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Fronteira da Venezuela com o Brasil completa 30 dias fechada

Sem conseguir entregar a ajuda humanitária internacional, a instabilidade política e social se instaurou na fronteira em Roraima. Veja os principais fatos que marcaram o período.

As fronteiras da Venezuela com o Brasil e a Colômbia completam 30 dias de bloqueio neste sábado (23). Em meio a uma disputa pelo poder, divisão política internacional, repressão do governo de Nicolás Maduro contra a população e prejuízos econômicos, a tensão aumenta na América Latina.

A ajuda humanitária solicitada pelo autoproclamado presidente interino Juan Guaidó para o “Dia D” foi frustrada. Maduro anunciou o bloqueio para impedir a entrada dos produtos e, conforme ele, de uma consequente interferência externa na política venezuelana por intermédio dos Estados Unidos.

A suspensão causou conflitos dentro e fora do país, onde venezuelanos foram atacados por tropas de Maduro dentro e fora do país. No Brasil, enquanto chegavam ambulâncias com feridos, uma base militar do país vizinho foi incendiada com coquetéis molotov e bombas de gás lacrimogêneo foram atiradas para dispersar os manifestantes.

Impedidos de atravessar, centenas de pessoas começaram a usar rotas clandestinas para chegar ao Brasil. O fechamento da fronteira também causa prejuízo nas exportações de Roraima e o presidente Jair Bolsonaro (PSL) promoveu reuniões para acelerar a construção do Linhão de Tucuruí, que insere Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN), ao qual ainda não faz parte e o torna dependente da energia produzida na Venezuela.

Na Colômbia, representantes do Grupo de Lima discutiram alternativas para garantir a democracia ao povo venezuelano. Evento contou com a presença do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, que repetiu a frase de Donald Trump, afirmando que “todas as opções estão à mesa”.

“Correndo contra o tempo o mais rápido possível para poder passar antes que a fronteira feche”, Genson Medina, venezuelano

A declaração de Maduro de que fecharia a fronteira causou correria à população venezuelana. Muitos foram a Pacaraima para comprar e estocar alimentos. Na cidade, empresários registraram aumento de 30% nas vendas às vésperas do fechamento.

Um dia antes do bloqueio, tanques do Exército se movimentaram em Santa Elena de Uairén, cidade venezuelana que faz fronteira com o Brasil, gerando apreensão e insegurança no Sul do país.

“Fechada total e absolutamente até novo aviso”, Nicolás Maduro, presidente da Venezuela

No dia 21 a fronteira foi fechada pela última vez, às 21h (horário de Brasília). Ela deveria ter sido reaberta às 8h do dia 22, o que não ocorreu. Desde então, militares de Madruro formaram uma linha de frente com o Brasil, impedindo a passagem de pessoas e veículos.

Pela manhã, ambulâncias começam a atravessar com índios venezuelanos feridos. Eles foram atacados por forças de segurança da Venezuela na comunidade indígena em Kumarakapay, distante 80 Km da fronteira. Em busca de ajuda humanitária, foram impedidos pelos militares. Uma mulher morreu e vários foram baleados com armas de fogo e agredidos.

“O clima que estamos percebendo aqui é o de guerra”, Alshelldson de Jesus, diretor-geral do Hospital Délio de Oliveira Tupinambá, em Pacaraima

As ambulâncias atravessavam a fronteira com destino ao hospital de Pacaraima. Por ser uma unidade de média complexidade, a maioria dos feridos foram transferidos para Boa Vista. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, 25 pessoas foram socorridas. Destas, três morreram, 12 receberam alta e 10 permanecem internadas no Hospital Geral de Roraima, na capital.

No dia 22 também aconteceu o show humanitário batizado como “Venezuela Aid Live” na Colômbia. Atrações internacionais como Maná, Alejandro Sanz e Maluma se apresentaram no evento que contou com a presença de Juan Guaidó, que atravessou a fronteira apesar de ter sido proibido pelo governo. Maduro promoveu um show semelhante pelo lado venezuelano.

