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Professores com deficiência são 0,3% do total de docentes na educação básica

Das 45 milhões de pessoas com deficiência que vivem no Brasil, apenas 8.366 estão à frente das salas de aulas no país.

Dados do Censo Escolar e do Censo da Educação Superior, elaborados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apontam que 6.711 professores do ensino básico e 1.655 professores do ensino superior têm algum tipo de deficiência.

Para se ter uma ideia da proporção: o Brasil tem um total de 2.610.897 professores, destes: 2.226.423 dão aula para ensino básico (fundamental e médio) e 384.474 para o ensino superior. Os professores com algum tipo de deficiência representam a 0,30% do total de professores do ensino médio e fundamental e 0,43% do total de professores do ensino superior, de acordo com os dados de 2018.

No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 22% da população (45 milhões) têm algum tipo de deficiência.

Por trás dos números está a realidade de professoras como Lara Souto, que tem baixa visão, dá aulas de inglês na rede pública de São Paulo, e de Michelle Murta, que perdeu a audição, leciona na UFMG (leia mais abaixo).

Apesar do país ter tido alguns avanços na questão da inclusão de pessoas com deficiência no ensino, os números apresentados nos censos mostram que ainda uma séria exclusão na educação. Quem faz essa avaliação é o coordenador de formação do Instituto Rodrigo Mendes, Luiz Conceição, que também é mestre em Psicologia.

“O número de vagas no ensino superior e no mercado de trabalho ocupadas por esse segmento, apesar de ser ainda proporcionalmente tímido, cresceu de forma muito significativa nos últimos 10 anos”, complementa. Conceição defende que essa exclusões precisam ser eliminadas a partir de políticas públicas inclusivas e constantes.

Esse também é o ponto de vista da professora Elizabeth Reis Teixeira, que Coordena o Núcleo de Apoio à Inclusão do Aluno com Necessidades Educacionais Especiais da Universidade Federal da Bahia. Ela analisa que o baixo número de docentes com deficiência no ensino superior é reflexo de um problema que vem da base e que se traduz na dificuldade de acesso e de permanência das pessoas com deficiência na universidade.

Segundo a professora, essas dificuldades podem ser traduzidas nas diversas barreiras encontradas pelo aluno com deficiência, e “que tem perpetuado, ao longo dos anos, a exclusão educacional e social”, avalia.

Rodrigo Hübner Mendes é mestre em Gestão da Diversidade Humana pela Fundação Getúlio Vargas, onde atua como professor, e fundador de um instituto que leva o seu nome. Rodrigo ficou tetraplégico após levar um tiro em um assalto. Decidiu criar o instituto para promover ações culturais para incluir e melhorar a formação de pessoas com deficiência que estudam em escolas públicas.

“A maior barreira está na atitude, na forma com que a gente julga, que a gente subestima as pessoas. Um país só se transforma se cada um se ver nesse processo”, analisa Mendes.

Ele defende que a presença da diversidade humana nas escolas, incluindo professores com deficiência, possibilita oportunidades para toda comunidade.

“A presença de um professor com deficiência em sala de aula colabora com a eliminação de preconceitos e desenvolve na comunidade escolar um olhar voltado às potências dessa pessoa”, afirma.

“Esse profissional torna-se uma referência positiva a toda comunidade quanto à construção social do lugar da pessoa com deficiência. Ou seja, esse fato favorece a eliminação de preconceitos e o desenvolvimento de um olhar voltado às potencialidades desse segmento da população “, diz Rodrigo Hübner Mendes, fundador e superintendente do Instituto Rodrigo Mendes.

Leis de proteção

A Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD) e a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), de 2015, definem pessoas com deficiência como:

“aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas”.

Maria Aparecida Gurgel, vice procuradora-geral do trabalho classifica a LBI como uma importante lei para a pessoa com deficiência. Essa lei, segundo a procuradora, traz um sistema de direitos e proteção a todas as pessoas com deficiência – desde o direito à vida, à educação, à acessibilidade, ao trabalho, e à saúde, entre outros.

