Resenha Politica

Juridicamente é quase zero a possibilidade de o ex-governador Ivo Cassol restabelecer os direitos políticos para garantir a presença nas eleições de outubro – Por Robson Oliveira

É lorota afirmar que a condição processual que restabeleceu a elegibilidade do candango e ex-governador José Roberto Arruda seja semelhante ao do ex-governador rondoniense

Alô, é o governador 

Ontem, ao meio da tarde, recebemos uma ligação do número do celular 976021431, com a voz do governador Marcos Rocha (União Brasil), em plena campanha eleitoral, pedindo indicação sobre qual área cuja prioridade deveria receber mais atenção em um segundo mandato. Na tentativa de driblar a regulamentação, solicita que o destinatário da ligação digite um numeral caso queira dar continuidade a ligação. De forma bem rápida e pouco explicativa.  

VEDAÇÃO 

É a primeira vez em período eleitoral que um governante utiliza da ferramenta digital para fazer campanha. Não há outra intenção na ligação senão promover a própria candidatura o que em tese pode-se configurar uma vedação. O meio telemarketing tem limitação de uso eleitoral uma vez que tem força de desequilibrar o pleito em relação aos concorrentes. Outra questão, igualmente controversa, são os altos custos cobrados no mercado para tais serviços e que podem caracterizar eventualmente abuso de poder econômico.  

PRIVACIDADE 

Mesmo que a ferramenta, os preços e a forma da abordagem do governador aos eleitores sejam tolerados ao serem analisados pelos órgãos fiscalizadores das eleições, há também uma questão fundamental a ser esclarecida e que, aliás, é de interesse deste cabeça-chata, uma vez que recebi a ligação: quem, onde e como o comitê eleitoral de Marcos Rocha conseguiu obter o acesso aos números de telefones para que fossem feitos os disparos em massa aos eleitores.  

LGPD 

A privacidade dos dados pessoais é regulamentada pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), Lei 13.709, que, por sua vez, está em pleno vigor. Todos sabemos que os estados, municípios, entre outros, armazenam dados pessoais da população, incluídos aí celular, todas as vezes que fornecemos tais informações e que devem ser protegidos para que não sejam utilizados sem autorização dos signatários, conforme regulamentação.  

EXPLICAÇÃO 

Uma vez que a lei assegura o direito à privacidade e à proteção de dados dos usuários, por meio de práticas transparentes e seguras, não é autorizado a ninguém, seja autoridade pública, seja pessoa jurídica, manipularem para fins eleitorais. Razão pela qual é preciso que o governador Marcos Rocha explique por qual meio conseguiu o banco de dados dos celulares dos rondonienses e que em tese fere supostamente a LGPD. Uma explicação que interessa especialmente a este cabeça chata que teve seu número fornecido a alguém que nunca concedeu um simples cumprimento de cortesia nas várias vezes que nos encontramos nos aeroportos.  

PLATAFORMA 

O que intriga também é que a mesma plataforma agora usada como meio de propaganda eleitoral, com disparo em massa, não serviu para orientar melhor a população no momento mais crítico da pandemia da covid-19, quando a doença provocou pânico e ceifou centenas de vidas. É uma plataforma tão poderosa que está servindo para tentar manter o mandato do governador por mais quatro anos.  

QUESTIONAMENTO 

Não há ainda informação de que algum partido ou órgão responsável por fiscalizar as eleições tenha tomado alguma medida judicial para esclarecer todos os pontos obscuros que esta coluna aborda, mas é possível que haja questionamento uma vez que o disparo em massa, por si só, pode caracterizar em tese desequilíbrio no pleito por acesso privilegiado aos números de telefones.  

INTERESSE 

É possível que o uso do telemarketing esteja dentro dos parâmetros legais, mas este cabeça chata tem o direito e o interesse de saber como o governador conseguiu o nosso número pessoal do celular, uma vez que a ligação recebida foi feita pela própria voz do candidato. A Lei Geral de Proteção aos Dados Pessoais nos faculta tal direito. Com a palavra o TRE. 