O “Dia D”

Cerca de 200 toneladas de alimentos e medicamentos, muitos deles doados pelos EUA, foram armazenados na Base Aérea de Boa Vista para serem levados à Venezuela no chamado “Dia D”. Porém, apenas duas carretas com motoristas venezuelanos foram abastecidas com a ajuda e seguiram em direção a fronteira.

Impedidos de atravessar devido ao fechamento da fronteira no dia anterior – uma medida de Maduro para evitar o que ele chamou de interferência internacional, principalmente dos EUA -, os veículos recuaram, iniciando uma confusão generalizada. No lado brasileiro, venezuelanos atacaram com paus e pedras os militares chavistas, que revidaram com pedras e bombas de gás lacrimogêneo. Uma base militar foi incendiada pelos manifestantes com coquetéis molotov.

“Nunca tinha visto nenhum exército de outro país jogar bomba de gás lacrimogêneo no Brasil”, coronel José Jacaúna

Um novo confronto foi registrado no dia seguinte, forçando o Governo Federal a tomar uma atitude. Durante reunião em Brasília, Bolsonaro e ministros discutiram medidas para garantir a ordem na região. Agentes da Força Nacional e Polícia Rodoviária Federal começaram a proibir a permanência de venezuelanos na fronteira, ação que evitou novos conflitos até hoje.

Na Colômbia, dois caminhões foram incendiados e tiveram os produtos saqueados durante tentativa de entregar a ajuda, de acordo com a agência Reuters.

Após a frustração na distribuição de ajuda humanitária, Juan Guaidó condenou a atitude e disse que Maduro mostrou “a pior cara da Venezuela”, cobrando apoio internacional “para assegurar a liberdade” da Venezuela.

“Estamos morrendo de fome”

Venezuelanos que entram no Brasil, se arriscando por rotas alternativas em meio a mata e montanhas, denunciam a falta de alimentos no país. Através desses caminhos chegam bebês de colo, crianças, adultos e até idosos. Eles desafiam o forte calor do lavrado e o medo de serem descobertos pelas forças de segurança de Maduro.

Enquanto a fronteira estava aberta, até 800 pessoas entravam no Brasil para fazer compras em Pacaraima ou seguir destino a Boa Vista, distante 215 Km. Após o fechamento, esse número reduziu para 400, mas entrando de forma ilegal.

“Que se coloquem do lado do povo, porque o povo está passando fome”, Carlos Eduardo Zapata, sargento do Exército Bolivariano

Entre os que chegam ao Brasil estão, inclusive, militares que desertaram do Exército de Nicolás Maduro. Ao menos 12 se entregaram no posto do Exército Brasileiro formado em Pacaraima. Na Colômbia, quase 300 também abandonaram o país.

Para evitar o tráfico de drogas e armas na região, o Exército montou um posto de fiscalização para inspecionar bolsas e itens de transportados por venezuelanos que entram e saem do Brasil.

Reunião do Grupo de Lima

O Grupo de Lima, criado em 2017 por iniciativa do governo do Peru para pressionar o regime de Nicolás Maduro e restabelecer a democracia na Venezuela, é formado por 13 países, entre eles o Brasil. No dia 25, um novo encontro foi realizado na Colômbia e contou com as presenças de Juan Guaidó e do vice-presidente dos EUA, Mike Pence.

“É possível devolver a Venezuela ao convívio democrático das Américas sem qualquer medida extrema”, Hamilton Mourão, vice-presidente do Brasil

Na ocasião, Pence repetiu as palavras do presidente americano Donald Trump ao afirmar que “todas as opções estão à mesa” para “restaurar a liberdade” aos venezuelanos.

Horas antes, a porta-voz da União Europeia, Maja Kocijancic, fez um apelo para evitar a intervenção militar no país governado por Maduro.

Através do Twitter, Evo Morales também se manifestou, pedindo por “uma solução mediante o diálogo”, sem uso da força.

Brasileiros voltam para casa

Com o fechamento da fronteira, centenas de pessoas ficaram retidas na Venezuela, impedidas de voltar. Entre eles estavam turistas de diversas nacionalidades e caminhoneiros. O vice-consulado brasileiro em Santa Elena de Uairén, por intermédio do Itamaraty, tem conseguido negociar a liberação dessas pessoas através da fronteira por Roraima.