Ela conta que desde 1991 (antes da LBI), os brasileiros têm um instrumento importante para a inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho que é a Lei de Cotas – essa legislação reforçou o direito das pessoas com deficiência a ingressarem no mercado formal de trabalho. A lei obriga que empresas com 100 ou mais funcionários reservem de 2 a 5% de suas vagas a profissionais com algum tipo de deficiência.

Nas universidades públicas, a pessoa com deficiência se submete a concurso público e a cota é estabelecida sobre o total de vagas ofertadas. Segundo a procuradora, as escolas e universidades públicas devem disponibilizar vagas reservadas em cada concurso que realizarem. O comando da reserva é constitucional (artigo 37, VIII) e está normatizado na lei 8.112/91. A reserva é de até 20% das vagas.

Segundo a procuradora, as escolas e as universidades precisam abrir suas portas para pessoas com deficiência e ter política de inclusão efetiva de pessoas com deficiência. Por ainda haver preconceitos sobre as capacidades das pessoas com deficiência, Gurgel acredita que sem as políticas de inclusão fica praticamente impossível o acesso dessas pessoas a comunidade. “Além disso, é preciso estimular a formação de pessoas com deficiência para serem futuros profissionais”, defende.

“O mais importante é a manutenção intransigente da educação inclusiva, ou seja, pessoas com e sem deficiência sempre juntas, estudando” – Maria Aparecida Gurgel, vice procuradora-geral do trabalho.

Outras formas de aprender

Lara Souto nasceu prematura, o que fez com que ela tivesse baixa visão. Em uma família cheia de professores, as vivências com educação foram bastante presentes na sua formação, mas o que a levou ao ensino foi a paixão pela língua inglesa.

Durante seus estudos ela diz que enfrentou algumas dificuldades, mas nenhuma a impediu de seguir. “Eu nunca entendi que a deficiência me impediria de ensinar, eu teria que encontrar outras formas como até hoje eu tento encontrar.”

“Eu decidi fazer letras, por que eu gostava muito de inglês. Fazer um concurso para ser professora era uma das alternativas que eu tinha. Foi uma consequência de gostar muito de literatura e de inglês. Eu fui para a faculdade de letras para me manter estudando”, contou.

Há dois anos, Lara dá aula em escolas públicas da Prefeitura de São Paulo. Ela diz que o trabalho ao mesmo tempo que é desafiador é bastante interessante, principalmente, por mostrar as crianças que uma pessoa com deficiência pode ser uma referência de conhecimento.

Ao entrar em sala de aula, Lara já fala sobre a sua deficiência no primeiro contato com os alunos. “Eles reconhecem, eles pensam e eles conduzem as coisas de uma forma bem natural”.

Para fazer a chamada, Lara desenvolveu uma estratégia. “A lista de chamada tem letras muito pequenas, então eu anoto na lousa ‘faltas do dia’ e os alunos me ajudam a dizer quem faltou”, explica.

O principal objetivo da professora com o ensino é continuar aprendendo. Para ela, é fundamental que haja diversidade na forma de ensinar, “é importante para o aluno conhecer diferentes maneiras de aprender, de receber conteúdo”.

O meu jeito de ensinar, por eu não ser muito visual, é uma forma mais pautada na oralidade. Então, eu falo que a gente também precisa rever nossa forma de ensinar para os alunos conhecerem outras formas de aprender – Lara Souto, professora da rede pública da cidade de São Paulo.

Sonho da faculdade

Michelle Murta nasceu em Belo Horizonte e cresceu em Salinas, no interior de Minas Gerais. Demorou a entender que estava ficando surda. No tempo escolar, até a 5ª série, foram cinco reprovações. “Hoje eu sei que foram devido ao ditado, eu não entendia claramente as palavras”, conta.