MDB 

Como já era esperado em razão das negociações de bastidores, o MDB vai anunciar o apoio à reeleição do governador Marcos Rocha. Os grupos liderados pelo deputado federal Lúcio Mosquini e pelo ex-senador Valdir Raupp juntos dão maioria para que o partido seja suporte do União Brasil. O governador nunca nutriu apreço pelos dirigentes emedebistas; aliás, já fez declarações depreciativas, mas precisa do tempo da legenda para turbinar seu programa eleitoral de TV e Rádio.  

DIVIDIDO 

Internamente o MDB sempre foi dividido, externamente, quando disputou eleições majoritárias, o partido conseguia aparar as arestas e marchou unido. Atualmente está em frangalhos e vai às eleições aos pedaços porque há uma ala que não aceita a composição com a reeleição do governador.  

PESOS E MEDIDAS 

Eleito satanizando e criticando a forma tradicional  do toma-lá-dá-cá de fazer política dos partidos tradicionais, de forma oportunista, Marco Rocha vai à reeleição escoltado exatamente pelas legendas que outrora demonizou. Ao terceirizar a administração estadual para ceder espaço aos novos aliados da velha política, o pragmatismo do governador será medido pelo peso das negociações pelas quais atraiu o apoio dos aliados mais profissionais no trato com a viúva.  

TRAIDOR 

Já o senador Marcos Rogério, pré-candidato a governador pelo PL, decidiu formar a chapa majoritária com o colega de partido Jaime Bagattoli, candidato ao Senado,  e descartou da composição o ex-fiel escudeiro Expedito Junior (PSD). Mesmo com o descarte, a relação entre os dois não azedou totalmente, mas tem custado ao senador a pecha de trair todas aquelas lideranças que abriram espaço em seus palanques para que ele conseguisse a eleição, uma vez que sozinho dificilmente teria chegado tão longe. Não bastasse a pecha pejorativa, tem sido abertamente criticado por ostentar uma conduta de soberba em relação aos aliados, além de ignorar ligações telefônicas de quem o procura na tentativa de lhe declarar apoio.  

MINIMIZANDO 

Preocupado com a fama de político pavão, dotado de um ego superlativo, o comitê de campanha do senador escalou para minimizar os estragos na mídia a competente jornalista Yale Dantas. É uma profissional carismática, amiga da maioria dos editores e de larga experiência em eleição. Trabalho é o que não vai faltar à colega já que o material disponível para ser moldado não ajuda muito no resultado da obra. Competência também não.  

LOROTA 

Juridicamente é quase zero a possibilidade de o ex-governador Ivo Cassol restabelecer os direitos políticos para garantir a presença nas eleições de outubro. É lorota afirmar que a condição processual que restabeleceu a elegibilidade do candango e ex-governador José Roberto Arruda seja semelhante ao do ex-governador rondoniense. Nada tem a ver uma coisa com a outra. Embora insistam em comparar as situações juridicamente díspares.  

AUTOR: ROBSON OLIVEIRA –  JORNALISTA E COLUNISTA  –  COLUNA RESENHA POLITICA

  • A opinião dos colunistas colaboradores são de sua inteira responsabilidade e não reflete necessariamente a posição da Folha Rondoniense

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RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • PODCAST: “Não se pode confundir gentileza com fraqueza”, diz Marcos Rogério ao falar sobre como pretende governar Rondônia

