetuam o recolhimento de tributos no Estado, enquanto os produtos entram no país por portos de outras regiões e seguem para o destino final, sem significar consumo direto pela população local. UNIVERSIDADES EM XEQUE A atual disputa eleitoral está desnudando, de uma forma até burlesca, o que acontece nas universidades brasileiras e como essas se encontram distantes dos problemas reais do país. É fato que a tecnologia e o progresso estão obrigando a academia a mudar o que fazem. Porém, com as manifestações estudantis e os problemas que surgem internamente de incêndios e uso das instalações para politicagem, a questão que aflora se tornou mais grave. Começa-se a questionar não somente “apenas o que fazem” e sim também “os que fazem”. Há professores passando vergonha tanto pelos discursos ultrapassados como pela demonstração de falta de conhecimento demonstrando que o saber está realmente escasso nas universidades. E isto se demonstra tanto pela queda das instituições nos rankings de classificação, em relação as de outros países, como pela deterioração visível dos campus e instalações onde as pichações, a falta de manutenção e a sujeira dão uma triste demonstração de como se encontram locais que deveriam ser espelhos para a sociedade. E o mais preocupante é que esta desvalorização das universidades se visualiza quando há um declínio de uma das suas principais razões de existência, que é a realização de pesquisas. Antes o setor produtivo precisava dos recursos que as universidades possuíam, da aliança entre ensino e pesquisa, inclusive para sustentar os salários das pessoas capazes de realizar este tipo de pesquisa. Agora, tudo indica que, com a crescente perda de importância das pesquisas universitárias, as empresas apostam mais nos seus próprios recursos e de que a inteligência artificial será cada vez mais capaz de realizar grande parte das pesquisas necessárias. Por isto diminuem a procura por vagas, […]

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