Cidades

Ponta do Abunã já fomenta agronegócio em Rondônia

Obra está prevista para ser inaugurada no segundo semestre, até a divisa com Acre

Das margens do rio Madeira na cabeceira da ponte em construção, prevista para ser inaugurada no segundo semestre, até a divisa com Acre, num eixo de 160 quilômetros de extensão pela Br 364, são 225 mil hectares de terras planas ocupadas racionalmente por 265 mil cabeças de bovinos de corte e leite que começa a ser descoberta pela agricultura de precisão, soja e milho sem que seja necessário derrubar uma árvore.

Essa vasta região que até há bem pouco tempo fora palco de dualidades e conflitos entre Rondônia e Acre, porém no presente, pela sensibilidade dos governadores Marcos Rocha (RO) e Gladson Cameli (AC), deixando as rusgas pelo meio do caminho e mirando no futuro respira progresso e desenvolvimento. Por determinação dos dois governantes, os secretários de agricultura de Rondônia Evandro Padovani e Paulo Wadt, do Acre, formatam um projeto para ampliar o agronegócio na região.

Acrescente-se mais 140 mil hectares de solos férteis no sul de Lábrea no Amazonas, onde estão alojados 108 mil cabeças de bovinos, cujo destino e saída é pelo estado de Rondônia, tendo como única via de escoamento a Br 364, quanto em direção ao Acre como ao sul do País. Por ser uma região nova onde agronegócio começa a se consolidar os três estados são principais beneficiados, conforme revela Ednaldo Santos, gerente da agência do Banco da Amazônia no distrito de Extrema.

Nos últimos 12 meses foram firmados contratos de crédito rural, no valor de R$ 17,2 milhões, pelo Banco da Amazônia com amparo do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) e mais 1,04 milhões para pequenos empresários da região. Estimam os técnicos da Emater que a estrutura fundiária no distrito de Extrema gira em torno de 550 propriedades rurais 50% menor de 100 hectares predominando agricultura familiar, com produção de grãos, fruticultura, criação de pequenos animais e bovinos de corte e leite.

UM POUCO DA HISTÓRIA DA REGIÃO

Até o final de 1980, o governo de Rondônia não investiu nesta região, até então ocupada e explorada pacificamente pelo estado do Acre. Em 1988, o governo de Jerônimo Santana começou a ocupar paralelamente, gerando um conflito e dividindo a opinião pública, até 1977, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu a favor de Rondônia. Contudo a região continuou sem investimentos, contando ainda com o aumento de centenas de agricultores com títulos provisórios emitidos pelo Incra.

No entanto, até os dias atuais centenas de propriedades estão ocupadas ilegalmente. O litígio não permitiu em 1992 a criação do município de Extrema, ou Ponta do Abunã. Os distritos de Extrema, Nova California, Vista Alegre do Abunã e Fortaleza do Abunã, participam com mais de 30% da arrecadação do município de Porto Velho.

A Ponta do Abunã se destaca na produção de Castanha do Pará

A Ponta do Abunã é a região mais importante do estado de Rondônia, em extração da Castanha do Pará, sustentada por uma densidade de castanheiras extraordinariamente elevadas nas florestas locais. Também se destaca o extrativismo do açaí, muito abundante nas matas ciliares da bacia do Abunã e a borracha que ainda é extraída em pouca quantidade e comercializada no estado do Acre.

COERÊNCIA E MUDANÇAS

Pecuarista José Silveiro utiliza sistema de rodízio para a engorda de 3,5 mil cabeças de gado

Na opinião do pecuarista José Silvério Pereira Baia, que engorda 3,5 mil cabeças de bovinos por ano no sistema de rodízio colocando 60 animais por área de 14 alqueires a cada dez dias, “essa é a melhor região de Rondônia para trabalhar e produzir, isso aqui é um cantinho do céu”. Acentua que votou em Marcos Rocha pela necessidade de mudanças.

Com melhoramento genético e manejo adequado numa região que mesmo no período seco chove a cada dois meses, as pastagens permanece verde, o rebanho não perde peso e qualidade.

Outro que não pode se queixar da sorte é o pequeno produtor rural Loy Maleski, que prepara a segunda safra adubada e irrigada de 5 mil pés de açaí em 20 hectares de área cultivada. Usando a mesma técnica mantêm produzindo 600 pés de côco, 120 mil pés de abacaxi, consorciado com melancia, milho verde e 600 pés de ponkan enxertados.

Loy Maleski recebe apoio técnico da Emater em Extrema, mas por falta de condições para transportar sua produção até Porto Velho, principal centro consumidor em Rondônia, negocia sua produção com estado do Acre.  Dezenas, talvez centenas, de pequenos e médios produtores rurais desta região seguem o mesmo rumo pela ausência de condições de comercializar suas produções no próprio estado de origem.

