Brasil

Dinheiro esquecido em bancos soma R$ 6,24 bilhões

Pessoas físicas concentram 71% do saldo; 67,6% dos beneficiários têm apenas até R$ 10 disponíveis para resgate

Os brasileiros possuem R$ 6,24 bilhões esquecidos em bancos e outras instituições financeiras com base em dados de maio de 2026 do Sistema de Valores a Receber (SVR) do Banco Central (BC). Os números foram apresentados nesta terça-feira (14).

Do total disponível, R$ 4,44 bilhões (71,1%) pertencem a 24,08 milhões de pessoas físicas. Outros R$ 1,80 bilhão podem ser retirados por 2,27 milhões de empresas.

O saldo caiu cerca de R$ 4,08 bilhões em relação a abril, quando havia R$ 10,32 bilhões disponíveis. A redução mensal foi de 39,5%. Em março, o volume havia alcançado R$ 10,58 bilhões, o maior nível registrado desde dezembro de 2025.

A queda ocorreu após o encaminhamento de parte dos recursos ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), usado para apoiar a redução dos juros cobrados nas renegociações de dívidas do Desenrola 2.0.

Desde o lançamento do sistema, em janeiro de 2022, o BC identificou R$ 21,71 bilhões em recursos esquecidos. Desse total, R$ 15,47 bilhões já foram devolvidos aos beneficiários, o equivalente a 71,3% do montante localizado.

As pessoas físicas resgataram R$ 11,40 bilhões até maio, distribuídos entre 37,84 milhões de beneficiários. As empresas retiraram R$ 4,07 bilhões, destinados a 4,61 milhões de pessoas jurídicas. Somente em maio, foram devolvidos aproximadamente R$ 427 milhões.

Maioria tem até R$ 10 para retirar

Apesar do valor bilionário acumulado, a maior parte dos beneficiários tem pequenas quantias disponíveis. Ao todo, 19,25 milhões de registros (67,56%), estão na faixa de até R$ 10.

Outros 5,56 milhões (19,49%) têm entre R$ 10,01 e R$ 100. Há ainda 2,99 milhões de beneficiários com valores entre R$ 100,01 e R$ 1.000.

Somente 700,2 mil registros (2,46%) do total, têm mais de R$ 1.000 para receber. Uma mesma pessoa pode aparecer em mais de uma faixa quando possui recursos de origens distintas.

Consórcios concentram maior volume

As administradoras de consórcio respondem pela maior parcela do dinheiro ainda disponível, com R$ 2,91 bilhões (46,5%). Os bancos aparecem em seguida, com R$ 2,25 bilhões (36,1%).

Também há R$ 586,7 milhões esquecidos em cooperativas, R$ 311,5 milhões em instituições de pagamento, R$ 106,3 milhões em financeiras e R$ 71 milhões em corretoras e distribuidoras. Outras instituições reúnem R$ 8,8 milhões.

Embora as administradoras de consórcio concentrem o maior montante de dinheiro, os bancos têm o maior número de beneficiários, com 12,48 milhões. Os consórcios aparecem com 8,69 milhões, seguidos por instituições de pagamento, com 2,86 milhões, e cooperativas, com 2,62 milhões.

As financeiras somam 1,26 milhão de beneficiários. Corretoras e distribuidoras têm 61.329, enquanto as demais instituições registram 13.963. O Banco Central ressalta que uma mesma pessoa ou empresa pode ser contada mais de uma vez quando tem recursos em diferentes segmentos.

Veja como consultar

A consulta deve ser feita na página oficial do SVR. Para visualizar os detalhes e solicitar a devolução, o usuário precisa entrar com uma conta gov.br de nível prata ou ouro, classificações concedidas após verificações extras de identidade, como reconhecimento facial ou validação bancária.

O sistema informa o valor disponível, a instituição responsável e a origem do recurso. Quando a opção estiver disponível, a transferência pode ser solicitada diretamente via Pix.

Nos demais casos, o beneficiário precisa entrar em contato com a instituição indicada pelo BC para combinar a devolução.

FONTE: SBT NEWS

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