Brasil Produtivo

Ubrabio propõe retenção de 10% de ganhos com exportação de soja para ajudar indústria

Lavoura de soja em São Desidério, no Estado da Bahia 21/03/2018 REUTERS/Roberto Samora

A União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) apresentou nesta terça-feira uma proposta em que o governo ficaria com 10 por cento dos ganhos com exportações de soja, em um programa para ajudar a indústria local de processamento da oleaginosa.

O dinheiro coletado seria distribuído entre os processadores proporcionalmente às suas vendas de farelo de soja, para ajudá-los a competir nos mercados internacionais e impulsionar a capacidade de comprar soja no mercado doméstico, competindo com exportadores.

Juan Diego Ferrés, chairman da Ubrabio e o responsável pela proposta, disse que a ideia é compensar os processadores pela distorção do mercado causada pela disputa comercial entre a China e os Estados Unidos.

As tarifas impostas pelas duas maiores economias do mundo levaram a um aumento das exportações brasileiras de soja que, por sua vez, reduziram a oferta local e causaram uma alta acentuada nos preços domésticos da oleaginosa.

“O que está acontecendo é bom apenas para os agricultores. Está impactando o setor de processamento de soja”, ele disse à Reuters.

Ferrés, que também é diretor da Granol, uma das maiores processadores de soja do Brasil, com capacidade anual de esmagamento perto dos 4 milhões de toneladas, disse que as unidades sofrem o dobro na situação atual: elas pagam mais pela soja e não conseguem competir no mercado internacional de farelo e óleo de soja porque as esmagadoras dos EUA têm acesso a grãos baratos e, portanto, são mais competitivas.

Ele disse que a situação também está aumentando os custos para outros setores brasileiros, como o de carne, que terá que pagar mais pela oleaginosa, um ingrediente-chave em rações para aves e porcos.

A Ubrabio estimou que uma retenção de 10 por cento dos ganhos das exportações de soja em 2019 geraria cerca de 3,14 bilhões de dólares.

Questionado sobre possíveis protestos por agricultores, que perderiam parte de seus ganhos, Ferrés disse que o sistema seria benéfico para eles no fim, já que os processadores conseguiriam fazer ofertas mais altas pelos grãos no mercado doméstico, competindo com tradings de commodities e alavancando os preços.

“Além disso, ajudaria a gradualmente aumentar o processamento local, deixando a corrente mais forte e reduzindo a vulnerabilidade de ter 80 por cento das vendas de soja ligadas a um único cliente, a China”, ele disse.

A Ubrabio está tentando ganhar apoio de outros grupos agrícolas do Brasil, como a CNA, para convencer o próximo governo, encabeçado por Jair Bolsonaro (PSL), que assume em janeiro, a adotar a ideia.

Entretanto, a Associação Brasileira da Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que reúne tradings e processadores, já disse ser contrária à proposta da Ubrabio. A entidade tem negociado com a China, juntamente com o governo brasileiro, uma cota de importação no gigante asiático sem tarifa para o farelo de soja.

FONTE: REUTERS

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RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

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    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. 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