Michelle diz que foi difícil aceitar que estava perdendo a audição. A aceitação só veio aos 23 anos, quando ela conheceu a Língua Brasileira de Sinais (Libras). “Não precisei de curso, o contato com pessoas como eu foi essencial e suficiente para eu aprender a língua em 6 meses”.

O primeiro contato com o ensino aconteceu em uma igreja onde ela frequentava. A pastora incentivou que ela fizesse o Programa Nacional para a Certificação de Proficiência no Uso e Ensino da Língua Brasileira de Sinais (Prolibras) que permite o trabalho como instrutora da língua.

“A pastora me disse que se eu fosse aprovada, ela me daria uma turma para eu dar aula na igreja. Eu fiquei muito empolgada, mas nunca imaginei que seguiria nessa carreira. Eu achava que iria ser advogada, sempre fui apaixonada pelo curso de direito.”, explicou.

Já no primeiro contato com o ensino, Michelle percebeu que ela gostava de dar aulas. Cursou letras, com ênfase em libras, fez mestrado e, em outubro de 2016, tomou posse como a primeira – e até o momento única – professora surda na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente, ela também cursa um doutorado na mesma universidade.

“Entrar na UFMG foi um sonho maior que ganhar na loteria, sempre tive desejo de fazer parte dela. Não foi fácil, tive que fazer muitas renúncias para me preparar para a seleção.”- Michelle Murta, professora da UFMG.

Michelle diz que falar sobre a sua deficiência em sala de aula é uma coisa que se tornou comum. Ela conta que seus alunos, em um primeiro momento, ficam assustados por ela ser uma surda oralizada, mas logo entendem. “Têm vezes que chego na sala e, por ser aula de Libras, nem falo nada”.

A realidade de muitas pessoas surdas é um dos pontos que Michelle acredita precisar de mudança. Segundo ela, há muitos que não conhecem a Língua Brasileira de Sinais e que vivem isolados. Ela acredita que é uma missão dos professores transformar essa realidade, conquistando espaço para a Libras.

“Nós professores surdos temos como missão mudar isso, nós temos uma língua de modalidade diferente, mas isso não torna nossa língua inferior”.

“É importante professor surdo na sala de aula em contato com o aluno surdo, em questão de representatividade, de superação e de direitos linguísticos” – Michelle Murta, professora da UFMG.

Ausência do igual

Além dos professores de ensino formal, o Brasil conta com outras pessoas que contribuem com formações extras, como é o caso do Marcos Abranches.

Coreógrafo e professor, ele costuma dar oficinas na SP Escola de Teatro. Seu trabalho pensa, principalmente, sobre as diferenças entre as pessoas. O curso que ministra deixa claro isso, chama-se: “Dança para Todos os Corpos”.

Em suas conversas Marcos gosta de reforçar que ele é diferente, assim como as pessoas são umas das outras. Seu objetivo de vida é alertar ao mundo sobre a ausência do igual.

Abranches diz que “nasceu apressado, aos 7 meses”: durante a gravidez da sua mãe, ele teve uma diminuição dos batimentos cardíacos o que provocou uma falta de oxigenação e, como consequência, uma paralisia cerebral pela queima de células agentes da coordenação motora.

A diferença – como faz questão de apontar – nunca lhe trouxe limitações. “Passei minha infância e juventude, apesar das minhas limitações de movimentos e ter andado somente aos nove anos de idade, fazendo tudo que uma criança e um jovem fazem. Estudei, andei de skate (sentado, é claro), joguei bola”, conta.

O início da vida no teatro junto com a dança contemporânea aconteceu por conta de um professor, o Sandro Borelli, que também é dançarino e coreógrafo. Marcos o conheceu na Oficina Cultural Oswald de Andrade quando tinha 18 anos. “Eu ficava admirado com ele dando aula. O Sandro é a minha inspiração até hoje”, confessa.