    Em entrevista a Robson Oliveira no Resenha Política, governador eleito aborda relação com Léo Moraes, formação da equipe, saúde, segurança pública, investimentos e articulações para o início do mandato Eleito governador de Rondônia no primeiro turno das eleições de 4 de outubro, Marcos Rogério (PL) falou sobre a postura que pretende adotar à frente do Executivo estadual durante entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado pelo jornalista Robson Oliveira, em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica. Questionado sobre como conciliará o histórico de confrontos políticos com a necessidade de diálogo, respondeu: “Não se pode confundir gentileza com fraqueza e nem falar alto com autoridade”. O governador eleito afirmou que pretende liderar também aqueles que pensam de maneira diferente e defendeu uma administração baseada na competência técnica, independentemente de filiações partidárias. Ao afastar a possibilidade de perseguições políticas contra servidores, declarou: “Vai ter caça-talentos”. Segundo ele, a prioridade será reunir profissionais capazes de produzir resultados, sem compromissos de loteamento de cargos. Na área administrativa, Marcos Rogério apresentou as primeiras medidas que pretende adotar depois da posse, com atenção especial à saúde e à segurança pública. Anunciou a intenção de instalar um gabinete de crise, coordenado pessoalmente pelo governador, para enfrentar as filas de pacientes que aguardam consultas especializadas, exames e cirurgias. Também reafirmou os projetos de construção de um Hospital de Urgência em Porto Velho, para substituir o João Paulo II, e de um hospital de traumas na região de Ji-Paraná, cuja estrutura pretende financiar com recursos do Detran. Na segurança, defendeu o retorno de policiais militares atualmente empregados em outras funções ao trabalho operacional, como resposta emergencial à deficiência de efetivo. Reconheceu, entretanto, que a recomposição das forças policiais será um dos maiores desafios dos primeiros dois anos de mandato. A relação com o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos), também ocupou espaço importante da entrevista. Marcos Rogério confirmou a manutenção dos compromissos assumidos durante a campanha e atribuiu ao apoio do prefeito parte do resultado eleitoral alcançado na capital. O governador eleito reconheceu que ambos tiveram divergências políticas no passado, mas afirmou que conseguiram superá-las por meio do diálogo. “A gente tem mais convergência do que divergência”, declarou. Entre as ações previstas na parceria, destacou a pavimentação do acesso entre a BR-364 e União Bandeirantes, melhorias na Estrada da Penal e investimentos em infraestrutura urbana e agricultura familiar. Marcos Rogério também comentou a destinação de recursos para o centro de convenções, unidades escolares e outras intervenções na capital, defendendo uma atuação conjunta entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Porto Velho. No campo político, o governador eleito abordou a formação de sua equipe de transição, a composição do futuro secretariado, a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa e a convivência com o vice-governador eleito Rodrigo Camargo (Podemos). Defendeu uma equipe inicial enxuta, de perfil técnico, para diagnosticar a situação financeira e administrativa do Estado. Sobre o Legislativo, afirmou que respeitará a autonomia dos deputados, embora considere importante a escolha de um presidente alinhado ao projeto aprovado nas urnas. Também falou sobre o cenário político nacional, Flávio Bolsonaro, infraestrutura e os desafios econômicos de Rondônia. Ao avaliar as expectativas em torno de seu mandato, reconheceu as limitações orçamentárias e evitou estabelecer soluções imediatas para problemas estruturais. “Não estou prometendo milagre”, afirmou. Durante a conversa com Robson Oliveira, reforçou que seu principal objetivo será destravar a administração pública, recuperar a capacidade de investimento e transformar os compromissos eleitorais em resultados concretos para a população. ASSISTA: FONTE: RONDONIA DINAMICA 

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • TEIA DIGITAL: Em Setembro, Balança Comercial em Rondônia apresenta resultado negativo – Por Silvio Persivo

