Cidades

Nobel de Medicina é dividido entre três cientistas

Pesquisadores descobriram tratamentos contra doenças parasitárias

RIO — O Prêmio Nobel de Medicina, divulgado esta segunda-feira, foi concedido a três cientistas responsáveis pelo desenvolvimento de dois trabalhos que revolucionaram o tratamento contra doenças parasitárias. O irlandês William Campbell e o japonês Satoshi Omura dedicaram-se à criação de terapias contra verminoses. Eles dividirão a laúrea com a chinesa Youyou Tu, que destacou-se com um novo medicamento para combate à malária.

O comitê do Prêmio Nobel destacou que as doenças causadas por parasitas afetam centenas de milhões de pessoas, principalmente para as populações mais pobres: “Ambas as descobertas dão à Humanidade novos e poderosos métodos para combater estas doenças debilitantes que afetam milhões de pessoas por ano. Suas consequências em termos de melhoria da saúde humana e redução do sofrimento são imensuráveis”.

Campbell, de 75 anos, e Omura, 80, venceram o mais importante prêmio científico do mundo com a descoberta da ivermectina, usada no combate à cegueira do rio — que leva à morte devido à inflamação da córnea. Ela também é aplicada no combate à elefantíase, que atinge mais de 100 milhões de pessoas e causa deformações. As doenças manifestam-se especialmente na África, no Sul da Ásia e na América do Sul.

Tu, de 75 anos, por sua vez, foi responsável pelo desenvolvimento da artemisina, um medicamento que reduziu significativamente as taxas de mortalidade entre pacientes com malária. Ela é a 13ª mulher a vencer o Nobel, que está em sua 106ª edição, e a primeira cientista de seu país a vencer na categoria de Medicina.

O mosquito transmissor da malária mata mais de 450 mil pessoas por ano no mundo. Estima-se que mais de 3 bilhões de pessoas estão sob risco de contrair a infecção. A artemisina evita cerca de 100 mil óbitos por ano. O parasita desenvolveu resistência a todas as drogas que eram aplicadas contra a doença desde o século XIX, como a quinina e a cloroquina.

A artemisinina é considerada, ao mesmo tempo, uma nova e velha droga — uma planta comum na medicina tradicional chinesa. A diminuição na taxa de mortalidade na África e na Ásia é atribuída a ela e à disseminação do uso de mosquiteiros.

Entre 2000 e 2013, houve um declínio de 47% da mortalidade causada por malária no mundo e de 54% na África. Entre bebês e crianças com menos de cinco anos, o principal alvo do novo tratamento, o índice de mortes diminuiu 53% no planeta e 58% na África.

Em 1967, a cientista chinesa integrou um projeto secreto voltado à descoberta de drogas em 1967, conhecido como Projeto 523. Ela foi enviada para a província de Hainan, na China, para testemunhar o impacto da malária. Para isso, ela teve que deixar sua filha para trás em uma creche local. Quando voltou, disse que sua filha não a reconheceu.

— O trabalho era a prioridade, então eu estava disposta a sacrificar a minha vida pessoal — disse Tu, em 2011, à revista “New Scientist”. — Vi muitas crianças que estavam nos últimos estágios da malária. Ela morriam muito rápido.

A bióloga sueco-americana Juleen Zierath, presidente do Comitê do Prêmio Nobel de Medicina, afirmou estar satisfeita com a surpresa causada pelo anúncio dos vencedores.

— Mantemos boa parte de nosso trabalho em sigilo, então fico satisfeita quando o resultado é considerado surpreendente. Significa que fizemos um bom trabalho —- comentou Juleen. — Todo ano temos entre 300 a 400 nomeados. Então, de muitas formas, é difícil descobrir quem será [o vencedor]. Omura foi comunicado esta manhã sobre a conquista do prêmio. Campbell e Tu ainda não foram encontrados pelos organizadores do Nobel.

Fonte: oglobo

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