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Marcelo Odebrecht diz ter contado a Graça Foster e Dilma sobre pagamentos ilegais a PMDB e PT

BRASÍLIA (Reuters) – O ex-presidente da empreiteira Odebrecht Marcelo Odebrecht disse ao Ministério Público que foi cobrado pela ex-presidente da Petrobras Maria das Graças Foster por pagamentos ilícitos feitos ao PMDB por um contrato no Paraguai, pouco antes das eleições de 2010, mas que o caso foi abafado depois que ele mesmo revelou à executiva e a própria presidente Dilma Rousseff que o PT, teria recebido parte do dinheiro.

Odebrecht contou, em sua delação, que ao ser procurado por Graça Foster, confirmou o pagamento aos dois partidos e, depois de brigar com a presidente da Petrobras, acabou por contar toda a história à própria Dilma Rousseff, mas que não acredita que qualquer uma das duas tivesse conhecimento ou envolvimento.

“Quando eu coloquei o PT desarmei tanto ela quanto Graça.

Eu não acho que as duas estavam envolvidas ou sabiam, mas quando coloquei o PT, como elas iam reagir quando o partido delas estava envolvido”, afirmou.

Marcelo revela que recebeu um telefonema de Graça Foster perguntando a ele “que história era essa de pagamentos ilícitos ao PMDB”. A história do pagamento teria chegado a ela depois de uma investigação interna, aberta ainda por Sergio Gabrielli, presidente anterior da empresa.

O executivo disse aos procuradores que procurou Marcio Faria, da Odebrecht Óleo e Gás, que operava com o PMDB.

“Ele me contou que houve na véspera da eleição um acerto com o PMDB. Uma verba faturada entrou e a gente deu de volta um valor que entrou na véspera da eleição e saiu para o PMDB na mesma hora”, disse Marcelo, citando os nomes do ex-deputado Eduardo Cunha e do ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves. “Ele me disse que o PT sabia e também recebeu uma parte. Bom, eu agora tenho argumentos para conversar com ela.”

Marcelo diz que então procurou Graça Foster para confirmar o pagamento ilícito e que, por ter uma relação de confiança com ela, não podia negar os pagamentos, mas que sua defesa seria o fato de o PT ter participado do esquema.

“Ela estava mais preocupada em querer saber quem era que tinha recebido no PMDB. Eu não queria alimentar isso, eles que se entendam. Mas o PT sabia, e também recebeu uma parte. O Vaccari recebeu (João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT). Aí a postura dela mudou”, afirmou Odebrecht.

Segundo o executivo, Graça Foster teria dito que colocaria uma pessoa da sua confiança no comando da investigação, mas que não sabe o que aconteceu e a presidente da Petrobras “perdeu o controle” do caso, que levou a uma investigação e denúncia pelo Ministério Público do Rio de Janeiro contra Jorge Luis Zelada, diretor da área internacional da Petrobras, e o então diretor de Contratos Odebrecht Marco Antonio Duran.

O caso levou a uma ruptura entre Marcelo Odebrecht e Graça e chegou aos ouvidos da então presidente Dilma Rousseff, disse o executivo.

“Até então eu nunca tinha tido nenhum tipo de conversa com Graça sobre nenhum tipo de pagamento ilícitos na Petrobras, nem que conhecia nem que fazia. E nem tinha tido com a presidente Dilma nenhum tipo de conversa no que tange a Petrobras, conhecimento de pagamentos indevidos dentro da Petrobras, nem por alto”, garantiu Marcelo Odebrecht.

Depois da briga, contou, ele enviou à presidente Dilma –através de Giles Azevedo, então seu chefe de gabinete, ou Anderson Dorneles, seu assistente– a troca de e-mails ríspida que teve com Graça Foster, mas que, ainda segundo Marcelo, não fazia menção ao dinheiro repassado ilegalmente ao PMDB e ao PT.

“Tive uma reunião com a presidente, não sei se foi por esse assunto ou algum outro, na biblioteca do Palácio da Alvorada. Aí eu fui claro, eu contei tudo que tinha contado para Graça”, disse Marcelo Odebrecht.

TEMER

Na conversa, disse o executivo, ele teria “sentido” que Dilma tentava saber, sem ser clara, se o então vice-presidente Michel Temer teria recebido dinheiro do esquema, e tentou avisar Temer.

“Eu achava que ela queria saber se Michel estava envolvido. Você percebe que ela queria instigar quem era a pessoa que estava recebendo isso”, afirmou.

“Nesse ínterim eu avisei algumas pessoas. Eu pedi a Claudio Mello (então diretor de relações institucionais da Odebrecht)para avisar caciques do PMDB. ‘Faça chegar no ouvido de Temer e algumas pessoas do PMDB, inclusive, que ela pode estar desconfiada dele, que ele recebeu dinheiro”, relatou.

Marcelo Odebrecht afirmou ainda não saber se esse foi o único pagamento ao PMDB neste contrato específico, e nem o valor exato, que teria sido entre 10 e 20 milhões de reais. Mas garante que a empresa não teve “lucro” no caso. O pagamento foi feito através de uma previsão no contrato PAC SMS e o dinheiro teria sido pago à Odebrecht e imediatamente repassado ao PMDB.

 

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RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. 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TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: BRASIL É O 8º MERCADO DE MÚSICA GRAVADA DO MUNDO – Por Silvio Persivo

    Com um faturamento de R$ 3,958 bilhões, crescimento de 14,1%, segundo a Pró-Música Brasil, o Brasil se tornou o 8º maior mercado de música gravada do mundo em 2025. Do total do faturamento cerca de R$ 3,4 bilhões vieram do streaming, que aparece como principal motor das receitas do setor.  Neste cenário, a Associação Brasileira da Música Independente (ABMI) amplia sua agenda de conexões comerciais por meio do BMK (Brazil Music Market), um projeto voltado à aproximação de artistas, selos e empresas com profissionais e oportunidades da indústria musical. Em outubro, são previstas ações no Formemus, no Espírito Santo, e, em novembro, na Semana Internacional de Música de São Paulo (SIM São Paulo). Para Talita Cordeiro, diretora-geral da ABMI, o avanço do mercado brasileiro precisa se traduzir em oportunidades concretas para as empresas independentes. A discussão envolve o acesso a novos mercados, a construção de parcerias comerciais e a capacidade de transformar a circulação internacional da música brasileira em negócios sustentáveis. FONTE: COLUNA TEIA DIGITAL –  POR SILVIO PERSIVO

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