    E querem nos dizer o que devemos fazer sem considerar nossos interesses. “Eles não aprenderam nada e não esqueceram nada” (Charles Maurice de Talleyrand-Périgord). 3ª EXPOTURISMO ENCERRA COM IMENSO SUCESSO Realizada com muito sucesso, de público e de movimentação financeira, a 3ª Expo Turismo Rondônia 2026, que, este ano, foi no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, brilhou pela diversidade dos estandes. A feira reuniu empreendedores, especialistas, representantes de municípios e profissionais do setor. Estiveram presentes mais de 10 mil visitantes ao longo dos três dias para visitar 85 estandes, especialistas e empreendedores do setor. O evento ampliou a visibilidade dos negócios, estimulou parcerias e incluiu palestras, workshops, aulas-show, debates, oficinas, talk shows e capacitações, além da exposição de produtos, serviços e experiências turísticas. Também a pesca esportiva foi o grande destaque com a presença de Nelson Nakamura e os filhos Renan e Vitor Nakamura, referências na pesca esportiva. Nelson Nakamura e os filhos participam da Expo pela terceira vez, com presença em workshops e atividades voltadas ao segmento, ao lado de outros especialistas do setor. O evento foi realizado pel0 governo de Rondônia por meio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio-RO) e o apoio da Prefeitura Municipal de Porto Velho.  O governador Marcos Rocha destacou sobre o evento a importância de valorizar os atrativos regionais e criar oportunidades para empreendedores e municípios por meio do turismo. AS CRIANÇAS AINDA SÃO MAIORIA EM RONDÔNIA O Dia das Crianças foi muito comemorado em Rondônia, mas, é preciso frisar que, no Brasil, hoje, existem 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais contra apenas 26,4 milhões de crianças de até 9 anos. É uma diferença de 10 milhões a favor dos idosos, o que reflete a virada demográfica que começou em 2020 e deve se aprofundar em 2040, quando serão 2,5 idosos para cada criança. Em 2000, as crianças eram 19,8% da população. Hoje são somente 12,3%, ou 1 em cada 8 brasileiros. Já em 18 das 27 unidades da federação há mais idosos do que crianças. O Rio Grande do Sul lidera com a maior proporção de idosos: possui 1,96 idoso por criança. Já Rondônia, a proporção é de 1,18 criança de até 9 anos para cada idoso com 60 anos ou mais (ou cerca de 85 idosos para cada 100 crianças nessa faixa etária). EM SETEMBRO BALANÇA COMERCIAL DE RONDÔNIA APRESENTA RESULTADO NEGATIVO O comércio exterior de Rondônia, em setembro, segundo o Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), fechou o mês com déficit de US$ 59,5 milhões, valor proveniente de US$ 195,7 milhões em vendas e US$ 255,2 milhões, mas, no acumulado de janeiro a setembro deste ano, o resultado permanece favorável ao Estado, com saldo positivo de US$ 560,2 milhões. O resultado de setembro decorre do aumento das importações que chegou perto de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O que também contribuiu, porém em menor proporção, foram as limitações tarifárias sobre a carne bovina na China, que atingiu o teto da cota anual, e passou a receber uma sobretaxa de 55% em cima da taxa base de 12%, totalizando a alíquota de 67%. Para contornar as restrições no país asiático, frigoríficos e produtores locais redirecionaram seus carregamentos para destinos como Chile, Estados Unidos e Canadá. A pauta de embarques permaneceu concentrada na carne bovina, responsável por 58,1% das vendas, e o milho, com 23,3%. O mercado de café também apresentou teve expansão contínua, com 7,3% da pauta mensal. O café ganhou protagonismo na balança comercial pelo forte crescimento em 2026. O volume total do grão embarcado até o momento perfaz quase o dobro de tudo o que foi exportado ao longo do ano de 2025. Nas importações, a China respondeu por 41,2% do total acumulado no ano, somando US$ 953,6 milhões, acompanhada por parceiros como Argentina e Estados Unidos. Os valores elevados de compras externas decorrem do modelo tributário de importação escritural garantido pela legislação estadual. Neste sistema, as empresas registradas em Rondônia efetuam o recolhimento de tributos no Estado, enquanto os produtos entram no país por portos de outras regiões e seguem para o destino final, sem significar consumo direto pela população local. UNIVERSIDADES EM XEQUE A atual disputa eleitoral está desnudando, de uma forma até burlesca, o que acontece nas universidades brasileiras e como essas se encontram distantes dos problemas reais do país. É fato que a tecnologia e o progresso estão obrigando a academia a mudar o que fazem. Porém, com as manifestações estudantis e os problemas que surgem internamente de incêndios e uso das instalações para politicagem, a questão que aflora se tornou mais grave. Começa-se a questionar não somente “apenas o que fazem” e sim também “os que fazem”. Há professores passando vergonha tanto pelos discursos ultrapassados como pela demonstração de falta de conhecimento demonstrando que o saber está realmente escasso nas universidades. E isto se demonstra tanto pela queda das instituições nos rankings de classificação, em relação as de outros países, como pela deterioração visível dos campus e instalações onde as pichações, a falta de manutenção e a sujeira dão uma triste demonstração de como se encontram locais que deveriam ser espelhos para a sociedade. E o mais preocupante é que esta desvalorização das universidades se visualiza quando há um declínio de uma das suas principais razões de existência, que é a realização de pesquisas. Antes o setor produtivo precisava dos recursos que as universidades possuíam, da aliança entre ensino e pesquisa, inclusive para sustentar os salários das pessoas capazes de realizar este tipo de pesquisa. Agora, tudo indica que, com a crescente perda de importância das pesquisas universitárias, as empresas apostam mais nos seus próprios recursos e de que a inteligência artificial será cada vez mais capaz de realizar grande parte das pesquisas necessárias. Por isto diminuem a procura por vagas, […]

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