De acordo com o vice-cônsul Ewerton Oliveira, cerca de 800 pessoas já foram resgatadas, entre brasileiros, argentinos, colombianos, cubanos, indianos, nigerianos, sírios e ucranianos.

Energia garantida e blecaute histórico

O Governo Federal fez uma série de reuniões para discutir os impactos de Maduro no Brasil. Uma delas é a possibilidade de interrupção energética a Roraima através do Linhão de Guri, da Venezuela. O estado é o único do país que não faz parte do Sistema Interligado Nacional (SIN), fazendo dele dependente do país vizinho.

Só em 2018, 85 blecautes foram registrados no estado, sendo 72 decorrentes de falhas na linha de transmissão da Venezuela, gerando um gasto de R$ 597 milhões.

Apesar do risco, o Ministério de Minas e Energia afirma que Roraima não ficará desabastecido, uma vez que as usinas termelétricas do estado poderão garantir a distribuição em todos os 15 municípios.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para garantir o abastecimento ao estado é necessário um consumo diário de 1 milhão de metros cúbicos de óleo por dia. Anunciou ainda que foi aprovado um leilão – previsto para 31 de maio – para contratar energia a Roraima. O objetivo é evitar que o estado se mantenha dependente da Venezuela.

Bolsonaro também se reuniu com o Conselho de Defesa Nacionalpara discutir a aceleração da construção do Linhão de Tucuruí, que vai integrar Roraima ao SIN através de Manaus.

“Sabotagem criminosa e brutal contra o sistema de geração elétrica”, Nicolás Maduro, presidente da Venezuela

Diante da instabilidade política e social, a Venezuela registrou seu maior blecaute da história, atingindo 22 dos 23 estados do país. O governo atribui o problema, causado na usina de Guri, aos opositores de Maduro e a ciberataques dos EUA.

Por outro lado, Juan Guaidó afirmou que o blecaute ocorreu devido ao sucateamento da rede elétrica do país.

Através das redes sociais, venezuelanos denunciaram o fechamento de comércio, caos no transporte público e nos hospitais. Há relatos de mortes em decorrência da falta de energia elétrica, mas não há dados oficiais. A ONG Codevida apontou ao menos 15 mortes. O governo de Nicolás Maduro nega as informações.

De acordo com o vice-cônsul do Brasil em Santa Elena de Uairén, Ewerton Oliveira, a cidade já voltou à normalidade.

Ajuda internacional

Em busca de apoio para retomar a democracia na Venezuela, Juan Guaidó, que já é reconhecido como presidente interno por mais de 50 países, visitou presidentes da Colômbia, Brasil, Paraguai, Argentina e Equador entre os meses de fevereiro e março.

No Brasil, Guaidó se reuniu com Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto e visitou o Congresso Nacional, onde se encontrou com parlamentares na Câmara dos Deputados e no Senado.

Comércio afetado

O governador de Roraima, Antonio Denarium (PSL), se encontrou com autoridades ligadas a Nicolás Maduro para negociar a abertura da fronteira e o restabelecimento do comércio entre os dois países, mas não teve êxito.

Um grupo de empresários também seguiu até Caracas para tentar um acordo para a liberação de carretas com produtos perecíveis. Segundo eles, o prejuízo causado chega a R$ 5 milhões por dia de fronteira fechada. Até o momento, nenhuma carreta foi autorizada a atravessar.

No comércio de Pacaraima, as vendas caíram e muitos trabalhadores foram demitidos. Apesar de centenas de venezuelanos atravessarem a fronteira por rotas clandestinas, os prejuízos na cidade tem se acumulado.

Educação comprometida

Devido a proximidade, centenas de crianças brasileiras e venezuelanas moram em Santa Elena e estudam em Pacaraima. Impedidos de atravessar, as escolas de Pacaraima começaram o ano letivo quase vazias. Isso porque, dos 2.135 estudantes matriculados, quase 60% são venezuelanos e aproximadamente 500 moram no país vizinho, afirmou o secretário de Educação do município, Abraão Oliveira da Silva.

