Esporte

Palmeiras x Santos, o clássico que opõe pragmatismo e agressividade

Verdão de Felipão, de estratégia mais cirúrgica, encara segundo confronto seguido de líderes do Brasileirão. Intenso e insistente, time de Jorge Sampaoli precisa furar melhor defesa do país

Santos e Palmeiras fazem campanhas semelhantes no Campeonato Brasileiro. Somam dez pontos na tabela, possuem os melhores ataques e as melhores defesas da competição. Quem vê apenas os números frios nem imagina que os estilos de jogo não poderiam ser mais diferentes. O Santos martela seus adversários, o Palmeiras é cirúrgico. O Peixe joga com linha de defesa alta, o Verdão se mantém postado atrás. O clássico será no próximo sábado, às 19h (de Brasília), no Pacaembu, pela 5ª rodada do Brasileiro. Mas, antes, vamos entender como funcionam as engrenagens defensiva e ofensiva dos rivais.

Defesas: Palmeiras intransponível, Santos “bom aluno”

A maior virtude do Palmeiras em 2019 reside no setor defensivo. Felipão ostenta a incrível marca de oito gols sofridos em 26 partidas na temporada, a melhor defesa do país. E pasme: seis desses gols foram durante o Campeonato Paulista. Em dez partidas somadas de Libertadores e Brasileirão, de maior nível de exigência, só dois gols sofridos. A defesa palmeirense só levou mais de um gol uma única vez – ainda assim, venceu: 3 a 2 no Ituano, pelo Paulistão.

Esse rendimento fora da curva da retaguarda está intimamente ligado à ideia de jogo típica de Felipão. Quem explica é Leonardo Miranda, do Blog Painel Tático, do GloboEsporte.com.

– Existe um fator muito importante em todos os trabalhos do Scolari, inclusive o atual: são times extremamente estratégicos. O Palmeiras imprime grande intensidade nos primeiros 20 minutos de partida, atacando a mil. Volantes lançando direto para atacantes, poucos passes até chegar ao gol. A ideia é fazer logo o gol para recolher as linhas, chamar o adversário e explorar contra-ataques. Esse estilo é motivo de crítica, mas garante uma segurança muito grande ao time, que controla muito bem as partidas e sabe o momento de acelerar e dosar o ritmo.

O tão elogiado elenco palmeirense é muito bem aproveitado pelo comandante, que permite descanso aos principais atletas sem deixar cair o nível. A dupla de zaga mais provável para sábado é formada por Luan e Gustavo Gómez. O paraguaio fez 17 partidas no ano, maior marca do elenco entre zagueiros, com apenas 65% do total, ou seja, foi poupado em nove jogos. Luan ficou um mês lesionado, voltou em março e soma 12 jogos. Qualquer time rende melhor respeitando o tempo de recuperação de seus jogadores.

A defesa do Santos, hoje, passa muito mais segurança do que passava meses atrás. Goleadas dolorosas para Botafogo-SP (4 a 0) e Ituano (5 a 1) no Paulistão ensinaram a Jorge Sampaoli que o setor precisava de atenção especial, antes de liberar mais da metade do time para atacar.

A estratégia é mais simples de explicar do que de executar: proposição de jogo, zagueiros apoiando além da linha de meio-campo, laterais como alas construtores e superioridade numérica no momento ofensivo. Interessante, mas leva tempo para encaixar. Com o passar dos jogos, os “alunos” do argentino assimilaram o conteúdo e atualmente o time não fica tão exposto. Leonardo Miranda reconhece que o estilo difere muito daquele praticado por Felipão, mas enxerga um ponto comum.

– Os dois estilos têm o mesmo objetivo: não deixar o adversário jogar. O Santos se expõe muito, mas há sempre uma intensidade muito grande nos momentos após a perda da bola, com os jogadores mais próximos atuando para “matar” o mais rápido possível a jogada. O Palmeiras também faz isso, mas prefere recolher as linhas e pressionar só a partir do meio-campo.

O esquema tático com três zagueiros deve ser novamente utilizado no dérbi por Sampaoli. Lucas Veríssimo, Felipe Aguilar e Gustavo Henrique devem formar o trio titular, num 3-4-3 com dois alas. Sendo assim, Veríssimo e Gustavo devem subir pelos flancos até a linha de meio para sair jogando com Victor Ferraz e Jorge. Na hora de defender, no entanto, devem recompor rapidamente.

Ataques: Palmeiras cirúrgico, Santos “metralhadora”

Se o time leva poucos gols, não há motivo para se afobar no ataque. A filosofia de Scolari é a de pressionar nos primeiros minutos para marcar gols e depois explorar contragolpes. Vem dando certo. O Alviverde anotou 13 gols nos 20 minutos iniciais das partidas (32,5%) e outros cinco em contra-ataques (12,5%). Além dessa estratégia, responsável por quase metade dos 40 gols do time em 2019, a efetividade salta aos olhos. A média do Palmeiras em todos os torneios é de um gol a cada 7,87 finalizações.

