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Com bombas de gás, Talibãs dispersam protesto de mulheres

Por mais um dia consecultivo afegãs saíram pelas ruas de Cabul para exigir seus direitos e participação no futuro governo

O Talibã dispersou com gás lacrimogêneo e disparos para o alto um protesto organizado neste sábado (4) por mulheres afegãs, que pelo segundo dia consecutivo saíram às ruas de Cabul para exigir seus direitos e sua participação em um futuro governo afegão.

As mulheres afegãs partiram do Ministério de Relações Exteriores em direção aos portões do Palácio Presidencial quando foram detidas pelo Talibã.

“Eles nos impediram de continuar a marcha e disseram que não é permitido ir até o portão do Palácio Presidencial. Elas usaram tiros e gás lacrimogêneo para nos dispersar, mesmo que cinco mulheres se reúnam em um lugar para protestar, elas as dispersam”, afirmou à Agência Efe uma das organizadoras do protesto, que solicitou anonimato. Ela denunciou que uma das manifestantes sofreu um ferimento na cabeça.

Foi o segundo protesto de mulheres em Cabul nos últimos dois dias e o terceiro desde que o Talibã assumiu o controle da maior parte do país. Nesta sexta, cerca de 20 afegãs se reuniram para exigir seus direitos sob o novo regime.

“O protesto de hoje estava de acordo com o apelo de ontem ao Talibã para dar às mulheres uma participação significativa em todos os aspectos da vida, inclusive na tomada de decisões e na política”, declarou à Efe a ativista Samira Khairkhwa, outra organizadora dos protestos em Cabul.

Samira prometeu que os protestos das mulheres continuarão até que o Talibã aceite as suas exigências. “Não ficaremos caladas e não nos fecharemos em nossas casas”, destacou.

Os islamistas prometeram que seu governo será “inclusivo”, representando todas as etnias e tribos do país, mas no caso das mulheres, os líderes fundamentalistas pediram para esperar para ver quais serão as novas diretrizes. Eles disseram que, enquanto isso, as oficiais serão pagas em casa.

As mulheres do Afeganistão defendem que nos últimos 20 anos obtiveram grandes ganhos em direitos e educação, portanto também merecem trabalhar como ministras, diretoras e em outros cargos governamentais.

Elas também pedem para a comunidade internacional não se esquecer delas, escutar as suas vozes e trabalhar na defesa de seus direitos.

FONTE: EFE

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