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Silvio Persivo celebra o poder transformador da escrita no pré-lançamento de “A Idade da Palavra”

Em uma noite marcada pela poesia, pela amizade e pelo encontro entre leitores, o escritor cearense radicado em Porto Velho apresentou sua mais nova obra, uma antologia que reafirma a palavra como memória, resistência e permanência.

Na noite de quinta-feira (2), a palavra encontrou seu lugar de honra. Entre brindes, reencontros, autógrafos e versos, o escritor Silvio Rodrigues Persivo Cunha fez o pré-lançamento de “A Idade da Palavra”, livro que chega ao público como uma celebração da literatura e da capacidade humana de resistir pelo verbo.

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

Ele estava no princípio com Deus.

Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.

E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. (João 1:1-5)

A Idade da Palavra: um título sugestivo e inteligente para um livro que reúne a obra poética de um escritor que viveu, sofreu, suportou e sobreviveu à complexa e exaustiva luta com a palavra. Essa batalha permanente e quase inexplicável foi magistralmente expressa por Carlos Drummond de Andrade no poema “O Lutador”:

“Lutar com palavras

é a luta mais vã.

Entanto lutamos

mal rompe a manhã.”

Nesses versos, Drummond revela que o escritor trava, desde o amanhecer — ou, em sentido figurado, desde muito cedo na vida — uma batalha incessante para encontrar a palavra exata, aquela capaz de dar forma ao pensamento, ao sentimento e à própria existência.

O poeta Sílvio Persivo é um sobrevivente dessa intensa e profundamente humana luta com a palavra. Conhece a idade da palavra porque ela se confunde com a sua própria idade, com sua trajetória, suas inquietações e sua resistência diante da estupidez e da mediocridade que insistem em prosperar em meio ao vertiginoso turbilhão tecnológico de nosso tempo. Mas a palavra resiste. A poesia resiste. E Sílvio Persivo permanece como um dos que seguem empunhando a palavra como instrumento de lucidez, sensibilidade e iluminação humana.

Mais do que uma coletânea de poemas, A Idade da Palavra apresenta um percurso de vida. Cada texto dialoga com o tempo, com a memória e com a experiência de um autor que fez da escrita uma forma de compreender o mundo e de compreender a si mesmo. Em uma época marcada pelo excesso de informações, pela velocidade e pelo ruído permanente, Persivo reafirma a poesia como espaço de reflexão, de memória, de liberdade e, sobretudo, de resistência.

O lançamento integrou as comemorações pelos dez anos da Confraria dos Amigos do Buraco do Candiru, reunindo amigos, escritores, professores, jornalistas e admiradores da literatura em um ambiente onde as conversas se misturavam aos versos e às histórias compartilhadas ao redor da mesa.

II

A palavra como resistência

“A Idade da Palavra” nasce como uma antologia da resistência — não apenas em seu sentido histórico ou político, mas, sobretudo, existencial.

Na obra, escrever é um gesto de permanência. Cada poema reafirma a convicção de que a palavra permanece viva mesmo quando o tempo insiste em apagar lembranças. É ela que preserva afetos, reconstrói identidades e desafia o silêncio.

Não por acaso, o livro é sintetizado por uma frase que funciona como sua própria essência:

“Na idade da palavra, cada verso é um ato de resistência.”

A máxima resume uma trajetória literária construída ao longo de décadas, em que a poesia deixa de ser apenas expressão estética para tornar-se abrigo, memória e forma de existir.

Entre o Ceará e a Amazônia

Natural do Ceará, mas radicado em Rondônia há quase meio século, Silvio Persivo construiu uma obra que transita entre geografias afetivas.

Sua poesia conserva o sotaque da terra natal, as lembranças da infância, a musicalidade nordestina e o sentimento de pertencimento. Ao mesmo tempo, incorpora a Amazônia como paisagem humana e espiritual, transformando rios, florestas, cidades e encontros em matéria poética.

Esse diálogo entre o Ceará e Rondônia faz de sua literatura uma ponte entre diferentes territórios brasileiros, onde identidade e memória caminham lado a lado.

Mesmo quando alcança temas universais, a escrita de Persivo nunca perde o vínculo com suas origens. O regionalismo, em sua obra, não limita; amplia. É justamente a partir da experiência vivida que seus poemas dialogam com leitores de qualquer lugar.

 A escrita como ofício permanente

Quem acompanha a trajetória de Silvio Persivo sabe que a poesia nunca conheceu pausas.

Nem mesmo durante o período da pandemia o escritor interrompeu sua produção literária. Daquele momento nasceu “Cem Poemas em Cem Dias”, obra que testemunha a disciplina criativa e a convicção de que escrever é também uma forma de enfrentar as incertezas do tempo.

Agora, em “A Idade da Palavra”, essa caminhada amadurece. O livro reúne versos que carregam décadas de observação, leitura e experiência, reafirmando uma relação quase artesanal com o idioma.

Cada poema parece dialogar com a célebre reflexão de Carlos Drummond de Andrade de que “lutar com palavras é a luta mais vã”. Persivo aceita essa luta. E dela faz nascer poesia.

III

Uma noite para celebrar a literatura

O pré-lançamento também marcou os dez anos da Confraria dos Amigos do Buraco do Candiru, espaço que, ao longo da última década, consolidou-se como ponto de encontro de amigos, artistas e apreciadores da cultura.

A celebração uniu literatura, gastronomia e convivência, reafirmando que os livros também se constroem no diálogo entre pessoas, histórias e afetos.

Enquanto o autor autografava exemplares, leitores compartilhavam lembranças, conversavam sobre poesia e reencontravam velhos amigos, transformando a noite em um momento de celebração da cultura produzida em Rondônia.

Um legado que continua sendo escrito

Com mais de 25 livros publicados e participações em diversas antologias, Silvio Persivo ocupa lugar de destaque na literatura produzida na Amazônia. Economista, professor universitário, cronista e poeta, construiu uma trajetória marcada pela diversidade temática e pela fidelidade à palavra.

Em “A Idade da Palavra”, essa caminhada ganha novo capítulo. O livro reafirma que a poesia continua sendo uma forma de resistência diante da pressa, do esquecimento e da superficialidade dos tempos atuais.

Ao final da noite, permanecia a sensação de que alguns livros ultrapassam o instante do lançamento. Eles chegam para acompanhar o leitor. Porque, como a própria obra sugere, há uma idade em que tudo passa a ser medido pela força da palavra — e nela, cada verso permanece como um gesto silencioso de permanência e esperança.

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OBS: O título da coluna “CULTURA & HISTÓRIA EM TRÊS TEMPOS” é uma homenagem ao jornalista Paulo Queiroz.

FONTE: RONDONIA PLURAL

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