Interessante

Congresso avalia propostas para criação de selos ESG

Projetos de lei estipulam que empresas que receberem a certificação teriam vantagens para obter crédito e em licitações

Dois projetos de lei que instituem selos ASG (Ambiental, Social e de Governança, mais conhecido pela sigla em inglês ESG) a serem concedidos pelo governo tramitam no Congresso. No Senado, há o PL 4363/2021, de autoria do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), enquanto na Câmara dos Deputados foi proposto o PL 735/2022, por Carlos Henrique Gaguim (União Brasil-TO).

Bastante semelhantes em seus conteúdos, ambas as proposições preveem que as certificações seriam concedidas pelo governo federal e as empresas teriam benefícios, como acesso facilitado ao crédito.

No Senado

O PL de Mecias de Jesus, que espera a Secretaria da Casa encaminhá-lo às comissões temáticas, determina seis instrumentos que a empresa deve ter para que seja considerada ASG:

boas práticas com colaboradores, clientes e fornecedores;
presença de compliance;
programas voltados à diversidade da força de trabalho e no Conselho de Administração, além de capacitação dos trabalhadores e segurança de dados;
investimento em programas de responsabilidade social;
uso adequado de recursos naturais e obtenção de matérias-primas por meio de práticas regenerativas; e
ter uma metodologia consistente para a escolha de investimentos

Embora não conste no projeto, o senador afirmou ao Estadão que a definição de critérios mais rígidos e a fiscalização ficariam a cargo do Ministério da Economia, por meio da Secretaria de Desenvolvimento da Indústria, Comércio e Serviços (SDIC). A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) seria responsável por analisar as carteiras de investimento de empresas e fundos.

O projeto determina que quatro benefícios serão concedidos: preferência em licitações, nas quais o selo ASG seria utilizado como critério de desempate; prioridade no acesso a crédito e condições de financiamento melhores, com juros reduzidos, em instituições financeiras públicas e privadas; permissão para colocar o selo em produtos e propagandas e tramitação prioritária em procedimentos administrativos que a atividade da empresa requer.

“Acredito que o Projeto de Lei funcionará como um estímulo às empresas no momento de formularem suas políticas de produção e investimento considerando os inúmeros benefícios elencados”, afirmou Mecias de Jesus, acrescentando também que espera que o PL ajude as empresas brasileiras a fecharem bons negócios no exterior.

Na Câmara

A proposta de Carlos Henrique Gaguim na Câmara dos Deputados cria o selo “Investimento Verde”, voltado principalmente ao mercado financeiro. O selo seria concedido a instituições do mercado de capitais que receberem uma certificação de sustentabilidade de entidade nacional ou internacional, conforme regulamentação ainda a ser definida, após a aprovação da lei – a normatização traria os prazos de reavaliação dos produtos e serviços.

As empresas que receberem o selo teriam prioridade no acesso a recursos de programas públicos de crédito, fomento ou estímulo, assim como a programas de financiamento dos bancos estatais e fundos públicos.

Na justificativa do projeto, Gaguim cita questões como trocar a lógica dos investimentos de privilegiar o shareholder (acionistas e investidores) para o stakeholder (todos os interessados, incluindo comunidades possivelmente afetadas).

“O Selo Investimento Verde pode servir como um guia nacional às práticas que o Estado brasileiro gostaria de ver adotadas”, prevê. Não fica definido qual órgão federal realizaria a regulamentação e fiscalização, o que poderia configurar vício de iniciativa.

O setor privado tem buscado criar certificações ESG no exterior, e alguns países e blocos aprovaram legislações com normas para todas as empresas, como Estados Unidos, União Europeia, Chile, Colômbia e Argentina.

No Brasil, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) estipulou que as instituições financeiras devem identificar os fundos de investimentos sustentáveis para os interessados através da sigla IS, e publicou guias sobre os aspectos ESG para que os investidores possam identificá-los.

Se podem representar um avanço no reconhecimento do setor público das questões ESG, os projetos ainda necessitam de regulamentação posterior. Na avaliação de Gustavo Pimentel, CEO da Consultoria NINT, focada em ESG, a falta de um foco bem definido no projeto do Senado pode levá-lo a ser inócuo, enquanto o da Câmara tem uma escolha “curiosa” ao definir que o selo será concedido a quem já tiver reconhecimento vindo de outra fonte.

“É preciso ter muito cuidado quando o setor público visa regulamentar práticas ESG, porque uma vez que é feito, não é trivial desfazer. Os PLs não estão bem redigidos e deixam em aberto sobre o que são os selos e para que se destinam. É perigoso não ter uma delimitação precisa”, comenta Pimentel. Ele relembra que sustentabilidade e ASG são conceitos amplos e para os quais há uma grande divergência de opiniões sobre os significados.

