Brasil Produtivo

Comunidades muçulmanas abrem as portas para empresas brasileiras com certificação Halal

Um quarto da população mundial consome produtos Halal

O Brasil é considerado o maior produtor e exportador mundial de carne bovina e segundo maior de frangos, além de ser líder na comercialização de carnes Halal, método de corte diferenciado de acordo com as leis islâmicas. A cada ano, aumenta o consumo de produtos Halal no Mundo. Segundo um levantamento realizado pelo instituto americano Pew Research Center, a população de muçulmanos crescerá 73% entre 2010 e 2050. Em 2010, havia 1,6 bilhão de muçulmanos. Atualmente, há em torno de 1,8 bilhão de islâmicos, ou seja, praticamente ¼ da população mundial. Em 2050, segundo a previsão, serão 2,76 bilhões de muçulmanos no mundo.

Para atender a este mercado que cresce diariamente, diversas empresas estão se preparando para obter a certificação “Halal”, selo no qual é exigido por estes países na importação, em que, garantem a qualidade da carne. Para se ter uma ideia do potencial deste mercado, o Brasil é referência mundial e atualmente exporta para 57 países islâmicos, sendo 22 países árabes, o que resulta em mais de dois milhões de toneladas de carne ao ano. Estima-se que a economia Halal global atinja a marca de US$ 6,4 trilhões este ano, acima dos US$ 3,2 trilhões contabilizados em 2012, conforme dados levantados pelo ESMA – Autoridade de Padrões e Metrologia dos Emirados Árabes.

Cdial Halal abrindo portas para o mundo

A Cdial Halal já certificou produtos para mais de 150 países. A comunidade islâmica está presente em todo o planeta, porém, há um forte crescimento em toda a África, Ásia, Oriente Médio e Europa.  A Indonésia importa US$ 20 bilhões de dólares ao ano, principalmente trigo, açúcar, complexo de soja, algodão, frutas, carne bovina e milho. O Brasil é considerado o quinto maior parceiro comercial da Indonésia em produtos agroalimentares, exportando, principalmente, farelo de soja, milho, algodão e o segundo maior exportador de açúcar. De acordo com Ali Saifi, diretor-executivo da certificadora de alimentos halal, Cdial Halal, o Brasil tem produtos e expertise para atender ao mercado muçulmano.

Outro mercado gigantesco é dos Emirados Árabes Unidos. Atualmente importam US$ 20 bilhões de produtos de consumo Halal, segundo a consultoria Farrely & Mitchell (em recente pesquisa), especializada em alimentos e agroindústria. Para se ter uma ideia, os Emirados Árabes Unidos abrigam 5 mil importadores, fabricantes e estoquistas de produtos Halal. O ESMA deverá emitir este ano em torno de 18 mil certificações Halal – que é uma das mais altas do mundo.

A Ásia também tem se destacado muito quando o assunto é alimento halal. A Coreia do Sul é a terceira maior economia do continente e a décima no mundo. Em 2016, a Coreia foi o quinto maior parceiro comercial do Brasil. Atualmente, o Brasil representa 6% do mercado coreano. “O mercado halal neste país tem uma grande potência. O governo está investindo fortemente neste segmento, principalmente em restaurantes e supermercados halal devido ao aumento de turistas. No ano passado, em torno de 740 mil muçulmanos visitaram a Coreia do Sul”, relata Ali. Outro país que tem levado a sério a questão halal é a China. O setor halal no país deverá atingir US$ 1,9 trilhão até 2021. A China tem uma forte demanda doméstica por alimentos halal, estimada em US$ 20 bilhões dos 26 milhões de consumidores muçulmanos. Embora a população muçulmana na China seja de apenas 2%, a crescente popularidade dos alimentos halal como uma opção saudável também tem impulsionado a demanda.

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), em 2017, as exportações brasileiras para os países árabes somaram pouco mais de 405 mil toneladas, um incremento de 6,58% em relação a 2016. Já em faturamento, as vendas cresceram 16,13% e fecharam em torno de US$ 1,6 bilhão. Os resultados representam 25% do faturamento total das exportações brasileiras de carne bovina e 26% do total embarcado no ano passado.

FONTE: LN COMUNICAÇÃO

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