Republicano lançou uma iniciativa, junto à Justiça, para investigar criminalmente o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, por divergência no depoimento prestado por ele, no Congresso, quanto aos gastos para a reforma de edifício do FED
Além de todas as questões geopolíticas, Donald Trump também vem gerando incertezas quanto à economia dos Estados Unidos, e, desta vez, não por conta do tarifaço, mas por nova tentativa de pressionar o Federal Reserve. Na verdade, uma iniciativa junto à Justiça para investigação criminal contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, por divergência no depoimento prestado por ele, no Congresso, quanto aos gastos para a reforma de edifício do FED.
O próprio Powell classifica como parte da “pressão contínua do governo” para interferir na política monetária. Trump cobra cortes maiores das taxas que hoje está na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano. Ele quer ver recuarem para 1% ainda este ano, sem considerar condições técnicas e possíveis impactos das políticas que tem adotado sobre a inflação e o ritmo de atividade, com consequências sobre o emprego. Sendo que o FED tem de calibrar os juros de forma a fazer com que a inflação fique perto da meta de 2%, com o melhor nível possível do emprego.
Com base nos últimos indicadores, o FED tem sinalizado maior cautela na condução do juros. E o próprio mercado, também com referências técnicas, já conta com a possibilidade de juros estáveis até abril. Mas o presidente dos Estados Unidos tem pressa e parece não admitir essa hipótese.
Neste mês o Fomc, Comitê do FED que cuida da política de juros, terá reunião, nos dias 27 e 28 (mesmos dias da reunião do Copom, no Brasil, que também não deve mexer na taxa básica, hoje em 15% a.a.). Vale lembra que, além das constantes críticas ao FED e a Powell, em agosto passado Trump tentou afastar Lisa Cook, integrante do Conselho do Federal Reserve, por supostas informações irregulares quanto a hipotecas. Mas a Justiça impediu.
O problema é que mesmo que não haja qualquer punição a Jerome Powell e ele siga à frente da instituição, o mandato dele termina em maio. Em breve, Trump deve indicar o substituto. Vários nomes já têm sido especulados. E da forma como Trump não tem respeitado, normas, leis e o direito internacional, fica a desconfiança quanto a uma interferência mais direta nas decisões do FED, afetando a credibilidade do principal banco central do mundo, cujas decisões podem ter implicações no âmbito global.
Só as previsões quanto a novos passos do FED já mexem com fluxo de investimento, preços de ativos, análises de outros bancos centrais. Os títulos americanos e o dólar podem perder espaço como instrumentos de proteção. Nesta segunda (12), o ouro e a prata já bateram novos recordes, como tem ocorrido há bastante tempo, pelas iniciativas de Trump e as questões geopolíticas, guerras, invasões e ameaças. Algumas envolvendo os Estados Unidos. Querer forçar a queda dos juros só seria um reforço no ambiente de muitas incertezas.
E, além das taxas definidas pelo FED, Trump também quer cortes dos juros do cartão de crédito, como anunciou nos últimos dias, limitando as taxas a 10%, o que depende de mudanças na legislação. As taxas atuais se aproximam de 20%. Os cartões são um dos pilares do crédito, que é muito relevante na economia dos Estados Unidos, um dos principais canais de acesso das famílias ao consumo. E importante fonte de lucro para bancos e operadoras. Já tivemos esse tipo de discussão no Brasil, que nunca seguiu adiante. Não dá nem pra imaginar o que Trump faria no atual cenário de juros do Brasil – Selic em 15%; taxa média dos cartões acima de 400% ao ano.
Fato é que se vê ameaças mais concretas à autonomia do Federal Reserve, com clara tentativa de violação da fronteira entre política e política monetária, que o mercado considera intocável. No entanto, como em outras áreas, já citadas, Trump também pode não temer romper mais essa fronteira.
FONTE: JOVEM PAN NEWS


























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