Abrigos e interiorização

Roraima possui treze abrigos abrigos para imigrantes, sendo que um deles é para regularização migratória. Em Boa Vista está concentrado a maior quantidade, são 11 unidades. Juntos, todos eles contam com mais de 6 mil venezuelanos que viviam em situação de rua na capital.

Apesar disso, muitos venezuelanos ainda dormem nas ruas da capital e de Pacaraima. A maioria deles espera uma oportunidade de ser abrigado em uma dessas unidades, que são administradas pela Operação Acolhida, do Exército brasileiro.

Como forma de reduzir os problemas causados no estado devido a imigração em massa – principalmente na saúde e segurança – o Governo Federal passou a adotar o processo de interiorização, que leva venezuelanos de Roraima para outros estados do país.

Até hoje, 26 etapas foram realizadas e mais de 5 mil pessoas levadas para 50 cidades de 17 estados do Brasil. Todos elas, antes de viajar, recebem atendimento médico, são vacinadas e documentadas com carteira de trabalho e CPF.

“[As dificuldades] extrapolam completamente a normalidade da execução de políticas públicas estaduais”, Antonio Denarium, governador de Roraima

Alavancado pela crise financeira no estado, o governo de Roraima decretou calamidade na Saúde. Antes, o Conselho Regional de Medicina de Roraima (CRM-RR) havia suspendido por duas vezes as cirurgias eletivas no Hospital Geral de Roraima, o principal do estado, e na Maternidade Nossa Senhora de Nazareth. O motivo é a falta de insumos, remédios e materiais básicos para cirurgia.

Antonio Denarium decretou ainda emergência devido a migração venezuelana. Segundo o governador, o decreto dá autonomia para que as secretarias do Trabalho e Bem-Estar Social, da Educação e Saúde adotem todas as medidas cabíveis para promover ações de assistência social de proteção às pessoas em situação de vulnerabilidade.

FONTE: G1.COM

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

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COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • TEIA DIGITAL: Em Setembro, Balança Comercial em Rondônia apresenta resultado negativo – Por Silvio Persivo