– Se o Santos tem volume, o Palmeiras é cirúrgico. Chega na área e raramente finaliza fora do gol. É um time igualmente objetivo, mas dosa mais as idas ao ataque. E como prefere fazer o gol cedo e jogar sempre no contra-ataque, cria menos chances por jogo, mas as chances criadas em contra-ataque, na teoria, são mais efetivas que as chances criadas com o adversário se defendendo porque há mais espaço e menos jogadores – explica o blogueiro Léo Miranda.

Estratégia exposta, hora de falar dos jogadores. Gustavo Scarpa, depois de ver 2018 se arrastar no imbróglio com o Fluminense, arranjou sequência entre os titulares e correspondeu. É o artilheiro da equipe na temporada, com sete gols marcados, e ainda distribuiu três assistências. Somente Dudu colocou mais companheiros na boa para balançar as redes: seis vezes. Scarpa e Dudu, aliás, são as armas letais do time em bolas paradas e jogadas aéreas. E vieram do alto 19 gols do Palmeiras (47,5%) no ano. A opção de Felipão por centroavantes altos e o bom aproveitamento da mobilização de jogadores dentro da área adversária vão se provando eficazes.

O Santos, por sua vez, pode ser comparado a uma metralhadora. A primeira posição do ranking de finalizações é do Santos em três competições: Paulistão, Brasileirão e Copa do Brasil. Foram 484 arremates em 29 jogos, uma média de 16,7 por partida, considerada alta. A agressividade ofensiva, que, como vimos acima, deixa espaços na defesa, possui a contrapartida de acuar o adversário, que passa a ser pressionado e bombardeado com finalizações enquanto não dispõe da bola. Léo Miranda esclarece que a mentalidade desenvolvida por Sampaoli lembra a de outro grande treinador: Pep Guardiola.

– É um estilo muito direto. Sampaoli gosta de um time muito agressivo, que sempre busque o gol. Isso pode ser visto no posicionamento dos pontas, sempre abertos, perto da linha de fundo, prontos para receber e partir para cima. O time se organiza para ser objetivo. Laterais por dentro, zagueiros avançados. Como se todo mundo se posicionasse para receber a bola e passar para um lugar determinado. Quase uma teia de aranha. O nome disso é Jogo de Posição, que é aquela filosofia que tanto associamos a Guardiola, etc.

Jean Mota assumiu o papel de arco e flecha do time na temporada: é o goleador, com nove gols, e também principal “garçom”, autor de sete assistências. Praticamente todos os atacantes são muito velozes e incansáveis na marcação à saída de bola adversária. O maior exemplo é Derlis González, um dos preferidos do técnico argentino para exercer a função de falso nove. Não há como esquecer as participações de Diego Pituca e Carlos Sánchez, os pulmões do meio-campo. O uruguaio, inclusive, já participou de dez gols em 2019, oito de sua autoria.

O Santos não dispõe de um centroavante de área em seu elenco. Sampaoli deseja Ricardo Oliveira, do Atlético-MG, mas a negociação mais próxima parece ser com Uribe, do Flamengo. Isso não impede, no entanto, que o time marque muitos gols ou se utilize do expediente de bolas aéreas. Em lances pelo alto, o rodízio de finalizadores compensa a falta de um camisa 9: Luiz Felipe, Gustavo Henrique, Rodrygo, Derlis e Jean Mota já marcaram, juntos, oito gols de cabeça.

Diante do Atlético-MG, na rodada passada, o Palmeiras venceu o confronto entre líder e vice: 2 a 0 fora de casa. Agora, no clássico, é bem possível que os estilos de jogo se encaixem perfeitamente. Se isso ocorrer, quem prevalece: a intensidade do ataque do Santos ou as investidas pontuais (e mortais) do Palmeiras? Saberemos logo mais.