O produtor rural Loy Maleski cultiva mais de 5 mil pés de açaí em 20 hectares

Pode não ser “o pedacinho do céu” apregoado pelo pecuarista, José Silvério Pereira Baia, mas é uma região tipicamente miscigenada por culturas e costumes de famílias mineiras e sulistas, que acordam de madrugada aproveitando a “fresquinha” matinal para produzir e ordenhar suas vaquinhas.

Sócrates Carmim produzindo entre 80 e 100 litros de leite/dia é o exemplo da agricultura familiar que tem dado certo na região. Na propriedade de 100 hectares cria ovinos, suínos, galinhas caipiras, tem café e milho, explorando apenas 33 hectares, as outras 77 são reserva de preservação ambiental. Conhecer a chácara de Socrates Carmim deixa qualquer ambientalista feliz.

A filha única de Sócrates e Simara, Pompéia Carmim, formada em administração, aos 23 anos salta da cama às 4 horas da madrugada para participar da ordenha de 18 vacas leiteiras seguindo a tradição familiar.

Na outra ponta da linha em se tratando de produção no campo, Abrelino Alves, consorcia café e castanha uma experiência que vem dando certo numa área de 20 hectares, que já despertou atenção de pesquisadores da Embrapa. As folhas das castanheiras adubam o solo mantendo a umidade, as altas copadas das árvores protegem dos raios solares gerando frutos fortes e sadios.

PISCICULTURA E EXTENSÃO RURAL

No distrito de Extrema Ilo Ribeiro produz 50 mil alevinos de pirarucu por safra

O que pouca gente sabe é que no distrito de Extrema, também com o acompanhamento técnico da Emater, Ilo Valmir Ribeiro, explorando 4,5 hectares de lâmina de água em 40 tanques medindo 50X15, produz 50 mil alevinos de pirarucu por safra, comercializando em Goiânia, Minas Gerais, Mato Grosso, Tocantins, Acre e Rondônia.

Com Rondônia e Acre ele comercializa 200 mil alevinos de tambaqui, 50 mil de tambatinga, 80 mil piauçú, 40 mil de pintados e 30 mil de jatuarana. Tudo isso é resultado de 15 anos de trabalho acreditando no potencial da região.

Para o médico veterinário da Emater, Fabiano Barbosa Oliveira que presta assistência técnica a 300 famílias de pequenos produtores rurais, o melhoramento genético do rebanho bovino na região é importante, uma vez que a extensão rural tem que acompanhar o desenvolvimento no campo. É verdade, o Programa de Aquisição de Alimentos em Extrema tem 56 produtores cadastrados, mas que por falta de estimulo não conseguem produzir e nem transportar para Porto Velho a produção.

Frisa Fabiano Barbosa Oliveira, o programa incentiva a produção, mas a janela é muito ampla. Mesmo assim, ele como nove entre dez produtores rurais e empresários da região acredita que ela caminha para se tornar, em pólo de desenvolvimento sustentável no norte de Rondônia.

 

FONTE: SECOM/RO

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

CHARGE – CARTUNISTA

COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: As perspectiva de inflação pioram segundo Boletim Focus – Por Silvio Persivo