Dançar e dar aula foram complementos na vida do Marcos. “Danço para que as pessoas possam ver e interiorizar os seus verdadeiros valores de equivalência. Procuro fazer da minha dança e das minhas aulas um chamamento para a reflexão sobre o modo de agir, pensar e opinar das pessoas”, explicou.

“Todo mundo pode dançar. Porque todos os corpos são diferentes. Todos nós somos diferentes”, Marcos Abranches, professor e coreógrafo.

Marcos diz que tenta trabalhar os sentimentos, os sonhos ou traumas dos estudantes. Ele os instiga os a trazerem coisas da própria vida para debaterem em aula e colocar em cena.

Marcos conta que a experiência que mais o marcou como professor, foi quando ele dava aula na ONG Casa de Todos. Lá, ele conta que teve uma aluna que tinha acabado de perder a mãe e como consequência tinha deixado de falar.

“Eu fiquei sabendo dessa história, eu prometi que eu ia fazer essa menina voltar a falar. Ela adorava fazer aula comigo. Depois de um certo tempo, ela voltou a falar e a cantar. Esse foi o meu melhor resultado. Eu fiquei tão feliz com aquilo. Ali, percebi a importância de passar conhecimento para o outro”, conta.

Filho de uma coreografa, Pedro Lacerda, foi aluno do Marcos em uma oficina no ano de 2019. Pedro conta que sempre teve a dança na sua vida. Dançar foi o jeito que ele encontrou para se aceitar e aceitar o corpo dele como ele é. Pedro relata que a experiência na oficina do Marcos foi algo bastante intenso. “Eu fiquei muito inspirado durante o período das aulas porque ele mostra as infinitas possibilidades do corpo”, comentou.

“Para mim foi uma descoberta de onde o corpo consegue alcançar e quais os movimentos que eu conseguia desenvolver no que o Marcos propunha. Foi muito bonito poder vivenciar e observar as possibilidades de um corpo com deficiência, foi a quebra de um paradigma.” – Pedro Lacerda, aluno do Marcos.

De acordo com Marcos, uma das coisas que o surpreende até hoje é o primeiro dia de aula. Ele diz que fica muito surpreso com a reação das pessoas. “Quando as pessoas se inscrevem, elas não sabem que eu tenho uma diferença física. Tem gente que me olha muito, me olha desconfiado. É bom ver que com o tempo eles vão sabendo quem eu sou, de onde eu vim, o que eu faço. E eles vem quem é o Marcos e o que é a minha dança, sem barreiras” avalia.

FONTE: G1.COM

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

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COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: Confiança Empresarial diminui com cenário econômico de incerteza – Por Silvio Persivo

