Ação também visa sanar críticas dos Estados Unidos sobre segurança da ilha e banir ideia de anexação
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) iniciou, na quarta-feira (11), uma operação para reforçar a segurança no Ártico. A ação, segundo o secretário-geral da aliança militar, Mark Rutter, ocorre em meio ao aumento da atividade militar da Rússia e ao crescente interesse da China na região.
Chamada de Arctic Sentry, a missão será responsável por coordenar o aumento da presença militar dos aliados da Otan no Ártico. A operação também contará com exercícios militares, incluindo o “Arctic Endurance on Greenland” da Dinamarca, que visa proteger a Groenlândia, e ações de vigilância.
“A Arctic Sentry reforça o compromisso da aliança em proteger seus membros e manter a estabilidade em uma das áreas mais estratégicas e ambientalmente desafiadoras do mundo. A missão aproveitará a força da Otan para garantir que o Ártico e o Extremo Norte permaneçam seguros”, disse o general da Força Aérea dos Estados Unidos Alexus Grynkewich, comandante supremo aliado na Europa da Otan.
A nova missão foi planejada após conversas entre Rutte e o presidente norte-americano, Donald Trump, que insiste no discurso de anexar a Groenlândia aos Estados Unidos. A ilha é um território dinamarquês autônomo entre o Atlântico Norte e o Oceano Ártico, e vem atraindo o interesse do republicano desde seu primeiro mandato (2017-2021) devido à alta quantidade de minérios raros e à posição geográfica estratégica.
A ambição de Trump resultou em uma crise entre Washington e os governos da Dinamarca e Groenlândia, que enfatizaram diversas vezes que a ilha “não está à venda”. A ideia da Otan é que a operação sane as críticas do presidente norte-americano, que acusa a ilha de não fazer o suficiente para proteger o território dos interesses russos e chineses.
Por que o Ártico é importante para a Otan?
O Ártico é uma porta de entrada para o Atlântico Norte, abrigando importantes ligações comerciais, de transporte e de comunicação entre a América do Norte e a Europa.
É também uma área de crescente competição estratégica. A Rússia aumentou significativamente as atividades militares na região – estabelecendo um novo Comando Ártico, reabrindo instalações militares e testando novos sistemas de armas na região. O interesse da China também está crescendo, à medida que Pequim busca obter acesso a energia, minerais críticos e rotas marítimas de comunicação.
Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas estão afetando o Ártico e o Alto Norte, com o derretimento acelerado das geleiras, conforme apontado em relatórios internacionais. O cenário abre novas rotas marítimas — que podem reduzir drasticamente o tempo de viagem entre Ásia, Europa e América do Norte — e facilita o acesso a recursos minerais críticos. Além disso, altera o ambiente operacional das Forças Armadas na região.
FONTE: SBT NEWS


























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