FONTE: GLOBOESPORTE.COM

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COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: Confiança Empresarial diminui com cenário econômico de incerteza – Por Silvio Persivo

    Insistir é preciso. “De tudo ficaram três coisas: A certeza de que estamos começando. A certeza de que precisamos continuar. A certeza de seremos interrompidos antes de terminar. Portanto, devemos fazer da interrupção um caminho novo. Da queda, um passo de dança. Do medo, uma escada. Do sonho, uma ponte. Da procura, um encontro” (Fernando Sabino). IV SIMPÓSIO DE CIÊNCIA E PESQUISA A da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa do Estado de Rondônia (Fapero) com o objetivo de aproximar a sociedade da comunidade científica e apresentar os seus resultados nos projetos apoiados pela instituição,) realiza o IV Simpósio de Ciência e Pesquisa (Simfap), nos dias 5 e 6 de novembro. O evento reúne pesquisadores para compartilhar seus trabalhos, fortalecer a ciência, a tecnologia e a inovação no estado.. O evento om palestras, mesas-redondas, debates e apresentações de trabalhos científicos será realizado no Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO), na Avenida Presidente Dutra, nº 1889, em Porto Velho, e as inscrições estão abertas até o dia 4 de novembro, O presidente da Fapero, Paulo Renato Haddad, disse que o Simfap já se tornou uma tradição “Mais do que apresentar resultados, o evento é uma forma de dar transparência aos investimentos realizados em ciência, tecnologia e inovação, aproximando a população das pesquisas e demonstrando como esses recursos estão contribuindo para o desenvolvimento de Rondônia”. COMEÇOU O PERÍDO DE DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE REBANHOS Começou neste último domingo (1º), o período para a segunda etapa da declaração obrigatória de rebanhos em Rondônia. A atualização cadastral deve ser realizada até 30 de novembro pelos produtores rurais que criam bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos, suínos, equídeos e aves. O procedimento é realizado junto à Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron). Durante o período, a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) fica condicionada à regularização das informações cadastrais e os produtores só poderão movimentar os animais para transporte ou comercialização depois de feitaa declaração do rebanho. No sistema Idaron Online, os pecuaristas vão classificar o gado como leiteiro ou de corte e informar os números de nascimentos e mortes desde maio. Também será necessário indicar a faixa etária dos animais, especificando quantos, entre os nascidos depois da primeira etapa da declaração, têm de quatro a seis meses e quantos têm de um a três meses de idade. Por fim deve ser feito o ajuste automático do total dos rebanhos no sistema, a partir das alterações informadas pelo produtor. A A atualização cadastral, como se sabe, é necessária para manter o status sanitário de Rondônia como área livre de febre aftosa sem vacinação. CONFIANÇA DOS EMPRESÁRIOS DIMINUI COM CENÁRIO ECONÔMICO DE INCERTEZA Segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), os empresários do comércio, no último e mais forte trimestre para o setor no ano, estão menos otimistas, com menos planos de expansão e contratação. O Icec registrou um recuo de 2,7% em outubro, resultado das incertezas do cenário econômico e apresentou sua quarta queda consecutiva e a mais intensa desde julho, já descontados os efeitos sazonais. Com este resultado, o indicador reduziu para os 96,7 pontos, ficando abaixo do nível de neutralidade e atingindo o valor mais baixo desde maio de 2021, na pandemia, quando marcou 94,5 pontos. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, “O comércio acende um alerta para todo o país ao entrar no período mais lucrativo do calendário, sob cautela. Quando o empresário pisa no freio das contratações e dos investimentos, toda economia desacelera, reflexo direto das incertezas nos âmbitos fiscal e monetário que travam as decisões de negócios neste último trimestre”, analisou. Em Rondônia, a situação é um pouco melhor mesmo com o Icec caindo de 107,3 pontos para 105,9 pontos, ou seja, uma queda de -1,3%. Rondônia, em geral, possui um comportamento mais otimista e resiliente, mas, ainda assim, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia-Fecomércio/RO, Raniery Araújo Coêlho, afirmou ser preciso “Maior previsibilidade, segurança jurídica e políticas monetárias que reduzam os custos das operações do nosso setor. O comércio, nas condições atuais, mesmo querendo expandir e gerar postos de trabalho sofre com a falta de um ambiente mais favorável para manter o crescimento”. E também aconselhou os empresários a realizarem promoções e facilidades maiores para atrair os clientes neste final de ano. REINCIDÊNCIA DE INADIMPLENTES BATE RECORDE Um sintoma deste problema é o fato do Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em setembro, revelar que se verificou o maior recorde no número de consumidores negativados nas listas de inadimplentes. Em setembro de 2026, do total de negativações, 87,44% foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses. Acrescente-se que no universo de reincidentes, a maior parte, 67,05%, ainda não havia quitado as pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 20,38% tinham saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 12,56% dos negativados em setembro não estiveram com restrições no CPF ao longo do último ano. Mais: o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento das demais pendências para os reincidentes foi de 72,5 dias. Isto significa que, em média, depois de cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence. Também se observa que houve um crescimento de 18,28% no número de devedores reincidentes, os que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes, na comparação com os 12 meses anteriores. É uma forte indicação de que o programa Desenrola não deu certo. AUTOR: SILVIO PERSIVO –  COLUNA TEIA DIGITAL

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