    Sobre os fatos hediondos e lamentáveis. “Aconteceu e, portanto, pode voltar a acontecer: está a essência do que temos para dizer” (Primo Levi). BLACK FRIDAY IMPULSIONA COMÉRCIO DE RONDÔNIA Segundo a  Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio/RO). a Black Friday de 2026 deve movimentar cerca de R$ 736 milhões em Rondônia. Para Porto Velho, a estimativa é de R$ 147 milhões em vendas, com um crescimento previsto de 3,2%.  No cenário nacional, um estudo da Stefanini Marketing estimou que a data poderá gerar R$ 14,47 bilhões em vendas e 18,3 milhões de pedidos. Uma sondagem da Fecomércio/RO aponta que 68,4% dos consumidores pretendem fazer compras. Entre os produtos mais procurados estão roupas (51,8%), eletrodomésticos (31,9%) e eletrônicos (23%). A pesquisa também aponta que 48,1% planejam pagar à vista, enquanto 50,9% pretendem antecipar as compras para a semana anterior à Black Friday. Para a Fecomércio/RO, a movimentação antecipada pode estender o período de promoções e contribuir para as vendas de fim de ano. “A antecipação das compras deve ampliar o período de promoções e, este ano, inclusive com o apoio direto do Sebrae de Rondônia, os empresários se prepararam mais. Daí a suposição de que a Black Friday deve impulsionar as vendas de fim de ano”, disse o presidente da entidade, Raniery Araújo Coêlho. PREÇO DO DIESEL AUMENTA QUASE 2% EM RONDÔNIA O Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que acompanha o comportamento de preços nos postos de combustível, aponta que Rondônia registrou um cenário de alta nos preços dos combustíveis em outubro, na comparação com setembro, com exceção do etanol.  O diesel comum subiu 1,93%, custando em média R$ 7,39 já o S-10 ficou 1,87% mais caro, com preço médio de R$ 7,61, enquanto a gasolina subiu 0,13%, alcançando R$ 7,45. No sentido oposto, o etanol recuou 0,58%, cotado a R$ 5,14. Segundo Vinicios Fernandes, Diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade, “Em outubro, Rondônia apresentou uma tendência de alta nos preços da maior parte dos combustíveis, com destaque para o diesel, que registrou os avanços mais expressivos no período. Com a queda registrada no período, o etanol se consolida como a opção mais econômica e sustentável para os motoristas rondonienses”. ENCONTRO DE CATADORES DE MATERIAIS RECICLÁVEIS DE RONDÔNIA O governo do estado realizou na segunda-feira (2) o 4º Encontro Estadual de Catadores de Materiais Recicláveis, entre os municípios de Presidente Médici e Ji-Paraná. Durante o evento, encerrado na terça-feira (3), cerca de 100 profissionais organizados em cooperativas, associações ou de forma individual participaram da programação, coordenada pela Secretaria de Estado da Mulher, da Família, da Assistência e do Desenvolvimento Social (Seas), com palestras, visita técnica, atividades práticas e levantamento de demandas que ampliem a geração de renda, qualifiquem a atuação das cooperativas e associações, difundam práticas seguras de trabalho e consolidem propostas para o desenvolvimento da política pública de reciclagem inclusiva no estado.  A titular da Seas, Luana Rocha reforçou, que com estes encontros o governo, por meio da Seas, contribui com a organização dos catadores no estado para o fortalecimento das cooperativas e a construção de uma pauta unificada em defesa da reciclagem inclusiva em Rondônia. ““A escolha de Presidente Médici atendeu ao pedido dos próprios catadores, apresentado no Fórum Estadual de Lixo e Cidadania, pelo fato de o município estar mais centralizado, favorecendo a participação de um número maior de catadores. Nesta edição foi inserida pela primeira vez a oficina do projeto “Recicla ON”, do Instituto Gea, do estado de São Paulo, focada na capacitação e estruturação de cooperativas de catadores para a destinação correta de resíduos eletroeletrônicos (lixo eletrônico). AS PERSPECTIVAS DE INFLAÇÃO PIORAM SEGUNDO O BOLETIM FOCUS A mais recente edição do Boletim Focus mostra uma piora drástica das expectativas dos investidores com relação à inflação, aos juros e à taxa de câmbio. A piora se inicia pela inflação. Há quatro semanas, a estimativa este ano foi de 5,01%. Na semana passada, subiu para 5,19% e, nesta edição, avançou para 5,22%, bastante acima do teto da meta.  A projeção para 2027 também piorou. Nas últimas semanas, a expectativa estave ao redor de 4,3%. Acima da meta de 3%, mas dentro do limite aceitável. Agora, a projeção avançou para 4,76%, acima do teto de 1,5% da meta. A alta prevista é menos intensa nos anos de 2028 e de 2029. Porém, as estimativas para esses dois anos se situavam ao redor de 3,5% e agora estão ao redor de 4%, também  acima da meta. RESILIÊNCIA DA ECONOMIA GLOBAL DIMINUI AFIRMA FMI O documento final da 54ª reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC), nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, alerta que a economia global resiste a choques, mas sua capacidade de absorver novas turbulências diminui, após o desmantelamento da ordem geopolítica, conflitos e danos às cadeias de suprimentos, pela pandemia e por guerras. Assim o FMI pede políticas mais consistentes, reconstrução das reservas fiscais, estabilidade de preços e cooperação entre nações. O World Economic Outlook projeta um crescimento mundial de 3,1% em 2026 e 3,4% em 2027, e inflação global de 4,7% neste ano, recuando para 4,1% no próximo. Há diferenças: países beneficiados por investimentos em IA e condições comerciais favoráveis têm perspectivas melhores do que importadores de energia e economias de baixa renda. Interessante é que o documento destaca os riscos do endividamento público: a alta dos rendimentos dos títulos soberanos, somada à dívida elevada, pode encarecer o crédito. Recomenda consolidação fiscal e marcos fiscais, preservando investimentos prioritários e a proteção social; transferências temporárias e direcionadas seriam mais eficientes do que controles generalizados de preços. Na política monetária, pede estabilidade de preços, decisões baseadas em dados, comunicação clara e independência dos bancos centrais. A inteligência artificial impulsiona investimentos, comércio e produtividade, mas seus benefícios tendem a ser desiguais; revisões nas expectativas de rentabilidade podem provocar correções nos mercados e ampliar disparidades. AUTOR: SILVIO PERSIVO –  TEIA DIGITAL

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