Assim, a melhor opção, segundo ele, para aprovar os selos e construir uma legislação ESG abrangente, que incentive as empresas a aderirem a práticas relacionadas à sigla, é um processo de discussão robusto, com agentes do mercado, da sociedade civil, técnicos de universidades e governos. O exemplo é a tramitação de leis para o tema ocorrida na União Europeia, que que servem para todos os países e ainda abrangem diversos setores. Vizinhos do Brasil como Argentina, Chile e Colômbia também criaram legislações ESG. No caso colombiano, foi lançada uma taxonomia de atividades sustentáveis, que cria uma lista positiva de atividades com externalidades positivas e as beneficia.

Esse é outro ponto criticado por Pimentel: as benesses prometidas nos PLs já podem ser aplicadas no Brasil com as leis atuais. Exemplo são a linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para agricultura de baixa emissão de gás carbônico e as licitações que já preveem nos editais que a sustentabilidade das empresas seja critério de desempate. Por isso, embora o projeto tente estimular a adesão ao ESG, pode acabar tendo pouco efeito, se o texto aprovado for igual aos que foi proposto no Senado. “Ele não define como vai acontecer, e carece de tanta regulamentação que é quase inócuo”, afirma.

Ainda assim, a pauta ESG segue avançando no Brasil, a passos lentos. Um exemplo foi a proposta avaliada em audiência pública realizada pela Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que começou na última quarta, 17, e vai até 19 de setembro, que visa aumentar a diversidade na composição dos Conselhos das empresas listadas: se for aprovada do jeito que está, até 2026 as companhias terão que ter uma mulher e uma pessoa negra, com deficiência ou LGBTQ+.

“A autorregulação ajuda a dar o primeiro passo mas as necessidades são maiores. A incorporação dessa lente deve ser considerada para o sucesso econômico. Já há uma prática forte de avaliação de ativos que leva em conta o desempenho ESG de empresas e instrumentos financeiros”, comenta Pimentel.

De acordo com a última pesquisa de sustentabilidade da Anbima, feita com instituições do mercado financeiro, as principais dificuldades na adoção de práticas ESG são:

a definição do conceito de sustentabilidade, que muitas vezes é confundida com filantropia;
a ausência de manuais ou guias que estabeleçam parâmetros para todos os tipos de negócio em todas as regiões do mundo e uniformizem informações e reportes, além uma multiplicidade de índices, cálculos e metodologias utilizadas por diferentes instituições como forma de aferir, determinar ou verificar o impacto das medidas adotadas por companhias dos mais variados setores; e
adaptação das referências internacionais para a nossa realidade local, que tem necessidades e demandas distintas; e
os riscos do greenwashing.

Patrícia Herculano, superintendente de Representação Institucional da entidade, destaca ações em prol do ESG como a criação de um curso gratuito sobre sustentabilidade, a publicação de duas edições de um guia ESG, além da realização da pesquisa e dos critérios para a identificação de fundos de investimento de ações e de renda fixa sustentáveis pela autorregulação.

FONTE: ESTADÃO CONTEÚDO –  AGÊNCIA ESTADO – ESTADO DE SÃO PAULO

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

CHARGE – CARTUNISTA

COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: BRASIL É O 8º MERCADO DE MÚSICA GRAVADA DO MUNDO – Por Silvio Persivo

    Com um faturamento de R$ 3,958 bilhões, crescimento de 14,1%, segundo a Pró-Música Brasil, o Brasil se tornou o 8º maior mercado de música gravada do mundo em 2025. Do total do faturamento cerca de R$ 3,4 bilhões vieram do streaming, que aparece como principal motor das receitas do setor.  Neste cenário, a Associação Brasileira da Música Independente (ABMI) amplia sua agenda de conexões comerciais por meio do BMK (Brazil Music Market), um projeto voltado à aproximação de artistas, selos e empresas com profissionais e oportunidades da indústria musical. Em outubro, são previstas ações no Formemus, no Espírito Santo, e, em novembro, na Semana Internacional de Música de São Paulo (SIM São Paulo). Para Talita Cordeiro, diretora-geral da ABMI, o avanço do mercado brasileiro precisa se traduzir em oportunidades concretas para as empresas independentes. A discussão envolve o acesso a novos mercados, a construção de parcerias comerciais e a capacidade de transformar a circulação internacional da música brasileira em negócios sustentáveis. FONTE: COLUNA TEIA DIGITAL –  POR SILVIO PERSIVO

COLUNA DO GOMINHO JÚNIOR

COLUNA NOTÍCIAS DA CORTE

COLUNA TEMPO REAL POR GOMES OLIVEIRA

PARCERIA

CLIQUE NA IMAGEM ABAIXO E ACESSE NOSSO APLICATIVO NA NUVEM

Acesse nossa Página do Facebook

Folha Rondoniense is Protected by

Sobre nós

Folha Rondoniense todos os Direitos Reservados @ Endereço: Rua Nicaraguá 7246, Centro, Candeias do Jamari

facebook: folha Rondoniense.folha Rondoniense.