Orçamento de Rondônia desaba 33% e ameaça paralisar obras nos municípios — e ainda pode atingir em cheio a candidatura de Marcos Rocha ao Senado, e pode invialibilizar um futuro governo Sérgio Gonçalves
O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de Rondônia para 2026 chegou à Assembleia Legislativa com números que acenderam o alerta máximo: o governo projeta R$ 11,58 bilhões para o próximo ano, contra R$ 17,2 bilhões aprovados para 2025 — uma queda de 32,7%, equivalente a R$ 5,6 bilhões a menos na capacidade de investimento do Estado.
O impacto é amplo, profundo e imediato.
Além de comprometer áreas essenciais, o cenário fiscal cria um problema político de grande magnitude: a pré-candidatura do governador Marcos Rocha ao Senado pode ser diretamente prejudicada pelo desgaste provocado pela redução orçamentária e pela possível interrupção de projetos nos municípios.
Com a retração de quase um terço do orçamento, o Estado terá muito menos espaço para investimentos — e isso atinge principalmente as obras espalhadas pelos municípios, que dependem de convênios, repasses e contrapartidas estaduais.
Prefeituras, sobretudo as de pequeno e médio porte, já avaliam a real possibilidade de paralização de obras, especialmente:
pavimentação e recapeamento urbano;reformas e ampliações de unidades de saúde; e outras.
Com menos dinheiro, Judiciário, Ministério Público, Defensoria e a própria Assembleia terão de rever seus planejamentos. Programas de modernização tecnológica, mutirões judiciais e expansão de unidades podem sofrer contenção.
Na área de pessoal, concursos públicos ficam em alerta: mesmo que editais sejam abertos, nomeações só ocorrem com previsão orçamentária, algo que agora se torna escasso.
A tendência é de adiamentos, chamadas reduzidas ou nomeações limitadas apenas à reposição mínima.
A crise orçamentária estoura justamente no momento em que o governador Marcos Rocha articula sua transição para a disputa pelo Senado em 2026.
E os efeitos políticos não devem ser subestimados.
O corte histórico no orçamento poderá ser explorado por adversários como prova de descontrole fiscal ou falha de planejamento administrativo.
Isso fragiliza o discurso de estabilidade que a campanha pretendia adotar.
Cada obra parada vira um outdoor negativo.
Prefeitos, que dependem do Estado para concluir projetos e manter convênios, tendem a reagir mal ao encolhimento de repasses.
Qualquer retração nos repasses pode desencadear reclamações públicas e esfriar alianças essenciais para uma candidatura ao Senado.
Com orçamento apertado, os conflitos entre Executivo, Legislativo e Judiciário devem aumentar — e, em situações de crise, o desgaste costuma recair sobre quem está no comando do governo.
A Assembleia Legislativa deve intensificar audiências e solicitar explicações ao Executivo.
Parlamentares tentarão recompor parte do orçamento via emendas ou reclassificações, mas não há margem técnica para recuperar um rombo de R$ 5,6 bilhões apenas com engenharia de gabinete.
Na esfera política, aliados de Rocha já avaliam que será preciso reforçar a comunicação, explicar o corte e tentar acelerar entregas pontuais para reduzir desgaste.
O orçamento de Rondônia para 2026 não encolheu apenas nos números: ele encolheu também o espaço de manobra política, administrativa e eleitoral do governador Marcos Rocha.
Com obras ameaçadas, investimentos sob risco, concursos pendurados e Poderes tensos, o cenário de ajuste fiscal pode se transformar no principal obstáculo entre Rocha e sua expectativa de chegar ao Senado.
FONTE: FOLHA RONDONIENSE


























Add Comment