    E querem nos dizer o que devemos fazer sem considerar nossos interesses. “Eles não aprenderam nada e não esqueceram nada” (Charles Maurice de Talleyrand-Périgord). 3ª EXPOTURISMO ENCERRA COM IMENSO SUCESSO Realizada com muito sucesso, de público e de movimentação financeira, a 3ª Expo Turismo Rondônia 2026, que, este ano, foi no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, brilhou pela diversidade dos estandes. A feira reuniu empreendedores, especialistas, representantes de municípios e profissionais do setor. Estiveram presentes mais de 10 mil visitantes ao longo dos três dias para visitar 85 estandes, especialistas e empreendedores do setor. O evento ampliou a visibilidade dos negócios, estimulou parcerias e incluiu palestras, workshops, aulas-show, debates, oficinas, talk shows e capacitações, além da exposição de produtos, serviços e experiências turísticas. Também a pesca esportiva foi o grande destaque com a presença de Nelson Nakamura e os filhos Renan e Vitor Nakamura, referências na pesca esportiva. Nelson Nakamura e os filhos participam da Expo pela terceira vez, com presença em workshops e atividades voltadas ao segmento, ao lado de outros especialistas do setor. O evento foi realizado pel0 governo de Rondônia por meio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio-RO) e o apoio da Prefeitura Municipal de Porto Velho.  O governador Marcos Rocha destacou sobre o evento a importância de valorizar os atrativos regionais e criar oportunidades para empreendedores e municípios por meio do turismo. AS CRIANÇAS AINDA SÃO MAIORIA EM RONDÔNIA O Dia das Crianças foi muito comemorado em Rondônia, mas, é preciso frisar que, no Brasil, hoje, existem 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais contra apenas 26,4 milhões de crianças de até 9 anos. É uma diferença de 10 milhões a favor dos idosos, o que reflete a virada demográfica que começou em 2020 e deve se aprofundar em 2040, quando serão 2,5 idosos para cada criança. Em 2000, as crianças eram 19,8% da população. Hoje são somente 12,3%, ou 1 em cada 8 brasileiros. Já em 18 das 27 unidades da federação há mais idosos do que crianças. O Rio Grande do Sul lidera com a maior proporção de idosos: possui 1,96 idoso por criança. Já Rondônia, a proporção é de 1,18 criança de até 9 anos para cada idoso com 60 anos ou mais (ou cerca de 85 idosos para cada 100 crianças nessa faixa etária). EM SETEMBRO BALANÇA COMERCIAL DE RONDÔNIA APRESENTA RESULTADO NEGATIVO O comércio exterior de Rondônia, em setembro, segundo o Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), fechou o mês com déficit de US$ 59,5 milhões, valor proveniente de US$ 195,7 milhões em vendas e US$ 255,2 milhões, mas, no acumulado de janeiro a setembro deste ano, o resultado permanece favorável ao Estado, com saldo positivo de US$ 560,2 milhões. O resultado de setembro decorre do aumento das importações que chegou perto de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O que também contribuiu, porém em menor proporção, foram as limitações tarifárias sobre a carne bovina na China, que atingiu o teto da cota anual, e passou a receber uma sobretaxa de 55% em cima da taxa base de 12%, totalizando a alíquota de 67%. Para contornar as restrições no país asiático, frigoríficos e produtores locais redirecionaram seus carregamentos para destinos como Chile, Estados Unidos e Canadá. A pauta de embarques permaneceu concentrada na carne bovina, responsável por 58,1% das vendas, e o milho, com 23,3%. O mercado de café também apresentou teve expansão contínua, com 7,3% da pauta mensal. O café ganhou protagonismo na balança comercial pelo forte crescimento em 2026. O volume total do grão embarcado até o momento perfaz quase o dobro de tudo o que foi exportado ao longo do ano de 2025. Nas importações, a China respondeu por 41,2% do total acumulado no ano, somando US$ 953,6 milhões, acompanhada por parceiros como Argentina e Estados Unidos. Os valores elevados de compras externas decorrem do modelo tributário de importação escritural garantido pela legislação estadual. Neste sistema, as empresas registradas em Rondônia efetuam o recolhimento de tributos no Estado, enquanto os produtos entram no país por portos de outras regiões e seguem para o destino final, sem significar consumo direto pela população local. UNIVERSIDADES EM XEQUE A atual disputa eleitoral está desnudando, de uma forma até burlesca, o que acontece nas universidades brasileiras e como essas se encontram distantes dos problemas reais do país. É fato que a tecnologia e o progresso estão obrigando a academia a mudar o que fazem. Porém, com as manifestações estudantis e os problemas que surgem internamente de incêndios e uso das instalações para politicagem, a questão que aflora se tornou mais grave. Começa-se a questionar não somente “apenas o que fazem” e sim também “os que fazem”. Há professores passando vergonha tanto pelos discursos ultrapassados como pela demonstração de falta de conhecimento demonstrando que o saber está realmente escasso nas universidades. E isto se demonstra tanto pela queda das instituições nos rankings de classificação, em relação as de outros países, como pela deterioração visível dos campus e instalações onde as pichações, a falta de manutenção e a sujeira dão uma triste demonstração de como se encontram locais que deveriam ser espelhos para a sociedade. E o mais preocupante é que esta desvalorização das universidades se visualiza quando há um declínio de uma das suas principais razões de existência, que é a realização de pesquisas. Antes o setor produtivo precisava dos recursos que as universidades possuíam, da aliança entre ensino e pesquisa, inclusive para sustentar os salários das pessoas capazes de realizar este tipo de pesquisa. Agora, tudo indica que, com a crescente perda de importância das pesquisas universitárias, as empresas apostam mais nos seus próprios recursos e de que a inteligência artificial será cada vez mais capaz de realizar grande parte das pesquisas necessárias. Por isto diminuem a procura por vagas, […]

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