    Insistir é preciso. “De tudo ficaram três coisas: A certeza de que estamos começando. A certeza de que precisamos continuar. A certeza de seremos interrompidos antes de terminar. Portanto, devemos fazer da interrupção um caminho novo. Da queda, um passo de dança. Do medo, uma escada. Do sonho, uma ponte. Da procura, um encontro” (Fernando Sabino). IV SIMPÓSIO DE CIÊNCIA E PESQUISA A da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa do Estado de Rondônia (Fapero) com o objetivo de aproximar a sociedade da comunidade científica e apresentar os seus resultados nos projetos apoiados pela instituição,) realiza o IV Simpósio de Ciência e Pesquisa (Simfap), nos dias 5 e 6 de novembro. O evento reúne pesquisadores para compartilhar seus trabalhos, fortalecer a ciência, a tecnologia e a inovação no estado.. O evento om palestras, mesas-redondas, debates e apresentações de trabalhos científicos será realizado no Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO), na Avenida Presidente Dutra, nº 1889, em Porto Velho, e as inscrições estão abertas até o dia 4 de novembro, O presidente da Fapero, Paulo Renato Haddad, disse que o Simfap já se tornou uma tradição “Mais do que apresentar resultados, o evento é uma forma de dar transparência aos investimentos realizados em ciência, tecnologia e inovação, aproximando a população das pesquisas e demonstrando como esses recursos estão contribuindo para o desenvolvimento de Rondônia”. COMEÇOU O PERÍDO DE DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE REBANHOS Começou neste último domingo (1º), o período para a segunda etapa da declaração obrigatória de rebanhos em Rondônia. A atualização cadastral deve ser realizada até 30 de novembro pelos produtores rurais que criam bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos, suínos, equídeos e aves. O procedimento é realizado junto à Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron). Durante o período, a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) fica condicionada à regularização das informações cadastrais e os produtores só poderão movimentar os animais para transporte ou comercialização depois de feitaa declaração do rebanho. No sistema Idaron Online, os pecuaristas vão classificar o gado como leiteiro ou de corte e informar os números de nascimentos e mortes desde maio. Também será necessário indicar a faixa etária dos animais, especificando quantos, entre os nascidos depois da primeira etapa da declaração, têm de quatro a seis meses e quantos têm de um a três meses de idade. Por fim deve ser feito o ajuste automático do total dos rebanhos no sistema, a partir das alterações informadas pelo produtor. A A atualização cadastral, como se sabe, é necessária para manter o status sanitário de Rondônia como área livre de febre aftosa sem vacinação. CONFIANÇA DOS EMPRESÁRIOS DIMINUI COM CENÁRIO ECONÔMICO DE INCERTEZA Segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), os empresários do comércio, no último e mais forte trimestre para o setor no ano, estão menos otimistas, com menos planos de expansão e contratação. O Icec registrou um recuo de 2,7% em outubro, resultado das incertezas do cenário econômico e apresentou sua quarta queda consecutiva e a mais intensa desde julho, já descontados os efeitos sazonais. Com este resultado, o indicador reduziu para os 96,7 pontos, ficando abaixo do nível de neutralidade e atingindo o valor mais baixo desde maio de 2021, na pandemia, quando marcou 94,5 pontos. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, “O comércio acende um alerta para todo o país ao entrar no período mais lucrativo do calendário, sob cautela. Quando o empresário pisa no freio das contratações e dos investimentos, toda economia desacelera, reflexo direto das incertezas nos âmbitos fiscal e monetário que travam as decisões de negócios neste último trimestre”, analisou. Em Rondônia, a situação é um pouco melhor mesmo com o Icec caindo de 107,3 pontos para 105,9 pontos, ou seja, uma queda de -1,3%. Rondônia, em geral, possui um comportamento mais otimista e resiliente, mas, ainda assim, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia-Fecomércio/RO, Raniery Araújo Coêlho, afirmou ser preciso “Maior previsibilidade, segurança jurídica e políticas monetárias que reduzam os custos das operações do nosso setor. O comércio, nas condições atuais, mesmo querendo expandir e gerar postos de trabalho sofre com a falta de um ambiente mais favorável para manter o crescimento”. E também aconselhou os empresários a realizarem promoções e facilidades maiores para atrair os clientes neste final de ano. REINCIDÊNCIA DE INADIMPLENTES BATE RECORDE Um sintoma deste problema é o fato do Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em setembro, revelar que se verificou o maior recorde no número de consumidores negativados nas listas de inadimplentes. Em setembro de 2026, do total de negativações, 87,44% foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses. Acrescente-se que no universo de reincidentes, a maior parte, 67,05%, ainda não havia quitado as pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 20,38% tinham saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 12,56% dos negativados em setembro não estiveram com restrições no CPF ao longo do último ano. Mais: o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento das demais pendências para os reincidentes foi de 72,5 dias. Isto significa que, em média, depois de cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence. Também se observa que houve um crescimento de 18,28% no número de devedores reincidentes, os que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes, na comparação com os 12 meses anteriores. É uma forte indicação de que o programa Desenrola não deu certo. AUTOR: SILVIO PERSIVO –  COLUNA TEIA DIGITAL

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